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Resumo — Teeteto: o problema do conhecimento
1. Problema central do diálogo
1.1. A pergunta principal
O diálogo Teeteto, de Platão, investiga a questão: o que é conhecimento? A obra examina três respostas possíveis, mas nenhuma delas é aceita como satisfatória ao final.
1.2. Conclusão aporética
O diálogo termina de modo aporético, isto é, sem uma solução definitiva. As três definições de conhecimento são analisadas e recusadas, mostrando mais o caminho dialético da investigação do que uma resposta final fechada.
2. As três definições de conhecimento
2.1. Conhecimento como sensação
A primeira definição afirma que conhecimento é sensação. Essa tese se liga à doutrina de Protágoras, segundo a qual o homem é a medida de todas as coisas.
Se cada pessoa conhece conforme suas próprias sensações, então o conhecimento se torna relativo ao sujeito. O resultado é o relativismo, pois não haveria uma verdade objetiva, mas apenas percepções individuais.
2.2. Conhecimento como opinião verdadeira
A segunda definição afirma que conhecimento é opinião verdadeira. O problema dessa tese aparece quando Sócrates tenta explicar a opinião falsa.
O texto mostra que não é possível definir adequadamente a falsa opinião sem antes saber o que é conhecimento. Assim, essa definição também fracassa.
2.3. Conhecimento como opinião verdadeira acompanhada de explicação
A terceira definição afirma que conhecimento é opinião verdadeira acompanhada de explicação. A explicação pode significar falar, descrever analiticamente ou indicar a diferença específica de algo.
Essa definição também não é suficiente. Segundo o texto, ela só poderia se sustentar plenamente com base na doutrina das ideias de Platão.
3. A maiêutica socrática
3.1. O método de Sócrates
O diálogo é importante por apresentar a maiêutica socrática, método pelo qual Sócrates ajuda seus interlocutores a “dar à luz” ideias.
A função de Sócrates não é transmitir verdades prontas, mas auxiliar o jovem a formular suas ideias de modo claro, ordenado e preciso.
3.2. Julgamento das ideias
Sócrates também avalia a qualidade das ideias apresentadas. Ele verifica se são sólidas, bem-formadas e verdadeiras, ou se são apenas ilusões e opiniões frágeis.
4. Protágoras, Heráclito e o relativismo
4.1. Protágoras
A tese de Protágoras afirma que cada homem é a medida de todas as coisas. Isso significa que o conhecimento dependeria da percepção individual de cada sujeito.
Se essa tese for aceita, todos os que percebem algo seriam igualmente sábios, pois cada percepção teria validade própria.
4.2. Heráclito e o eterno devir
A tese de Heráclito afirma que tudo está em permanente transformação. O real seria marcado pelo devir, pelo movimento e pela mudança constante.
Essa doutrina reforça o relativismo, pois, se tudo muda continuamente, não haveria estabilidade suficiente para fundar um conhecimento verdadeiro e universal.
4.3. Crítica platônica
Platão recusa a identificação entre conhecimento e sensação. Para ele, os sentidos não captam o ser e a verdade de modo suficiente.
O conhecimento verdadeiro exige algo além da percepção sensível: exige a atuação da alma e da inteligência.
5. Parmênides e o problema do ser
5.1. A tese eleática
Parmênides funda a escola eleática e defende que o ser é imutável, imóvel, absoluto e indivisível.
Para Parmênides, o não-ser não pode ser pensado nem expresso. A razão afirma o ser e nega o não-ser.
5.2. O limite da posição de Parmênides
A filosofia de Parmênides salva o ser, mas perde os fenômenos. Ao afirmar apenas a unidade imóvel do ser, sua doutrina não consegue explicar adequadamente a multiplicidade e a mudança do mundo sensível.
5.3. Contraste com Heráclito
Enquanto Parmênides salva o ser e perde a multiplicidade, Heráclito salva os fenômenos e atribui ao real a natureza do múltiplo e do movimento.
Platão buscará superar essa oposição por meio da distinção entre o mundo sensível e o mundo inteligível.
6. Zenão e Melisso
6.1. Zenão de Eleia
Zenão de Eleia defende Parmênides usando argumentos que reduzem ao absurdo as teses contrárias à imobilidade do ser.
Sua forma de argumentar antecipa a dialética e contribui para o desenvolvimento posterior da lógica e da investigação filosófica.
6.2. Melisso de Samos
Melisso de Samos sistematiza a doutrina de Parmênides, reforçando a defesa da unidade, imobilidade e eternidade do ser.
7. A teoria das ideias como solução platônica
7.1. A insuficiência dos pré-socráticos
O texto mostra que as respostas dos pré-socráticos são insuficientes para explicar a complexidade do real.
A solução platônica aparece na teoria das ideias, que distingue entre o mundo sensível e o mundo inteligível.
7.2. Mundo sensível e mundo inteligível
O mundo sensível é o mundo da mudança, do devir e da multiplicidade. Ele corresponde ao plano descrito por Heráclito.
O mundo inteligível é o mundo das ideias, marcado pela estabilidade, unidade e eternidade. Ele corresponde ao plano do ser descrito por Parmênides.
7.3. Síntese entre Heráclito e Parmênides
Platão concilia Heráclito e Parmênides ao afirmar que ambos descrevem aspectos diferentes da realidade.
O mundo sensível está em movimento, como dizia Heráclito. O mundo das ideias é imóvel e eterno, como defendia Parmênides.
8. A segunda navegação
8.1. Sentido da metáfora
No Fédon, Sócrates afirma que não encontrou resposta suficiente entre os filósofos naturalistas. Por isso, empreendeu uma segunda navegação.
