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09 abril, 2026

[Palestra] Gênesis (2006)

 

 


Introdução


Mais uma grande palestra sobre um grande livro.


Trecho Destacado



  • Tradicionalmente atribuída a Moisés, que a teria recebido no Sinai por voltado ano 1400 a.C., a famosa “lei mosaica”, foi escrita, na verdade, por diversos narradores ao longo de muitas centenas de anos, a partir de tradições orais.
  •  Para os judeus, o Gênesis chama‑se “Bereshit”, que significa “No Princípio”. O nome “Gênesis” (como de resto o dos outros quatro livros) é grego, porque estabelecido na tradução “Septuaginta”, em que setenta rabinos, durante setenta dias, em 260 a.C., traduziram para o grego os originais hebraicos do Velho Testamento para atender judeus de língua grega
  • A obra que tem cinquenta capítulos narra a cosmologia judaica, o nascimento e a queda do homem, a destruição do mundo pelo dilúvio, seu repovoamento  pelos filhos de Noé, a história de Abraão e o início do povo judeu com as sagas de Isaque, de seu filho Jacó e, filho deste, José. A narrativa acaba com o estabelecimento dos judeus no Egito
  • Eva significa “desejo”. E o desejo passa a ser a mãe da humanidade. O problema da humanidade passa a ser entender o que fazer com isso. Esse desejo é fundamentalmente descrito aqui nesses três primeiros capítulos que estabelecem toda a estruturação do pensamento judaico. Nesses três capítulos, que nós lemos aqui com pormenores, está estruturada completamente a concepção existencial, a concepção
  • cosmológica judaica: o homem é um ser no meio, entre o céu e a terra. Quer dizer, ele está entre o espírito e a matéria. E ele tem consciência disso. 
  • Ele tem consciência de que representa simbolicamente Deus. Ele é uma espécie de modelo divino. Foi criado à imagem e semelhança. No entanto, ao ter comido esse fruto, ou seja, ao ter experimentado os frutos da terra e ter  percebido que há muita coisa nesse mundo que podia ser mais gostosa e mais agradável, o homem cria então uma tensão interna permanente entre o desejo de atender o céu, e subir, e o desejo de descer para a terra. Esse é o mundo em que nós vivemos. Essa é a situação existencial que nós vivemos. Adão! Simbolicamente todos os homens fizeram a escolha errada e fomos então expulsos do paraíso

📘 GÊNESIS — Resumo Estruturado (ideias principais)

1. Natureza e contexto da obra

  • Livro inicial da Bíblia.

  • Parte do Pentateuco (Torah).

  • Origem:

    • Tradição atribuída a Moisés (tradicional).

    • Na prática: compilação de múltiplos autores ao longo do tempo.

  • Nome:

    • “Gênesis” (grego, via Septuaginta).

    • “Bereshit” (hebraico: “No princípio”).


2. Função cultural e religiosa

  • Representa o mito fundacional do cristianismo.

  • Toda religião possui:

    • Mito de origem (Gênesis)

    • Mito de fim (Apocalipse)

  • Integra o conjunto das religiões abraâmicas:

    • Judaísmo

    • Cristianismo

    • Islamismo


3. Estrutura geral do Gênesis

3.1 Primeira parte — Origem do mundo

  • Criação do universo:

    • Deus cria céu (espiritual) e terra (material).

  • Estado inicial:

    • Caos, trevas, ausência de forma.

  • Elementos simbólicos:

    • Água = potencialidade / matéria informe.

    • Luz = ordem / inteligibilidade.

  • Queda do homem (Adão e Eva).

  • Dilúvio e destruição do mundo.

  • Repovoamento pelos filhos de Noé.


3.2 Segunda parte — História dos patriarcas

  • Transição: da humanidade geral → povo específico.

  • Linhagem:

    • Noé → Abraão → Isaac → Jacó → José.

  • Divisão simbólica:

    • Ismael → origem dos árabes.

    • Isaac → origem dos judeus.

