Resumo capítulo por capítulo
Segue um resumo capítulo por capítulo, em formato de revisão. O livro tem 9 capítulos, além de apêndices; aqui o foco está nos capítulos principais, porque resumir literalmente 25% de 436 páginas em uma única resposta viraria praticamente outro livro, e a civilização já sofre bastante com relatórios demais.
As afirmações abaixo são apresentadas como teses do autor, não como validação externa. Wormser escreve a partir da experiência ligada ao Reece Committee e sustenta que grandes fundações norte-americanas, especialmente Ford, Rockefeller e Carnegie, teriam acumulado poder político, cultural e intelectual por meio de dinheiro isento de impostos. O próprio livro se apresenta como Foundations: Their Power and Influence, de René A. Wormser, publicado originalmente pela The Devin-Adair Company, em Nova York, em 1958.
Introdução geral da obra
O ponto de partida do livro
O ponto de partida do livro é a investigação das fundações isentas de impostos nos Estados Unidos, especialmente a atuação do Reece Committee, criado para examinar organizações tax-exempt. Wormser afirma que o perigo principal não estaria apenas na existência de fundações ricas, mas no uso de seus recursos para fins políticos, na formação de uma elite administrativa e na influência cultural exercida fora dos mecanismos democráticos comuns.
O conceito de fundação
O conceito de “fundação” usado pelo autor é mais restrito do que a definição comum. Ele distingue fundações doadoras, fundações operacionais e organizações intermediárias, como conselhos, institutos e entidades que recebem grandes verbas e depois redistribuem recursos ou selecionam beneficiários. Entre os exemplos aparecem Ford Foundation, Rockefeller Foundation, Carnegie Corporation, Social Science Research Council, Institute of Pacific Relations e American Council on Education.
A crítica central
A crítica central da introdução é que a isenção fiscal transforma recursos privados em uma espécie de dinheiro público indireto, pois a sociedade deixa de arrecadar impostos em troca de supostos benefícios públicos. Para Wormser, quando tais recursos passam a orientar educação, pesquisa, opinião pública e política externa, surge um poder privado sem os controles aplicáveis ao governo, às empresas ou às igrejas.
1. The Study of Foundations
O problema de estudar fundações
O primeiro capítulo apresenta as fundações como uma invenção social moderna que exige exame crítico. Wormser sustenta que as fundações não podem ser vistas apenas como instrumentos de caridade, porque concentram dinheiro, prestígio, isenção fiscal e capacidade de influência sobre instituições educacionais, culturais e políticas.
A dificuldade do estudo está no fato de que as fundações costumam gozar de reputação pública positiva. Criticá-las, segundo o autor, produz resistência de universidades, jornais, intelectuais, beneficiários e pessoas influentes que dependem direta ou indiretamente de suas verbas.
Investigações anteriores
Wormser revisa investigações anteriores, especialmente a Walsh Commission, a Cox Committee e a Reece Committee. A Walsh Commission já teria chamado atenção para a concentração de poder econômico e social em entidades filantrópicas. O autor destaca opiniões como as de Louis D. Brandeis, que via risco em uma espécie de absolutismo benevolente, e de Samuel Untermyer, que defendia limites legais mais claros para fundações.
A investigação sobre a Textron é usada como exemplo de abuso fiscal. O autor menciona o uso de fundações como abrigo de controle empresarial, instrumento de evasão ou minimização tributária e mecanismo de concorrência desleal. Essa parte prepara a transição do problema tributário para o problema mais amplo: o uso das fundações como poder cultural e poder intelectual.
Fundação como poder social
A caridade institucionalizada, segundo Wormser, deixa de ser apenas virtude privada quando adquire estrutura permanente, recursos gigantescos e capacidade de moldar instituições. O autor compara o fenômeno moderno a formas antigas de concentração patrimonial ligadas à religião, a ordens religiosas, a propriedades eclesiásticas e a entidades semi-autônomas com grande poder social.
A tese recorrente é que a fundação moderna pode funcionar como uma entidade privada que atua com efeitos públicos. Ela escolhe temas de pesquisa, forma especialistas, financia livros, sustenta revistas, orienta universidades e influencia debates legislativos. O problema, para o autor, não é apenas a má intenção eventual, mas a própria existência de um poder pouco controlado.
Educação, propaganda e atividade política
O capítulo distingue educação legítima de propaganda política, mas insiste que a fronteira entre ambas se torna ambígua quando fundações financiam causas sociais, mudanças legislativas, programas educacionais e campanhas intelectuais. Wormser afirma que a legislação tributária da época não definia com clareza o limite entre educação, propaganda, atividade legislativa e atuação política.
Exemplos de entidades e causas aparecem para ilustrar essa ambiguidade: organizações que defendiam o imposto único, calendário mundial, governo mundial, educação trabalhista, socialismo democrático ou reformas legislativas. O autor não nega que ideias possam ser debatidas; o ponto dele é que ideias políticas sustentadas por dinheiro isento de impostos criam vantagem artificial no mercado de opiniões.
Responsabilidade por mudança social
Wormser critica a defesa das fundações de que apenas acompanhariam o clima intelectual da época. Para ele, delegar a especialistas, consultores ou intermediários não elimina a responsabilidade dos administradores. Se uma fundação escolhe especialistas com determinada inclinação, financia projetos de determinado tipo e ignora visões contrárias, ela participa ativamente da formação de tendências.
O capítulo termina reforçando a ideia de equilíbrio. O autor admite que mudança social pode ser necessária, mas critica o apoio unilateral à mudança pela mudança. Na visão dele, fundações deveriam sustentar também estudos voltados à continuidade, à estabilidade social, à preservação institucional e à análise das virtudes do sistema existente.
2. The Power of the Individual Foundation
Poder direto e indireto da fundação
O segundo capítulo examina a força de uma fundação isolada. Wormser afirma que uma grande fundação exerce poder diretamente pelo dinheiro e indiretamente por suas alianças. Bancos, escritórios de advocacia, corretoras, universidades, jornais, consultores de relações públicas, beneficiários e candidatos a beneficiários formam uma rede que protege a fundação contra críticas.
