Introdução
Na prática ele ficou sofrendo por alguns séculos até que Hércules nasceu, cresceu e resolveu libertá-lo. O curioso é que Prometeu podia ver o futuro e mesmo assim fez tudo que fez - ou seja: ele podia se arrepender mesmo de antes fazer alguma coisa e mesmo assim preferiu fazer e não se arrepender.
Melhores Frases
- a teimosia de Prometeu é equivalente ao rigor de Zeus.
- teu libertador ainda não nasceu.
- é sempre duro o coração dos novos reis.
- Nossas lamentações não poderão salvá-lo; não te fatigues gemendo por coisa alguma.
- Sê fraco, se te agrada, mas não me censures se te pareço impiedoso e exigente.
- Ignoras, tu, cujo intelecto é tão sutil, que as línguas atrevidas recebem castigo?
- Que temeria quem não poderá morrer?
Conclusão
P.s.: influência dessa peça na música:
- Trechos de As Criaturas de Prometeus de Beethoven
- Suite Prometeu de Luigi Nono
- Poema Sinfônico Prometeu de Franz Liszt
- http://culturafm.cmais.com.br/entrelinhas-fm/o-mito-de-prometeus
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Prometeu
- http://zahar2.tempsite.ws/catalogo_colecao.asp?col=26
📘 Prometeu Acorrentado — Resumo Estruturado
1. Contexto da Obra
Autor: Ésquilo (tragédia grega)
Parte de uma trilogia sobre Prometeu
Personagens: majoritariamente deuses
Tema central: conflito entre poder divino e benevolência ao homem
2. Situação Inicial
Prometeu é punido por Zeus
Motivo:
Roubo do fogo divino
Entrega do fogo aos humanos (origem das artes e da civilização)
Punição:
Acorrentado a uma rocha na Cítia
Sofrimento eterno e isolamento
3. Conflito Central
3.1 Zeus
Governo tirânico e absoluto
Desejo inicial: destruir a humanidade
Representa o poder e a ordem imposta
3.2 Prometeu
Defensor dos humanos
Age por compaixão
Recusa submeter-se a Zeus
Mantém segredo que pode derrubar Zeus
4. Papel de Prometeu na Humanidade
Prometeu afirma ter sido responsável por:
Dar o fogo
Ensinar:
Artes e técnicas
Matemática e escrita
Medicina
Navegação
Domínio de animais
Metalurgia
Transformar humanos de seres primitivos em racionais
Resumo brutal: sem ele, humanidade = versão beta defeituosa.
5. Coro e Personagens Secundários
5.1 Oceanides (coro)
Demonstram compaixão
Criticam o poder de Zeus
5.2 Oceano
Tenta aconselhar Prometeu a ser mais prudente
Representa adaptação ao poder
5.3 Io
Mortal transformada em novilha
Também vítima de Zeus
Sofre perseguição constante
6. Profecias e Destino
6.1 Sobre Zeus
Seu poder não é eterno
Será derrubado por consequência de seu próprio destino
Precisa de Prometeu para evitar a queda
6.2 Sobre Prometeu
Será libertado no futuro
Libertador: descendente de Io (Héracles)
6.3 Sobre Io
Longa jornada de sofrimento
Chegará ao Egito
Gerará linhagem importante
7. Temas Principais
7.1 Poder vs Justiça
Zeus representa força
Prometeu representa justiça moral
7.2 Sacrifício
Prometeu sofre por beneficiar outros
7.3 Destino
Nem Zeus escapa do destino (Parcas)
7.4 Conhecimento
Progresso humano vem de transgressão
8. Conclusão da Peça
Prometeu permanece acorrentado
Não há resolução imediata
Tensão permanece:
Zeus no poder
Prometeu resistente
Destino inevitável se aproximando
Ésquilo e a Fundação da Tragédia: Prometeu Acorrentado e o Despertar da Consciência
2. Transcrição Organizada
Parte I: A Natureza da Tragédia Grega e o Contexto Histórico
A Visão de Mundo em Ésquilo
O mundo de Ésquilo é o mundo da falta de saída. Seus personagens estão sujeitos a pressões extraordinárias fora de seu controle. Na origem da tragédia grega, reside a ideia de que, façamos o que façamos, os deuses mandam na nossa vida e estamos subordinados a eles.
Segundo a Poética de Aristóteles, existe uma distinção clara entre os três grandes tragedistas: Sófocles mostra as pessoas como elas deviam ser; Ésquilo mostra como as pessoas têm de ser (no sentido do implacável, do involuntário); e Eurípides mostra o homem como ele é na prática. Ao longo da cronologia das tragédias, percebe-se uma mudança: da implacabilidade do destino em Ésquilo até a rebeldia contra os deuses em Eurípides, algo impossível de imaginar na obra ésquilea.
