O resumo abaixo atribui explicitamente ao autor as afirmações, hipóteses e conclusões da obra, sem acrescentar validações, refutações ou interpretações externas. A coletânea contém três textos: “As garras da Esfinge”, “Influências discretas” e “A Igreja humilhada”.
As Garras da Esfinge — Resumo Estruturado
Autor: Olavo de Carvalho
Subtítulo do ensaio principal: René Guénon e a islamização do Ocidente
Curso: Esoterismo na História e Hoje em Dia
1. Apresentação da coletânea
- A obra reúne três ensaios relacionados à Escola Tradicionalista ou Perenialista, à influência intelectual de René Guénon e Frithjof Schuon, à situação espiritual do Ocidente cristão e à perda da antiga cosmologia simbólica.
- O ensaio principal, “As garras da Esfinge: René Guénon e a islamização do Ocidente”, procura interpretar a finalidade geral da obra de Guénon. Os outros dois textos retomam a mesma questão sob perspectivas específicas: a influência discreta dos tradicionalistas sobre a elite europeia e a apropriação do simbolismo cristão por intelectuais ligados ao esoterismo islâmico.
- A tese recorrente do autor é que Guénon e seus continuadores produziram contribuições intelectuais importantes para a compreensão da metafísica, do simbolismo religioso, da arte sacra e da crise da modernidade, mas teriam subordinado essas contribuições a um projeto de orientação espiritual islâmica do Ocidente.
AS GARRAS DA ESFINGE: RENÉ GUÉNON E A ISLAMIZAÇÃO DO OCIDENTE
2. A distância entre os acontecimentos decisivos e o debate público
- O autor começa afirmando que as transformações históricas e espirituais capazes de determinar o futuro da humanidade permanecem afastadas da mídia, da vida universitária e dos debates públicos brasileiros.
- Para explicar essa distância, compara a situação à de um doente que, concentrado na própria dor, não se interessa pelas pesquisas científicas realizadas em países distantes, embora delas possa surgir a cura de sua doença.
- Do mesmo modo, acontecimentos intelectuais e religiosos aparentemente abstratos poderiam estar ligados ao futuro do Brasil e do Ocidente, ainda que essa relação não seja imediatamente percebida.
- O ponto de partida da análise é uma resenha escrita por Charles Upton sobre o livro False Dawn: The United Religions Initiative, Globalism, and the Quest for a One-World Religion, de Lee Penn.
3. A United Religions Initiative e o universalismo da Nova Era
- Segundo a apresentação feita no texto, o livro de Lee Penn documenta a formação de uma espécie de religião mundial artificial, apoiada por organismos internacionais, autoridades políticas, meios de comunicação e grandes fortunas.
- Essa organização é identificada como United Religions Initiative — URI, criada formalmente em 1995 por William Swing, bispo da Igreja Episcopal. O autor associa suas origens mais remotas ao Lucis Trust, fundado em 1922 por Alice Bailey.
- A URI promoveria encontros entre representantes de religiões e movimentos muito diferentes: católicos, protestantes, judeus, muçulmanos, budistas, xintoístas, espíritas, teosofistas, adeptos da Nova Era, da Wicca, do satanismo, dos Hare Krishna, do Reverendo Moon e de cultos indígenas ou ufológicos.
- O objetivo declarado seria a criação de um mundo de paz, diversidade, justiça social e resolução não violenta de conflitos. Entretanto, para o autor, essa fraternidade universal dissolveria as incompatibilidades doutrinais entre as crenças.
- As religiões, fundidas e neutralizadas, seriam transformadas em instrumentos auxiliares de um projeto de Governo Mundial.
- A ideologia unificadora é chamada de universalismo low brow da Nova Era. Ela sustenta que todas as religiões seriam manifestações locais de uma única Revelação Primordial, de modo que todos os caminhos conduziriam aos mesmos estágios de realização espiritual.
- Entre os precursores desse universalismo são mencionados Allan Kardec, Helena Petrovna Blavatski, Jules Doinel, Gérard Encausse — Papus e Jean Bricaud.
- Segundo o autor, a equivalência de todas as religiões deixou de parecer uma fantasia ocultista e se tornou um dogma cultural aceito pela mídia, por legisladores e até por autoridades religiosas.
4. Diferença entre Nova Era e perenialismo
- Charles Upton distingue o universalismo da Nova Era do universalismo intelectualmente mais sofisticado da escola inspirada em René Guénon, Frithjof Schuon e Ananda K. Coomaraswamy.
- O autor concorda inicialmente com essa distinção. Guénon havia criticado duramente o espiritismo, a teosofia e outros movimentos ocultistas, classificando-os como pseudo-iniciação ou contra-iniciação.
- A pseudo-iniciação seria uma imitação inferior da espiritualidade. A contra-iniciação constituiria uma inversão ou paródia destrutiva da tradição espiritual.
- O universalismo da Nova Era é apresentado como uma mistura sentimental de crenças, sincretismos e discursos humanitários. Autores como Aldous Huxley e Allan Watts aparecem como adesões intelectuais superficiais a esse ambiente.
- O perenialismo, ao contrário, apresenta construções intelectuais complexas, conhecimento das tradições religiosas, domínio do simbolismo e um método comparativo que busca explicar tanto a unidade quanto a diversidade das crenças.
- Sua força está em oferecer uma interpretação abrangente da história das ideias, das religiões, das práticas espirituais e da crise civilizacional do Ocidente.
- Para uma pessoa proveniente de ambientes modernos, revolucionários ou ateus, a passagem da Nova Era ao tradicionalismo pode parecer um enorme aperfeiçoamento intelectual. O leitor abandona o ocultismo vulgar e encontra uma visão ordenada do universo espiritual.
- Essa transformação tende a isolá-lo do ambiente intelectual comum e a levá-lo a procurar pessoalmente os círculos guénonianos e schuonianos. Desse processo surgiria a elite intelectual imaginada por Guénon em Oriente e Ocidente.
5. Tradição Primordial e Unidade Transcendente das Religiões
- A autoridade do perenialismo é reforçada pela afirmação de que seus autores não inventaram uma doutrina nova. Eles apenas traduziriam, em linguagem contemporânea, uma sabedoria imemorial proveniente da Tradição Primordial.
- Obras como Symboles de la Science Sacrée, de Guénon, e A Treasury of Traditional Wisdom, de Whitall N. Perry, são citadas como exemplos de organização comparativa dos símbolos e ensinamentos das grandes tradições.
- O ponto central é a chamada Unidade Transcendente das Religiões, expressão associada a Frithjof Schuon.
- Essa unidade não autorizaria a fusão de ritos, doutrinas ou instituições. Cada tradição manteria sua integridade histórica e formal.
