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1 de julho de 2026

[Livro] Como Entender a Pintura Moderna (1981)

 





Intro


Indicação do Olavo no curso de princípios e métodos da auto-educação (2012)


Minha experiência


Mudou minha visão sobre a arte.


Conclusão


Recomendo.

abs!


P.s: outros livros sobre arte recomendados pelo olavo:

      • A História da Arte, de Élie Faure (na Biblioteca)

      • Arquitetura Gótica e Escolástica: sobre a analogia entre arte, filosofia e teologia na Idade Média de  Erwin Panofsky

P.s2: Livros recomendados por Carlos Cavalcanti: 




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Bibliografia sumária

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  • https://bomdiasc.com.br/carlos-cavalcanti-meritorio-pesquisador-da-arte/
  • https://camocimpotedehistorias.blogspot.com/2021/09/escritores-camocinenses-carlos.html


Como Entender a Pintura Moderna — Carlos Cavalcanti

Resumo objetivo e estruturado de todos os capítulos

A obra Como Entender a Pintura Moderna, de Carlos Cavalcanti, procura explicar a pintura moderna a partir de sua continuidade histórica, mostrando que suas formas aparentemente estranhas — deformação, abstração, autonomia da pintura, simbolismo, novas técnicas — não surgem por capricho, mas como resultado de transformações artísticas, sociais, científicas e técnicas.


I — O autor explica o livro

Problema inicial: gostar sem entender

O autor parte da constatação de que muitas pessoas dizem “gosto, mas não entendo” ou simplesmente “não entendo” quando se fala de pintura moderna. Ele apresenta exemplos de reações preconceituosas diante de obras abstratas ou deformadas, mostrando que a incompreensão nasce muitas vezes de hábitos visuais antigos e de conceitos tradicionais de beleza.

Objetivo didático da obra

O livro pretende abrir uma via de compreensão para o público, explicando a pintura moderna sem linguagem excessivamente técnica. Para isso, o autor decide voltar ao início da história da pintura e reconstruir a evolução que vai da Pré-História ao Realismo, até chegar ao Impressionismo, Cézanne, Van Gogh, Gauguin e às escolas modernas.

II — Nota à 3ª edição

Atualização do conteúdo

Na nota, o autor informa que a edição incorpora capítulos sobre Pop-Arte e Op-Arte, ampliando o panorama da pintura moderna para incluir tendências mais recentes ligadas à sociedade de consumo, à comunicação de massa, à tecnologia industrial e à arte cinética.

III — Da Pré-História ao Realismo

Pintura pré-histórica e passagem ao abstrato

A pintura começa com manifestações figurativas realistas do Paleolítico, como os animais representados nas cavernas de Altamira e Lascaux. No Neolítico, com a mudança da caça e pesca para a agricultura e pecuária, aparecem formas mais geométricas, decorativas e abstratizantes, indicando a primeira grande mudança de estilo da história da pintura.

Egito, Grécia, Roma e Cristianismo primitivo

A pintura egípcia é apresentada como sintética, decorativa e subordinada a regras religiosas, especialmente à lei de frontalidade. A pintura grega passa por fases arcaica, clássica e helenística, buscando equilíbrio, idealização e depois maior movimento. A pintura romana recebe heranças gregas, enquanto a pintura cristã primitiva recorre inicialmente a símbolos, em parte para evitar a idolatria.

Bizantino, Românico, Gótico e Renascimento

A pintura bizantina e românica manifesta intensa espiritualidade, forte simbolismo e deformações ligadas ao sentimento religioso. O Gótico aumenta o gosto pelo detalhe e prepara o realismo renascentista. O Renascimento marca a afirmação do humanismo, da perspectiva científica, do equilíbrio, da regularidade da forma e da retomada da Antiguidade clássica.

Barroco, Academismo, Rococó, Neoclassicismo, Romantismo e Realismo

O Barroco introduz dramaticidade, movimento e emoção. O Academismo sistematiza regras e convenções, transformando modelos do passado em normas. O Rococó expressa o refinamento aristocrático; o Neoclassicismo retorna à beleza ideal greco-romana; o Romantismo reage ao racionalismo acadêmico com imaginação, emoção e cor; e o Realismo afirma que a pintura deve representar as coisas concretas, observadas diretamente, sem idealização.

