12/11/2019

[Guest Post] Dez Controles de Gastos (2019)/ Jotabê

Photo by George Sistonen from Pexels


Este post é uma expansão de resposta dada a meu recente amigo virtual Scant. Resolvi postá-la aqui no blog, na linha da “blogoteca”.


Creio que foi em 1980 que passei a dividir uma sala com mais dois colegas de serviço. Um deles era o Pintão, amigo mais que citado aqui no blog. O outro era um engenheiro um pouco mais velho que eu, super competente e organizado. Tão competente e organizado que acabou merecidamente chefiando a seção onde trabalhávamos. Seu senso de organização - como era fácil prever - extravazava para sua vida pessoal. Naquela época de zero microcomputadores mantinha uma caderneta tipo "Deve-Haver" onde anotava meticulosamente as despesas realizadas, indexando cada uma à sua conta correspondente. No final de cada mês, provavelmente para ter uma referência mais estável, convertia os gastos para valores em dólar.


Como eu sempre tive tendência a ser um "Maria-vai-com-as-outras", não demorou muito para que comprasse uma caderneta igual, onde passei a lançar minhas despesas. E, claro, criei também algumas contas para indexar o que gastava. No final do mês, o jumento aqui, em vez de dólar, utilizava a ORTN - Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional, algum tempo depois substituída pela OTN - Obrigação do Tesouro Nacional, que deu lugar ao BTN - Bônus do Tesouro Nacional, etc. Resumindo, minha brilhante escolha serviu para que acabasse não tendo uma série histórica de gastos minimamente confiável. Acabei chamando o cabo corneteiro para executar o toque de foda-se, ou melhor, joguei no lixo a porra da caderneta e nunca mais me preocupei com isso.


Tudo mudou depois de minha aposentadoria, graças à minha mulher. Quando nos casamos, ela tinha tudo para seguir uma brilhante carreira, mas decidiu abrir mão de seus sonhos profissionais para cuidar de nossos filhos. Como ela sempre foi no limite de sua capacidade em tudo o que fazia e ainda faz, tornou-se "a" supermãe. Por isso, ao me aposentar e para compensar o sacrifício que ela mesma se impôs, disse que era dela todo o dinheiro liberado pelo FGTS e que poderia fazer com a grana o que bem entendesse. A resposta imediata foi "então vou reformar a casa!"


Dois anos depois e a um custo três vezes superior ao valor do fundo de garantia, a reforma foi concluída (ou melhor, paralisada, pois não havia mais de onde tirar dinheiro para a "cereja do bolo"). Durante esse tempo, para me planejar e não ser surpreendido, fui obrigado a bolar um sistema de controle de gastos que alimentasse um cronograma de despesas diárias e mensais previstas. Como meu conhecimento de informática é muito limitado, acabei criando algumas planilhas em Excel que se alimentavam com as informações sobre gastos reais e, a partir daí, gerando projeções diárias sobre o desembolso da grana


Antes de continuar, preciso fazer uma pausa para contar sobre meu primeiro contato com uma planilha Excel. Na prática, foi também meu primeiro contato com um microcomputador, pois, embora tivesse comprado um para meus filhos, não chegava nem perto. E na empresa eu era do tipo "usuário" ("faz aí"). Até 1994, quando fiquei sem emprego (eu tinha 44 anos). De repente, estava desempregado, na super merda e sem nenhuma perspectiva detectável. Na época, o mar não estava para peixe nem para engenheiros mais velhos. Apareceu um serviço que exigia a apresentação em Excel. Quem me atirou a boia foi meu filho mais velho, à época com 18 anos. Entrou no tutorial do Excel e fez brotar uma planilha (cheia de defeitos, mas capaz de atender meu contratante). A partir daí, bem devagarinho, mas prestando atenção em tudo o que via e ouvia, acabei ficando razoável em Excel. Aliás, só conheço Word e Excel, mais nada.


Voltemos agora ao tema deste post. Depois de me aposentar em 2009 e graças à mega reforma que fizemos, passei a anotar cada centavo (literalmente) que é gasto em nossa casa. Para isso, utilizo uma planilha com três abas principais: "gastos diários" (efetivamente realizados), “mensal” (previsão de gastos no dia a dia, feita a partir dos dados coletados mês a mês na planilha "gastos diários") e uma previsão anual, alimentada com os gastos realmente ocorridos em cada mês Essa planilha anual gera projeções na base da média dos últimos meses. Para concluir, preciso dizer que as três planilhas acompanham 55 itens específicos, agrupados em 20 contas diferentes. A título de exemplo, eu separo o lazer cotidiano do eventual, etc. Coisa de louco, não?


Meu recente amigo virtual Scant pediu que eu detalhasse essas contas. E esse é o motivo do post atual. Por isso, aí vai:


CRÉDITOS MÊS
Saldo mês anterior
INSS
Previdência complementar
Poupança
Empréstimos
Outros

DESPESAS ROTINEIRAS
Concessionárias
Água
Luz
Telefone / Internet
Recarga celular

Supermercado, Padaria, Açougue
Padaria
Supermercado, Sacolão, Açougue

Refeições, Lanches, Sorvetes
Restaurantes
Salgados, Sorvetes, etc.

Saúde
Farmácia
Pilates

Transporte
Gasolina
Estacionamento
Passagens ônibus, taxi
Manut. Carro
IPVA, taxas Detran
Seguro carro

Lazer
TV a cabo
Academia

Impostos e Taxas
Taxas / Juros / IOF / Tributos
IPTU
Imposto Renda

Despesas Diversas
Salão
Lojas 1,99/ Utilidades
Xerox, etc.
Presentes
Festas
Roupas Família
Conserto eletro./ manut casa
Despesas diversas


DESPESAS EVENTUAIS
Saúde
Plano de saúde
Médicos e dentistas fora do plano

Transporte
Pneus
Financiamento de carro novo

Lazer
Viagens e passeios

Compra de Eletroeletrônicos // Móveis
Cartão de Crédito // Cheque Pré-datado
Boleto Bancário

Amortização de Empréstimos
Amortização Empréstimo

DESPESAS COM OBRAS E REFORMA
Manutenção, Reparos e Conservação
Mão de Obra
Materiais/ Equipamentos

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  • Fonte: https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2019/11/dez-controles-de-gastos.html