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28 de maio de 2026

[Rsm] A Produção de Informações Estratégicas (1974)

 



Resumo estruturado de A Produção de Informações Estratégicas

Washington Platt

Segue o resumo estruturado de todos os capítulos de A Produção de Informações Estratégicas, de Washington Platt, mantendo a ordem lógica da obra. Condensei sem inventar coisa nenhuma.


1. Prefácio

1.1. Importância das Informações Estratégicas

O autor afirma que um dos maiores problemas do mundo civilizado é prevenir uma guerra de grande proporção. As informações, antes vistas sobretudo como fator de vitória militar, passam a ter também uma função preventiva: auxiliar decisões políticas e estratégicas capazes de evitar conflitos.

1.2. Necessidade de fundamentos comuns

A produção de Informações Estratégicas em escala ampla e sistemática é apresentada como atividade relativamente nova, consolidada sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. Por isso, faltavam princípios aceitos, doutrina comum, métodos de trabalho e formação organizada. O livro busca dar um passo nessa direção.

1.3. Público da obra

O livro se destina principalmente ao oficial de informações, mas também a supervisores, revisores, consultores, cientistas sociais e executivos. Platt observa que todos enfrentam problemas semelhantes: tirar conclusões importantes de dados insuficientes.

2. Capítulo I — Introdução

2.1. Amplitude do campo das informações

O campo das informações é descrito como vasto, porque quase todos os ramos do conhecimento podem ser relevantes: história, geografia, economia, política, ciência, psicologia, ciência militar e outras áreas. As atividades de informações são divididas em coleta ou busca, produção e difusão, com apoio de administração, foto-interpretação, interrogatório, documentação e outras técnicas.

2.2. Definição de produção de informações

A produção de informações não é a simples busca de dados, nem o arquivamento, tradução ou catalogação de documentos. Ela consiste em selecionar, avaliar, interpretar e apresentar fatos de modo claro, expressivo e útil. O informe bruto torna-se informação acabada quando seu significado é extraído e comunicado.

2.3. Objetivos do livro

O livro pretende apresentar conceitos úteis ao analista, auxiliar supervisores e consultores, e contribuir para uma doutrina básica da produção de informações. Platt quer também mostrar soluções já existentes em outras disciplinas, indicar instrumentos promissores e advertir contra armadilhas como analogias apressadas, afirmações sem grau de certeza e métodos não testados.

2.4. Informações estratégicas e informações de combate

As Informações Estratégicas tratam de assuntos amplos ligados à política nacional, segurança e atividades estrangeiras. Já as informações de combate são mais imediatas, ligadas a operações militares. Muitos princípios são comuns, mas as informações estratégicas exigem campo mais largo e julgamento mais complexo.

2.5. A metáfora da trama e urdidura

Platt compara a informação final a um tecido: a urdidura seria o método técnico de uma área, como economia; a trama seria a técnica própria das informações. Uma boa informação econômica, por exemplo, nasce da combinação entre competência econômica e competência profissional em informações.

2.6. Produto como recompensa

A Comunidade de Informações existe para produzir informações úteis a órgãos como Forças Armadas, Departamento de Estado e Conselho de Segurança Nacional. O acúmulo de dados não vale por si. O valor aparece quando o analista encontra o significado da massa de informes e entrega algo utilizável para ação ou formulação política.

2.7. Arcádia e Cortínia

O autor cria dois países fictícios para exemplos: Arcádia, uma nação presumivelmente amiga e fora da cortina de ferro; e Cortínia, uma nação imaginária atrás da cortina de ferro, onde os fatos são difíceis de obter. São ferramentas didáticas.

3. Capítulo II — Princípios básicos da produção de informações

3.1. Diferença entre trabalho erudito e informação

O capítulo distingue o documento erudito do documento de informações. O documento erudito busca ampliar o conhecimento humano e pode manter valor por décadas. Já o documento de informações é julgado por sua utilidade imediata para uma decisão, uma política ou uma ação.

3.2. Utilidade como critério único

A utilidade é o critério central. A informação não existe para exibir erudição, estilo ou vaidade profissional, mas para servir a uma finalidade. O tempo do leitor e o tempo do redator são recursos limitados; por isso, a informação deve concentrar-se no que realmente ajuda o destinatário.

