Thomas Hobbes e o Estado Absolutista
1. Contexto histórico
Thomas Hobbes viveu em meio a grandes conflitos europeus, especialmente:
Guerra dos Trinta Anos;
Guerra Civil Inglesa;
crise de autoridade provocada pelas revoltas protestantes iniciadas com Lutero em 1517.
Esse ambiente de violência e instabilidade marcou profundamente sua visão política e antropológica.
Hobbes passou a ver o ser humano de forma pessimista, como naturalmente inclinado ao medo, à disputa e à hostilidade.
2. Visão hobbesiana do homem
2.1 Pessimismo antropológico
Hobbes rejeita a ideia aristotélica de que o homem é naturalmente social ou político.
Para ele, sem um poder forte que o controle, o homem vive em estado de conflito.
Sua famosa descrição da vida humana no estado natural é: “solitária, pobre, tosca, embrutecida e breve”.
2.2 Medo como elemento central
O texto destaca que Hobbes nasceu em meio ao medo da invasão espanhola da Inglaterra.
Segundo sua própria autobiografia, sua mãe teria “parido gêmeos”: Hobbes e o medo.
Esse dado é usado para explicar sua obsessão intelectual pela ordem e pela segurança.
3. O Leviatã e o Estado absoluto
3.1 A imagem do Estado
A principal obra de Hobbes é Leviatã.
O título remete à criatura monstruosa do Livro de Jó.
A capa original representa um soberano gigantesco, formado por muitos indivíduos, segurando:
a espada do poder civil;
o báculo do poder religioso.
3.2 Contrato social
Para Hobbes, os homens aceitam viver em sociedade por medo da guerra e da morte.
Eles renunciam parte de sua liberdade em favor de um soberano forte.
Esse soberano deve possuir poder absoluto para garantir a paz civil.
Eis a solução hobbesiana: o ser humano é perigoso, logo precisa de um Estado monstruoso para domesticá-lo. Brilhante, se a meta era trocar lobos por burocratas com espada.
4. Diferença entre Hobbes e a tradição clássica
4.1 Aristóteles e a sociabilidade natural
A tradição clássica, especialmente Aristóteles, entende que o homem é naturalmente político.
A sociedade nasce da natureza humana, começando pela família.
O ser humano se realiza plenamente dentro de uma comunidade.
4.2 Hobbes contra a tradição
Hobbes nega que a vida social seja natural.
Para ele, a família surge de paixões básicas, como desejo sexual e busca por proteção.
A sociedade não nasce da virtude, mas da necessidade de evitar a destruição mútua.
5. Natureza humana, virtude e cultura
5.1 Visão clássica e cristã
O texto defende que, segundo a tradição grega e cristã, o homem foi feito para a virtude.
Virtude é aquilo que realiza plenamente a natureza humana.
O vício, ao contrário, afasta o homem de sua finalidade.
5.2 Importância da cultura
O ser humano precisa da sociedade para florescer.
A cultura transmite conhecimentos, valores e hábitos necessários ao desenvolvimento humano.
Família, Igreja, sociedade civil e comunidades específicas são meios de formação humana.
6. A política como corpo artificial
Hobbes compara o Estado a um corpo artificial.
Nesse corpo:
os magistrados são juntas;
recompensas e punições são nervos;
riquezas e prosperidade são força;
sedição é doença;
guerra civil é morte.
A política hobbesiana busca curar a “doença” da guerra civil por meio de um poder central forte.
7. Renúncia da liberdade em troca da ordem
Para impedir o conflito, Hobbes defende um soberano com amplos poderes.
O Estado pode impor leis, controlar a ordem pública e combater ideias consideradas perigosas.
O texto interpreta isso como vitória do direito positivo sobre o direito natural.
7.1 Direito positivo
Direito positivo é a lei criada por decisão humana.
Ele é contrastado com o direito natural, que se baseia na natureza das coisas e numa ordem moral superior.
8. Crítica ao Estado hobbesiano
O texto acusa Hobbes de abrir caminho para o absolutismo moderno.
O soberano hobbesiano teria poder para:
definir o certo e o errado;
impor leis conforme sua vontade;
controlar a opinião pública;
combater doutrinas divergentes;
subordinar a consciência individual ao Estado.
9. Consciência individual e cristianismo
9.1 O cristão como ameaça ao soberano
Para Hobbes, doutrinas que permitem ao indivíduo julgar a lei civil enfraquecem a república.
O texto afirma que o cristão é perigoso para esse modelo porque reconhece uma autoridade superior ao Estado.
Quando a lei civil contradiz a lei divina, o cristão deve obedecer a Deus antes que ao soberano.
9.2 Crítica à submissão total
O texto critica a ideia de que a consciência individual deva ser subordinada à lei civil.
Para a perspectiva cristã apresentada, o Estado não pode ser a fonte última da moralidade.
10. Propriedade privada
Hobbes também considera perigosa a doutrina de que cada homem possui propriedade absoluta de seus bens.
Para o texto, isso demonstra mais uma vez o alcance do poder soberano na filosofia hobbesiana.
11. Reação liberal
Após Hobbes, a Inglaterra passou por conflitos entre absolutismo e liberalismo.
O texto menciona:
Charles II;
James II;
Locke;
o partido Whig;
Guilherme de Orange;
a consolidação do parlamentarismo inglês.
O liberalismo surge como reação ao absolutismo, mas o texto também o critica.
12. Considerações finais
O texto rejeita tanto o absolutismo quanto o liberalismo moderno.
A disputa entre ambos é apresentada como uma falsa dicotomia.
A posição defendida é que não se deve escolher automaticamente um lado político quando ambos se afastam da verdade.
A Revolução Francesa é considerada pior que o absolutismo, mas o absolutismo também é tratado como erro que ajudou a provocar a revolução.
Ideia central
O texto apresenta Hobbes como o principal teórico do absolutismo moderno. Sua visão pessimista do homem leva à defesa de um Estado forte e soberano, capaz de controlar a sociedade para impedir a guerra civil. Contra isso, o texto defende a visão clássica e cristã segundo a qual o homem é naturalmente social, orientado à virtude e submetido a uma lei moral superior ao Estado.
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