Esse poder é particularmente forte na universidade. Instituições privadas, pressionadas por custos crescentes, tornam-se dependentes de grants. Reitores, professores, pesquisadores e estudantes aprendem a observar preferências das fundações. O autor ressalta que a pressão raramente precisa ser explícita: basta o beneficiário perceber quais temas, métodos e vocabulários atraem recursos.
Conformidade acadêmica
A fundação influencia desde a base da carreira acadêmica. Bolsas ajudam o estudante a obter o doutorado; grants permitem ao professor pesquisar, publicar e ganhar prestígio; intermediários controlam revistas, editoras universitárias e canais de reconhecimento. O resultado, segundo Wormser, é um sistema de patronagem acadêmica, no qual o pesquisador aprende a agradar quem distribui recursos.
A conformidade não precisa ser imposta por censura formal. Ela surge pela seleção dos beneficiários, pela aprovação de temas, pela preferência por certos métodos e pela rejeição silenciosa dos dissidentes. Para o autor, quem está “dentro” do circuito das fundações progride com muito mais facilidade; quem está fora ainda pode subir, mas paga um custo alto.
Administração e delegação de poder
Wormser critica a administração das grandes fundações. Em fundações pequenas, os trustees tendem a acompanhar diretamente os pedidos e grants. Nas gigantes, segundo ele, os trustees funcionam muitas vezes como figuras honoríficas, enquanto funcionários profissionais decidem programas, prioridades e beneficiários.
A delegação seria grave porque envolve ideias, não apenas dinheiro. Em empresas, delegar pode gerar prejuízo financeiro. Em fundações, delegar mal pode alterar educação, pensamento público e política social. Por isso, Wormser defende que os trustees deveriam assumir responsabilidade direta ou reduzir a complexidade dos programas.
O caso do Institute of Pacific Relations
O Institute of Pacific Relations é apresentado como exemplo central de delegação perigosa. Wormser lembra que a entidade recebeu recursos de fundações como Carnegie Corporation, Carnegie Endowment for International Peace e Rockefeller Foundation, e que foi acusada por investigações do Congresso de favorecer interesses comunistas e soviéticos na política asiática.
Professor David N. Rowe é citado como testemunha crítica. Ele teria afirmado que diretores do instituto eram, na prática, figuras decorativas, enquanto um grupo interno de executivos comandava a organização. Wormser usa esse caso para argumentar que fundações doadoras não podem simplesmente lavar as mãos quando um intermediário financiado por elas age de modo danoso.
Os “philanthropoids”
O capítulo apresenta a figura dos administradores profissionais de fundação, chamados por Dwight Macdonald de philanthropoids. Eles são intermediários entre o doador original e o beneficiário, administrando dinheiro alheio e decidindo que projetos merecem sobreviver.
Esses profissionais, segundo Wormser, passam a ser tratados como autoridades intelectuais. Reitores e professores escutam jovens funcionários de fundações com deferência, porque uma sugestão deles pode significar financiamento, prestígio e avanço profissional.
O problema do tamanho
Wormser compara o gigantismo das fundações ao gigantismo empresarial. Se grandes corporações são temidas por sua capacidade de concentrar poder econômico, grandes fundações deveriam ser ainda mais observadas, pois operam no campo das ideias com menos controles.
O mecanismo de matching grants amplia a influência das fundações. Ao condicionar uma doação à participação de outras entidades, a fundação cria coordenação forçada e multiplica a adesão a seus objetivos. Wormser associa isso à ideia de Gleichschaltung, isto é, uniformização ou alinhamento institucional.
Fundações corporativas
O capítulo também trata das fundações criadas por empresas. Wormser observa que elas ainda eram relativamente novas no cenário norte-americano, mas cresciam rapidamente. Ele menciona críticas de acionistas, trabalhadores e concorrentes: acionistas poderiam ver doações como dissipação de lucros; trabalhadores poderiam exigir salários maiores; concorrentes poderiam enxergar vantagem injusta de relações públicas.
3. The Concentration of Power
Interlocks entre fundações
O terceiro capítulo amplia a crítica do indivíduo para o sistema. Wormser afirma que o problema não é apenas uma fundação poderosa, mas a existência de interlocks, isto é, sobreposições de pessoas, cargos, conselhos, projetos e organizações. A crítica ao Cox Committee é que ele teria dado atenção demais à concentração geográfica e pouca ao padrão de interligação funcional.
A sobreposição de trustees é apresentada como indício de concentração. O autor cita fundações em que membros ocupavam várias posições simultâneas em outras entidades filantrópicas. Para ele, isso cria conflitos de interesse e reduz a independência do mercado intelectual.
Formas principais de interlock
Wormser identifica várias formas de interligação. Trustees atuam em mais de uma entidade; fundações sustentam conjuntamente organizações intermediárias; grants são condicionados ao apoio de outros; funcionários circulam entre fundações e entidades financiadas; administradores de fundações entram em conselhos consultivos do governo.
O efeito prático seria a criação de um cartel intelectual. Para o autor, as fundações passam a controlar não apenas dinheiro, mas prioridades, temas, carreiras, publicações e até a distribuição de prestígio entre universidades.
Intermediários como instrumentos conjuntos
As organizações intermediárias são o centro do capítulo. Elas recebem dinheiro de várias fundações e o redistribuem, funcionando como “clearing houses”. Isso parece eficiente, mas Wormser considera perigoso, porque desloca decisões substantivas para entidades ainda mais afastadas do controle público e dos trustees originais.
O Social Science Research Council é apresentado como exemplo de poder intermediário. Segundo o testemunho de Rowe citado no livro, uma organização desse tipo pode influenciar fortemente instituições educacionais, professores e pesquisa nas ciências sociais.