3.3. Oportunidade

A oportunidade é apresentada como princípio frequentemente negligenciado. Uma informação perfeita, mas entregue tarde demais, perde valor. A obra insiste que a informação deve ser verdadeira, mas também oportuna e bem apresentada.

3.4. Depreciação das informações

Platt observa que diferentes tipos de informação perdem valor em velocidades distintas. Informações táticas de combate se depreciam rapidamente; informações sobre terreno, infraestrutura ou características semipermanentes podem durar mais. O analista deve ajustar profundidade e prazo ao tipo de informação.

3.5. O “caso da ponte comprida”

O exemplo da ponte comprida mostra o perigo de produzir relatórios extensos e demorados quando o valor da informação exige rapidez. O analista excessivamente acadêmico pode querer completar tudo antes de entregar, mas a informação útil muitas vezes exige seleção, prioridade e entrega no momento certo.

3.6. A verdade, oportuna e bem apresentada

O ideal da informação é resumido na fórmula: verdade, oportuna e bem apresentada. “Bem apresentada” não significa apenas gramática correta, mas clareza, organização, ênfase, adequação ao leitor e ausência de ambiguidades perigosas.

3.7. Os Nove Princípios de Informações

Platt propõe princípios análogos aos Princípios da Guerra, inspirando-se em Clausewitz. Eles não são fórmulas perfeitas, mas guias práticos para formar doutrina comum.

3.8. Finalidade

O princípio da Finalidade afirma que todo projeto de informações deve ser guiado pelo uso esperado. A finalidade determina calendário, extensão, linguagem, profundidade e forma do tratamento.

3.9. Definições

O princípio das Definições exige precisão nos termos centrais. Palavras como possibilidades, vulnerabilidades, intenções, curto prazo e guerra não convencional precisam de sentido claro para evitar confusão.

3.10. Exploração das fontes

O princípio das Fontes recomenda acionar todas as fontes capazes de esclarecer o problema. Fontes diversas permitem comparação, confirmação cruzada, redução de erro e maior perspectiva.

3.11. Significado

O princípio do Significado afirma que fatos isolados raramente falam por si. O analista deve explicar o que o dado quer dizer, comparando-o com outros dados, períodos, países ou situações.

3.12. Causa e efeito

O princípio de Causa e Efeito orienta o analista a buscar relações causais, fatores-chave e mecanismos da situação. Isso ajuda tanto a compreender o problema quanto a tornar a informação útil para decisões políticas.

3.13. Espírito do povo

O princípio do Espírito do Povo recomenda considerar cultura, moral, religião, folclore, patriotismo, fanatismo, pacifismo, derrotismo e vontade de vencer. O espírito coletivo pode multiplicar ou reduzir capacidades objetivas.

3.14. Tendências

O princípio das Tendências exige observar direção, ritmo e padrão de mudança. O item estudado está crescendo, diminuindo, estabilizado, em ciclo ou em ruptura? Esse princípio se liga diretamente à previsão.

3.15. Grau de certeza

O princípio do Grau de Certeza exige indicar a confiabilidade de fontes, a precisão dos dados e a probabilidade das conclusões. A informação deve deixar claro o que é certo, provável, duvidoso ou apenas possível.

3.16. Conclusões

O princípio das Conclusões exige responder à pergunta: “E daí?”. Muitos leitores lembrarão apenas as conclusões; por isso, elas devem ser claras, concisas e cuidadosas, sem enganar pela brevidade.

4. Capítulo III — Do informe à informação

4.1. A soma de muitos nadas

O capítulo começa com a ideia de que muitos fatos aparentemente pequenos podem, reunidos, produzir algo significativo. A produção de informações transforma fragmentos dispersos em entendimento. O informe bruto, sozinho, é pobre; sua força aparece pela combinação, comparação e interpretação.

4.2. “Fatos nada significam”

Platt explica que a frase “fatos nada significam” não deve ser entendida literalmente. O ponto é que um fato isolado significa pouco se não for relacionado a outros fatos ou se seu significado não for explicitado. Um número, por exemplo, só ganha valor quando comparado com necessidade, tendência, capacidade ou contexto.

