11 de abril de 2025

COF Anotado #4

 


Aula 4

Data/Duração

Conteúdo

Obs



 

18/04/2009

3:23:36


  • Louis Lavelle - Elementos antagônicos

 já ouvi a aula e li a transcrição.

 




A Vida dos Doze Césares
Suetonio 


00:45:30: "Para ter uma idéia do que era a vida sexual da época."

 

na biblioteca




O Nó de Víboras
François Mauriac


01:14:00: "Um dos livros mais impressionantes que eu li na minha vida. É um sujeito muito rico que, sabendo que irá morrer, decide fazer uma vingança póstuma contra seus familiares gananciosos: transfere toda sua riqueza para outras pessoas e seus herdeiros encontram apenas a narrativa das misérias vividas em comum. Para encontrar Deus ele precisou romper com a família que ele havia criado."


 

na biblioteca 

já li




O Feijão e o Sonho
Orígenes Lessa


01:33:30: "Homem de classe média baixa que sente o apelo de uma vocação literária, mas tem a pressão da esposa e precisa trabalhar para sustentar a família."

 

na biblioteca




Recordações do Escrivão Isaías Caminha

Lima Barreto



01:33:30: "Menino ingênuo do interior que vai para a cidade, querendo ser um escritor, procurando um caminho no jornalismo; encontrando apenas alienação, corrupção etc.; acaba sendo esmagado pelo meio."

 

na biblioteca




Aristote au Mont Saint-Michel

Sylvain Gouguenheim 


01:53:30: "Livro absolutamente espetacular. Mostra como essa idéia de que depois da Idade das Trevas a civilização européia recuperou o conhecimento da antiguidade filosófica graças as traduções árabes é totalmente falsa. A maior parte de Aristóteles que veio dos árabes já estava traduzido pelos monges do mosteiro de Saint-Michel."

não traduzido






O Apanhador no Campo de Centeio

J. D. Salinger



a tradução brasileira do Salinger é tão boa quanto o Salinger. Tradução feita pelo Jório Dauster. 



na biblioteca

já li




artigo
"O Imbecil Juvenil"
Olavo


"O jovem de quatorze, quinze anos teme infinitamente mais a opinião dos seus colegas, porque ele sabe que deles depende o seu futuro"




  • https://olavodecarvalho.org/o-imbecil-juvenil/



 livros de Henry Miller 
(1891-1980)


"um sem vergonha, um sujeito priápico. Só que ele era também um sujeito sincero."





 Em Busca do Tempo Perdido
Proust


"páginas absolutamente memoráveis"





A Hora e Vez de Augusto Matraga
Guimarães Rosa


" é um sujeito que realmente não aceita a situação, ele se levanta contra ela."




 


 "A Cidade Antiga",
Foustel de Coulanges


"obra que conserva o seu valor mesmo quando certos detalhes foram impugnados pela pesquisa posterior."


  • na biblioteca




[Site] Forces.org

 

"A história do fumo passivo... preste atenção: fumo passivo não existe. Não existe. Não existe. Todas as estatísticas publicadas sobre isso são empulhação. As estatísticas verdadeiras, a própria Organização Mundial de Saúde publica em publicações técnicas, escondendo do público geral.  No site [www.forces.org], eles publicam tudo o que os outros escondem, eles vão lá, pegam os documentos e publicam."






A Crônica da Casa Assassinada
Lúcio Cardoso (1912-1968)


"um livro muito impressionante, embora tendendo a um tipo de morbidez muito brasileira, aquele negócio da família decadente, etc"





exercício "A"


"Você pega a vida das pessoas que você conhece, e trata como se elas fossem personagens de ficção, como se a vida delas fosse um romance que você está escrevendo."

 



 

exercício "B"

 

" quando você ler um livro, faça um roteiro de filme na sua cabeça. E quando você assistir a um filme, faça uma narrativa verbal."




___________________________________________
  • https://github.com/osescribas/cof/blob/main/revisadas/COF004.md
  • https://www.rafaelalmeida.com/cof.html

Aqui está o resumo estruturado da Aula 04 do Curso Online de Filosofia, de Olavo de Carvalho, preservando a ordem lógica e os elementos fundamentais do texto.