IV — A necessidade humana de expressão artística — Arte e Sociedade

Arte como necessidade humana universal

O autor afirma que a expressão artística é uma necessidade humana profunda, presente desde os povos pré-históricos até as crianças. A arte não é luxo nem passatempo, mas forma vital de expressão, ligada à sensibilidade, à emoção estética e ao impulso humano de organizar formas, ritmos e significados.

Arte e estrutura social

A obra insiste que os estilos artísticos não aparecem por acaso: eles correspondem às formas de vida, crenças, economia, organização social e visão de mundo de cada época. A arte paleolítica, a arte egípcia, a arte medieval, o Rococó, o Realismo e as escolas modernas são explicados como expressões de contextos sociais distintos.

Modernidade e autenticidade das novas formas

As formas modernas, mesmo quando chocam o público, são apresentadas como expressões autênticas das condições históricas modernas. O autor ressalta que a sociologia ajuda a explicar o surgimento dos estilos, mas não explica inteiramente o gênio criador individual.

V — Forma e Conteúdo

Definição de forma e conteúdo

Forma é o modo como linhas, cores, planos, ritmos e composição são organizados. Conteúdo é aquilo que a obra representa ou narra. O autor argumenta que, na verdadeira pintura, o valor artístico está sobretudo na forma, e não no simples assunto representado.

Erro da hierarquia acadêmica dos temas

O Academismo valorizava temas “nobres” — bíblicos, históricos, mitológicos — como se fossem superiores. O autor contesta essa hierarquia: uma cadeira ou um par de sapatos de Van Gogh podem ter mais valor artístico do que uma grande cena histórica mal resolvida plasticamente.

Forma como permanência da obra

O conteúdo muda conforme as épocas, crenças e sociedades; a forma, quando artisticamente autêntica, conserva a força da obra. Mesmo obras figurativas dependem de relações plásticas de forma, cor e composição, e não apenas do que representam.

VI — Plasticidade e Ilustração — O valor super-histórico da Arte

Plasticidade versus ilustração

Quando a forma domina, há plasticidade; quando o conteúdo narrativo domina, há ilustração ou anedótico. O autor compara obras de Vítor Meirelles e Portinari sobre a Primeira Missa, mostrando que a fidelidade histórica não basta: o valor artístico depende da solução plástica.

Valor super-histórico da arte

A arte possui valor super-histórico quando ultrapassa circunstâncias políticas, religiosas ou morais e conserva força expressiva por meio da forma. O autor cita diferentes épocas e regimes para mostrar que a arte pode servir a ideologias diversas, mas sua permanência depende da qualidade plástica.

Ritmo vital

A obra de arte expressa um ritmo vital, isto é, uma organização sensível de formas e cores capaz de comunicar vida, energia e integração. Esse ritmo é mais fundamental que a simples reprodução do real ou a intenção moral do artista.

VII — A deformação

Sentido da deformação

A deformação não é erro ou incapacidade técnica. Ela ocorre quando o sentimento, a ideia ou a necessidade expressiva do artista intervém na imagem visual. O autor mostra que deformações aparecem em diferentes épocas, inclusive em artistas consagrados como Rafael, Rubens, Murillo e El Greco.

Deformação como recurso expressivo

A deformação aparece em artes arcaicas, primitivas, medievais, infantis e modernas. Na pintura moderna, ela se torna recurso consciente para expressar sentimentos, tensões sociais, necessidades plásticas ou símbolos interiores, como em Van Gogh, Cézanne, Expressionismo, Fovismo e Cubismo.

VIII — O Impressionismo

Origem e nome

O Impressionismo surge publicamente em 1874, no salão do fotógrafo Nadar, em Paris. A denominação vem da crítica de Louis Leroy ao quadro Impression, soleil levant, de Claude Monet, usada inicialmente de modo depreciativo.