A rede das ciências sociais
O Reece Committee descreveu uma rede ou cartel nas ciências sociais. Ela seria formada por fundações, intermediários, sociedades científicas, revistas acadêmicas e indivíduos em posições estratégicas. A lista inclui American Council of Learned Societies, American Council on Education, National Education Association, National Research Council, National Science Foundation, Social Science Research Council, Progressive Education Association, John Dewey Society, Institute of Pacific Relations, League for Industrial Democracy e American Labor Education Service.
A concentração também favoreceria algumas universidades. Wormser afirma que grants e bolsas se concentravam em instituições como Harvard, Columbia, Chicago, Yale, California, Wisconsin, North Carolina e MIT, enquanto muitas universidades menores eram ignoradas.
Social Science Research Council
O SSRC é descrito como uma estrutura autoperpetuadora. Embora parecesse representar sociedades profissionais, o livro afirma que sua forma de escolha de diretores limitava a autonomia dessas sociedades e preservava o controle de uma elite interna.
O poder do SSRC se estenderia às publicações e carreiras. Wormser destaca que publicações, resenhas, revistas acadêmicas e recomendações bibliográficas afetam promoções e reputações. Se o controle desses canais se concentra em poucas mãos, o resultado é conformidade intelectual.
American Council on Education
O American Council on Education aparece como outro grande intermediário. Ele se apresenta como órgão de coordenação, intercâmbio e pesquisa educacional, mas Wormser o interpreta como uma estrutura capaz de influenciar políticas educacionais em escala nacional, inclusive por meio de contratos governamentais e apoio de fundações.
Fundação, governo e burocracia intelectual
O capítulo conclui que o poder das fundações se infiltra no governo. As mesmas pessoas que influenciam recursos privados também aconselham ou direcionam gastos governamentais em pesquisa. Para Wormser, isso transforma a concentração privada em poder público indireto.
A crítica final é à formação de uma classe profissional. Essa elite de administradores de fundações, segundo o autor, teria capturado as grandes instituições e aplicado fundos de confiança pública a objetivos políticos, especialmente ligados ao que ele chama de movimento “liberal”.
4. Social Science and Scientism
Política nas ciências sociais
O quarto capítulo critica a transformação das ciências sociais em instrumento político. Wormser observa que o termo behavioral sciences foi adotado em 1949, em parte para evitar a associação entre social science e socialism. Mesmo assim, ele sustenta que muitos cientistas sociais buscavam redesenhar governo e vida pública.
Harold D. Lasswell é usado como exemplo. O autor cita sua visão da ciência política como “policy science”, isto é, uma ciência voltada a orientar decisões sociais e governamentais. Wormser interpreta isso como pretensão de transformar cientistas sociais em planejadores da sociedade, quase um quarto ramo do governo.
Crítica à dependência de subsídios
George Simpson é citado como crítico do rumo das ciências sociais. Ele denuncia a dependência de fundos externos e a tendência de pesquisadores aceitarem temas definidos por fundações ou corporações. Wormser usa Simpson para reforçar a tese de que a pesquisa social havia perdido independência moral e intelectual.
O excesso de empirismo também é criticado. Simpson afirma que pesquisa empírica é necessária, mas não deve substituir teoria, clareza conceitual, leitura, hipótese e pensamento. Wormser se aproveita disso para atacar a obsessão por questionários, tabelas e estatísticas como se fossem prova automática de verdade.
Excluindo o dissidente
O caso de A. H. Hobbs aparece como exemplo de punição ao dissidente. Segundo Wormser, Hobbs teria sido marginalizado na University of Pennsylvania por criticar métodos dominantes e fundações. O autor apresenta sua carreira estagnada como aviso a outros acadêmicos: conformar-se ou pagar o preço.
Hobbs também é citado por sua crítica aos livros de sociologia. Ele teria examinado mais de cem livros e concluído que a maioria apresentava inclinação coletivista, crítica ao capitalismo e aceitação pouco crítica de soluções reformistas.
Scientism
O conceito de scientism é central. Para Wormser, parte das ciências sociais imitava indevidamente as ciências naturais, tratando problemas morais, jurídicos e políticos como se pudessem ser resolvidos por medição, estatística e coleta de fatos. Ele aceita o valor dos dados empíricos, mas critica a pretensão de reduzir amor, patriotismo, tradição, ética e instituições a números.
Pitirim Sorokin é usado contra a “quantophrenia”. O autor cita a crítica de Sorokin à mania de quantificação, formulários, tabelas, coeficientes e aparência de precisão científica. A crítica é que o método, quando mal aplicado, produz esterilidade, erro e falsa autoridade.
Kinsey e a Rockefeller Foundation
Os estudos de Kinsey são apresentados como exemplo de pseudociência social com impacto moral. Wormser afirma que a Rockefeller Foundation, por meio do National Research Council, apoiou pesquisas sobre comportamento sexual que depois influenciaram debates jurídicos, médicos, educacionais e morais.
A crítica não é apenas metodológica, mas social. Wormser acusa os relatórios de Kinsey de confundirem fato, opinião e valor, além de sugerirem que condutas amplamente praticadas deveriam orientar mudanças legais ou morais. O autor insiste que estatística de comportamento não basta para rever princípios jurídicos, religiosos ou éticos.
The American Soldier
The American Soldier é usado como exemplo de social engineering aplicado ao Exército. O livro, produzido sob auspícios do Social Science Research Council e com apoio da Carnegie Corporation, teria influenciado o sistema de desmobilização por pontos após a Segunda Guerra. Wormser sustenta que cientistas sociais venceram objeções militares e enfraqueceram a prontidão do Exército.
A crítica de Arthur M. Schlesinger Jr. reforça o ataque. Ele ironizou a pretensão da “social science” de oferecer grandes revelações e classificou parte da produção como linguagem pesada para descobertas triviais. Wormser usa essa crítica para mostrar que até intelectuais não conservadores viam exageros no aparato metodológico.
Stuart Chase e The Proper Study of Mankind
Wormser critica The Proper Study of Mankind, de Stuart Chase. O livro teria sido produzido a partir de estímulo de Donald Young, do SSRC, e Charles Dollard, da Carnegie Corporation, como peça de divulgação das ciências sociais. Wormser acusa Chase de inclinação coletivista e de defender uma visão de planejamento social.
