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Todos os diálogos de Platão – Exame completo da obra de Platão, filósofo maior do ocidente, em 50 aulas, cada uma das quais com 120 minutos de duração média. Aulas gravadas ao vivo entre maio de 2022 e junho de 2023.
Mais um curso. Vamos lá.
Resumo
Notas preliminares
Quem acusou Sócrates
Responsáveis pela acusação
Meleto assinou a ação acusatória.
Licon e Anito foram cúmplices do processo.
Segundo Reale, Anito foi o principal responsável pela acusação.
Perfil de Meleto
Representava os poetas.
Também era poeta, embora desconhecido.
Foi, em essência, um instrumento de Anito.
Buscava chamar atenção para si e iniciar a carreira de forma vistosa.
Destino posterior dos acusadores
Diógenes Laércio afirma que os atenienses, depois arrependidos, condenaram Meleto à morte e Anito ao exílio.
Outras fontes indicam que Anito também teria sido condenado à morte.
Plutarco menciona que ambos teriam sido enforcados.
Homenagem posterior a Sócrates
Os atenienses teriam honrado sua memória com uma estátua de bronze.
A obra foi atribuída ao escultor Lisipo.
Nota sobre Lisipo
Origem e formação
Nasceu em Sicião, por volta de 390 a.C.
Aprendeu sozinho a arte da escultura.
Tornou-se a principal figura da escola de Sicião e de Argos.
Produção e importância
Plínio afirma que produziu cerca de 1.500 obras, todas em bronze.
Foi um dos escultores mais apreciados de sua época.
Dirigiu um grande ateliê.
Formou discípulos que seguiram seu estilo.
Características da obra
Figuras atléticas, vigorosas e fortes.
Leveza da musculatura e finura das articulações.
Sensação de movimento e evolução espacial.
Expressão do ideal grego da kalokagathia.
Realismo marcante.
Relações históricas
Foi o escultor preferido de Alexandre, o Grande.
Foi mestre de Carés de Lindos, autor do Colosso de Rodes.
Consequência interpretativa
A homenagem a Sócrates deve ter ocorrido ao menos uma década após a condenação.
Mesmo assim, foi encomendada ao escultor mais renomado em atividade.
Época de composição do diálogo
Interpretação de G. Reale
A crítica costuma atribuir o diálogo aos primeiros anos da atividade literária de Platão.
Seria, portanto, um dos primeiros diálogos.
Motivo da controvérsia
O refinamento formal da obra levanta dúvidas sobre essa classificação.
A perfeição artística sugere que talvez não seja um escrito inicial.
A maturidade espiritual com que Platão revive a figura de Sócrates parece avançada demais para o começo da carreira.
Forma do diálogo
Estrutura formal
Predomina o monólogo.
Há raras réplicas de Meleto.
Estrutura do diálogo
Partes principais
1. Premissas ao discurso de defesa de Sócrates
[17a-18a]
2. Critérios que Sócrates seguirá na defesa
[18a-19a]
3. Defesa contra os primeiros acusadores
[19a-24b]
4. Defesa contra o segundo grupo de acusadores
[24b-28a]
5. Mensagem e missão de Sócrates
[28a-34b]
6. Conclusão da defesa
Sócrates não pede piedade, mas justiça.
[34c-35d]
7. Discurso após a primeira votação
[35e-38b]
8. Discurso após a segunda votação
[38c-42a]
Eixos centrais do conteúdo
Temas principais
A força persuasiva da verdade.
A destruição lenta de uma reputação pela calúnia.
O esclarecimento das calúnias à luz da acusação de Meleto.
A refutação detalhada da acusação formal.
A missão de Sócrates.
O desejo de justiça, e não de piedade.
O discurso após a primeira votação.
O discurso após a segunda votação.
Critérios de defesa de Sócrates
Verdade acima da retórica
Sócrates contrapõe sua fala sincera ao estilo retórico dos acusadores.