- O perenialismo também distingue Tradição, Pseudo-Tradição e Antitradição. Nem todo movimento que se apresenta como religião ou espiritualidade pertence à Tradição Primordial.
- A unidade seria verdadeiramente transcendente, pois existiria no núcleo metafísico mais elevado das religiões, não na variedade de suas liturgias, leis e costumes.
- As religiões seriam adaptações de uma mesma Verdade Primordial às condições históricas, culturais, linguísticas e psicológicas de cada civilização.
- O exemplo de Mohieddin Ibn ‘Arabi ilustra essa posição. Embora afirmasse poder reconhecer internamente as formas espirituais de diferentes religiões, ele permanecia exteriormente fiel à ortodoxia islâmica.
- O perenialista poderia superar intelectualmente as diferenças religiosas, mas deveria continuar praticando a tradição à qual estivesse historicamente ligado.
6. Exoterismo, esoterismo e religião de elite
- A concepção perenialista exige uma distinção vertical entre os aspectos inferiores ou exotéricos e os aspectos superiores ou esotéricos de cada religião.
- O exoterismo corresponderia aos ritos públicos, leis morais e práticas obrigatórias. Ele conduziria a pessoa comum à salvação depois da morte.
- O esoterismo seria reservado às pessoas consideradas qualificadas para compreender o sentido profundo dos símbolos e alcançar, ainda em vida, uma realização espiritual superior.
- Essa distinção produz a ideia de uma religião popular, comum a todos, e uma religião de elite, transmitida por iniciações.
- O caso de Mansur al-Hallaj é apresentado como exemplo dos perigos de divulgar experiências esotéricas. Depois de proclamar “Ana al-Haqq”, expressão interpretada como “Eu sou a Verdade” ou “Eu sou Deus”, al-Hallaj foi condenado e executado.
- O autor afirma que a distinção legal e institucional entre exoterismo e esoterismo existe propriamente no Islã, correspondendo à diferença entre shari’ah, lei religiosa obrigatória, e tariqat, caminho espiritual voluntário.
- Aplicar essa estrutura a todas as religiões seria, segundo o autor, uma analogia inadequada transformada pelo perenialismo em conceito universal.
7. A inadequação da distinção ao hinduísmo, cristianismo e judaísmo
- No hinduísmo, a divisão em castas não equivale à oposição entre exoterismo e esoterismo. A pessoa nasce em determinada casta, e a pertença à casta superior não depende de uma escolha iniciática.
- Pessoas de castas inferiores poderiam alcançar elevada realização espiritual sem mudar de casta. Além disso, os ritos bramânicos não seriam necessariamente secretos; apenas não poderiam ser praticados por pessoas não autorizadas.
- No cristianismo existiram organizações que se apresentavam como esotéricas, como a Companheiragem, os Fedeli d’Amore, a Maçonaria e a Ordem Templária.
- Ocultistas como Blavatski, Rudolf Steiner e Georges Ivanovich Gurdjieff também apresentaram alguns de seus ensinamentos como formas de esoterismo cristão.
- O autor contesta a ideia de que teria existido um núcleo secreto do cristianismo. Argumenta que Jesus ensinava publicamente e que não há sinais de uma organização esotérica cristã nos primeiros séculos da Igreja.
- Em oposição, o sufismo teria aparecido desde o início do Islã como conjunto de práticas voluntárias, diferentes das obrigações religiosas gerais.
- O ponto decisivo é que os sacramentos cristãos não seriam simples ritos de ingresso numa comunidade. Eles já teriam natureza iniciática e permitiriam acesso à realidade espiritual mais elevada.
- João Paulo II, no Catecismo, chama os sacramentos de etapas da iniciação cristã.
- O padre Juan González Arintero é citado para sustentar que a vida sacramental dá a todos os cristãos acesso aos níveis mais elevados da contemplação, embora os resultados dependam das aptidões, do esforço individual e da graça divina.
- O conceito guénoniano de iniciação virtual explicaria por que um rito iniciático pode não produzir imediatamente seus efeitos espirituais.
- Frithjof Schuon admitiu o caráter iniciático dos sacramentos cristãos. Guénon reagiu contra essa posição e rompeu com o discípulo.
- Para sustentar sua própria tese, Guénon teria afirmado que o cristianismo começou como esoterismo, mas se tornou uma religião pública diante da decadência greco-romana.
- O autor considera essa hipótese historicamente artificial, pois Jesus pregava às multidões e os sacramentos não teriam passado por transformação semelhante.
- No judaísmo, a distinção também seria limitada, porque os estudiosos dos mistérios cabalísticos pertenciam ao próprio culto religioso oficial.
- O aparecimento de categorias híbridas, como iniciações exo-esotéricas ou até exotéricas, é apresentado como sinal da insuficiência do modelo perenialista.
8. A metafísica e o problema lógico da igualdade das religiões
- O autor aceita que tradições diferentes possam convergir para princípios metafísicos comuns.
- A metafísica, no sentido usado por Guénon e Schuon, é definida como a estrutura universal da realidade, organizada em níveis que descem do Primeiro Princípio, infinito e eterno, até o mundo manifestado.
- A percepção desses níveis — sensível, histórico, terrestre, cósmico, angélico e absoluto — seria comum às tradições espirituais.
- Submeter a subjetividade humana a essa estrutura seria condição da vida religiosa. Sua negação produziria erros como o materialismo e o relativismo.
- Schuon distingue heresia acidental e heresia essencial.
- A heresia acidental viola os cânones particulares de uma religião, como o monofisismo no cristianismo ou o associacionismo no Islã.
- A heresia essencial nega ou deforma a própria estrutura universal da realidade e seria condenada por todas as tradições.
- O autor formula então uma objeção lógica: se a metafísica é comum a todas as religiões, ela não pode ser, ao mesmo tempo, a perfeição específica de cada uma.
- Utilizando a distinção aristotélica entre gênero e espécie, afirma que a perfeição de uma espécie não reside apenas na característica genérica que ela compartilha com outras.
- Leões e pulgas são animais, mas não expressam do mesmo modo a perfeição da animalidade.
- A Tradição Primordial poderia ser entendida como a base comum das religiões e culturas. Entretanto, cada religião se desenvolveria de forma diferente e poderia realizar com maior ou menor perfeição a operação de retorno ao Princípio.
- A pergunta que o autor considera ausente na escola perenialista é: se todas as religiões procedem da Tradição Primordial, todas a representam igualmente bem?
- A ausência dessa pergunta é comparada à proibição de perguntar encontrada por Eric Voegelin nas ideologias de massa.
9. A Religião Perene e a necessidade de uma organização iniciática
- Charles Upton afirma que Schuon e sua escola revelaram as religiões em suas essências celestiais.