Comparação com escolas anteriores

O autor compara o modo de trabalho do neoclássico, do romântico, do realista e do impressionista. O neoclássico busca o belo ideal e a linha; o romântico privilegia emoção e cor; o realista busca verdade objetiva; o impressionista procura fixar as variações da luz solar sobre as cores, geralmente ao ar livre.

Princípios impressionistas

Os princípios centrais são: a cor não é permanente, a linha não existe na natureza, as sombras são luminosas e coloridas, as cores se influenciam por contrastes complementares, e a mistura das cores pode ocorrer por mistura ótica, como no Divisionismo ou Pontilhismo.

Caráter científico e visual

O Impressionismo tem base em pesquisas de óptica, física e química das cores, ligadas a Helmholtz, Chevreul, Newton e Tyndall. É uma pintura eminentemente visual, voltada às sensações de luz e cor, sem subjetivismo psicológico profundo.

Principais pintores

Entre os principais impressionistas estão Claude Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Bazille e Berthe Morisot. Monet é apresentado como a figura mais representativa da escola, dedicado às variações luminosas e às séries de um mesmo motivo em horas e condições diferentes.

IX — Cézanne e a reação ao Impressionismo

Reconstrução da estrutura

Cézanne reage à dissolução da matéria provocada pelo Impressionismo. Enquanto os impressionistas transformavam objetos em vibrações luminosas, Cézanne procura restaurar a sensação de estrutura, peso, densidade e totalidade dos objetos.

Visão plástica e simplificação geométrica

Para Cézanne, a realidade é sobretudo um conjunto de formas e cores. Ele simplifica as formas naturais, reduzindo-as a cilindros, esferas e cones, deslocando a pintura da pura sensação visual para uma elaboração também intelectual.

Origem do Cubismo

Sua simplificação das formas e sua tentativa de comunicar a estrutura total dos objetos preparam o caminho para o Cubismo, desenvolvido depois por Picasso e Braque.

X — Van Gogh

Vida, intensidade e expressão interior

Van Gogh é apresentado como artista solitário, instintivo e profundamente emotivo. Sua obra nasce de sentimentos intensos e da necessidade de expressão direta, apoiada por uma técnica pessoal, nervosa, vibrante e impulsiva.

Cor arbitrária e Expressionismo

Van Gogh declara que usa a cor arbitrariamente para expressar intensidade. Não quer copiar o que vê, mas pintar o que sente. Essa atitude, somada à deformação expressiva da cor e da linha, torna-se base do Expressionismo moderno.

XI — Gauguin

Vida e fuga da civilização europeia

Gauguin abandona a vida burguesa, a família e o emprego para dedicar-se à pintura. Passa por miséria, vive na Bretanha, convive com Van Gogh em Arles e depois vai para o Taiti, onde busca uma expressão mais primitiva, simbólica e elementar.

Sintetismo, primitivismo e Fovismo

Sua pintura valoriza a síntese, a memória, a imaginação, o símbolo, a cor intensa e o afastamento do naturalismo. Gauguin contribui diretamente para o Fovismo, ao afirmar valores elementares, primitivos e decorativos.

XII — O Expressionismo — 1905

Origem e oposição ao Impressionismo

O Expressionismo surge em 1905, especialmente na Alemanha, ligado ao grupo Die Brücke. Ele se opõe ao visualismo impressionista: em vez de traduzir sensações óticas, procura comunicar sentimentos, angústias, tensões espirituais e crítica social.

Deformação, técnica pessoal e crítica social

A deformação é sua característica geral, pois a imagem deve servir à intensidade emocional. A técnica não é acadêmica nem transmissível por regras fixas; cada artista cria meios próprios. O Expressionismo também funciona como documentário social, tratando de miséria, prostituição, exploração, infância infeliz e injustiça.

XIII — Fovismo — 1905

Origem no Salão de Outono

O Fovismo nasce no Salão de Outono de Paris, em 1905. A expressão vem da comparação dos jovens pintores a “feras”, por usarem cores violentas, puras e estridentes. Entre os nomes citados estão Matisse, Dufy, Marquet e Vlaminck.

Cor pura e instinto

O Fovismo recusa regras tradicionais como composição acadêmica, perspectiva, claro-escuro e cor local. Valoriza a cor pura, o instinto, a vitalidade e a expressão elementar, aproximando-se da arte infantil, selvagem e primitiva.