Afirma que, se falar a verdade é ser hábil no falar, então pode aceitar esse título, mas não no sentido deles.
Pedido aos juízes
Pede permissão para falar do seu próprio modo.
Solicita que os juízes avaliem apenas se o que diz é justo ou não.
Define a virtude do juiz como julgar retamente.
Define a virtude do orador como dizer a verdade.
Primeiros acusadores
Características da acusação antiga
Acusavam Sócrates desde a juventude dos atenienses.
Diziam que ele investigava coisas celestes e subterrâneas.
Afirmavam que ele tornava a razão mais fraca em mais forte.
Levavam o povo a pensar que ele não acreditava nos deuses.
Gravidade dessa acusação
Esses acusadores são mais temíveis do que os recentes.
Agiram durante muitos anos.
Influenciaram os atenienses quando eram ainda crianças ou jovens.
Não podiam ser chamados ao tribunal para serem refutados.
Desigualdade da defesa
Sócrates compara sua situação a combater sombras.
Não consegue confrontar diretamente seus acusadores antigos.
Acusação de investigar coisas terrenas e celestes
Conteúdo da acusação
Sócrates seria culpado por investigar as coisas terrenas e celestes.
Tornaria a razão mais fraca em mais forte.
Ensinaria isso aos outros.
Relação com Aristófanes
Essa imagem já aparecia na comédia.
Nela, Sócrates surgia como alguém que caminhava pelos ares e dizia tolices.
Resposta de Sócrates
Ele afirma não se ocupar dessas coisas.
Não rejeita a existência de tal ciência, mas nega praticá-la.
Observação interpretativa
Cícero dirá que Sócrates trouxe a filosofia do céu para a morada dos homens.
Aqui aparece a ideia do homem interior.
Em contraste com Tales de Mileto, ligado à astronomia.
Acusação de ser sofista
Negação da acusação
Sócrates afirma que não ensina mediante pagamento.
Nega ganhar dinheiro com instrução.
Reconhecimento indireto
Considera bela a atividade de quem realmente é capaz de instruir os homens.
Cita Górgias, Pródico e Hípias.
Inspiração para o diálogo Protágoras
Episódio com Cálias
Sócrates encontra Cálias, que gastara muito com sofistas.
Cálias tinha dois filhos.
Argumento de Sócrates
Se os filhos fossem animais, seria natural buscar quem os aperfeiçoasse em sua natureza.
Sendo homens, também se deveria buscar quem pudesse educá-los na virtude humana e civil.
Resposta de Cálias
Indica Eveno, de Paros.
O ensino custaria cinco minas.
Origem da calúnia
Fonte da reputação de Sócrates
Se adquiriu fama, foi por alguma sabedoria.
Natureza dessa sabedoria
Trata-se da sabedoria humana.
Relação com o Oráculo de Delfos
O oráculo é o ponto de partida da investigação de Sócrates.
Investigação de Sócrates para interpretar o oráculo
Exame dos políticos
Resultado
Pareciam sábios aos outros e a si mesmos.
Na realidade, não eram sábios.
Efeito
Sócrates percebe que é superior apenas porque sabe que não sabe.
Essa atitude lhe traz o ódio dos examinados e dos presentes.
Exame dos poetas
Expectativa
Sócrates julgava que encontraria neles maior sabedoria.
Resultado
Os presentes frequentemente compreendiam os poemas melhor que seus autores.
Os poetas julgavam-se sábios em muitas coisas além da poesia.
Conclusão
Sócrates também os supera pelo mesmo motivo que supera os políticos.
Exame dos artesãos
Aspecto positivo
Sabiam exercer bem suas artes.
Problema
Julgavam-se sábios também nas questões mais importantes.
Conclusão
O erro de extrapolar o próprio saber obscurecia o conhecimento que realmente possuíam.
Significado do vaticínio
Sentido central
Sócrates é o mais sábio porque reconhece a nulidade da sabedoria humana.
Formulação principal
O Deus seria o verdadeiramente sábio.
Sócrates serve apenas como exemplo.