A ideia de cultural determinism aparece como ameaça. Wormser destaca a tese de que a sociedade poderia ser refeita mediante educação e condicionamento cultural. Para ele, isso aproxima as ciências sociais de uma técnica de moldagem humana, não de investigação livre.
Gunnar Myrdal e An American Dilemma
A Carnegie Corporation financiou An American Dilemma, estudo sobre relações raciais nos Estados Unidos dirigido por Gunnar Myrdal. Wormser critica a escolha de Myrdal por considerá-lo socialista e afirma que um tema politicamente delicado foi entregue a um pesquisador ideologicamente inclinado.
O uso judicial da obra é tratado como alerta. Wormser observa que An American Dilemma foi citado em decisões de segregação escolar, especialmente Brown v. Board of Education, e usa isso para mostrar como estudos financiados por fundações podem migrar para o direito constitucional e a política pública.
Encyclopedia of the Social Sciences
A Encyclopedia of the Social Sciences é apresentada como caso de influência de referência. Financiada ou apoiada por Rockefeller Foundation, Carnegie Corporation e Russell Sage Foundation, a obra poderia ter sido uma contribuição objetiva, mas Wormser a acusa de forte viés esquerdista.
Alvin Johnson é criticado como figura editorial central. Wormser afirma que a enciclopédia incluiu numerosos autores socialistas, comunistas, simpatizantes ou radicais em verbetes decisivos, permitindo que ideias de esquerda influenciassem professores, estudantes e formadores de opinião por meio de uma obra de referência.
Pesquisa em massa e conformidade
O capítulo fecha com a crítica à pesquisa coletiva em grande escala. William H. Whyte Jr. e Dwight Macdonald são citados contra os grandes projetos, a burocratização da vida intelectual e o abandono do pesquisador individual. Wormser sustenta que fundações preferiam projetos enormes, detalhados e adaptados aos seus interesses.
David N. Rowe reforça a crítica à coordenação excessiva. Para ele, quando fundações exigem integração de pesquisas, reduzem diversidade, criam concentração de autoridade e empobrecem o ambiente intelectual. A liberdade do pesquisador individual é substituída por direção central.
5. Foundations and Radicalism in Education
Controle da educação por fundações
O quinto capítulo trata da educação como campo estratégico. Wormser afirma que um complexo de fundações e organizações aliadas passou a exercer grande controle sobre a educação norte-americana. Ele reconhece que os primeiros esforços de Carnegie e Rockefeller melhoraram padrões de ensino superior, mas insiste que até reformas benéficas podem ser perigosas quando realizadas por coerção financeira.
O mecanismo descrito é “conformar-se ou perder o grant”. Segundo o autor, pensões, endowments e financiamentos eram vinculados a padrões desejados por fundações. Assim, universidades se adaptavam às exigências do dinheiro. Wormser considera isso perigoso porque o poder que hoje reforma para o bem poderia amanhã reformar para fins contrários ao interesse público.
Organizações educacionais apoiadas
A American Council on Education aparece como agência executiva principal. Outras organizações também recebem destaque: National Education Association, Progressive Education Association, John Dewey Society, National Council on Parent Education e American Youth Commission. Wormser afirma que a primeira fase trouxe benefícios, mas fases posteriores produziram efeitos sociais negativos.
Universidades como Columbia, Stanford e Chicago aparecem como centros experimentais. O autor sustenta que nelas floresceram teorias educacionais apoiadas por fundações, ligadas à reforma social, à pedagogia progressiva e à ideia de escola como agente de transformação política.
Nascimento do radicalismo educacional
Wormser vincula o radicalismo educacional ao movimento socialista organizado. Ele destaca a criação da Intercollegiate Socialist Society, em 1905, sob influência de nomes como Jack London e Upton Sinclair, e afirma que ela formou líderes com influência futura em universidades, imprensa, política e educação. Depois, essa organização tornou-se a League for Industrial Democracy.
A educação passa a ser vista como instrumento de remodelação social. Para o autor, o movimento progressista deslocou a função da escola: em vez de transmitir conhecimentos e formar cidadãos dentro de uma tradição, ela passaria a preparar os alunos para aceitar mudança social planejada.
Carnegie e a “carta socialista” da educação
O autor dá grande importância à Commission on Social Studies da American Historical Association. Financiado pela Carnegie Corporation, o relatório dessa comissão é apresentado como um documento de orientação socialista para a educação. Wormser o associa à ideia de que a escola deveria preparar a transição para uma ordem social planejada.
A crítica é que o projeto teria sido unilateral. Para Wormser, se uma fundação financia um programa educacional com implicações políticas, deveria financiar também a posição oposta, representada por educadores que defendem preservação do sistema constitucional e econômico norte-americano.
Educadores radicais
George S. Counts é uma figura central. Wormser cita Counts como defensor da ideia de que professores deveriam organizar-se militante e poderosamente para construir uma nova ordem social. A educação, nesse esquema, deixa de ser neutra e assume função de combate político.
A Progressive Education Association aparece como veículo dessa militância. O autor afirma que organizações educacionais tax-exempt, apoiadas por fundações, ofereceram infraestrutura, legitimidade e recursos a educadores interessados em reforma social radical.
Livros didáticos coletivistas
Wormser dedica atenção aos textbooks. Ele afirma que novos livros escolares foram produzidos para substituir obras mais tradicionais e objetivas. Esses livros, segundo ele, apresentavam uma visão patológica dos Estados Unidos, criticavam a livre iniciativa e exaltavam soluções coletivistas.
Harold Rugg é destacado como caso exemplar. Seus livros teriam surgido a partir da Lincoln Experimental School, financiada por fundações Rockefeller, e milhões de exemplares teriam circulado nas escolas. Para Wormser, isso mostra como financiamento aparentemente educacional pode moldar a mentalidade de gerações.