Diferença em relação ao Expressionismo

Enquanto o Expressionismo traduz sentimentos dramáticos e sociais, o Fovismo traduz sensações vitais primárias, mais instintivas que psicológicas. Ambos deformam, mas por razões distintas.

XIV — O Cubismo — 1908

Origem em Cézanne

O Cubismo deriva da simplificação geométrica de Cézanne e é desenvolvido por Picasso e Braque. Suas origens imediatas são associadas a Les demoiselles d’Avignon, de Picasso, e às paisagens geometrizadas de Braque.

Realismo intelectual e visão total

O Cubismo não quer imitar a aparência visual dos objetos, mas sugerir sua estrutura total, como se o observador os visse simultaneamente por vários ângulos. Assim, une realismo visual e realismo intelectual, decompondo planos, volumes e ângulos.

Cubismo Analítico e Sintético

O Cubismo Analítico decompõe minuciosamente as formas, com cores discretas e tons baixos. O Cubismo Sintético recompõe as formas com maior síntese, cores mais vivas, intenções decorativas e relações matemáticas de proporção e equilíbrio.

Letras, colagens e texturas

O Cubismo introduz letras tipográficas, papier collé, collage e materiais estranhos à pintura, como papel, jornal, madeira e metal. Também valoriza texturas e sensações tácteis, influenciando profundamente a pintura abstrata e as artes modernas.

Influência geral

A influência cubista alcança arquitetura, artes gráficas, artes aplicadas, desenho industrial, Purismo, Neoplasticismo, Futurismo e Raionismo.

XV — O Futurismo — 1909

Manifestos e culto da velocidade

O Futurismo nasce com o manifesto de Marinetti, publicado em Le Figaro, e com o manifesto dos artistas italianos. Exalta a velocidade, a máquina, a força, os automóveis, aviões, locomotivas, fábricas e a vida moderna, ao mesmo tempo que rejeita o passado.

Expressão plástica do movimento

Na pintura, o Futurismo reage à estática cubista. Ele não quer representar o cavalo, o automóvel ou o corpo, mas a velocidade do cavalo, do automóvel ou do corpo. Para isso, usa linhas de força, planos dinâmicos e simultaneidade de movimentos.

Significação histórica

Mesmo efêmero, o Futurismo é apresentado como movimento fecundo, pois tenta expressar diretamente a nova vida técnica e mecânica do século XX.

XVI — O Abstracionismo — 1910

Definição geral

O Abstracionismo é a pintura cujas formas e cores não têm relação direta com as imagens exteriores da realidade. O artista cria formas interiores, não formas copiadas visualmente do mundo.

Abstracionismo no passado

O autor mostra que a abstração não é novidade absoluta: ela aparece no Neolítico, no pensamento egípcio de Imhotep, em Platão, na arte cristã primitiva, na arte árabe, na pintura bizantina, nos símbolos religiosos e em formas primitivas e infantis.

Kandinsky e a pintura abstrata moderna

Kandinsky é apresentado como o principal iniciador moderno da pintura abstrata. Em O Espiritual na Arte, defende que formas e cores possuem expressão própria, independente da representação figurativa. A abstração permite expressar impulsos profundos da sensibilidade e pode aspirar a uma linguagem universal.

Explicações sociais do Abstracionismo

O autor apresenta duas interpretações: uma vê o Abstracionismo como refúgio individualista; outra o entende como forma simbólica adequada a épocas em que o social predomina sobre o individual. A segunda interpretação é valorizada como explicação da abstração moderna.

XVII — Ingênuos e Primitivos — 1908

Interesse moderno pelos valores elementares

No início do século XX, Expressionismo e Fovismo aumentam o interesse por manifestações artísticas livres de intelectualismo: arte de crianças, selvagens, alienados mentais, autodidatas, ingênuos e artistas populares.

Ingênuos

Os ingênuos ou autodidatas tentam representar a realidade com fidelidade, mas, por sua visão poética e técnica rudimentar, produzem deformações expressivas. Henri Rousseau é o principal exemplo citado.