O Fim da Tragédia e a Filosofia
Nietzsche, em sua obra O Nascimento da Tragédia, argumenta que foi a filosofia que matou o teatro. À medida que a filosofia passou a racionalizar os problemas da condição humana, o teatro perdeu seu sentido original. Antes de Sócrates, o teatro executava essa função de explicar a existência; a filosofia pré-socrática (com exceção talvez de Parmênides) estava mais interessada na natureza das coisas do que na condição humana. Com o advento da filosofia ontológica, o teatro grego limitou-se aos três grandes autores, seguidos pelo cômico Aristófanes, que usava o teatro para a crítica social.
A Vida de Ésquilo e a Estrutura do Teatro
Ésquilo era um homem de temperamento difícil. Em seu próprio epitáfio, ele não mencionou ser poeta, mas sim ter lutado como soldado em Maratona. Das dezenas de peças que escreveu, apenas sete chegaram completas ao mundo moderno.
As peças eram apresentadas uma vez por ano em Atenas, nas Grandes Dionisíacas, em forma de tetralogias: três peças trágicas e um drama satírico. Frequentemente, as três tragédias estavam interligadas. A única trilogia completa que sobreviveu foi a Oresteia. No caso de Prometeu Acorrentado, ela fazia parte de uma trilogia perdida: Prometeu, o Portador do Fogo (antecessora), a peça atual, e Prometeu Libertado (conclusão), onde ele se reconcilia com Zeus.
A Encenação Grega
Diferente do teatro moderno (palco italiano), o teatro grego era pobre em recursos: não havia cenário complexo, as mulheres não atuavam (apenas homens usavam máscaras) e os atores usavam coturnos para parecerem mais altos. O Coro representava a opinião pública ou o pensamento do espectador. Não havia busca por originalidade; os temas eram de conhecimento coletivo, baseados em cinco ou seis ciclos familiares (como a Guerra de Troia ou o Ciclo Tebano).
Parte II: A Mitologia e o Conflito Cósmico
A Genealogia dos Deuses
Para entender Prometeu, é preciso recorrer à Teogonia de Hesíodo. Tudo começa com o casal primordial: Urano (o Espírito/Céu) e Gaia (a Matéria/Terra). Eles geram os doze Titãs. Cronos, o tempo, castra seu pai Urano para assumir o poder, mas passa a devorar seus próprios filhos (os Olímpicos) porque o tempo tudo consome. Reia, a esposa de Cronos, salva o último filho, Zeus, entregando uma pedra para Cronos devorar em seu lugar. Zeus cresce, derrota Cronos e os Titãs na Titanomaquia, restaurando a vitória do Espírito sobre a brutalidade da matéria.
Prometeu e o Roubo do Fogo
Prometeu significa "aquele que pensa antes". Ele é filho do Titã Japeto (embora Ésquilo diga que é filho de Têmis, a justiça antiga). Seu irmão, Epimeteu, é "aquele que pensa depois" e, por imprudência, gastou todas as habilidades naturais com os animais, deixando o homem desprotegido.
Prometeu, para salvar a humanidade, rouba o fogo sagrado da forja de Hefesto. O fogo simboliza a razão e a inteligência. Zeus, furioso com a desobediência e o desafio à sua autoridade, pune Prometeu agrilhoando-o a uma rocha no Cáucaso.
Pandora e a Esperança
Como castigo adicional aos homens, os deuses criam Pandora, a primeira mulher. Ela traz consigo uma caixa (originalmente um jarro) contendo todas as desgraças do mundo. Quando a caixa é aberta, todos os males se espalham, restando apenas a Esperança dentro dela. Isso explica por que, apesar de todas as desgraças, o ser humano continua vivendo.
Parte III: Análise da Peça "Prometeu Acorrentado"
O Início do Suplício
A peça começa com Poder (Kratos) e Força (Bia) levando Prometeu para ser acorrentado por Hefesto, que executa o trabalho com relutância por ser parente de Prometeu. Prometeu é um personagem que possui o dom da profecia; ele sabe de um segredo que pode derrubar Zeus: o nome da mulher (Tétis) cujo filho será mais poderoso que o pai.
O Encontro com Io
Io é a única personagem humana na peça. Ela foi amada por Zeus e, por ciúmes de Hera, transformada em uma novilha perseguida eternamente por um vagalume (ou moscardo) e pelo fantasma de Argos, o gigante de cem olhos. O encontro entre os dois é um espelhamento de sofrimentos: Prometeu está fixo na rocha, enquanto Io é condenada ao movimento errático e perpétuo.