- Se essas essências são substancialmente iguais, somente a Religio Perennis seria plenamente verdadeira. As religiões históricas seriam manifestações terrestres dessa realidade primordial.
- Contudo, a Tradição Primordial não existiria atualmente como religião praticável. Os caminhos disponíveis seriam as tradições vivas: hinduísmo, zoroastrismo, budismo, judaísmo, cristianismo e Islã.
- Segundo o esquema exposto, a religião comum conduziria apenas à salvação depois da morte. Para alcançar a realização espiritual nesta vida seria necessário ingressar numa organização iniciática.
- A pertença a uma religião funcionaria como qualificação prévia para a iniciação esotérica.
- Para o muçulmano, a passagem para uma tariqa seria relativamente simples, porque as ordens sufis são reconhecidas dentro do universo islâmico.
- O hindu também poderia absorver práticas de tradições distintas sem necessariamente abandonar seu estatuto religioso.
- O problema mais grave surgiria para o católico.
10. O impasse do católico diante da Maçonaria
- Segundo Guénon, as antigas organizações iniciáticas cristãs teriam desaparecido depois da Idade Média. Restariam alguns resíduos e a Maçonaria.
- Entretanto, a Igreja Católica condenou a filiação maçônica. O autor menciona a decisão do papa Clemente XII, de 1738, seu reforço por Leão XIII, a formalização no Código de Direito Canônico de 1917 e a manutenção da proibição depois do Código de 1983.
- Assim, o católico convencido pela teoria guénoniana ficaria diante de duas alternativas contraditórias: permanecer num exoterismo supostamente incompleto ou buscar uma iniciação maçônica e perder sua condição regular de católico.
- O conflito seria também histórico e moral, devido à participação de movimentos maçônicos em perseguições anticatólicas na França, no México e na Espanha.
- São mencionadas a Revolução Francesa, a Guerra dos Cristeros e as perseguições anteriores e contemporâneas à Guerra Civil Espanhola.
- Autores católicos influenciados por Guénon, como Jean Tourniac, tentaram demonstrar a compatibilidade entre a Maçonaria e o catolicismo, sem produzir uma solução institucional.
11. As três soluções oferecidas ao católico
- A partir da década de 1960, o ambiente perenialista teria oferecido três saídas ao católico interessado em iniciação:
- Converter-se ao Islã.
- Procurar a Igreja Ortodoxa Russa, onde ainda existiria algum resíduo esotérico.
- Ingressar na tariqa multiconfessional de Frithjof Schuon, praticando ritos iniciáticos islâmicos sem uma conversão pública completa.
- A conversão direta seria traumática, pois o próprio Schuon comparava a mudança de religião à mudança de planeta.
- A opção ortodoxa encontraria, segundo o autor, o problema da presença de agentes da KGB na Igreja Ortodoxa Russa.
- A tariqa de Schuon seria a opção mais acessível. Nela havia vários membros provenientes do catolicismo, como Martin Lings, Titus Burckhardt e Rama P. Coomaraswamy.
- Lings e Burckhardt teriam se convertido ao Islã. Rama Coomaraswamy continuava publicamente católico, mas devia obediência ao sheikh.
- O autor considera que, nesse processo individual, se realizava em pequena escala o projeto formulado por Guénon para o Ocidente.
12. Os três destinos do Ocidente segundo Guénon
- Depois de diagnosticar a decadência espiritual do Ocidente, Guénon teria previsto três possibilidades:
- Queda definitiva na barbárie.
- Restauração do catolicismo sob orientação de mestres espirituais islâmicos.
- Islamização total, por infiltração, propaganda ou conquista.
- Para o autor, essas três possibilidades se reduzem a duas: barbárie ou submissão ao Islã.
- A Segunda Guerra Mundial é apresentada como possível confirmação do caminho da barbárie.
- O texto também menciona a cooperação posterior entre regimes comunistas e governos islâmicos contra o Ocidente.
- A atitude de setores da esquerda diante da imigração muçulmana e do terrorismo islâmico é interpretada pelo autor como uma associação prática entre forças distintas interessadas na desagregação ocidental.
- A escolha oferecida ao católico — conversão ao Islã ou permanência como cristão orientado por muçulmanos — seria a mesma escolha oferecida por Guénon à civilização ocidental.
13. O domínio pela linguagem intelectual
- O autor interpreta a aplicação universal do binômio exoterismo–esoterismo como um enquadramento das outras religiões dentro de categorias propriamente islâmicas.
- Antes de dominar culturalmente uma civilização, seria necessário fazê-la compreender-se segundo o sistema intelectual da civilização que pretende dominá-la.
- O cristianismo deixaria de ser considerado uma totalidade espiritual autônoma e passaria a ocupar uma posição dentro do mapa perenialista.
- Para que essa transformação se tornasse eficaz, seria necessário conquistar a elite intelectual do Ocidente.
- A interpretação da perda do esoterismo cristão conduziria à conclusão de que a restauração da cristandade somente poderia ocorrer sob direção de um esoterismo vivente, identificado com o sufismo.
- A submissão à autoridade espiritual islâmica precederia a submissão ao poder temporal.
- Mesmo a teoria de Schuon sobre a eficácia iniciática dos sacramentos não eliminaria essa dependência. Sem a instrução de um esoterismo vivo, a iniciação sacramental permaneceria apenas virtual e poderia produzir desordens espirituais.
- A conclusão do autor é que, nesse sistema, somente a orientação sufi poderia completar a iniciação dos católicos.
14. A islamização como finalidade atribuída à obra de Guénon
- O autor declara que a islamização do Ocidente, discreta ou aberta, pacífica ou violenta, constitui a finalidade central da obra de René Guénon.
- A arquitetura intelectual da obra conduziria o leitor por um caminho labiríntico, eliminando as alternativas até deixar apenas a orientação islâmica como solução.
- A fundação da tariqa de Schuon em Lausanne, depois de sua viagem à Argélia e de sua transformação em sheikh, teria sido celebrada por Guénon como o único resultado concreto de décadas de trabalho.
- O objetivo poderia parecer invisível porque Guénon declarava desprezar a política e ocupar-se apenas da espiritualidade.
- O autor concorda que Guénon não buscava simplesmente o poder político. Buscaria algo considerado superior: a autoridade espiritual sobre o Ocidente e sobre a Igreja Católica.
- Segundo Guénon, a Igreja teria perdido contato com a Tradição Primordial, detendo-se na doutrina do Ser e ignorando os mistérios do Não-Ser ou Supra-Ser.
- O catolicismo teria se reduzido, nesse diagnóstico, a uma devoção sentimental destinada às massas.