1. A Recuperação da Experiência e os Momentos Privilegiados

1.1. O autor retoma o pensamento de Louis Lavelle sobre os momentos privilegiados em que o universo se ilumina e a vida revela seu significado, como se o destino tivesse sido escolhido pelo próprio indivíduo.

1.2. A sabedoria consiste em salvaguardar a lembrança desses instantes fugidios, transformando-os na morada habitual do espírito e na trama da existência cotidiana.

1.3. O ser humano tende a esquecer esses momentos ao ser capturado por preocupações materiais ou egoístas, acreditando que o "solo duro da realidade" está nessas inquietações passageiras.

1.4. Uma grande filosofia tem a função de reunir esses momentos e mostrar que são janelas para um mundo de luz infinito, onde as sombras da caverna são reconhecidas como reflexos de corpos luminosos.

1.5. Existe uma dialética permanente entre a unidade da autoconsciência e o mundo dos fatos brutos; nos momentos de iluminação, não há hiato entre realidade e idealidade.

1.6. A oposição se agrava quando a consciência se deixa oprimir por situações externas transitórias, tratando-as como a realidade absoluta e relegando o mundo interior ao plano do sonho.

1.7. Considerar as situações externas como a única solidez é uma ilusão de ótica, pois elas formam um fluxo permanente de aparências, enquanto a unidade da consciência remete a uma esfera mais estável da realidade.

1.8. O respeito excessivo a situações opressivas ou sedutoras decorre do medo, levando o indivíduo a trair seu eu mais verdadeiro e a entrar em uma posição existencial que impossibilita a compreensão da realidade.

2. A Filosofia como Busca da Unidade e Exercício da Seriedade

2.1. A filosofia é definida como a busca da unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa, dependendo mais da aquisição de uma força para perseverar em si mesmo do que de cultura acadêmica.

2.2. O exercício filosófico exige olhar a vida sob a categoria da única certeza absoluta: a certeza da morte, que simboliza o fim das transformações e a aquisição da forma definitiva.

2.3. A capacidade de perseverar na atitude de encarar o transitório à luz do definitivo é um exercício espiritual e uma prática psicológica, sem a qual a filosofia se torna futilidade ou ideologia externa.

2.4. A alta seriedade consiste em encarar fatos à luz do que é irrevogável; embora o destino post-mortem não dependa do indivíduo, a forma da vida terrestre depende dessa consciência da finitude.

2.5. A falta dessa perspectiva leva à submissão a pressões externas transitórias, como a opinião alheia, desejos ilusórios, e pressões de pares ou familiares, que frequentemente exigem o sacrifício de bens espirituais preciosos.

2.6. Ortega y Gasset propunha as ideias dos náufragos: pensamentos que mantêm importância mesmo no risco de morte, servindo como uma "peneira" para separar o essencial do fútil.

3. A Pressão Social e a Alienação na Modernidade

3.1. Diferente dos inimigos clássicos (desejos de riqueza e prazeres), o homem moderno enfrenta uma galeria de periculosidade marcada pela pressão esmagadora do meio social e da organização econômica.

3.2. A história da liberdade jurídica não corresponde à história social; o cotidiano moderno é rigidamente controlado pela estrutura das cidades e pela organização do trabalho.

3.3. A pressão dos horários, antes restrita à disciplina monástica, tornou-se uma força econômica destrutiva onde a desobediência ao relógio ameaça a sobrevivência.

3.4. A separação rígida entre trabalho e lazer é uma invenção moderna; anteriormente, o elemento lúdico estava integrado ao trabalho (ex: camponeses que trabalhavam cantando).

3.5. A organização física da sociedade moderna isola o indivíduo; o medo do ostracismo e da marginalização é um fator novo e estranho à natureza humana, agindo como força de alienação.

4. O Conflito entre o Homem Interior e a Sociedade no Romance

4.1. O gênero literário romance surge na modernidade para narrar a história de uma alma em conflito com a sociedade, refletindo a inexistência de harmonia entre o homem interior e o meio social.

4.2. A sociedade moderna suscita ambições superiores à capacidade real dos indivíduos, gerando figuras como Raskólnikof, que busca poder por medo da opressão social.

