13 de maio de 2026

[Aula] Studiositas (19)

 




Thomas Hobbes e o Estado Absolutista


1. Contexto histórico

  • Thomas Hobbes viveu em meio a grandes conflitos europeus, especialmente:

    • Guerra dos Trinta Anos;

    • Guerra Civil Inglesa;

    • crise de autoridade provocada pelas revoltas protestantes iniciadas com Lutero em 1517.

  • Esse ambiente de violência e instabilidade marcou profundamente sua visão política e antropológica.

  • Hobbes passou a ver o ser humano de forma pessimista, como naturalmente inclinado ao medo, à disputa e à hostilidade.

2. Visão hobbesiana do homem

2.1 Pessimismo antropológico

  • Hobbes rejeita a ideia aristotélica de que o homem é naturalmente social ou político.

  • Para ele, sem um poder forte que o controle, o homem vive em estado de conflito.

  • Sua famosa descrição da vida humana no estado natural é: “solitária, pobre, tosca, embrutecida e breve”.

2.2 Medo como elemento central

  • O texto destaca que Hobbes nasceu em meio ao medo da invasão espanhola da Inglaterra.

  • Segundo sua própria autobiografia, sua mãe teria “parido gêmeos”: Hobbes e o medo.

  • Esse dado é usado para explicar sua obsessão intelectual pela ordem e pela segurança.

3. O Leviatã e o Estado absoluto

3.1 A imagem do Estado

  • A principal obra de Hobbes é Leviatã.

  • O título remete à criatura monstruosa do Livro de Jó.

  • A capa original representa um soberano gigantesco, formado por muitos indivíduos, segurando:

    • a espada do poder civil;

    • o báculo do poder religioso.

3.2 Contrato social

  • Para Hobbes, os homens aceitam viver em sociedade por medo da guerra e da morte.

  • Eles renunciam parte de sua liberdade em favor de um soberano forte.

  • Esse soberano deve possuir poder absoluto para garantir a paz civil.

Eis a solução hobbesiana: o ser humano é perigoso, logo precisa de um Estado monstruoso para domesticá-lo. Brilhante, se a meta era trocar lobos por burocratas com espada.

4. Diferença entre Hobbes e a tradição clássica

4.1 Aristóteles e a sociabilidade natural

  • A tradição clássica, especialmente Aristóteles, entende que o homem é naturalmente político.

  • A sociedade nasce da natureza humana, começando pela família.

  • O ser humano se realiza plenamente dentro de uma comunidade.

4.2 Hobbes contra a tradição

  • Hobbes nega que a vida social seja natural.

  • Para ele, a família surge de paixões básicas, como desejo sexual e busca por proteção.

  • A sociedade não nasce da virtude, mas da necessidade de evitar a destruição mútua.

5. Natureza humana, virtude e cultura

5.1 Visão clássica e cristã

  • O texto defende que, segundo a tradição grega e cristã, o homem foi feito para a virtude.

  • Virtude é aquilo que realiza plenamente a natureza humana.

  • O vício, ao contrário, afasta o homem de sua finalidade.

5.2 Importância da cultura

  • O ser humano precisa da sociedade para florescer.

  • A cultura transmite conhecimentos, valores e hábitos necessários ao desenvolvimento humano.

  • Família, Igreja, sociedade civil e comunidades específicas são meios de formação humana.

6. A política como corpo artificial

  • Hobbes compara o Estado a um corpo artificial.

  • Nesse corpo:

    • os magistrados são juntas;

    • recompensas e punições são nervos;

    • riquezas e prosperidade são força;

    • sedição é doença;

    • guerra civil é morte.

  • A política hobbesiana busca curar a “doença” da guerra civil por meio de um poder central forte.

7. Renúncia da liberdade em troca da ordem

  • Para impedir o conflito, Hobbes defende um soberano com amplos poderes.

  • O Estado pode impor leis, controlar a ordem pública e combater ideias consideradas perigosas.

  • O texto interpreta isso como vitória do direito positivo sobre o direito natural.

7.1 Direito positivo

  • Direito positivo é a lei criada por decisão humana.

  • Ele é contrastado com o direito natural, que se baseia na natureza das coisas e numa ordem moral superior.

8. Crítica ao Estado hobbesiano

  • O texto acusa Hobbes de abrir caminho para o absolutismo moderno.

  • O soberano hobbesiano teria poder para:

    • definir o certo e o errado;

    • impor leis conforme sua vontade;

    • controlar a opinião pública;

    • combater doutrinas divergentes;

    • subordinar a consciência individual ao Estado.

9. Consciência individual e cristianismo

9.1 O cristão como ameaça ao soberano

  • Para Hobbes, doutrinas que permitem ao indivíduo julgar a lei civil enfraquecem a república.

  • O texto afirma que o cristão é perigoso para esse modelo porque reconhece uma autoridade superior ao Estado.

  • Quando a lei civil contradiz a lei divina, o cristão deve obedecer a Deus antes que ao soberano.

9.2 Crítica à submissão total

  • O texto critica a ideia de que a consciência individual deva ser subordinada à lei civil.

  • Para a perspectiva cristã apresentada, o Estado não pode ser a fonte última da moralidade.

10. Propriedade privada

  • Hobbes também considera perigosa a doutrina de que cada homem possui propriedade absoluta de seus bens.

  • Para o texto, isso demonstra mais uma vez o alcance do poder soberano na filosofia hobbesiana.

11. Reação liberal

  • Após Hobbes, a Inglaterra passou por conflitos entre absolutismo e liberalismo.

  • O texto menciona:

    • Charles II;

    • James II;

    • Locke;

    • o partido Whig;

    • Guilherme de Orange;

    • a consolidação do parlamentarismo inglês.

  • O liberalismo surge como reação ao absolutismo, mas o texto também o critica.

12. Considerações finais

  • O texto rejeita tanto o absolutismo quanto o liberalismo moderno.

  • A disputa entre ambos é apresentada como uma falsa dicotomia.

  • A posição defendida é que não se deve escolher automaticamente um lado político quando ambos se afastam da verdade.

  • A Revolução Francesa é considerada pior que o absolutismo, mas o absolutismo também é tratado como erro que ajudou a provocar a revolução.

Ideia central

O texto apresenta Hobbes como o principal teórico do absolutismo moderno. Sua visão pessimista do homem leva à defesa de um Estado forte e soberano, capaz de controlar a sociedade para impedir a guerra civil. Contra isso, o texto defende a visão clássica e cristã segundo a qual o homem é naturalmente social, orientado à virtude e submetido a uma lei moral superior ao Estado.



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