- A restauração não poderia vir do budismo, do hinduísmo, do judaísmo ou da Maçonaria.
- O budismo não seria considerado plenamente tradicional por Guénon.
- O hinduísmo forneceria conhecimento metafísico, mas não uma prática acessível aos ocidentais.
- O judaísmo não poderia reintegrar a Igreja sem dissolver sua identidade.
- A Maçonaria transmitiria apenas os Pequenos Mistérios, e não os Grandes Mistérios da realização metafísica.
- Eliminadas essas alternativas, restaria o ensinamento e a direção de mestres islâmicos.
- Ao mesmo tempo, o autor reconhece que Guénon e seus continuadores deram contribuições importantes à compreensão do simbolismo e da arte sacra cristã.
- Essas contribuições poderiam aumentar a autoridade intelectual dos mestres sufis perante os próprios católicos.
- Os artigos de Guénon publicados na revista Regnabit, entre 1925 e 1927, são interpretados não como reconhecimento da autonomia católica, mas como tentativa de influenciar a Igreja.
- A mudança de Guénon para o Egito, em 1930, marcaria o abandono dessa expectativa direta de intervenção.
- No Egito, Guénon aproximou-se ainda mais dos ambientes esotéricos islâmicos e da família do sheikh Elish El-Kebir.
- O autor afirma que Guénon já pertencia a uma tariqa desde a juventude e que não teria simplesmente se convertido ao Islã em 1930.
15. O impacto intelectual e o apagamento da história concreta
- Outro fator que esconderia o projeto de Guénon seria o impacto extraordinário de sua obra sobre os leitores.
- A amplitude de suas análises sobre religião, simbolismo e decadência ocidental pode levar o discípulo a considerar sua obra uma intervenção providencial.
- Seyyed Hossein Nasr, em Knowledge and the Sacred, apresenta a história intelectual do Ocidente como preparação para a recuperação da sabedoria tradicional.
- Nesse enquadramento, Guénon aparece como mensageiro da própria Tradição Primordial, e não como representante de uma corrente islâmica historicamente localizada.
- O autor critica o desprezo guénoniano pela perspectiva histórica e pelos fatos concretos.
- Privilegiar o eterno sobre o temporal seria legítimo, mas saltar diretamente para o eterno sem passar pela consciência dos fatos terrestres seria uma forma de angelismo.
- O cristianismo é apresentado como espiritualidade que une a transformação interior à confissão das limitações concretas do indivíduo.
- O mesmo problema seria encontrado em Ideals and Realities of Islam, de Nasr, Comprendre l’Islam, de Schuon, e Moorish Culture in Spain, de Titus Burckhardt.
- Segundo o autor, essas obras apresentariam o Islã por meio de seus arquétipos e virtudes ideais, comparando-os aos defeitos concretos do Ocidente moderno.
- A comparação seria desigual porque colocaria as virtudes de uma civilização contra os vícios da outra, em vez de comparar virtudes com virtudes e defeitos com defeitos.
16. A Esfinge e a necessidade de decifração
- O autor reafirma que um cristão pode aprender com Guénon sem aderir ao projeto que atribui à sua obra.
- Contudo, para recusar conscientemente esse projeto, seria necessário primeiro reconhecer sua existência.
- Tentativas de simplesmente ridicularizar ou refutar Guénon teriam fracassado porque não alcançaram o nível intelectual de seu sistema.
- O pseudônimo Sphynx — Esfinge, usado por Guénon em seus primeiros escritos, transforma-se na imagem final do ensaio.
- Quem não decifra a mensagem da Esfinge seria dominado por ela, inclusive quando pensa combatê-la.
- Depois de compreender o sentido da obra, o leitor poderia sair de suas “garras” não apenas livre, mas intelectualmente fortalecido.
- O ensaio é datado de 2 de julho de 2016, em Petersburg, Virgínia.
INFLUÊNCIAS DISCRETAS
17. Schuon e a islamização da Europa
- O segundo texto foi publicado no Jornal do Brasil, em 8 de maio de 2008.
- O autor recorda que Frithjof Schuon voltou do Oriente como mestre de uma organização esotérica muçulmana e anunciou a intenção de islamizar a Europa.
- A declaração pareceu inicialmente absurda, mas o autor considera necessário avaliar a eficácia discreta das ações posteriores de Schuon.
- A fundação de sua tariqa em Lausanne foi celebrada por Guénon como o principal resultado de seus próprios esforços.
- Apesar da ruptura pessoal entre Guénon e Schuon, o autor vê continuidade entre suas obras e objetivos.
18. A Europa entre barbárie e islamismo
- Guénon havia proposto três destinos para a Europa: barbárie, restauração católica ou islamização.
- Segundo o texto, ele abandonou a expectativa de restauração autônoma da Igreja Católica.
- O Concílio Vaticano II é apresentado pelo autor como confirmação do diagnóstico de decadência da Igreja europeia.
- A Europa descristianizada estaria dividida entre barbárie e islamismo.
- Uma possível recuperação cristã dependeria da influência americana ou do trabalho missionário de sacerdotes orientais e africanos.
19. A ocupação cultural anterior à ocupação demográfica
- O autor sustenta que a imigração muçulmana não teria produzido efeitos tão amplos sem uma preparação cultural anterior.
- Guénon e Schuon teriam contribuído para desarmar a elite europeia, difundindo a ideia da superioridade espiritual e intelectual do Oriente sobre o Ocidente.
- A conquista das camadas intelectuais superiores teria criado as condições para uma posterior ocupação por dentro.
- Os efeitos dessa ação seriam ignorados pela mídia, pelos analistas políticos e pelos intelectuais concentrados nos acontecimentos visíveis.
20. A recepção europeia de Guénon
- Na maior parte da Europa, a obra de Guénon teria provocado duas reações: recusa incompreensiva ou submissão devota.
- O autor identifica a Romênia como exceção. Durante sua permanência em Bucareste, teria encontrado intelectuais capazes de compreender e criticar Guénon com profundidade.
- A pouca penetração muçulmana na Romênia é relacionada, no texto, a essa recepção intelectual mais consciente.
- No restante da Europa, a influência guénoniana teria contribuído para conversões secretas ao Islã e para a criação de ambientes politicamente favoráveis ao expansionismo islâmico.
- Schuon teria interferido diretamente na crise entre monsenhor Lefèvre e o Vaticano, em 1976.
- O autor encerra reconhecendo que poucos leitores compreenderiam sua análise e que alguns a rejeitariam, mas afirma considerá-la necessária como testemunho antecipado.
A IGREJA HUMILHADA
21. Deus fala por palavras e coisas
- O terceiro ensaio parte de uma frase de Santo Tomás de Aquino: os seres humanos falam por palavras, enquanto Deus fala por palavras e coisas.