4.3. Fatos correlatos

O exemplo dos engenheiros formados na URSS mostra que um dado quantitativo isolado não basta. Saber que certo número de engenheiros se formou em determinado ano não esclarece se há excesso, escassez, progresso, atraso ou capacidade estratégica. O analista deve buscar relações, comparações, tendências e implicações.

4.4. Indagações mais profundas

O autor insiste que o produtor de informações deve ir além do dado inicial: o número cresce ou diminui? Como se compara aos Estados Unidos? Os engenheiros atendem a construção, pesquisa, operação, ensino ou administração? Há gargalo crítico? O dado só se torna informação quando responde a perguntas relevantes.

4.5. Busca do significado

A busca do significado é uma das tarefas centrais do analista. Platt usa o exemplo de Hanson Baldwin, comentarista militar do New York Times, cujos comentários tinham valor não por conterem mais dados brutos que um oficial em campo, mas por explicarem o sentido geral da situação.

4.6. Processo de produção como unidade

O processo de produção envolve seleção, avaliação, interpretação e apresentação. O autor compara essa atividade a outros campos que lidam com dados incompletos e decisões humanas. O problema não é apenas reunir fatos, mas organizar uma massa heterogênea de dados verdadeiros, falsos, parciais, relevantes e irrelevantes.

4.7. Níveis de informação

Platt distingue três níveis: situação, possibilidades e intenções. A situação pergunta: “Que estão fazendo?”; as possibilidades perguntam: “Que podem fazer?”; as intenções perguntam: “Que farão?”. O terceiro nível é o mais difícil, pois exige julgamento, conhecimento do povo, das lideranças e da situação integral.

4.8. Definições oficiosas

O capítulo define termos como vulnerabilidade, estimativa e potencialidades. Vulnerabilidades são fraquezas exploráveis; estimativa é avaliação de situação presente ou previsão; potencialidades são possibilidades que ainda não existem, mas podem surgir em futuro previsível.

4.9. Julgamento necessário

Mesmo com método, o julgamento continua indispensável. O analista deve pensar sobre seu campo, testar premissas e evitar conclusões forçadas. O exemplo de Sherlock Holmes serve para mostrar como raciocínios engenhosos podem parecer brilhantes, mas se tornar artificiais quando forçam dados para caber em uma conclusão.

4.10. Método científico aplicado

O método científico é adaptado à produção de informações por meio de fases como levantamento geral, definições, coleta, interpretação, formulação de hipóteses, conclusões e apresentação. O processo não é linear: há realimentação, pois novos dados podem alterar hipóteses, perguntas e caminhos de pesquisa.

5. Capítulo IV — Produção de informações como ato de pensamento criador

5.1. Limites da mera compilação

Platt distingue a compilação diligente do verdadeiro pensamento criador. Muitos problemas podem ser resolvidos por técnica e trabalho árduo, mas outros exigem experiência, julgamento, imaginação disciplinada e capacidade de formular soluções novas.

5.2. Problemas que exigem criatividade

O capítulo apresenta exemplos: criar método para avaliar a qualidade dos engenheiros de Cortínia; formular hipótese sobre artilharia de longo alcance; retratar o controle da ciência em um regime totalitário; prever retorno de comunistas ao poder em Arcádia; prever transportes internos de Cortínia; e redigir criativamente o relatório final.

5.3. Atividade mental e solução de problemas

O pensamento humano tende a divagar quando não é dirigido. A produção de informações exige orientar a mente para problemas concretos, rejeitar caminhos inadequados, colocar axiomas em dúvida e transformar dados confusos em uma estrutura inteligível.

5.4. Quatro estágios do pensamento criador

Platt organiza o pensamento criador em quatro estágios: acumulação, incubação, inspiração e verificação. Esses estágios se relacionam com as fases da produção de informações, mas não aparecem sempre de forma rígida ou separada.

5.5. Acumulação

A acumulação inclui cultura geral, coleta de fatos, leitura, experiência anterior e reunião de informes específicos. Ela não se limita ao projeto atual: o analista acumula ideias durante anos, e esse fundo mental será usado quando enfrentar problemas complexos.