Primitivos e arte negra

Os primitivos diferem dos ingênuos por expressarem ritmos vitais de modo mais direto, simbólico, ilógico e deformador. A arte negra, sobretudo a escultura africana, influencia profundamente Picasso, Modigliani, o Cubismo, o Fovismo e tendências expressionistas.

XVIII — As tendências abstratas

Abstracionismo informal e geométrico

O autor distingue o Abstracionismo Informal ou Sensível, ligado ao instinto, à intuição e à emoção, do Abstracionismo Geométrico, ligado à razão, à inteligência e à forma purificada. As tendências geométricas principais são Orfismo, Suprematismo, Raionismo e Neoplasticismo ou Concretismo.

Orfismo

O Orfismo, criado por Robert Delaunay e nomeado por Guillaume Apollinaire, combina luminosidade impressionista, dinamismo futurista e musicalidade das cores. Busca criar ritmos de cor capazes de sugerir tempo, espaço e vibração.

Suprematismo

O Suprematismo, criado por Malevich, leva a abstração geométrica ao extremo, reduzindo forma e cor a elementos mínimos, como o quadrado preto sobre fundo branco. Seu objetivo é a supremacia da sensibilidade pura na arte.

Raionismo

O Raionismo, ligado a Larionov e Gontcharova, nasce sob influência do Futurismo e tenta expressar tensões dinâmicas por meio de planos, linhas e manchas coloridas, sugerindo espaço, tempo e uma espécie de quarta dimensão.

Neoplasticismo ou Concretismo

O Neoplasticismo, ligado a Mondrian e Van Doesburg, busca formas e cores puras: linhas horizontais e verticais, ângulo reto, cores primárias, preto, branco e cinza. Mondrian procura uma pintura autônoma, impessoal, essencial e aplicável também à arquitetura, tipografia e formas industriais.

XIX — O Dadaísmo, o Purismo, a Escola de Paris

Dadaísmo

O Dadaísmo nasce em Zurique, em 1916, entre artistas e escritores refugiados da Primeira Guerra Mundial. Movido pela revolta contra a civilização que permitira a guerra, nega cultura, razão, arte tradicional, moral e valores estabelecidos. Seu princípio criativo é o automatismo psíquico, inspirado em Freud.

Dadaísmo na pintura

Na pintura, o Dadaísmo assume duas linhas: sátira social e criação automática. Marcel Duchamp usa o urinol e a Gioconda com bigodes para desmoralizar os valores tradicionais da arte; Picabia inventa máquinas absurdas; Hans Arp cria formas automáticas e colagens.

Purismo

O Purismo, criado por Ozenfant e Le Corbusier, reage ao Cubismo decorativo e busca recuperar simplicidade, clareza, precisão, ordem e economia formal. Influencia especialmente a arquitetura e as artes industriais.

Escola de Paris

A Escola de Paris reúne artistas originais e difíceis de classificar em uma única corrente. Modigliani é exemplo central, combinando influências do Cubismo, da escultura negra, de formas arcaicas e da tradição florentina. Picasso é apresentado como a figura mais complexa e versátil da Escola de Paris.

XX — O Surrealismo — O Tachismo — O Grafismo

Surrealismo e automatismo psíquico

O Surrealismo nasce do Dadaísmo, mas organiza uma doutrina mais sistemática. Inspirado em Freud, define a criação artística como automatismo psíquico puro, isto é, expressão do pensamento sem fiscalização da razão, da moral ou da estética tradicional.

Poesia e pintura surrealista

Na poesia, os surrealistas procuram registrar associações livres e imagens do inconsciente. Na pintura, representam mundos de sonho, ilogismo, humor, absurdo, maravilha e simbolismo. Salvador Dalí afirma desejar materializar imagens da irracionalidade concreta.

Dois surrealismos

Surrealismo Figurativo, com imagens realistas combinadas de modo ilógico, e Surrealismo Abstrato, com símbolos, signos e formas mais livres. São citados Dalí, Chagall, Magritte, Delvaux, Miró, Tanguy, Hans Arp, Picabia, Max Ernst e Paul Klee.