- Antes de transmitir as palavras bíblicas, Deus teria criado o universo, deixando na natureza as marcas de sua inteligência.
- Os santos e místicos procuravam nas formas do mundo físico sinais da intenção divina.
- A Bíblia contém inúmeras referências a animais, plantas, minerais, partes do corpo, fenômenos climáticos, astros e acidentes geográficos.
- Sem conhecimento da natureza física e de sua linguagem simbólica, muitas passagens bíblicas se tornam obscuras.
- O universo é apresentado como a primeira Revelação.
- Os povos pagãos também procuraram mensagens divinas na natureza e construíram suas sociedades como representações do cosmos.
- Embora as linguagens simbólicas variassem, existiriam princípios comuns capazes de estabelecer correspondências entre suas cosmologias e concepções do ser humano.
22. A cristianização do simbolismo antigo
- A Europa cristã absorveu e remodelou antigas concepções simbólicas, transformando-as em instrumentos de uma cosmovisão bíblica.
- A mudança principal foi a compreensão dialética do simbolismo natural.
- Os fenômenos da natureza deixaram de ser considerados manifestações diretas dos deuses e passaram a funcionar como analogias que simultaneamente revelam e ocultam a presença divina.
- O autor relaciona essa ideia ao seu livro A Dialética Simbólica.
- A cosmologia medieval incorporou o sistema planetário ptolemaico, com a Terra no centro e as esferas planetárias conduzindo ao céu de Deus.
- Esse mapa não seria simples descrição material do universo.
- Ele era compensado por uma representação inversa: Deus no centro e a Terra na periferia.
- A tensão entre as duas imagens expressava a condição humana em um mundo que podia ser simultaneamente templo e prisão.
- A cosmologia medieval era, portanto, uma ciência do significado da existência humana no cosmos, e não simples cosmografia.
23. A redução da cosmologia à cosmografia
- O debate entre heliocentrismo e geocentrismo transformou duas imagens simbólicas em teorias exclusivamente materiais.
- A tensão dialética desapareceu e a cosmologia foi reduzida à descrição física do universo.
- O progresso científico ocultou a perda de uma linguagem capaz de integrar natureza, espírito, razão e fé.
- O conhecimento material e o conhecimento espiritual passaram a existir lado a lado sem verdadeira comunicação.
- O conflito entre ciência e religião tornou-se permanente, sendo contido apenas por acordos artificiais sobre os limites de cada campo.
- A modernidade é caracterizada pela coexistência de uma ciência sem espiritualidade e uma espiritualidade sem base natural.
24. Descartes, Kant e a divisão da experiência
- A ruptura também ocorreu na metafísica e na teoria do conhecimento.
- René Descartes separou matéria e espírito, abandonando a concepção aristotélico-escolástica do ser humano como unidade de corpo e alma.
- O dualismo cartesiano permaneceu influente mesmo depois das críticas que recebeu.
- Na cultura, a divisão produziu duas classes de objetos:
- Objetos materiais, mensuráveis e cientificamente reais.
- Leis, valores, instituições e obras de arte, considerados pensamentos ou construções culturais.
- Os objetos materiais perderam significado espiritual. Os objetos culturais conservaram significado, mas perderam fundamento objetivo.
- A intelectualidade católica assimilou essa estrutura. O cartesianismo se tornou dominante em seminários franceses do século XVIII.
- O cristianismo perdeu sua hegemonia intelectual antes mesmo do surgimento das heresias modernistas.
- Restaram duas atitudes: adaptar-se à modernidade ou protestar sem conseguir vencê-la. Elas são associadas, respectivamente, aos modernistas e aos tradicionalistas.
- Immanuel Kant aprofundou a ruptura ao separar conhecimento e fé.
- O conhecimento ganhou validade pública e universal, enquanto a fé foi confinada ao domínio das preferências particulares.
- Essa separação serviria de base ao positivismo científico e ao Estado laico, que trata juridicamente as crenças como escolhas privadas equivalentes.
25. O fisicalismo e a incompreensão das estruturas simbólicas
- O autor considera inadequado condenar a cosmologia medieval por não corresponder literalmente aos fatos físicos.
- Uma representação simbólica deve ser julgada como totalidade, não pela correspondência material de cada detalhe.
- O fisicalismo ingênuo se fixa nos elementos visíveis e perde o significado geral.
- A Física de Aristóteles foi rejeitada por conter explicações astronômicas e físicas incompatíveis com a ciência moderna.
- Posteriormente, porém, seu valor teria sido recuperado como metodologia geral das ciências, e não como manual moderno de física.
- O congresso da Unesco Penser avec Aristote é mencionado como exemplo dessa recuperação acadêmica.
26. O desaparecimento do simbolismo natural cristão
- O simbolismo natural desapareceu do universo intelectual respeitável depois que o esquema medieval das sete esferas foi considerado cientificamente ultrapassado.
- Sobreviveu principalmente como recurso poético e sentimental.
- Georges Bernanos, em L’Imposture, é citado como crítico do empobrecimento do imaginário moderno.
- Os estudiosos do simbolismo foram marginalizados tanto pelas universidades quanto pelos intelectuais católicos.
- A obra Le Bestiaire du Christ, de Louis Charbonneau-Lassay, é apresentada como exemplo de estudo importante ignorado por grande parte do meio católico.
- Charbonneau-Lassay percorreu igrejas registrando e explicando os símbolos animais associados a Jesus na arquitetura medieval.
- Segundo o autor, esse tipo de trabalho foi mais valorizado posteriormente por intelectuais muçulmanos do que pelos próprios católicos.
27. C. S. Lewis e a separação entre beleza e verdade
- Mesmo autores que compreendiam a cosmologia medieval tendiam a defendê-la apenas por seu valor estético.
- C. S. Lewis teria organizado as Crônicas de Nárnia segundo uma ascensão simbólica pelas sete esferas planetárias.
- Essa estrutura permaneceu escondida até ser estudada por Michael Ward em Planet Narnia.
- Lewis distinguia a beleza das religiões pagãs da verdade do cristianismo.
- O autor considera irônico que Lewis tenha usado elementos pagãos cristianizados pela cultura medieval e, ao mesmo tempo, separado beleza, verdade e bondade.
- Essa separação contrariaria a tradição escolástica sintetizada na fórmula Unum, Verum, Bonum, atribuída no texto a Duns Scot.
28. Dooyeweerd e a rejeição dos elementos pagãos
- O filósofo calvinista Herman Dooyeweerd também é criticado.
- Ele sustentava que a síntese dialética se aplicava apenas às coisas relativas. Diante do absoluto, restaria a necessidade de escolha entre posições incompatíveis.