5.6. Incubação

A incubação é o período em que a mente trabalha o problema sem aparente esforço direto. O autor valoriza pausas, amadurecimento e condições favoráveis para que conexões surjam. Naturalmente, não é mágica, embora humanos adorem chamar de inspiração aquilo que foi preparado por trabalho anterior.

5.7. Inspiração

A inspiração é o momento do lampejo, da hipótese nova, da forma correta de organizar o problema ou da solução inesperada. Ela depende da acumulação e da incubação, mas não pode ser simplesmente ordenada por memorando administrativo, infelizmente para chefes apressados.

5.8. Verificação

A verificação testa hipóteses, confronta dados, pesa objeções e protege contra conclusões sedutoras, porém falsas. A criatividade sem verificação vira fantasia; a verificação sem criatividade vira burocracia seca.

5.9. Procedimentos úteis

Platt recomenda procedimentos como estimular a imaginação, realizar discussões, começar pelo fim, pesar prós e contras e escrever o relatório. Discussões com outros ajudam a corrigir falhas, testar clareza e incorporar pontos de vista externos.

5.10. Seis tipos de mentes pesquisadoras

O autor observa que diferentes tipos de mente contribuem de formas distintas: mentes criadoras, críticas, meticulosas, indutivas, artísticas ou rotineiras podem ser úteis conforme o problema. O erro é esperar que todos pensem igual. A diversidade intelectual, quando bem conduzida, melhora a produção.

5.11. Sumário do capítulo

O pensamento criador é parte essencial da produção de informações. Ele exige pessoas adequadas, condições favoráveis, supervisão inteligente e aproveitamento de métodos vindos de disciplinas mais maduras.

6. Capítulo V — O auxílio das ciências sociais

6.1. Objetivo do capítulo

O capítulo mostra como as ciências sociais podem auxiliar o oficial de informações. Elas não transformam o analista em economista, sociólogo ou cientista político, mas oferecem conceitos, métodos, advertências e referências úteis para compreender atividades humanas.

6.2. Ciências naturais e ciências sociais

Platt diferencia as ciências naturais, em geral mais exatas e experimentais, das ciências sociais, que lidam com seres humanos, grupos, instituições, cultura, história e comportamento coletivo. As Informações Estratégicas combinam elementos dos dois campos.

6.3. Limitações das ciências sociais

As ciências sociais têm limitações: nem sempre permitem experimentação controlada, quantificação precisa ou leis gerais comparáveis às das ciências naturais. Mesmo assim, oferecem instrumentos valiosos, especialmente quando aplicadas com julgamento crítico.

6.4. Experimentação e quantificação

O capítulo reconhece o movimento moderno em direção à objetividade, quantificação e separação entre fato e juízo moral. Contudo, Platt alerta contra o exagero: nem tudo pode ser medido com precisão, e a aparência matemática não substitui compreensão real.

6.5. A história se repete?

A pergunta “A história se repete?” é tratada com cuidado. Situações históricas podem apresentar semelhanças úteis, como os casos de Napoleão e Hitler em relação à Rússia. Mas a repetição histórica não funciona como uma reação química. O valor está em analogias críticas, não em determinismo simplório.

6.6. Métodos como instrumentos

Platt defende o estudo de métodos como instrumentos de pesquisa. Em informações, ainda há poucos estudos metodológicos, mas o uso consciente de analogia, comparação, casos típicos e instrumentos sociais pode melhorar muito a análise.

6.7. Analogia

A analogia é útil para passar do conhecido ao desconhecido. Pode comparar produção, custos, comportamento ou instituições estrangeiras com situações mais conhecidas. Mas é perigosa quando usada sem avaliar diferenças, limites e ajustes necessários.

6.8. Método da percentagem

O método da percentagem usa uma base conhecida para estimar outra situação: por exemplo, supor que a produção por homem/hora em Cortínia seja certa porcentagem da produção dos EUA. O método exige conhecimento do contexto e julgamento maduro.

6.9. Casos típicos

Os casos típicos são importantes porque preservam a unidade dinâmica de uma situação social. Entrevistas com prisioneiros, refugiados e contatos ocasionais podem oferecer quadros vivos, mas precisam ser avaliadas criticamente para não serem tomadas como representativas sem fundamento.