A Intervenção de Oceano e Hermes
O Titã Oceano visita Prometeu e sugere que ele seja humilde e peça perdão a Zeus. Prometeu recusa, mantendo seu orgulho e sua postura de enfrentamento. No final da peça, Zeus envia Hermes para exigir que Prometeu revele o segredo da profecia. Diante da recusa obstinada de Prometeu, Zeus lança raios e o abisma nas profundezas da terra junto com o Coro, que decide permanecer fiel a ele.
Parte IV: Interpretações Filosóficas e Conclusão
Prometeu como Consciência Humana
Simbolicamente, Prometeu representa a consciência. Ao dar o fogo (inteligência) ao homem, ele retira a humanidade do estado puramente animal. No entanto, o problema da consciência é o desejo. O sofrimento humano advém da inadequação dos desejos: quando o homem deseja ser como Deus (soberba), ele perde sua natureza de criatura e é "mineralizado", fixado à matéria, como Prometeu à rocha.
O Paradoxo e a Idade Média
O professor estabelece um paralelo com a Idade Média, citando Johan Huizinga e Régine Pernoud. A Idade Média era a era do contraste e do paradoxo (luz e sombra, miséria e santidade), enquanto o mundo moderno busca a horizontalidade e a igualização. O cristianismo, ao lidar com o paradoxo (o Leão e o Cordeiro), é a resposta à tensão existencial que a tragédia grega inaugurou.
Pergunta de Aluno: O fígado que a águia come (em outras versões) tem algum significado especial?
```Resposta: O fígado era considerado o centro da alma e dos desejos. A destruição diária do fígado representa a insaciabilidade do desejo que consome o homem.
```3. Principais Tópicos Abordados
- Diferenças entre Ésquilo, Sófocles e Eurípides segundo a Poética de Aristóteles.
- A função do teatro grego como explicador da condição humana antes da filosofia socrática.
- Estrutura das apresentações teatrais: Grandes Dionisíacas, Tetralogias e o papel do Coro.
- Genealogia mitológica: O conflito entre Titãs (Matéria) e Olímpicos (Espírito).
- O mito de Prometeu, Epimeteu e a criação de Pandora.
- A figura de Io como símbolo do sofrimento humano errante.
- A Consciência e o Desejo como chaves para entender a queda e o castigo humano.
- Paralelos entre a cosmovisão trágica, a medieval (contraste) e a moderna (horizontalidade).
4. Nomes, Livros e Referências Citadas
- Autores Gregos: Ésquilo, Sófocles, Eurípides, Aristófanes, Hesíodo, Homero.
- Obras Clássicas: Prometeu Acorrentado, Oresteia, As Rãs (citada como peça onde Ésquilo e Eurípides duelam), Teogonia, Trabalhos e Dias, Poética (Aristóteles).
- Filósofos e Pensadores: Friedrich Nietzsche (O Nascimento da Tragédia), Sócrates, Platão, Parmênides.
-
Autores Modernos:
- Johan Huizinga: O Declínio da Idade Média (mencionado como historiador holandês).
- Régine Pernoud: A Mulher no Tempo das Catedrais, O Mito da Idade Média (referenciada como "aquela historiadora francesa").
- Mortimer Adler: Como Ler Livros.
- René Guénon: O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos.
- Geraldo Costa Thomas: (mencionado em contexto de encenação).
- Dom Pedro II: Citado como tradutor de Prometeu no Brasil.
- Barão de Paranapiacaba: Tradutor de Prometeu.
5. Trechos Incertos ou Inaudíveis
- "...demanda maior liberdade humana dentro de uma escolha é que se torna a única possível... [inaudível]".
- "...ridiculariza Sócrates e [inaudível] Eurípides...".
- "...consegue que algum desses [inaudível] espíritas consiga encontrar para nós essas peças...".
- "...resumo aqui é da tradução do [inaudível]...".
- "...com carteirinha de [inaudível]...".
- (Vários trechos da transição para o intervalo e retorno são marcados por ruídos ou falas truncadas sobre café e datas de eventos).
- "...uma articulação feita por um comum dos autores mais [inaudível] chamado René Guénon...".
- "...uma peça de Eurípides que nunca é [inaudível]...".
Conhecimento e cultura nunca foram material supérfluo. Pelo contrário!
ResponderExcluirValeu JB!
ResponderExcluirPara aprender a deixar de ofertar conhecimento...
ResponderExcluirAbraços
a serpente no eden que o diga
Excluirabs!