- Com base nisso, condenava a filosofia escolástica por conservar elementos provenientes do paganismo.
- O autor considera impossível eliminar completamente os resíduos culturais pagãos, observando que o próprio calvinismo não realizou essa exigência.
29. A recuperação muçulmana do patrimônio simbólico cristão
- O patrimônio simbólico abandonado pelos cristãos foi recolhido por intelectuais muçulmanos interessados em restaurá-lo sob orientação de organizações esotéricas islâmicas.
- O autor declara que, desde o século XVI, poucos intelectuais cristãos explicaram o simbolismo cristão com a profundidade alcançada por René Guénon, Frithjof Schuon, Titus Burckhardt e Jean Borella.
- Esses autores estariam ligados a tariqas e interessados em abrir espaço para a influência intelectual islâmica no interior da cultura ocidental.
- O tradicionalismo cristão poderia ser utilizado como força auxiliar desse processo.
- O autor compara essa posição à versão islâmica do Segundo Advento, na qual Jesus apareceria subordinado ao Mahdi.
- Autores como Matthila Ghyka, Ananda K. Coomaraswamy e Mircea Eliade, embora não diretamente ligados às tariqas, seriam intelectualmente devedores dos perenialistas.
- A recuperação acadêmica da cosmologia simbólica seria devida, em grande parte, ao trabalho de Guénon, Schuon e seus seguidores.
30. A dívida cristã e a recuperação do que foi perdido
- O autor reconhece explicitamente uma dívida intelectual para com os perenialistas.
- Eles teriam devolvido aos cristãos uma tradição simbólica que os próprios cristãos haviam abandonado.
- Entretanto, teriam apresentado essa herança como se pertencesse principalmente ao universo islâmico.
- A solução proposta é receber o conhecimento transmitido por esses autores sem aceitar necessariamente suas pretensões de autoridade espiritual.
- Um provérbio islâmico resume essa atitude: não perguntar quem oferece o ensinamento, mas receber aquilo que é dado.
- O ensaio termina criticando a atitude papal que, segundo o autor, reconheceria vagamente uma espécie de propriedade islâmica sobre o simbolismo cristão, em vez de reafirmar o primado da própria tradição cristã.
- A restauração da cosmologia simbólica é apresentada como elemento indispensável à reconstrução da cultura cristã.
Principais Idéias
- A Nova Era e o perenialismo são formas muito diferentes de universalismo: a primeira é descrita como sincrética e superficial; o segundo, como intelectualmente sofisticado e metafisicamente organizado.
- A Unidade Transcendente das Religiões afirma uma origem metafísica comum, mas preserva exteriormente a separação entre ritos, leis e tradições.
- A distinção entre exoterismo e esoterismo pertence propriamente ao universo islâmico e seria aplicada de maneira artificial ao cristianismo, ao judaísmo e ao hinduísmo.
- Os sacramentos cristãos, segundo o autor, já possuem caráter iniciático, tornando desnecessária uma organização esotérica complementar.
- A admissão do caráter iniciático dos sacramentos por Schuon enfraquece a posição de Guénon sobre a perda do esoterismo cristão.
- O perenialismo não responderia adequadamente se todas as religiões representam com a mesma perfeição a Tradição Primordial.
- O católico influenciado por Guénon seria conduzido a um impasse entre permanecer num cristianismo considerado incompleto ou buscar iniciação em organizações incompatíveis com a Igreja.
- As alternativas oferecidas pelo ambiente perenialista conduziriam direta ou indiretamente à orientação espiritual islâmica.
- O autor interpreta a obra de Guénon como uma preparação intelectual para a islamização do Ocidente.
- Essa influência seria exercida primeiramente sobre as elites culturais, por meio do domínio do vocabulário, da metafísica e do simbolismo.
- Guénon e Schuon teriam produzido contribuições importantes para a compreensão da crise moderna, do simbolismo cristão e da arte sacra.
- A grande força de sua influência decorreria justamente da superioridade intelectual de muitas de suas análises.
- O Ocidente perdeu sua antiga cosmologia simbólica ao reduzir o cosmos a uma realidade exclusivamente física.
- O dualismo de Descartes e a separação kantiana entre conhecimento e fé aprofundaram a ruptura entre ciência e espiritualidade.
- A intelectualidade cristã abandonou grande parte de seu patrimônio simbólico, posteriormente recuperado por autores ligados ao tradicionalismo e ao Islã.
- A recuperação desse conhecimento não exige, segundo a conclusão da coletânea, submissão à autoridade espiritual dos autores que o conservaram.
- A imagem da Esfinge representa uma obra que domina aqueles que não conseguem compreendê-la, mas fortalece aqueles que conseguem decifrá-la.
Referências
Autores, pensadores e personalidades mencionados
- Olavo de Carvalho — autor da coletânea.
- René Guénon — principal objeto da análise; fundador da Escola Tradicionalista.
- Frithjof Schuon — continuador de Guénon e líder de uma tariqa.
- Ananda K. Coomaraswamy — autor associado ao tradicionalismo.
- Rama P. Coomaraswamy — colaborador de Schuon e filho de Ananda.
- Lee Penn — autor de False Dawn.
- Charles Upton — resenhista de Lee Penn e autor tradicionalista.
- William Swing — bispo ligado à criação da URI.
- Alice Bailey — fundadora do Lucis Trust.
- Papa Francisco — mencionado em relação à URI.
- Allan Kardec — espiritismo.
- Helena Petrovna Blavatski — teosofia.
- Jules Doinel — Igreja Gnóstica francesa.
- Gérard Encausse — Papus — ocultismo.
- Jean Bricaud — ocultismo e gnosticismo.
- Aldous Huxley — escritor associado ao universalismo religioso moderno.
- Allan Watts — divulgador de filosofias orientais.
- Whitall N. Perry — compilador de textos tradicionais.
- T. S. Eliot — citado por sua avaliação da obra de Schuon.
- Mohieddin Ibn ‘Arabi — mestre sufi.
- Mansur al-Hallaj — místico sufi.
- Jesus Cristo — referência central na discussão sobre o cristianismo.
- Apóstolo Paulo — citado pelas fórmulas sobre Cristo e o “espinho na carne”.
- João Paulo II — Catecismo e Código de Direito Canônico.
- Juan González Arintero — teólogo e escritor místico.
- Henry Corbin — estudioso do Islã iraniano.
- Timothy Scott — autor de estudo sobre Guénon e a iniciação.
- Aristóteles — metafísica, lógica e física.
- Eric Voegelin — conceito de proibição de perguntar.
- Clemente XII — condenação da Maçonaria.
- Leão XIII — reafirmação da condenação maçônica.