6.10. Caráter nacional ou de grupo

O capítulo discute a ideia de caráter nacional ou caráter de grupo. Platt não a aceita de modo ingênuo, mas também não a descarta. Se diferenças consistentes existirem, podem ajudar a prever linhas de ação; se forem estereótipos, podem enganar o analista.

6.11. Estrangeiros são estranhos?

A pergunta sobre até que ponto os estrangeiros diferem dos americanos é apresentada como fundamental. O analista deve evitar tanto o provincianismo, que presume que todos reagem como ele, quanto o exotismo exagerado, que considera outros povos incompreensíveis.

7. Capítulo VI — Probabilidade e certeza

7.1. Valor da mentalidade probabilística

O capítulo afirma que a compreensão de probabilidades e estatística é uma das qualidades mais úteis ao oficial de informações. Não é necessário dominar matemática superior para adquirir uma mentalidade probabilística.

7.2. Probabilidade e improbabilidade

O analista deve entender que acontecimentos variam da quase certeza à quase impossibilidade. Também deve reconhecer que eventos improváveis ocorrem, mas não por isso deixam de ser improváveis. Um acontecimento raro não prova, por si só, uma regra.

7.3. Correlação e coincidência

Platt distingue correlação, coincidência e causalidade. A correlação pode sugerir uma conexão, mas não prova causa. O analista deve investigar se há relação real ou apenas sincronismo enganoso.

7.4. Distribuição, limite e amostragem

A mentalidade estatística ajuda a compreender dispersão, média, mediana, moda, desvio padrão, limites e amostras. Esses instrumentos ajudam a interpretar dados quantitativos e a evitar conclusões apressadas a partir de números isolados.

7.5. Precisão dos dados e tendências

Dados quantitativos devem ser avaliados conforme sua precisão e relevância. Diferenças pequenas podem ser insignificantes se a margem de erro for grande. Tendências só devem ser aceitas quando sustentadas por dados suficientes.

7.6. Terra de ninguém das informações

A área da incerteza é comparada à terra de ninguém da Primeira Guerra Mundial: perigosa, mas fértil. O oficial de informações não pode fugir da incerteza; deve patrulhá-la com método, prudência e coragem intelectual.

7.7. Regra das três partes

A Regra das Três Partes aparece como observação sobre adoção de inovações: um terço progressista aceita mudanças primeiro; um terço médio segue depois; um terço atrasado resiste. A regra serve como exemplo de distribuição prática, não como lei absoluta.

7.8. Aplicação das probabilidades levada a extremos

Platt cita ironicamente uma regra segundo a qual é mais seguro ser contra ideias novas, pois a maioria não prospera. O exemplo mostra que uma aplicação formalmente correta da probabilidade pode levar a uma atitude ruim se ignorar criatividade, oportunidade e valor potencial.

7.9. Expressão do grau de certeza

O autor insiste que relatórios de informações devem expressar grau de certeza. Informações podem ser úteis mesmo quando incertas, desde que revelem claramente o estado do conhecimento e da ignorância.

7.10. Sistema letra-número

O sistema classifica a idoneidade da fonte por letras de A a F e a probabilidade do informe por números de 1 a 6. A fonte pode ser absolutamente idônea, usualmente idônea, razoavelmente idônea, duvidosa, inidônea ou não julgável; o informe pode ser confirmado, provável, possível, duvidoso, improvável ou não julgável.

7.11. Nomenclatura da certeza

Platt propõe expressões padronizadas: quase certo, boas possibilidades, possibilidades equilibradas, boas possibilidades de que não e quase certo que não. O objetivo é criar entendimento comum entre redator e leitor.

8. Capítulo VII — A previsão

8.1. O nevoeiro do futuro

O capítulo trata da previsão como problema central das Informações Estratégicas. Toda informação tem interesse pelo futuro, seja imediato, seja de longo prazo. Planejamento político, militar e econômico depende de alguma tentativa de enxergar através do nevoeiro do futuro.

8.2. Boa previsão

Uma boa estimativa não precisa ser perfeita. Deve ser a melhor previsão possível com dados e métodos disponíveis, entregue no tempo certo e útil ao cliente. O critério continua sendo utilidade, não perfeição.