  • Encerramento:

    • Estabelecimento dos judeus no Egito.


4. Interpretação do texto

4.1 Caráter simbólico

  • Não é:

    • Livro científico

    • Relato histórico literal

  • É:

    • Narrativa simbólica e metafísica

  • Princípio de leitura:

    • Não tomar literalmente

    • Nem reduzir a algo trivial


4.2 Pensamento simbólico

  • Símbolo:

    • Um elemento com múltiplos significados simultâneos.

  • Exemplo:

    • Água → fertilidade, potência, transformação.

  • Oposto:

    • Pensamento “literal” empobrecido.


4.3 Diferença entre símbolo e alegoria

  • Símbolo:

    • Relação real e profunda com o significado.

  • Alegoria:

    • Comparação arbitrária ou forçada.


5. Relação com outras tradições

  • Comparável à Teogonia:

    • Ambas tratam da origem do mundo.

  • Base do Ocidente:

    • Herança dupla:

      • Judaico-cristã

      • Grega


6. Ideias filosóficas centrais

6.1 Cosmologia

  • Explica a origem do universo.

  • Parte da metafísica.

6.2 Ontologia (implícita)

  • Investiga a natureza do ser.

6.3 Mito como base do conhecimento

  • Toda compreensão humana depende de estruturas míticas.

  • Mesmo ciência e matemática possuem base simbólica.


7. Método de leitura proposto

  • Evitar leitura:

    • Literal simplista

    • Cientificista

  • Adotar leitura:

    • Simbólica

    • Filosófica

    • Cultural


8. Ideia central do Gênesis

  • Deus como criador absoluto.

  • Ordem surgindo do caos.

  • Origem da humanidade e do povo judeu.

  • Narrativa simbólica sobre:

    • Criação

    • Queda

    • Recomeço

    • Formação de identidade.



Autores Mencionados




Conclusão


Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!



 

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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/jose-monir-nasser-e-homenageado-no-teatro-sesi---campus-da-industria-1-14094-247610.shtml
  • https://www.paulus.com.br/portal/pentateuco-genesis/

4 comentários:

  1. Eu já li o Gênesis duas vezes. A primeira vez em um Bíblia Católica e a segunda em uma versão HQ de Robert Crumb (que deomrou quatro anos para concluir). Com meus olhos de século XX/ XXI continuo achando que é uma crônica policial, cheia de traições, assassinatos, delírios, crenças e sacanagens diversas. É espantoso pensar que a humanidade viveu assim há milhares de anos. Talvez, daqui uns quatro mil anos, algum morador de uma colônia em Marte pense a mesma coisa ao ler relatos desta nossa época. Sua leitura pode ser uma boa diversão se você conseguir despir-se do manto religioso que começamos a vestir desde o nascimento. A mesma observação vale para a Epopéia de Gilgamesh (mais antiga e que conta a história do dilúvio tal como é lida na Bíblia). Mas não estou tirando onda de erudito, pois só conheço pouquissímos trechos (0,1%) desse livro sumério. Abraços.

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    1. "é uma crônica policial, cheia de traições, assassinatos, delírios, crenças e sacanagens diversas. "
      genesis tem vários momentos. a parte da criação do mundo é um espetáculo cósmico

      "crônica policial, " - é quase uma introdução a game of thrones, hehe
      o problema começa com os seres humansos, mesmo assim o legal é que o livro permite infinitas interpretações

      abs!

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  2. A beleza da concepção cosmológica judaica, seus sistemas herméticos etc. A beleza, enfim, da tradição ocidental e porque precisamos conservá-la para sobrevivermos. Conservadorismo intelectual, cultural, político etc. Defender isso, hoje em dia, é quase um acinte à "nova elite intelectual" que impregna nossas academias.

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    1. "Defender isso, hoje em dia, é quase um acinte à "nova elite intelectual" que impregna nossas academias."- todo ciclo humano tem uma fase de decadência
      agora é só ladeira abaixo

      abs!

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