- Jean Dumont — historiador.
- Jean Sévillia — autor sobre perseguições anticatólicas.
- Francis Clement Kelley — autor sobre a história religiosa mexicana.
- Robert Royal — autor sobre mártires católicos.
- Santiago Mata — autor sobre a Guerra Civil Espanhola.
- Jean Tourniac — guénoniano católico.
- Martin Lings — colaborador de Schuon.
- Titus Burckhardt — tradicionalista e estudioso da arte e cultura islâmicas.
- Ion Mihai Pacepa — autor sobre desinformação e operações políticas.
- André Breton — citado a respeito da corrupção do Ocidente.
- Barry Rubin — autor sobre nazismo e islamismo.
- David Motadel — autor sobre Islã e Alemanha nazista.
- Sheikh Elish El-Kebir — mestre islâmico relacionado a Guénon.
- Michel Valsân — discípulo e intérprete de Guénon.
- Seyyed Hossein Nasr — filósofo tradicionalista.
- Jean Robin — intérprete do guenonismo.
- Padre Gutierrez — representante da teologia da libertação mencionado em nota.
- Alexandre Duguin — relacionado à influência política posterior de Guénon.
- Monsenhor Lefèvre — crise com o Vaticano.
- Santo Tomás de Aquino — simbolismo natural e linguagem divina.
- René Descartes — dualismo de matéria e espírito.
- Wolfgang Smith — crítica filosófica à ciência moderna.
- Raphael de Paola — tradutor mencionado.
- Immanuel Kant — separação entre conhecimento e fé.
- Galileu — física moderna e queda dos corpos.
- M. A. Sinaceur — organizador de congresso sobre Aristóteles.
- Georges Bernanos — crítico do imaginário moderno.
- Louis Charbonneau-Lassay — estudioso do simbolismo animal cristão.
- C. S. Lewis — autor das Crônicas de Nárnia.
- Michael Ward — intérprete da cosmologia de Nárnia.
- Duns Scot — fórmula Unum, Verum, Bonum.
- Herman Dooyeweerd — filósofo calvinista.
- Jean Borella — pensador ligado ao simbolismo tradicional.
- Matthila Ghyka — estudioso de proporções e simbolismo.
- Mircea Eliade — historiador das religiões.
- Rudolf Steiner — esoterismo moderno.
- Georges Ivanovich Gurdjieff — ensinamentos esotéricos.
- Reverendo Moon — movimento religioso.
- Mahdi — figura escatológica islâmica.
Livros, artigos e obras mencionados
- As garras da Esfinge: René Guénon e a islamização do Ocidente — Olavo de Carvalho.
- Influências discretas — Olavo de Carvalho.
- A Igreja humilhada — Olavo de Carvalho.
- False Dawn: The United Religions Initiative, Globalism, and the Quest for a One-World Religion — Lee Penn.
- The System of the Antichrist — Charles Upton.
- Findings: In Metaphysic, Path, and Lore — Charles Upton.
- Oriente e Ocidente / Orient et Occident — René Guénon.
- Symboles de la Science Sacrée — René Guénon.
- A Treasury of Traditional Wisdom — Whitall N. Perry.
- A Unidade Transcendente das Religiões — Frithjof Schuon.
- Quelques remarques sur l’oeuvre de René Guénon — J. C.
- En Islam Iranien — Henry Corbin.
- La Evolución Mística en el Desenvolvimiento y Vitalidad de la Iglesia — Juan González Arintero.
- Cuestiones Místicas, o Sea, Las Alturas de la Contemplación Accesibles a Todos — Juan González Arintero.
- René Guénon and the Question of Initiation — Timothy Scott.
- L’idée du “meilleur” dans l’ordre confessionnel — Frithjof Schuon.
- Propos sur René Guénon — Jean Tourniac.
- La Révolution Française ou Les Prodiges du Sacrilège — Jean Dumont.
- Quand les Catholiques Étaient Hors la Loi — Jean Sévillia.
- Blood-Drenched Altars — Francis Clement Kelley.
- Catholic Martyrs of the Twentieth Century — Robert Royal.
- Holocausto Católico: Los Mártires de la Guerra Civil — Santiago Mata.
- Disinformation — Ion Mihai Pacepa.
- Nazis, Islamists, and the Making of the Modern Middle East — Barry Rubin.
- Islam and Nazi Germany’s War — David Motadel.
- Arte sacra e estupidez profana — Olavo de Carvalho.
- A Filosofia e Seu Inverso e Outros Estudos — Olavo de Carvalho.
- Knowledge and the Sacred — Seyyed Hossein Nasr.
- La Dernière Chance de l’Occident — Jean Robin.
- Ideals and Realities of Islam — Seyyed Hossein Nasr.
- Comprendre l’Islam — Frithjof Schuon.
- Moorish Culture in Spain — Titus Burckhardt.
- A Dialética Simbólica — Olavo de Carvalho.
- O Enigma Quântico — Wolfgang Smith.
- Física — Aristóteles.
- Penser avec Aristote — atas de congresso organizadas por M. A. Sinaceur.
- L’Imposture — Georges Bernanos.
- Le Bestiaire du Christ: La Mystérieuse Emblématique de Jésus-Christ — Louis Charbonneau-Lassay.
- Crônicas de Nárnia — C. S. Lewis.
- Planet Narnia: The Seven Heavens in the Imagination of C. S. Lewis — Michael Ward.
- Bíblia.
- Corão.
- Catecismo da Igreja Católica.
- Código de Direito Canônico de 1917.
- Código de Direito Canônico de 1983.
Revistas e publicações
- Études Traditionnelles.
- Sophia: The Journal of Traditional Studies.
- Regnabit.
- Jornal do Brasil.
- Revista eletrônica da editora Sophia Perennis.
Conceitos fundamentais
- Tradição Primordial
- Revelação Primordial
- Verdade Primordial
- Religio Perennis
- Unidade Transcendente das Religiões
- Escola Tradicionalista
- Perenialismo
- Nova Era
- Universalismo
- Sincretismo
- Tradição
- Pseudo-Tradição
- Antitradição
- Pseudo-iniciação
- Contra-iniciação
- Exoterismo
- Esoterismo
- Shari’ah
- Tariqat
- Tasawwuf
- Sufismo
- Iniciação virtual
- Ritos de agregação
- Realização espiritual
- Realização metafísica
- Metafísica
- Primeiro Princípio
- Realidade Suprema
- Ser
- Não-Ser
- Supra-Ser
- Pequenos Mistérios
- Grandes Mistérios
- Heresia essencial
- Heresia acidental
- Monofisismo
- Associacionismo
- Materialismo
- Relativismo
- Angelismo
- Autoridade espiritual
- Poder temporal
- Islamização
- Ocupação cultural
- Governo Mundial
- Cosmologia simbólica
- Cosmografia
- Simbolismo natural
- Dialética simbólica
- Geocentrismo
- Heliocentrismo
- Fisicalismo
- Dualismo cartesiano
- Positivismo científico
- Estado laico
- Unum, Verum, Bonum
- Ciência sem espiritualidade
- Espiritualidade sem base natural
Religiões, movimentos e organizações
- United Religions Initiative — URI.