Tachismo e Grafismo

O Tachismo é uma tendência do Abstracionismo Informal baseada em manchas impulsivas. O Grafismo é sua versão linear, inspirada em caligrafias orientais e associada a artistas como Jackson Pollock, cuja pintura de ação expressa o gesto físico e as tensões modernas.

XXI — A Pop-Arte

Antecedentes e influências

A Pop-Arte possui antecedentes no Realismo, no Impressionismo urbano, no Cubismo, nas colagens e no Dadaísmo. Por isso, também foi chamada de Novo-Dadá.

Arte da sociedade de consumo

A Pop é apresentada como imagem da sociedade de consumo. Seus temas vêm do cotidiano urbano: publicidade, cinema, televisão, quadrinhos, embalagens, eletrodomésticos, automóveis, anúncios luminosos e objetos de massa.

Ambiguidade da Pop-Arte

Embora trate da cultura de massa, a Pop não alcança plenamente as massas, porque continua sendo uma arte erudita, de peça única e linguagem simbólica. Seu auge ocorre na década de 1960, com destaque para a Bienal de Veneza de 1964 e a Bienal de São Paulo de 1967.

XXII — A Op-Arte

Razão e sentimento

A Op-Arte é situada no campo da arte geométrico-construtiva, contraposta às tendências expressionistas e emocionais. O autor retoma a oposição entre razão e sentimento, construtivismo e expressionismo, como dualidade recorrente da história da arte.

Vasarely e a sociedade de massa

Victor Vasarely defende uma arte capaz de atender à sociedade industrial, eletrônica e de massa. Para ele, a pintura artesanal de peça única não corresponde mais às necessidades estéticas coletivas; a arte deve usar processos tecnológicos e produzir múltiplos.

Arte cinética, unidades plásticas e múltiplos

A Op-Arte ou Arte Cinética provoca sensações óticas de movimento por meio de contrastes, excitações retinianas e combinações geométricas. Vasarely desenvolve unidades plásticas, imagens profundas, folclore planetário e múltiplos, buscando uma arte reproduzível e acessível à coletividade.

XXIII — A pintura moderna no Brasil

Período colonial e Missão Francesa

A pintura brasileira colonial era sobretudo religiosa, barroca, autodidata e ligada às igrejas. A Missão Artística Francesa de 1816, trazida por Dom João VI e chefiada por Joaquim Le Breton, introduz oficialmente o ensino acadêmico e neoclássico no Brasil.

Tradições acadêmicas e atraso da renovação

Durante o século XIX e início do XX, a pintura brasileira permanece presa ao Neoclassicismo e ao Academismo, mesmo quando na Europa já haviam surgido Realismo, Impressionismo, Cézanne, Van Gogh, Gauguin e Expressionismo.

Semana de Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, rompe com o academismo e estimula uma pintura moderna brasileira. Participam artistas como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Zita Aita, Ferrignac, Vicente do Rêgo Monteiro e outros.

Pau-Brasil, Antropofagia e Tarsila

Após a Semana, surgem os movimentos Pau-Brasil e Antropofágico, buscando reforçar a autenticidade nacional. Tarsila do Amaral, influenciada por Fernand Léger, procura originalidade no colorido popular e artesanal brasileiro.

Portinari

Cândido Portinari é apresentado como o mais importante pintor moderno brasileiro. Sua obra combina virtuosismo técnico, ecletismo, muralismo, expressão social, temas brasileiros e influência de várias escolas, de Masaccio e Piero della Francesca a Picasso, Delaunay, Modigliani, Rivera e os expressionistas nórdicos.

Inautenticidade artística brasileira

O autor afirma que a pintura brasileira moderna, apesar de artistas talentosos, ainda sofre de inautenticidade ou alienação, pois muitas vezes reproduz escolas europeias sem enraizamento profundo na terra e no povo brasileiro. A autenticidade não depende apenas do tema nacional, mas da forma, do sentimento e do caráter presentes nas linhas e cores.