Obras de referência e projetos educacionais
O capítulo também trata de obras de referência, projetos sobre Rússia e materiais para professores. Wormser critica projetos financiados pela Rockefeller Foundation em Columbia e Cornell, acusando-os de produzir materiais favoráveis à União Soviética ou influenciados por simpatizantes do comunismo.
O Citizens Education Project é outro exemplo. Criado no Teachers College da Columbia com mais de um milhão de dólares da Carnegie Corporation, o projeto produzia materiais de cidadania para escolas. Wormser afirma que esses materiais tinham inclinação à esquerda e que Carnegie deveria ter examinado e, se necessário, repudiado os resultados.
6. Revolution Is Nearly Accomplished
A “terceira revolução americana”
O sexto capítulo radicaliza a tese do livro. Wormser afirma que uma revolução nas políticas econômicas e sociais dos Estados Unidos teria ocorrido com ajuda material das fundações. Ele descreve o complexo fundacional como uma espécie de brain trust informal do governo, fornecendo ideias, especialistas e justificativas para políticas públicas.
Penetração comunista
O autor afirma que comunistas penetraram ou usaram fundações. Ele menciona conclusões atribuídas ao Cox Committee, segundo as quais teria havido plano dirigido por Moscou para infiltrar fundações norte-americanas e usar seus recursos em propaganda comunista. Entre as entidades mencionadas aparecem Marshall Field Foundation, Garland Fund, Guggenheim Foundation, Robert Marshall Foundation, Rosenwald Fund e Phelps Stokes Fund.
David Rowe é usado para argumentar que a questão é qualitativa, não quantitativa. Mesmo poucos grants poderiam ter grande impacto se atingissem áreas estratégicas, como estudos sobre o Extremo Oriente, onde havia ignorância pública e vulnerabilidade intelectual.
Penetração socialista
Wormser distingue comunismo organizado e socialismo difuso. Ele afirma que socialismo e comunismo compartilham objetivos finais, como planejamento central, controle estatal da produção e transformação da ordem econômica, embora possam divergir nos métodos.
O problema principal, para ele, é o desequilíbrio no mercado de ideias. Socialistas e liberais radicais teriam recebido grande apoio fundacional, enquanto conservadores e defensores da ordem constitucional ficavam sem recursos equivalentes. Assim, a competição intelectual deixaria de ser livre.
Subversion
O Reece Committee define subversão como erosão gradual. Não se trata apenas de revolução aberta, mas de enfraquecimento contínuo de princípios, instituições e valores. Wormser afirma que uma fundação não recebe isenção fiscal para minar a própria sociedade que lhe concede o privilégio.
A crítica mais forte é à falsa neutralidade científica. Projetos políticos ou morais aparecem com o rótulo de ciência, tornando-se mais difíceis de contestar. O selo da fundação multiplica sua autoridade.
Impotência do cidadão comum
O cidadão comum aparece como indefeso. Quando percebe os efeitos das ideias radicais na escola ou no governo, elas já foram incorporadas a currículos, relatórios, órgãos públicos e opinião profissional. Wormser usa o relatório da American Historical Association’s Commission on Social Studies, financiado por Carnegie, como exemplo de dano feito antes que o público pudesse reagir.
Anticapitalismo financiado
Business as a System of Power, de Robert A. Brady, é apresentado como exemplo. Financiado por grant ligado à Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching, o livro é descrito como obra anticapitalista, crítica às grandes corporações e favorável a interpretações coletivistas.
League for Industrial Democracy
A League for Industrial Democracy recebe tratamento severo. Wormser a vê como continuação da Intercollegiate Socialist Society e como organização voltada à propaganda socialista. A crítica central é que uma entidade desse tipo, se quer fazer campanha por socialismo, deveria operar com dinheiro tributado, como partidos políticos.
O capítulo acumula exemplos de linguagem revolucionária. Textos ligados à LID falam em eliminar capitalismo, formar nova ordem social, combater instituições existentes e disputar poder dentro de sindicatos, corporações, associações profissionais e órgãos sociais.
American Labor Education Service
A American Labor Education Service aparece como educação trabalhista politizada. Apoiada pela Ford Foundation e outras entidades, ela promovia conferências sobre ação política do trabalho, técnicas de ação política e participação sindical em política externa.
Mark Starr é citado como figura de ligação. Wormser destaca sua atuação em educação sindical, UNESCO, Japão ocupado e outras instâncias, usando-o como exemplo da circulação entre fundações, educação trabalhista, política internacional e organizações públicas.
Esquerdistas fornecidos ao governo
O capítulo afirma que fundações e intermediários abasteceram o governo com especialistas de esquerda. Professor Kenneth Colegrove teria relatado que listas de conselheiros para ocupação da Alemanha e do Japão foram ignoradas em favor de nomes indicados por entidades como o Institute of Pacific Relations e o American Council of Learned Societies.
A conclusão é que a revolução veio pela educação e pela propaganda. Wormser sustenta que mudanças socialistas não foram implantadas por tomada direta do poder, mas por décadas de ideias, relatórios, ensino, grants e prestígio acadêmico.
7. Foundation Impact on Foreign Policy
O complexo fundacional no internacionalismo
O sétimo capítulo desloca o foco para política externa. Wormser afirma que fundações tiveram enorme influência em relações internacionais, especialmente por meio de organizações como Council on Foreign Relations, Foreign Policy Association, Institute of Pacific Relations, United Nations Association e seminários universitários de relações internacionais.
A crítica é que o internacionalismo foi promovido quase sem oposição financiada. Para Wormser, as fundações apoiaram ONU, ajuda externa ampla, intervenção em questões coloniais e compromissos militares globais, enquanto posições nacionalistas ou conservadoras tinham pouca estrutura financeira.
Rhodes Scholarship Fund
O Rhodes Scholarship Fund aparece como influência estrangeira relevante. Wormser afirma que a rede de Rhodes Scholars ocupava cargos em educação, governo, imprensa, rádio, fundações e Departamento de Estado, difundindo ideias britânicas e internacionalistas nos Estados Unidos.