- Organização das Nações Unidas — ONU.
- Governo dos Estados Unidos.
- Lucis Trust.
- Igreja Episcopal.
- Igreja Católica.
- Igreja Ortodoxa Russa.
- Igreja Gnóstica francesa.
- Congregação para a Doutrina da Fé.
- Maçonaria.
- Ordem Templária.
- Companheiragem.
- Fedeli d’Amore.
- Tariqas ou ordens sufis.
- KGB.
- Hare Krishna.
- Wicca.
- Teosofia.
- Espiritismo.
- Ocultismo.
- Cristianismo.
- Islamismo.
- Judaísmo.
- Hinduísmo.
- Budismo.
- Zoroastrismo.
- Xintoísmo.
- Protestantismo.
- Calvinismo.
- Cabala.
- Nova Era.
Lugares mencionados
- Brasil
- Ocidente
- Estados Unidos
- Europa
- França
- México
- Espanha
- Rússia
- Romênia
- Bucareste
- Inglaterra
- Índia
- Pérsia
- Egito
- Argélia
- Suíça
- Lausanne
- Vaticano
- Lima
- Peru
- Petersburg, Virgínia
- Paris
- Madrid
- Salamanca
- Bruges
- Toulouse
- Campinas
- São Paulo
Eventos históricos mencionados
- Fundação do Lucis Trust, em 1922.
- Publicação de Oriente e Ocidente, em 1924.
- Atuação de Guénon na revista Regnabit, entre 1925 e 1927.
- Mudança de Guénon para o Egito, em 1930.
- Fundação formal da URI, em 1995.
- Revolução Francesa.
- Guerra dos Cristeros.
- Guerra Civil Espanhola.
- Segunda Guerra Mundial.
- Concílio Vaticano II.
- Crise entre monsenhor Lefèvre e o Vaticano, em 1976.
- Debate entre heliocentrismo e geocentrismo.
- Consolidação da ciência e da filosofia modernas.
Personagens e figuras simbólicas
- Esfinge / Sphynx — pseudônimo de Guénon e imagem central do ensaio.
- Jesus Cristo — referência cristã e figura do Segundo Advento.
- Mahdi — figura escatológica islâmica.
- Mansur al-Hallaj — exemplo de místico que revelou publicamente uma formulação esotérica.
- Profeta do Islã — referência à origem das práticas voluntárias sufis.
- Apóstolo Paulo — exemplo da união entre experiência espiritual e limitação humana.
Trilha sonora
Nenhuma trilha sonora é mencionada, pois a obra é uma coletânea de ensaios, e não uma produção audiovisual.
Obras semelhantes — referências externas ao texto
Livros
- A Crise do Mundo Moderno — 1927, René Guénon. Análise tradicionalista da crise espiritual, intelectual e social do Ocidente moderno. (search.worldcat.org)
- O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos — René Guénon. Desenvolvimento da crítica guénoniana à modernidade e ao predomínio da quantidade sobre a qualidade. (search.worldcat.org)
- A Unidade Transcendente das Religiões — 1948, Frithjof Schuon. Formulação central da concepção perenialista da unidade metafísica das religiões. (search.worldcat.org)
- Compreender o Islã — 1961, Frithjof Schuon. Exposição do Islã, do Corão, do profetismo e do sufismo sob perspectiva tradicionalista. (search.worldcat.org)
- O Sagrado e o Profano — Mircea Eliade. Estudo das manifestações do sagrado no espaço, no tempo, na natureza e no cosmos. (search.worldcat.org)
- The Essential René Guénon — 2009, René Guénon; organização de John Herlihy. Seleção de escritos sobre metafísica, tradição, simbolismo e crise da modernidade. (search.worldcat.org)
- Habibi — 2011, Craig Thompson. Romance gráfico que relaciona cristianismo, Islã, narrativa religiosa, natureza e conflito entre civilizações. (search.worldcat.org)
- O Gato do Rabino — Joann Sfar. Quadrinho filosófico sobre judaísmo, Cabala, convivência religiosa e identidade cultural. (search.worldcat.org)
Filmes
- O Nome da Rosa — 1986, Jean-Jacques Annaud. Ficção medieval sobre conhecimento, autoridade religiosa, interpretação e controle de livros. (bfi.org.uk)
- Baraka — Um Mundo Além das Palavras — 1992, Ron Fricke. Documentário visual sobre religiões, ritos, civilizações, natureza e modernidade. (imdb.com)
- Samsara — 2011, Ron Fricke. Meditação audiovisual sobre lugares sagrados, natureza, indústria, destruição e ciclos da existência. (imdb.com)
- Persépolis — 2007, Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud. Animação autobiográfica sobre a Revolução Iraniana, o fundamentalismo, a identidade e o conflito entre tradição e modernidade. (bfi.org.uk)
Documentários e séries documentais
- The Century of the Self — 2002, Adam Curtis. Série sobre individualismo, propaganda, relações públicas e administração social dos desejos.
- The Power of Nightmares — 2004, Adam Curtis. Série sobre as narrativas políticas construídas em torno do neoconservadorismo e do jihadismo. (bfi.org.uk)
- HyperNormalisation — 2016, Adam Curtis. Documentário sobre sistemas políticos, narrativas artificiais e perda coletiva de contato com a realidade. (bfi.org.uk)
- Baraka — 1992, Ron Fricke.
- Samsara — 2011, Ron Fricke.
Quadrinhos e animações
- Persépolis — 2000, Marjane Satrapi. Romance gráfico autobiográfico sobre a infância e juventude da autora durante a Revolução Islâmica no Irã. (search.worldcat.org)
- O Gato do Rabino — Joann Sfar. Série de quadrinhos sobre judaísmo, Islã, filosofia, linguagem e convivência cultural. (search.worldcat.org)
- Habibi — 2011, Craig Thompson. Romance gráfico sobre tradições abraâmicas, caligrafia islâmica, natureza, poder e desigualdade. (search.worldcat.org)
- O Segredo de Kells — 2009, Tomm Moore e Nora Twomey. Animação sobre arte sacra, manuscritos iluminados, cristianismo medieval e mitologia celta. (bfi.org.uk)
As Garras da Esfinge — Resumo Estruturado
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