4.3. Tentativas coletivas de transformar o mundo frequentemente criam novas estruturas sociais tão alienantes e opressivas quanto as anteriores.

4.4. A única vitória real não é vencer a sociedade materialmente, mas manter a integridade interior e a soberania sobre a própria biografia, aceitando o destino individual.

5. A Interiorização das Pressões e a Moral Cristã

5.1. Os elementos alienantes hoje são menos os pecados capitais clássicos e mais o medo e o desejo de aprovação.

5.2. O Cristianismo introduziu padrões morais que foram incorporados pelo Estado e pela estrutura jurídica (ex: condenação da pedofilia e do adultério), transformando infrações morais em causas de destruição social.

5.3. O Estado moderno passou a mediar relações íntimas (casamento civil), tornando a família, muitas vezes, um fator de alienação mediado por juízes e advogados.

5.4. Valores cristãos de defesa da família foram invertidos, passando a ser sustentados pela vaidade, orgulho e desejo de poder, servindo como instrumentos de pressão sobre o indivíduo.

5.5. A pressão dos pares na juventude é implacável, levando jovens a cederem sua dignidade em troca de aprovação social, como exemplificado no fenômeno do trote universitário.

5.6. O verdadeiro desafio não é vencer a sociedade externa, mas vencer o "advogado da sociedade" que habita dentro do indivíduo, restaurando a soberania da consciência.

6. Aspectos Técnicos e Pedagógicos do Estudo Filosófico

6.1. O divisor de águas para o estudo da filosofia não é a capacidade intelectual, mas a capacidade moral; a erudição sem força moral torna-se instrumento de alienação.

6.2. A ideia da morte é um guia mais seguro que uma ideia abstrata de Deus, pois a morte é uma certeza difícil de corromper pelos preconceitos do meio social.

6.3. O ideal do eu (visto no exercício do necrológio) serve como matriz para que o "eu real" se individualize e tome posição diante de situações específicas.

6.4. A literatura é um instrumento fundamental para tornar a experiência dizível, fornecendo os meios verbais para que a consciência se aproprie da realidade.

6.5. O autor recomenda a leitura de obras como as de Lima Barreto e Orígenes Lessa para documentar as tensões entre a vocação interior e as pressões econômico-sociais.

6.6. O voto de abstinência de opiniões e o reconhecimento do coeficiente de ignorância intrínseco à realidade são passos técnicos para controlar a qualidade do conhecimento e o grau de certeza.

6.7. A sinceridade é apresentada como a cura para a alienação; falar com a própria voz no silêncio interior é o que possibilita, eventualmente, o diálogo com o divino.


Referências citadas

Autores e Pensadores

  • Antonio Machado: Poeta espanhol citado pelo verso sobre falar sozinho e com Deus.
  • Aristóteles: Filósofo grego; citado sobre a natureza do conhecimento, as categorias e a lógica da linguagem.
  • Arthur Joseph: Terapeuta da voz mencionado por seu método de encontrar a "própria voz".
  • Benedetto Croce: Filósofo italiano; mencionado pelo mito da história como liberdade crescente e sua vasta obra.
  • Bruno Tolentino: Poeta brasileiro; citado por sua capacidade de reconhecer a sinceridade poética.
  • David Hume: Filósofo; mencionado por sua negação da unidade do "eu".
  • Eduard Meyer: Historiador da Antiguidade.
  • Eric Voegelin: Filósofo; citado sobre alienação, fundamentalismo e sua busca por conhecimentos específicos.
  • Foustel de Coulanges: Historiador; autor de A Cidade Antiga.
  • François Mauriac: Romancista cristão francês; citado por retratar como o meio social sufoca a alma cristã.
  • Georges Bernanos: Escritor católico francês; citado sobre o risco de "morrer como imbecil" e a perversão da moral familiar.
  • Goethe (Johann Wolfgang von): Escritor e pensador alemão; citado sobre obrigações sociais, solidão e caráter.
  • Honório Delgado: Psiquiatra e filósofo peruano; citado sobre os níveis de conhecimento de uma pessoa.
  • Hugo de São Vitor: Teólogo medieval; mencionado por sua disciplina de anotar informações.
  • Juan Alfredo César Müller: Psicólogo; citado por sua ética goethiana de ser "digno, prestativo e bom".
  • Leonardo da Vinci: Citado sobre a "fantasia exata" da medição.
  • Louis Lavelle: Filósofo francês; autor do texto base sobre momentos privilegiados e sabedoria.
  • Manuel Bandeira: Poeta brasileiro.
  • Mário Ferreira dos Santos: Filósofo brasileiro; citado sobre a lei de proporcionalidade intrínseca.
  • Olavo de Carvalho: Autor da aula.
  • Ortega y Gasset: Filósofo espanhol; citado sobre "ideias dos náufragos" e a "reabsorção da circunstância".
  • Padre Pio (São Pio de Pietrelcina): Citado pelo conselho "reze e não se preocupe".
  • Santo Agostinho: Padre da Igreja; citado sobre inimigos morais (desejos) e a integridade do "eu" em suas confissões.
  • São Tomás de Aquino: Teólogo medieval; citado sobre a conversão de normas gerais em conselhos específicos.
  • Suetônio: Historiador romano; autor de A Vida dos Doze Césares.
  • Sylvain Gouguenheim: Historiador; autor de Aristote au mont Saint-Michel.