É mais sábio quem reconhece não ter mérito quanto à sabedoria.
Consequências existenciais
Sócrates passa a investigar os que parecem sábios.
Faz isso em obediência ao Deus.
Por causa disso, não se dedica nem à vida pública nem à privada.
Vive em extrema pobreza por causa dessa missão.
Observação interpretativa
Há uma tensão importante: Sócrates é acusado de irreligioso, mas apresenta sua vida como serviço ao Deus Apolo.
Discípulos de Sócrates e aumento da hostilidade
Imitação do método socrático
Jovens passam a imitá-lo.
Examinam outras pessoas do mesmo modo.
Reação da cidade
Os examinados se irritam com Sócrates e com os jovens.
Como não sabem explicar o que ele faz, repetem acusações genéricas contra os filósofos.
Acusação repetida
Ensinar coisas celestes e terrenas.
Não acreditar nos deuses.
Tornar mais forte a razão mais débil.
Acusadores principais
Meleto, pelos poetas.
Anito, pelos artífices.
Licon, pelos oradores.
Acusação formal
Fórmula da acusação
Sócrates corrompe os jovens.
Não reconhece os deuses da cidade.
Introduz novas divindades.
Réplica de Sócrates
Acusação contra Meleto
Meleto brinca com coisas graves.
Leva os homens ao tribunal com facilidade.
Finge interesse por questões nas quais nunca pensou de fato.
Diálogo com Meleto
Contradição da acusação
Meleto acusa Sócrates de não acreditar nos deuses.
Ao mesmo tempo, o acusa de acreditar em novas divindades.
Conclusão
A acusação é contraditória em si mesma.
Há vínculo temático com o diálogo Eutífron.
A calúnia como causa principal da condenação
Tese de Sócrates
Se vier a se perder, não será por Meleto ou Anito.
Será pela calúnia e pela insídia do povo.
Ampliação do problema
Muitos homens virtuosos já foram destruídos pela mesma razão.
Outros ainda poderão ser.
Formulação simbólica
O conhecimento da verdade conduz os homens aos céus.
A calúnia e a insídia conduzem à morte, ao inferno ou ao desaparecimento.
Coragem diante do risco
Comparação com os heróis de Troia
Sócrates compara a firmeza moral à postura dos semideuses que enfrentaram a morte.
Aquiles aparece como exemplo.
Ideia central
O homem deve permanecer em seu posto.
O verdadeiro temor não deve ser a morte, mas a torpeza.
Interpretação
Platão cita Homero na boca de Sócrates.
Assim, mostra que Sócrates não destrói a tradição civilizacional, mas a encarna de outro modo.
O homem supera sua condição finita ao vencer o medo da morte e da dor.
Sentido religioso da missão socrática
Convicção de Sócrates
Ele acredita que foi ordenado pelo Deus a viver filosofando.
Filosofar significa examinar a si mesmo e aos outros.
Consequência moral
Abandonar essa missão por medo da morte seria desobedecer ao oráculo.
Isso sim seria prova de impiedade.
Importância teológica
A dimensão religiosa do pensamento socrático é vital.
Sua missão tem sentido explicitamente religioso.
Temer o que se ignora
Tese central
Temer a morte é fingir saber o que não se sabe.
Argumento
Ninguém sabe se a morte não é, na verdade, um grande bem.
Temer a morte como se fosse certamente um mal é ignorância.
Compromisso com a verdade acima da conveniência
Hipótese de absolvição condicional
Sócrates imagina ser absolvido com a condição de parar de filosofar.
Resposta de Sócrates
Não aceitaria essa condição.
Diz que obedeceria aos deuses antes de obedecer aos homens.
Enquanto viver, continuará filosofando.
Conteúdo de sua exortação
Repreende os homens por valorizarem dinheiro, glória e honrarias.
Exorta-os a cuidarem da sabedoria e da verdade.
Relação com outros diálogos
O tema já aparece no início do Protágoras.