Carnegie Endowment for International Peace
A Carnegie Endowment é descrita como máquina de propaganda. Criada para promover a paz, teria desenvolvido o ideal de international mind, financiando clubes, livros, professores, palestrantes, materiais escolares, organizações externas e publicações sobre relações internacionais.
O autor distingue educação pública de moldagem da opinião pública. Quando a fundação fala em “education of public opinion”, Wormser interpreta isso como tentativa de formar opinião em direção específica, não como instrução neutra.
Globalismo e coletivismo
Wormser acusa as fundações internacionalistas de promoverem globalismo coletivista. Ele reconhece que a ideia de paz mundial é nobre, mas afirma que o modelo defendido pelas fundações aproximava-se de um coletivismo internacional apressado, com riscos à soberania, à propriedade privada e aos interesses norte-americanos.
International Relations Clubs e Foreign Policy Association
Os International Relations Clubs aparecem como instrumentos de formação estudantil. Felix Wittmer teria relatado que clubes apoiados pela Carnegie Endowment difundiam materiais e palestrantes de tendência esquerdista, incluindo Alger Hiss.
A Foreign Policy Association é criticada por seus autores e publicações. Wormser cita Vera Micheles Dean e Max Lerner como exemplos de figuras associadas a posições socialistas ou globalistas, cujos textos teriam sido difundidos com apoio de fundações.
Council on Foreign Relations e “historical blackout”
O Council on Foreign Relations é apresentado como ponte entre fundação e governo. Wormser afirma que os estudos War and Peace Studies, financiados pela Rockefeller Foundation, foram incorporados ao Departamento de Estado durante a Segunda Guerra.
A ideia de “historical blackout” é uma das críticas mais fortes do capítulo. Segundo Wormser, fundações apoiaram uma narrativa de Segunda Guerra Mundial que evitava revisões críticas semelhantes às feitas após a Primeira Guerra. Ele cita críticas de Charles Austin Beard e Harry Elmer Barnes contra esse controle narrativo.
Interlocks com governo
A Carnegie Endowment chegou a se descrever como instrumento não oficial de política internacional. Para Wormser, isso confirma que fundações privadas pretendiam influenciar governos por meio de opinião pública, especialistas e redes de prestígio.
Propaganda pró-ONU
O capítulo critica propaganda unilateral em favor da ONU. Wormser não nega a utilidade possível de uma organização internacional, mas acusa fundações e entidades associadas de defenderem a ONU de modo acrítico, sem apresentar riscos, falhas ou argumentos contrários.
UNESCO e materiais escolares entram na crítica. O livro menciona publicações econômicas de teor coletivista e materiais da National Education Association que ensinariam crianças a aceitar cooperação econômica mundial planejada, limitação do sistema de Estados nacionais e papel militante da escola em favor do globalismo.
International Social Science Research Council
O International Social Science Research Council é apresentado como expansão internacional do modelo do SSRC. Criado em ambiente ligado à UNESCO e a Alva Myrdal, com participação de Donald Young e Otto Klineberg, ele seria, para Wormser, uma nova estrutura de coordenação internacional autoperpetuadora.
8. The Ford Foundation — Gargantua of Philanthropy
A maior das fundações gigantes
O oitavo capítulo concentra-se na Ford Foundation. Wormser a chama de “Gargantua” da filantropia por causa de sua escala. Fundada em 1936, ela teria adotado em 1949 um programa definitivo baseado em trabalho de um comitê liderado por H. Rowan Gaither, depois presidente da fundação.
O problema principal é o tamanho. A Ford administrava bilhões em capital e cerca de cem milhões de dólares por ano em renda. Para Wormser, esse volume exigiria controles muito superiores aos de uma empresa comum, porque a fundação não vendia produtos: ela comprava influência social, educacional e intelectual.
Nova política?
A chegada de Henry T. Heald é analisada com ceticismo. Wormser observa que Heald falava em mudança e progresso, mas critica a suposição de que todo problema exige transformação. Para o autor, a Ford continuava presa à ideia de que a fundação deve promover mudança social como missão quase natural.
O passado recente
Wormser afirma que a Ford expandiu demais seus campos de atuação. O relatório de 1956 indicaria que a fundação passou de cinco áreas principais para vinte e três áreas de projeto. Além disso, criou fundos autônomos sob conselhos separados, delegando funções de confiança a estruturas secundárias.
A mudança do controle familiar para controle burocrático é vista com ambivalência. Remover a família Ford poderia parecer positivo, mas Wormser teme que a autoperpetuação burocrática gere cliques administrativas e uso político dos recursos.
História anterior da Ford Foundation
O plano original da Ford Foundation foi construído por especialistas. Gaither teria consultado “o povo”, mas Wormser ironiza que “o povo” eram especialistas que acreditavam saber o que era bom para todos. O relatório resultante propôs cinco áreas: paz, democracia, economia, educação democrática e bem-estar humano.
Behavioral Sciences Fund
A Ford é criticada por sua estrutura complexa. O Reece Committee teria apresentado um diagrama com divisões como Adult Education, Advancement of Education, East European Fund, Intercultural Publications, Resources for the Future, Fund for the Republic, Behavioral Sciences Division, entre outras.
O Behavioral Sciences Fund é ligado à crítica ao scientism. Wormser afirma que seus selecionados pertenciam majoritariamente a uma mesma escola de pensamento e que não havia objetividade na escolha de homens e instituições.
Ford e escuta de júris
O caso da escuta em salas de júri é usado como exemplo de irresponsabilidade. Microfones teriam sido instalados para gravar deliberações de jurados em estudo financiado pela Ford por meio da University of Chicago Law School, sob supervisão de Edward H. Levi e direção de Harry Kalven Jr.
Para Wormser, esse caso expõe dois problemas. Primeiro, a pretensão de transformar instituições jurídicas em objeto de experimentação empírica. Segundo, a tentativa de fundações de negar responsabilidade quando seus grants geram resultados controversos.