Obras Literárias e Filosóficas

  • A Cidade Antiga (Foustel de Coulanges).
  • A Crônica da Casa Assassinada (Lúcio Cardoso).
  • A Hora e Vez de Augusto Matraga (Guimarães Rosa).
  • Aristote au mont Saint-Michel (Sylvain Gouguenheim).
  • Crime e Castigo (Dostoievski).
  • Em Busca do Tempo Perdido (Proust).
  • Ilusões Perdidas (Balzac).
  • Le Nœud de Vipères (O Nó das Víboras) (François Mauriac).
  • O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger).
  • O Complexo de Portnoy (Philip Roth).
  • O Feijão e o Sonho (Orígenes Lessa).
  • O Imbecil Juvenil (Artigo de Olavo de Carvalho).
  • O Vermelho e o Negro (Stendhal).
  • Recordações do Escrivão Isaías Caminha (Lima Barreto).
  • Reflexões Autobiográficas (Eric Voegelin).

Conceitos e Termos-Chave

  • Alienação: Recusa da estrutura da realidade; viver em um mundo de invenção.
  • Coeficiente de Ignorância/Desconhecimento: Parte intrínseca da estrutura da realidade que limita o conhecimento total.
  • Filosofia: Busca da unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa.
  • Ideias dos Náufragos: Pensamentos que resistem a situações de risco extremo.
  • Momentos Privilegiados: Instantes de iluminação e revelação de sentido na vida.
  • Paralaxe Cognitiva: Erro estrutural que separa dados da realidade em primários (medíveis) e secundários.
  • Repertório da Ignorância: Exercício de listar o que se precisa saber para compreender um objeto.
  • Romance: Gênero que narra o conflito entre o indivíduo interior e a sociedade.
  • Vacare Deo: Estado de estar à disposição de Deus.
  • Voto de Abstinência de Opiniões: Prática técnica de reduzir o número de opiniões para controlar a certeza.

Personagens Literários

  • Augusto Matraga.
  • Heloísa e Abelardo (figuras históricas/literárias).
  • Julien Sorel.
  • Raskólnikof.
  • Rastignac.

Instituições e Entidades

  • Estado Moderno: Citado como mediador de relações íntimas e incorporador de moral secularizada.
  • Foro de São Paulo: Citado como exemplo de poder atuante mas negado publicamente.
  • Igreja Católica: Mencionada por sua doutrina sobre a morte e sacramentos.
  • Monte Saint-Michel: Local de traduções medievais de Aristóteles.
  • Partido Comunista / PT: Citados como exemplos de estruturas que exigem a negação da consciência.
  • USP: Citada em exemplo pessoal sobre trânsito.

Lugares e Eventos

  • Revolução Industrial: Marco do aumento das pressões sociais e de horários.
  • Império Romano / Idade Média: Citados como contrastes de liberdade social e costumes.


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