É retomado em Alcibíades.
Cuidado com a alma
Ensino central de Sócrates
Jovens e velhos não devem preocupar-se apenas com corpo e riquezas.
Devem cuidar da alma para torná-la melhor.
Relação entre virtude e bens
A virtude não nasce da riqueza.
Das virtudes vêm as riquezas e os demais bens, públicos e privados.
Defesa contra a acusação de corrupção
Se isso é corromper os jovens, então esse seria o conteúdo da corrupção.
Quem diz que ele ensina outra coisa não diz a verdade.
Injustiçar é pior do que sofrer injustiça
Tese moral
Condenar Sócrates injustamente prejudica mais os acusadores do que o próprio Sócrates.
Argumento
Um homem pior não pode realmente prejudicar um melhor.
Morte, exílio ou perda de direitos civis não são os maiores males.
O maior mal é cometer injustiça.
Sócrates como dom do Deus à cidade
Imagem central
Sócrates se apresenta como um dom divino oferecido à cidade.
Prova apresentada
Abandonou seus próprios interesses.
Negligenciou os negócios domésticos.
Dedicou-se a exortar cada cidadão em particular.
Finalidade
Levar os homens a preocupar-se com a virtude.
Testemunho material
Não cobrava por isso.
Sua pobreza é a prova.
Exemplos de fidelidade à justiça
Princípio geral
O que importa acima de tudo é não cometer nada de injusto ou ímpio.
Caso dos estrategistas
Situação
A assembleia queria julgar coletivamente os estrategistas que não recolheram mortos e náufragos.
Posição de Sócrates
Opôs-se por considerar isso contrário à lei.
Votou contra.
Significado
Preferiu correr risco em favor da justiça.
Caso do governo dos Trinta
Ordem recebida
Os Trinta mandaram que fosse buscar Leão de Salamina para que fosse morto.
Resposta de Sócrates
Não obedeceu.
Foi para casa, enquanto os outros cumpriram a ordem.
Significado
Demonstrou com atos que temia menos a morte do que a injustiça.
Integridade de Sócrates
Coerência da vida
Em público e em particular, permanece o mesmo.
Nunca cedeu contra a justiça.
Relação com os supostos discípulos
Não concedeu nada de injusto nem mesmo àqueles que os caluniadores chamavam de seus discípulos.
Relação com o juramento dos juízes
O juiz não deve favorecer por compaixão.
Deve julgar segundo as leis.
Nem os réus devem habituar os juízes ao erro, nem os juízes devem aceitar isso.
Votação e pena
Resultado da votação
O texto registra: 501 juízes, 280 votos a favor e 220 contra.
Há uma inconsistência numérica nesse dado, porque a soma apresentada é 500.
Pena alternativa
Multa.
Escapar da morte e escapar da maldade
Tese central
Fugir da morte é mais fácil do que fugir da maldade.
Aplicação
Nos tribunais e nas batalhas, é possível evitar a morte por meios indignos.
O difícil é escapar da corrupção moral.
Juízo de Sócrates
Prefere morrer defendendo-se como se defendeu.
Não se arrepende de sua postura.
Paradoxo da acusação
Ideia principal
A pena dos acusadores é maior que a do condenado.
Sentido moral
Sócrates recebe a morte.
Os acusadores recebem a marca da injustiça e da improbidade.
Essência da mensagem de Sócrates
Advertência final
Matar os críticos não elimina a crítica.
Esse caminho não é eficaz nem belo.
Verdadeira solução
O melhor é tornar-se melhor, em vez de tentar silenciar os outros.
Observação interpretativa
Essa passagem antecipa temas da República.
Também funciona como prelúdio do Fédon.
Prelúdio do Fédon
Interpretação do ocorrido
O que aconteceu não foi acaso.
Para Sócrates, era melhor morrer naquele momento.
Sinal divino
A voz divina não o dissuadiu.
Por isso, ele não se mostra zangado com seus condenadores.
Conclusão
Recomendo.
abs!
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