8.3. Cinco fatores fundamentais da previsão

Platt apresenta cinco fatores: adequação e precisão dos informes e premissas; espírito do povo; princípios gerais de previsão; competência nas ciências relacionadas; e capacidade criadora com julgamento criterioso.

8.4. Informes e premissas

Toda previsão começa pelos dados disponíveis. Sem bons informes, não há substituto milagroso. Quando os informes são incompletos ou imprecisos, o analista deve indicar isso ao leitor.

8.5. Espírito do povo

A previsão depende de compreender que tipo de povo, grupo ou elite está sendo estudado: cultura, energia, moral, progressismo, vontade de vencer e resistência a pressões. Esse fator conecta previsão ao estudo do caráter coletivo discutido no capítulo anterior.

8.6. Princípios gerais de previsão

Platt distingue três princípios amplos: previsão causativa, baseada em causas subjacentes; previsão análoga, baseada em comparação com situações semelhantes; e previsão probabilística, baseada em probabilidades.

8.7. Previsões para situações permanentes

Para situações que se desenvolvem ao longo do tempo, aparecem três formas: previsão por persistência, que projeta continuidade; previsão por trajetória, que prolonga uma tendência; e previsão cíclica, que observa padrões recorrentes.

8.8. Competência do autor

A previsão exige conhecimento da área tratada. Questões econômicas exigem economia; questões científicas exigem ciência; questões políticas exigem ciência política e história. O analista precisa saber quando usar especialistas.

8.9. Capacidade criadora e julgamento

Além de dados e competência técnica, a previsão exige imaginação disciplinada, experiência, maturidade e julgamento. A previsão combina técnica, conhecimento e arte intelectual. Ou seja, não basta uma planilha fingindo que entendeu o mundo.

8.10. Trabalho em equipe

Quando a competência necessária não está em uma pessoa, deve-se recorrer a trabalho em equipe. Especialistas de área, analistas experientes e peritos técnicos podem combinar perspectivas para melhorar a estimativa.

8.11. Situação-chave

O autor destaca a importância de localizar a situação-chave: onde decisões são realmente tomadas, quem as toma, quais fatores dominam e quais pontos críticos podem alterar o curso dos acontecimentos.

8.12. Fórmulas padrões de previsão

Platt recomenda o uso inteligente de fórmulas padronizadas, semelhantes às usadas pelo Exército em estudos de situação, ordens de combate e documentos de informações. Elas servem como guias, não como moldes rígidos.

9. Capítulo VIII — Características da profissão de informações

9.1. Informações como profissão

O capítulo analisa as informações como profissão, comparando-as com direito, medicina, engenharia, jornalismo, diplomacia e serviço militar. Platt afirma que as informações têm o formato de uma profissão, mas ainda são imaturas em formação, doutrina e pesquisa.

9.2. Profissões de estudo

As profissões de estudo dependem de análise teórica, educação formal, experiência, espírito profissional, associações, publicações e tradição. As informações possuem missão elevada, mas ainda carecem de vários desses elementos.

9.3. Educação formal

Platt defende a combinação entre educação formal e experiência prática. Em muitas profissões, a formação formal transmite princípios gerais antes da prática. Nas informações, a ausência de cursos acadêmicos específicos limita o desenvolvimento profissional.

9.4. Cursos acadêmicos informais

Na falta de escolas formais de informações, o oficial pode organizar seu próprio curso acadêmico informal, usando bibliografia, discussão com colegas e estudo sistemático. Quando vários oficiais estudam juntos, o progresso pode ser maior.

9.5. Inspiração profissional e espírito de corpo

Profissões maduras têm associações, encontros, revistas, debates e senso de comunidade. As informações, por causa do sigilo e da fragmentação, têm dificuldade em criar esse espírito profissional.

9.6. Profissão de um só cliente

Nos Estados Unidos, a profissão de informações tem praticamente um único cliente: o Governo americano. Isso torna a carreira peculiar, pois o especialista não pode simplesmente transferir seus serviços para muitos clientes alternativos, como faria um advogado, médico ou engenheiro.

9.7. Paralelo britânico

Platt menciona o exemplo do Ministério da Informação britânico, descrito por Duff Cooper, para ilustrar problemas semelhantes: mistura de profissionais de origens diversas, improvisação institucional e dificuldades de organização.