Fund for the Advancement of Education
A crítica ao Fund for the Advancement of Education enfatiza intimidação acadêmica. Wormser cita Charles W. Briggs, segundo quem acadêmicos evitavam criticar fundações por medo de punição ou perda de oportunidades.
Fund for Adult Education
O Fund for Adult Education recebeu enorme volume de recursos. Até 1956, a Ford teria transferido 47,4 milhões de dólares para esse fundo. Wormser reconhece que educação de adultos pode ser legítima, mas alerta que tal soma pode facilmente virar propaganda política.
Projetos de Great Books e educação cívica são analisados com suspeita. O autor vê expressões como “American political freedoms” com desconfiança, porque teme que linguagem de liberdade seja usada como veículo para conceitos políticos específicos.
Ford educa o trabalho
A educação trabalhista financiada pela Ford é apresentada como politizada. Wormser associa grants a entidades de educação laboral e textos sobre política externa, alguns dos quais teriam apresentado a União Soviética de modo brando ou ambíguo no contexto da Guerra Fria.
Ford e internacionalismo
A Ford é ligada ao internacionalismo privado. Wormser discute o uso de agências voluntárias no exterior e alerta que entidades privadas podem influenciar relações internacionais sem a responsabilidade formal de órgãos governamentais.
Fund for the Republic
O Fund for the Republic é uma das maiores críticas do capítulo. Wormser o descreve como produto de Paul Hoffman e Robert Hutchins, financiado com capital de 15 milhões de dólares e depois formalmente independente da Ford Foundation.
O autor vê o fundo como politicamente enviesado. Embora se apresentasse como educacional, Wormser o considera exemplo de fundação usando dinheiro público indireto para promover causas ideológicas sob a capa de defesa da liberdade.
Responsabilidade dos trustees
A conclusão do capítulo é que trustees não podem alegar neutralidade depois do dano. Wormser distingue censurar o pesquisador, o que ele rejeita, de escolher com responsabilidade pessoas e projetos, o que ele considera dever público. Também admite que uma pessoa de viés conhecido poderia receber grant se houvesse equilíbrio com a posição oposta.
9. From Here On?
Situação após o Reece Committee
O último capítulo avalia o cenário depois do relatório Reece. Wormser afirma que a investigação gerou mais crítica pública às fundações do que toda a história anterior, embora ainda houvesse um núcleo de defensores que não via problema no uso de fundos de confiança pública para fins “liberais”.
Ele também reconhece realizações positivas. Rockefeller, Carnegie e outras fundações contribuíram para medicina, saúde pública, bibliotecas e ciência. A crítica não apaga esses benefícios; o ponto do autor é que tais êxitos não devem servir para ocultar abusos em educação, ciências sociais e política externa.
Controvérsia e investigação
Wormser defende mais exposição pública. O Reece Committee teria pedido maior ventilação das críticas e coleta de fatos para que trustees percebessem sua responsabilidade. Fundações profissionais teriam resistido a novas investigações, tratando críticos como anti-intelectuais.
O termo “controversial” é criticado. Para Wormser, quando executivos de fundações falam em apoiar temas controversos, muitas vezes querem dizer apoiar apenas o lado liberal da controvérsia. Ele cita o Fund for the Republic como exemplo do tipo de “controvérsia” que, em sua visão, exigiria ação do Congresso.
Sinais de melhora
O autor nota alguns sinais positivos. A Ford teria feito grants diretos a faculdades sem amarras; o apoio Rockefeller aos estudos Kinsey teria terminado; o SSRC teria passado a falar em mais apoio ao pesquisador individual; Rockefeller reorganizou estrutura; Ford trocou pessoal.
Apelo aos trustees
Wormser prefere reforma interna a legislação imediata. Ele afirma que não deseja medidas legislativas restritivas se elas puderem ser evitadas, mas acredita que isso depende de trustees assumirem suas responsabilidades.
As recomendações principais são diretas. Trustees não devem ser figuras decorativas; devem simplificar programas se não puderem acompanhá-los; devem evitar grants desenhados que não compreendem; devem preferir doações diretas a instituições confiáveis; devem evitar conflito de interesse e múltiplos trusteeships.
Redistribuição e ciência
O autor pede grants mais distribuídos entre universidades. Grandes instituições não concentram todos os cérebros, e fundações deveriam apoiar também escolas menores para ampliar o campo intelectual.
Ele defende mais apoio às ciências naturais, medicina e saúde pública. Wormser afirma que as grandes realizações fundacionais estão mais ligadas a ciência, saúde e humanidades do que às chamadas ciências sociais. Ele critica a teoria do cultural lag e sugere que o verdadeiro atraso seria científico, não cultural.
Recomendações finais
Wormser recomenda abandonar grandes projetos dirigidos de pesquisa social. Em vez disso, fundações deveriam apoiar pesquisadores individuais, medicina, ciência, saúde pública, humanidades e instituições privadas independentes.
A conclusão normativa é política e institucional. Fundações tax-exempt só se justificam quando atuam em fins realmente educacionais, científicos ou não políticos. Quando entram em política, propaganda e defesa partidária de causas, a isenção fiscal perde legitimidade.
A responsabilidade final é corretiva. Trustees deveriam examinar produtos financiados, verificar viés e impacto social, repudiar publicamente resultados danosos quando necessário e financiar contraprojetos para equilibrar a discussão.
Principais ideias recorrentes da obra
Poder sem controle democrático: A obra repete que fundações acumulam influência pública sem prestar contas como governo, empresas ou igrejas.
Isenção fiscal como confiança pública: Wormser trata recursos tax-exempt como dinheiro de responsabilidade pública, ainda que administrado privadamente.
Interlocks e concentração: O livro insiste que pessoas, conselhos, grants, universidades, revistas e órgãos públicos se interligam em um sistema de poder.
Intermediários como amplificadores: Organizações como SSRC, ACE e IPR são vistas como distribuidoras e coordenadoras de grants, capazes de multiplicar o poder das fundações.
Conformidade acadêmica: Professores, estudantes, universidades e editoras tenderiam a adaptar temas, métodos e linguagem às preferências dos financiadores.