Alguns modernos brasileiros

O capítulo encerra mencionando abstratos geométricos, abstratos informais, autodidatas, ingênuos e figurativos brasileiros, incluindo Milton da Costa, Maria Leontina, Ivan Serpa, Lygia Clark, Lygia Pape, Waldemar Cordeiro, Manabu Mabe, Antônio Bandeira, Franz Krajcberg, Cardosinho, Pancetti, Djanira, Volpi, Heitor dos Prazeres, Clóvis Graciano, Carlos Scliar, Iberê Camargo e outros.

XXIV — Conclusão

Simbolismo da pintura moderna

A principal característica da pintura moderna é sua natureza simbólica, manifestada pela deformação e pela abstração da imagem visual. A pintura moderna abandona o simples realismo visual porque o homem moderno, influenciado pela ciência e pela técnica, já não se satisfaz com as aparências exteriores da realidade.

Predomínio do social sobre o individual

O autor interpreta a pintura moderna como sinal de uma época em que o social passa a predominar sobre o individual. A imagem realista é linguagem individual; o símbolo é linguagem coletiva e integradora.

Fim do quadro de cavalete e retorno ao mural

Outra tendência geral é o abandono do quadro de cavalete, associado à propriedade individual e ao consumo elitista, e a volta da pintura ao mural, à arquitetura, à paisagem urbana e à função social educadora.

Novas técnicas e materiais

A pintura moderna tende a abandonar materiais artesanais tradicionais — tela, cavalete, pincéis e óleo — e a incorporar aerógrafo, fotografia, cinema, tintas industriais, superfícies novas, produção seriada e recursos tecnológicos. O autor encerra afirmando que os estilos não surgem por acaso, mas das condições históricas da vida humana.


Referências citadas

Autores, artistas e críticos

Carlos Cavalcanti, Philippe Nunes, Jacques-Louis David, Rafael Sanzio, Leonardo da Vinci, Velázquez, Ticiano, Eugène Delacroix, Gustave Courbet, Émile Zola, Gustave Flaubert, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Camille Pissarro, Alfred Sisley, Frédéric Bazille, Berthe Morisot, Georges Seurat, Paul Signac, Paul Cézanne, Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Theo Van Gogh, Edvard Munch, Ernst Ludwig Kirchner, Eric Heckel, Karl Schmidt-Rottluff, Max Pechstein, Emil Nolde, Herwarth Walden, Georges Rouault, Osvaldo Goeldi, George Grosz, Diego Rivera, Henri Matisse, Raoul Dufy, Albert Marquet, Maurice Vlaminck, Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris, Robert Delaunay, Sônia Delaunay, Fernand Léger, Gino Severini, Marcel Duchamp, Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo, Giacomo Balla, Filippo Tommaso Marinetti, Vassily Kandinsky, Piet Mondrian, Kazimir Malevich, Theo Van Doesburg, Michel Larionov, Natalia Gontcharova, Le Corbusier, Amedée Ozenfant, Amedeo Modigliani, Hans Arp, Francis Picabia, Kurt Schwitters, Tristan Tzara, André Breton, Louis Aragon, Guillaume Apollinaire, Paul Éluard, Antonin Artaud, Benjamin Péret, Philippe Soupault, Raymond Queneau, Salvador Dalí, René Magritte, Marc Chagall, Paul Delvaux, Joan Miró, Yves Tanguy, Max Ernst, Paul Klee, André Masson, Jackson Pollock, Franz Kline, Hans Hartung, Robert Rauschenberg, Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Jasper Johns, Tom Wesselmann, Victor Vasarely, Jean Clay, Otto Hahn, David Alfaro Siqueiros, Jean Tinguely, Jean-Baptiste Debret, Dom João VI, Joaquim Le Breton, Aleijadinho, Pedro Américo, Vítor Meirelles, Rodolfo Amoêdo, Oscar Pereira da Silva, Almeida Júnior, Pedro Weingärtner, Eliseu Visconti, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Lúcio Costa, Francisco Matarazzo Sobrinho, Gregori Warchavchik, Flávio de Carvalho, Quirino da Silva, Milton da Costa, Maria Leontina, Ivan Serpa, Lygia Clark, Lygia Pape, Waldemar Cordeiro, Manabu Mabe, Antônio Bandeira, Franz Krajcberg, Cardosinho, José Pancetti, Djanira, Alfredo Volpi, Heitor dos Prazeres, Carlos Scliar e Iberê Camargo.