9.8. Restrições de segurança

As restrições de segurança são necessárias, mas criam barreiras profissionais. O sigilo dificulta publicações com nome do autor, crítica aberta, circulação de métodos, reconhecimento profissional e aperfeiçoamento por debate público.

9.9. Falta de retorno do leitor

O autor destaca que, em outras profissões, o autor recebe sinais de recepção: vendas, cartas, críticas, reimpressões. Em Informações Estratégicas, o analista frequentemente não sabe como o relatório foi recebido, usado ou modificado.

9.10. Por que ser oficial de informações?

A resposta final é simples: não há nada de especial na carreira, a menos que se goste de informações. Para quem gosta, a profissão oferece desafio intelectual, relevância política e satisfação de contribuir para decisões importantes.

10. Epílogo

10.1. Conclusões gerais

O epílogo resume a obra em ideias centrais: as informações possuem princípios próprios; a utilidade é dominante; a oportunidade é essencial; a busca do significado é vital; e os Nove Princípios formam base para doutrina e prática.

10.2. Produção como processo intelectual

Platt reforça que a produção de informações é essencialmente um processo intelectual. O estudo sistemático de métodos, condições de pensamento produtivo, ciências sociais, probabilidade e previsão pode melhorar o trabalho.

10.3. Profissão imatura

A produção de informações ainda é uma profissão em formação, com poucos cursos, pouca pesquisa metodológica e muitas peculiaridades. Mesmo assim, cada oficial pode avançar por estudo próprio, trabalho em grupo e reflexão crítica.

11. Apêndices

11.1. Apêndice A — Aproximação tipo “Pedro, o Grande”

O apêndice adverte contra o excesso de antecedentes históricos. Toda situação tem raízes no passado, mas um documento de informações não deve remontar indefinidamente. O redator deve usar o mínimo necessário de história para esclarecer a situação atual, sem transformar o relatório em biografia universal da humanidade, esse vício tão humano de começar qualquer assunto pela queda de Roma.

11.2. Apêndice B — Caráter nacional americano

O apêndice lista obras sobre mentalidade, caráter ou espírito nacional americano, para mostrar a variedade e os limites desses estudos. O objetivo é estimular julgamento crítico sobre descrições de caráter nacional.


Referências citadas

1. Autor e obra principal

Washington PlattA Produção de Informações Estratégicas; título original: Strategic Intelligence Production.

2. Tradutores, edição e instituições editoriais

Major Álvaro Galvão Pereira; Capitão Heitor Aquino Ferreira; Biblioteca do Exército-Editora; Livraria Agir Editora; Artes Gráficas Indústrias Reunidas S.A.; Frederick Praeger, Inc.; Coleção General Benício.

3. Autores e pessoas mencionadas

Sherman Kent; Carl von Clausewitz; John Milton; Dorothy Libby; Churchill Eisenhart; Vannevar Bush; Trevelyan; Alfred North Whitehead; Louis Gottschalk; J. M. Driscoll; C. S. Hyneman; George S. Pettee; E. E. Schwien; R. R. Glass; P. B. Davidson; R. E. Gibson; S. E. Morison; Gilbert Highet; K. A. Townley; Lord Strang; Harold Benjamin; Morris R. Cohen; Irving Lee; P. H. Furfey; Wm. J. Goode; P. K. Hatt; Margaret Mead; Rhoda Métraux; Sir J. A. Thomson; Wilson Gee; J. B. Conant; Lionel Ruby; Henri Poincaré; W. D. Bancroft; R. A. Baker; J. Rossman; G. Polya; W. I. B. Beveridge; William James; John Dewey; George Humphrey; Graham Wallas; J. L. Lowes; A. F. Osborn; O. W. Holmes; H. A. Ruger; I. M. Bentley; A. T. Poffenberger; R. S. Woodward; E. A. Benger; J. Charteris; Allen Kent; J. H. Robinson; Pierre Cros; E. B. Wilson Jr.; E. A. Burtt; H. B. Smith; A. M. Cooper; B. Strauss; F. Strauss; Chas. P. Curtiss Jr.; F. Greenslet; Stuart Chase; Kimball Young; L. G. Brown; Pierre Daninos; Wm. B. Munro; Charles Frankel; Ladislas Farago; C. A. Beard; H. J. Muller; I. D. J. Bross; P. F. Lazarsfeld; Morris Rosenberg; A. M. Frye; A. W. Levi; Alfred Stern; Leo Kartman; L. L. Bernard; Hanson Baldwin; Conan Doyle; Sherlock Holmes; Dr. Watson; Jacques Barzun; Klineberg; Rapoport; Friedman; Weaver; Scarne; Mosteller; Bush; John Hays Hammond; Henry G. Weaver; Duff Cooper; Marshall; Moroney; Almirante King; Pedro, o Grande; Carl Becker; Guilherme, o Conquistador.

