27 de junho de 2026

[Rsm] A teoria da exploração do socialismo-comunismo – Capítulo IV

 



Resumo — A teoria da exploração do socialismo-comunismo – Capítulo IV

Eugen von Böhm-Bawerk

O texto é um extrato do capítulo “A teoria do juro de Marx”, no qual Böhm-Bawerk apresenta e critica a teoria marxista do valor, da mais-valia e da exploração capitalista. O autor parte da exposição de Marx em O Capital e depois procura mostrar falhas lógicas, empíricas e metodológicas na doutrina marxista.

1. Exposição da teoria marxista

Marx sustenta que o valor das mercadorias depende da quantidade de trabalho socialmente necessário incorporado nelas. Para ele, a mercadoria possui valor de uso e valor de troca; ao abstrair suas qualidades úteis particulares, restaria como elemento comum o trabalho humano abstrato.

Dessa base, Marx formula a lei do valor: as mercadorias tenderiam a trocar-se conforme o tempo médio de trabalho socialmente necessário nelas incorporado. As oscilações de preço seriam desvios temporários que, no longo prazo, se ajustariam ao valor.

A teoria da mais-valia surge quando Marx pergunta como o capitalista consegue vender mercadorias por mais dinheiro do que aplicou nelas. A resposta está na compra da força de trabalho: o trabalhador recebe salário equivalente ao necessário para sua subsistência, mas trabalha além desse tempo, produzindo um excedente apropriado pelo capitalista.

2. Crítica à base da teoria do valor-trabalho

Böhm-Bawerk afirma que Marx herdou de Adam Smith e Ricardo a ideia de que o trabalho fundamenta o valor, mas observa que esses autores não sustentaram tal princípio de modo absoluto. Ricardo, por exemplo, admitia exceções como bens raros e o efeito do tempo na produção.

Segundo o autor, Smith e Ricardo trataram a relação entre trabalho e valor como se fosse evidente, mas não a fundamentaram de modo rigoroso. Böhm-Bawerk argumenta que esforço e valor não são necessariamente proporcionais: esforços inúteis podem gerar pouco valor, enquanto pouco esforço pode produzir grande valor.

3. Crítica ao método de Marx

Böhm-Bawerk considera defeituoso o método marxista porque Marx não teria seguido nem o caminho empírico — observar os preços e trocas reais — nem o caminho psicológico — analisar os motivos dos agentes econômicos. Em vez disso, Marx teria usado uma dedução dialética baseada na ideia de que, na troca, duas mercadorias devem conter algo comum.

O autor critica especialmente o fato de Marx limitar sua análise às mercadorias produzidas pelo trabalho, excluindo bens naturais como terra, madeira, minas e jazidas. Para Böhm-Bawerk, isso torna a conclusão viciada: Marx encontra o trabalho como elemento comum porque já retirou da análise os bens que não são produto do trabalho.

Outra crítica é que Marx teria excluído o valor de uso de maneira ilegítima. Böhm-Bawerk afirma que Marx confunde a abstração das formas particulares de utilidade com a eliminação da utilidade em si. Para ele, não existe valor de troca sem algum valor de uso.

4. Exceções ao valor-trabalho

Böhm-Bawerk lista vários casos em que o valor não se explica pela quantidade de trabalho:

  • Bens raros, como obras de arte, moedas raras, terras, patentes e bens protegidos por direitos autorais.
  • Trabalho qualificado, cujos produtos podem valer muito mais do que produtos de igual duração feitos por trabalho comum.
  • Trabalho mal pago, cujos produtos podem ter valor inferior ao tempo de trabalho incorporado.
  • Oscilações de oferta e procura, que fazem os preços subirem ou caírem independentemente do trabalho.
  • Tempo de produção ou maturação, como no exemplo de um carvalho centenário, cujo valor não se explica pelo pequeno trabalho de plantio.

A conclusão de Böhm-Bawerk é que o trabalho pode influenciar o valor de muitos bens, mas não é a causa universal nem a essência do valor. Ele compara essa influência a uma causa parcial, não a uma lei geral.

5. Contradição entre os volumes de O Capital

O autor afirma que há uma contradição entre o primeiro e o terceiro volume de O Capital. No primeiro, Marx sustenta que as mercadorias se trocam conforme seus valores determinados pelo trabalho. No terceiro, admite que, na prática, os capitais tendem a obter uma taxa média de lucro, o que faz as mercadorias serem vendidas por preços de produção, e não diretamente por seus valores-trabalho.

Para Böhm-Bawerk, a tentativa marxista de resolver isso dizendo que os desvios se compensam no conjunto da economia não responde ao problema real: explicar as relações de troca entre mercadorias individuais. Ele considera essa solução uma tautologia incapaz de provar a lei do valor.

Principais Ideias

  • Marx fundamenta sua teoria da exploração na teoria do valor-trabalho.
  • A mais-valia é apresentada por Marx como trabalho não pago apropriado pelo capitalista.
  • Böhm-Bawerk critica a ideia de que o trabalho seja a única fonte do valor.
  • Smith e Ricardo são usados como autoridades, mas, segundo o autor, não provaram rigorosamente essa tese.
  • Marx teria cometido uma falha metodológica ao limitar a análise a produtos do trabalho e excluir bens naturais.
  • Há muitas exceções empíricas à lei do valor-trabalho: bens raros, trabalho qualificado, salários baixos, oferta e procura e tempo de maturação.
  • O trabalho pode influenciar o valor, mas não explicaria a essência universal do valor.
  • O terceiro volume de O Capital contradiz o primeiro ao admitir preços de produção e taxa média de lucro.

Referências mencionadas

  • Eugen von Böhm-Bawerk
  • Karl Marx
  • O Capital
  • Friedrich Engels
  • Adam Smith
  • David Ricardo
  • Rodbertus
  • Aristóteles
  • Konrad Schmidt
  • Teoria do valor-trabalho
  • Mais-valia
  • Força de trabalho
  • Capital constante
  • Capital variável
  • Preço de produção
  • Taxa média de lucro

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