Movimentos, escolas e conceitos artísticos

Pintura moderna, arte moderna, pintura figurativa, realismo visual, realismo intelectual, abstração, abstracionismo, abstracionismo informal, abstracionismo sensível, abstracionismo geométrico, deformação, forma, conteúdo, plasticidade, ilustração, anedótico, valor super-histórico da arte, ritmo vital, simbolismo, lei de frontalidade, perspectiva científica, claro-escuro, cor local, linha, cor, forma-linha, forma-cor, forma-luz, mistura ótica, divisionismo, pontilhismo, neoimpressionismo, Impressionismo, Pós-Impressionismo, Expressionismo, Fovismo, Cubismo Analítico, Cubismo Sintético, collage, papier collé, textura, Futurismo, Orfismo, Suprematismo, Raionismo, Neoplasticismo, Concretismo, Dadaísmo, automatismo psíquico, Purismo, Escola de Paris, Surrealismo Figurativo, Surrealismo Abstrato, Tachismo, Grafismo, Action Painting, Pop-Arte, Novo-Dadá, Op-Arte, Arte Cinética, múltiplos, muralismo, quadro de cavalete, síntese das artes, arte da sociedade de massa.

Obras, livros, textos e manifestos mencionados

Tratado de Pintura, Simetria e Perspectiva, O Espiritual na Arte, O mundo sem objeto, Manifesto Futurista, Manifesto Surrealista, Après le Cubisme, De Stijl, Art Concret, Cabaret Voltaire, Viagem Pitoresca ao Brasil, O Guarani, Impression, soleil levant, Catedral de Rouen, Noite Estrelada, Les demoiselles d’Avignon, Nu descendo uma escada, Gioconda, O Cristo de São João da Cruz, Guerra e Paz, O Café, A Primeira Missa no Brasil, O Menino Morto, A Batalha dos Guararapes, A entrada dos cruzados em Constantinopla, O Rapto das Sabinas, A Última Ceia, Ecce Homo, Madame Récamier, A Morte de Sardanapalo, Peneiradoras de Trigo, Um Domingo de Verão na Ilha da Grande Jatte, Janelas Simultâneas, Composição com Vermelho, Amarelo e Azul, A Eletricidade, Pravda, Zoom.

Lugares, eventos e instituições

Paris, Zurique, Dresden, Turim, Roma, Veneza, Londres, Taiti, Arles, Giverny, Rouen, Nova Iorque, São Paulo, Rio de Janeiro, Guanabara, Bretanha, Peru, Lima, Fatu-Iva, Teatro Municipal de São Paulo, Teatro Lírico, Salão de Paris, Salão de Outono, Salão dos Independentes, Salão Nadar, Bienal de Veneza, Bienal de São Paulo, Museu do Louvre, Museu dos Impressionistas, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Escola Nacional de Belas Artes, Academia de Belas Artes, Bauhaus, ONU, Ministério da Educação, Pampulha, SPAM, CAM, Missão Artística Francesa de 1816, Semana de Arte Moderna de 1922, Pau-Brasil, Antropofagia, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Revolução Francesa, Império de Napoleão.

Ideias recorrentes da obra

A obra retorna continuamente a algumas ideias centrais: a arte como expressão vital humana; a relação entre arte e sociedade; a oposição entre razão e sentimento; o conflito entre realismo visual e simbolismo; a passagem da imitação da natureza para a autonomia da pintura; a importância da forma sobre o simples assunto; o papel da deformação como linguagem expressiva; a ascensão da abstração; a influência da ciência e da técnica; a crítica ao quadro de cavalete; a valorização do mural e da função social da arte; e a busca, ainda problemática, de uma pintura brasileira autêntica.

3 comentários:

  1. Essa arte de Salvador Dalí que ilustra a capa é impactante.

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    1. não gosto muito de arte moderna , mas essa é uma obra impressionante

      abs!

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    2. "não gosto muito de arte moderna"

      Você não gosta por algo simples: é contra sua natureza. É algo bestial, imundo, sem sentido (em regra). Representa a busca pela degeneração.

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