Scientism: O autor critica a imitação das ciências naturais pelas ciências sociais, especialmente quando estatística e pesquisa empírica são usadas para justificar reformas morais, legais e políticas.
Educação como instrumento político: A escola é apresentada como campo decisivo de disputa cultural, onde fundações teriam apoiado pedagogias progressistas, livros didáticos coletivistas e programas de mudança social.
Globalismo e internacionalismo: A política externa é vista como área fortemente moldada por fundações, especialmente em torno da ONU, ajuda externa, anticolonialismo e planejamento internacional.
Responsabilidade dos trustees: O livro conclui que trustees devem abandonar o papel decorativo, evitar conflitos de interesse, supervisionar grants e corrigir danos causados por projetos enviesados.
Equilíbrio intelectual: A solução proposta não é trocar hegemonia liberal por hegemonia conservadora, mas exigir objetividade, pluralidade, responsabilidade pública e apoio equilibrado a ideias concorrentes.
Referências citadas
Autor e obra principal
René A. Wormser; Foundations: Their Power and Influence; The Devin-Adair Company; Covenant House Books; Brazilla Carroll Reece; Reece Committee.
Fundações e entidades filantrópicas
Ford Foundation; Rockefeller Foundation; Carnegie Corporation of New York; Carnegie Endowment for International Peace; Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching; General Education Board; Rockefeller Brothers Fund; Laura Spelman Rockefeller Memorial; Russell Sage Foundation; Guggenheim Foundation; W. K. Kellogg Foundation; Duke Foundation; Pew Memorial; Commonwealth Fund; Maurice and Laura Falk Foundation; Twentieth Century Fund; Lilly Endowment; Bollingen Foundation; Volker Fund; Richardson Foundation; American Economic Foundation; Foundation for Foreign Affairs; Research Corporation; Rosenwald Fund; Garland Fund; Marshall Field Foundation; Phelps Stokes Fund; Robert Marshall Foundation.
Organizações intermediárias, educacionais e acadêmicas
Social Science Research Council; American Council on Education; American Council of Learned Societies; National Education Association; National Research Council; National Academy of Sciences; National Science Foundation; Progressive Education Association; John Dewey Society; National Council on Parent Education; American Youth Commission; Institute of Pacific Relations; American Labor Education Service; League for Industrial Democracy; Intercollegiate Socialist Society; RAND Corporation; Teachers College; Lincoln Experimental School.
Política externa e organizações internacionais
Council on Foreign Relations; Foreign Policy Association; United Nations Association; United Nations; UNESCO; Rhodes Scholarship Fund; Carnegie Endowment International Relations Clubs; War and Peace Studies; State Department; International Social Science Research Council; Fund for Asia.
Comissões, investigações e eventos
Walsh Commission; Cox Committee; Reece Committee; McCarran Committee; Eastland Committee; House Committee on Un-American Activities; Textron investigation; New Deal; Fair Deal; World War I; World War II; Korean War; Brown v. Board of Education; National Planning Board; National Resources Committee.
Pessoas mencionadas com destaque
Brazilla Carroll Reece; Louis D. Brandeis; Samuel Untermyer; John Haynes Holmes; John D. Rockefeller Jr.; Basil M. Manly; John R. Commons; Florence J. Harriman; Frederick P. Keppel; Beardsley Ruml; F. Emerson Andrews; Edward C. Lindeman; Frank Hughes; William H. Whyte Jr.; Dwight Macdonald; H. Rowan Gaither Jr.; Henry T. Heald; Paul Hoffman; Robert Hutchins; Dean Rusk; Harold D. Lasswell; David N. Rowe; Kenneth Colegrove; Charles W. Briggs; J. Fred Rippey; Alfred Kohlberg; Charles Merriam; A. H. Hobbs; George Simpson; Pitirim A. Sorokin; Alfred Kinsey; Donald Young; Charles Dollard; Stuart Chase; Gunnar Myrdal; Alva Myrdal; Alvin Johnson; Harold J. Laski; George S. Counts; Harold Rugg; Mark M. Jones; Robert A. Brady; Robert S. Lynd; Harry W. Laidler; Ken Earl; Mark Starr; Felix S. Cohen; Paul R. Porter; Mortimer Graves; J. Edgar Hoover; Nicholas Murray Butler; Alger Hiss; Vera Micheles Dean; Max Lerner; Charles Austin Beard; Harry Elmer Barnes; Felix Wittmer; Spruille Braden; Cecil Rhodes; Andrew Carnegie; Henry Ford; Edsel Ford; Arthur M. Schlesinger Jr.; Bill Mauldin; Ernie Pyle; Frederick Osborn; Samuel A. Stouffer; Carl I. Hovland; Leonard S. Cottrell Jr.
Livros, relatórios e obras citadas
Philanthropic Foundations; The Foundation, Its Place in American Life; Wealth and Culture; Prejudice and the Press; The Organization Man; The Ford Foundation; Social Problems and Scientism; The Claims of Sociology; Fads and Foibles in Modern Sociology; The American Soldier; The Proper Study of Mankind; An American Dilemma; Encyclopedia of the Social Sciences; Business as a System of Power; A New Deal; Government in Business; For This We Fought; Goals for America; Collectivism on the Campus; The Rhodes Trust 1903–1953; The Historical Blackout and Perpetual War for Perpetual Peace; Economics and Action; Education for International Understanding in American Schools.
Conceitos fundamentais
Fundação isenta de impostos; public trust; venture capital; propaganda; educação; atividade política; interlock; clearing house; intermediário; matched grant; philanthropoid; concentração de poder; bigness; conflito de interesses; Gleichschaltung; social science; behavioral sciences; scientism; social engineering; fact-finding mania; quantophrenia; empiricism; cultural lag; cultural determinism; projectitis; mass research; academic freedom; conformidade acadêmica; coletivismo; socialismo; comunismo; subversion; globalism; international mind; historical blackout; public accountability; trustee responsibility.
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