4. Obras mencionadas

Strategic Intelligence for American World Policy; Strategic Intelligence; The Aims of Education; Understanding History; Methodology for Political Scientists; The Future of American Secret Intelligence; Combat Intelligence; FM 30-5 Combat Intelligence; Intelligence is for Commanders; Admiral of the Ocean Sea; Juvenal the Satirist; Home and Abroad; An Introduction to Human Problems; Reason and Nature; Language Habits in Human Affairs; The Scope and Method of Sociology; Methods in Social Research; The Study of Culture at a Distance; Introduction to Science; The Outline of Science; Social Science Research Methods; Modern Science and Modern Man; The Art of Making Sense; Writing History; Harvard Guide to American History; Science et Méthode; The Methods of Research; The Psychology of the Inventor; How to Solve It; On Understanding Science; The Art of Scientific Investigation; Pragmatism; How We Think; Directed Thinking; The Art of Thought; Road to Xanadu; Applied Imagination; Mechanism in Thought and Morals; Psychology of Efficiency; The Field of Psychology; Applied Psychology; Field Marshall Earl Haig; Literature Research as a Tool for Creative Thinking; Mind in the Making; Imagination - Undeveloped Resource; An Introduction to Scientific Research; Right Thinking; How the Mind Falls into Error; The Rhyme of Reason; How to Conduct Conferences; New Ways to Better Meetings; The Practical Cogitator; The Proper Study of Mankind; The Social Sciences and the Natural Sciences; An Introductory Sociology; Social Psychology; The Notebooks of Major Thompson; The Case for Modern Man; War of Wits; Uses of the Past; Design for Decision; The Language of Social Research; Rational Belief; Science and the Philosopher; Metaphorical Appeals in Biological Thought.

5. Conceitos principais

Informações Estratégicas; informação de combate; produção de informações; informe bruto; informação acabada; coleta; busca ostensiva; busca sigilosa; difusão; utilidade; oportunidade; finalidade; definições; fontes; significado; causa e efeito; espírito do povo; tendências; grau de certeza; conclusões; vulnerabilidade; estimativa; potencialidades; método científico; realimentação; pensamento criador; acumulação; incubação; inspiração; verificação; ciências sociais; analogia; casos típicos; caráter nacional; probabilidade; improbabilidade; correlação; coincidência; distribuição; amostragem; desvio padrão; tendência; previsão causativa; previsão análoga; previsão probabilística; previsão por persistência; previsão por trajetória; previsão cíclica; mentalidade probabilística; sistema letra-número; nomenclatura da certeza; terra de ninguém das informações.

6. Lugares, países e entidades geopolíticas

Estados Unidos; URSS; Rússia; Europa; Oriente Médio; Arcádia; Cortínia; Grã-Frusina; Cuba; Paris; África; Lyonesse.

7. Eventos e períodos históricos

Segunda Guerra Mundial; Primeira Guerra Mundial; campanha da Europa; invasão da Rússia por Napoleão; guerra geral na Europa; operações navais da Segunda Guerra Mundial; queda do Império Romano, mencionada como exemplo de excesso histórico.

8. Instituições e organizações

Comunidade de Informações; Forças Armadas; Departamento de Estado; Conselho de Segurança Nacional; Exército Americano; Governo americano; Ministério da Informação britânico; Universidade de Harvard; Universidade de Columbia; Universidade de Princeton; Universidade de Chicago; Johns Hopkins Magazine; New York Times; Sociedade Sherlock Holmes de Londres; Irregulares de Baker Street.

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