A metáfora indica a passagem do conhecimento baseado nos sentidos para um método voltado ao suprassensível.
8.2. A descoberta do suprassensível
A segunda navegação conduz à descoberta das ideias, realidades eternas, imutáveis e inteligíveis.
As coisas sensíveis participam dessas ideias. Algo belo, por exemplo, é belo porque participa do belo em si.
9. Ideia, visão e inteligência
9.1. O sentido de ideia
O termo ideia vem de uma raiz ligada ao verbo “ver”. Em Platão, porém, a ideia não é apenas forma visível, mas forma inteligível, captada pela alma.
9.2. Olhos do corpo e olho da alma
Os olhos do corpo percebem as formas físicas e sensíveis.
O olho da alma percebe as formas inteligíveis, isto é, as essências das coisas.
10. Ciência clássica e ciência moderna
10.1. Visão clássica da ciência
Na visão clássica, a ciência é a harmonia entre inteligência e realidade. O conhecimento verdadeiro alcança algo do próprio ser das coisas.
10.2. Visão moderna da ciência
Na visão moderna, especialmente a partir do empirismo e de Kant, a ciência passa a ser entendida como resultado da atividade mental aplicada às impressões sensíveis.
Com isso, permanece o abismo entre subjetividade e objetividade, entre a mente humana e a realidade das coisas.
11. Crítica ao empirismo e ao probabilismo
11.1. Empirismo inglês
O texto critica o empirismo inglês, segundo o qual todo conhecimento vem da sensação e, por isso, seria apenas provável.
Para essa visão, não haveria propriamente conhecimento verdadeiro e falso, mas graus de probabilidade.
11.2. Posição platônica
Para Platão, o provável não possui valor pleno de conhecimento. O conhecimento se divide entre verdadeiro e falso, não entre mais provável e menos provável.
A indução, segundo o texto, não define a essência das coisas; apenas percebe traços comuns entre vários seres.
12. Kant e o problema moderno do conhecimento
12.1. A questão kantiana
O texto afirma que o empirismo inglês influenciou a filosofia de Kant. A questão passa a ser: se o conhecimento começa na sensação, como explicar a objetividade da física e da matemática?
12.2. O limite da solução kantiana
Para Kant, o conhecimento objetivo é possível para o homem, mas não sabemos se ele corresponde realmente à realidade das coisas em si.
Assim, permanece a separação entre mundo real e inteligência humana.
13. Conclusão principal
13.1. O sentido do conhecimento em Platão
O conhecimento verdadeiro não é simples sensação, nem mera opinião verdadeira, nem opinião verdadeira acompanhada de explicação tomada isoladamente.
O verdadeiro conhecimento exige a capacidade de reunir a multiplicidade sensível na unidade da ideia.
13.2. Fórmula final
O verdadeiro conhecimento consiste em unificar a multiplicidade numa visão sinótica, reunindo os dados sensíveis na unidade da ideia da qual dependem.
Principais ideias
1. Conhecimento não é sensação
A sensação é variável, subjetiva e instável. Por isso, não pode fundamentar o conhecimento verdadeiro.
2. O relativismo nasce da identificação entre conhecimento e percepção
Se cada percepção individual for conhecimento, então cada homem será medida da verdade. Isso destrói a possibilidade de uma verdade objetiva.
3. Heráclito explica a mudança, mas não a estabilidade
O heraclitismo salva o movimento e os fenômenos, mas não explica a permanência necessária ao conhecimento.
4. Parmênides explica o ser, mas perde os fenômenos
O eleatismo salva a unidade e a estabilidade do ser, mas não explica suficientemente a multiplicidade e a mudança do mundo sensível.
5. Platão distingue dois planos da realidade
O mundo sensível é mutável e múltiplo. O mundo inteligível é estável, uno e eterno.
6. A teoria das ideias resolve o impasse
As ideias explicam a estabilidade do conhecimento e a existência das coisas sensíveis. Elas são a causa inteligível da realidade percebida.
7. A maiêutica conduz a alma à verdade
Sócrates não entrega respostas prontas. Ele ajuda o interlocutor a buscar a verdade dentro de si, trazendo ideias à luz e testando sua validade.
```Nomes, livros, autores e referências citadas
Pessoas e filósofos
- Platão
- Sócrates
- Teeteto
- Teodoro
- Euclides
- Terpsion
- Protágoras
- Heráclito
- Parmênides
- Zenão de Eleia
- Melisso de Samos
- Aristóteles
- Kant
- G. Reale
- J. Waeger
- Trasillo
Livros e diálogos citados
- Teeteto — Platão
- A República — Platão
- Fédon — Platão
- Crátilo — Platão
- Parmênides — Platão
- História da filosofia grega e romana — G. Reale
Escolas e correntes filosóficas
- Escola de Mégara
- Escola eleática
- Escola jônica
- Heraclitismo
- Eleatismo
- Empirismo inglês
- Filosofia kantiana
- Lógica clássica
- Lógica indutiva
- Relativismo
- Sensualismo
- Probabilismo
Conceitos fundamentais
- Conhecimento
- Sensação
- Percepção
- Opinião verdadeira
- Opinião falsa
- Explicação
- Maiêutica
- Ser
- Não-ser
- Devir
- Mundo sensível
- Mundo inteligível
- Ideia
- Teoria das ideias
- Segunda navegação
- Suprassensível
- Alma
- Verdade
- Relativismo
- Multiplicidade
- Unidade
- Visão sinótica
- Essência
- Indução
- Objetividade
- Subjetividade
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