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Diário de um Pároco de Aldeia Georges Bernanos
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02:57:40: "O personagem não sabe o que é um santo, mas ele mesmo é um santo não-oficial. Isso mostra a capacidade imaginativa de um autor para retratar a imagem de um santo. Isso é algo que não existe na literatura brasileira." |
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História da Civilização Will Durant
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03:04:00: ""História universal" é um gênero que só existe na cabeça do historiador, apesar disso, essa obra é muito boa e tem uma excelente tradução para o português;" |
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Madame Bovary Flaubert
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"imaginário de uma mulherzinha medíocre, idiota e sem graça, mas que se achava no direito de ter um episódio romântico maravilhoso" |
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Dicurso "What Is Liberal Education?" Leo Strauss |
"ele diz que quem aprendeu alguma coisa, aprendeu com outro sujeito, que aprendeu com outro sujeito, que aprendeu com outro sujeito, que não aprendeu com ninguém. " |
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- https://github.com/osescribas/cof/blob/main/revisadas/COF002.md
Curso Online de Filosofia — Aula 2
O Exercício do Necrológio, a Vocação e a Formação da Consciência
Este resumo apresenta os principais pontos da segunda aula do Curso Online de Filosofia, ministrada por Olavo de Carvalho em 21 de março de 2009. A aula trata das diretrizes do exercício do necrológio, da natureza pessoal da experiência filosófica e da importância do equipamento linguístico, literário e imaginativo para a formação intelectual.
1. Diretrizes e Finalidade do Exercício do Necrológio
O professor inicia corrigindo a execução do exercício do necrológio, destacando que ele deve ser escrito em terceira pessoa. A finalidade é captar a imagem que o conjunto da vida de um indivíduo transmitiria a outras pessoas após sua morte, isto é, a vida vista como uma espécie de forma fechada.
O exercício deve ser breve, sincero e orientado para a descoberta daquilo que se deseja realizar de modo mais profundo. Não se trata de imaginar uma fama grandiosa, como se a vaidade humana já não tivesse feito estragos suficientes, mas de identificar o exemplo, a ambição superior e a direção interior que podem servir de baliza para a existência.
A vida é apresentada como uma equação entre o desejável, isto é, aquilo que o indivíduo quer ser, e as circunstâncias, compostas por obstáculos, instrumentos, limites e possibilidades reais. O sucesso humano consiste em fazer com que o desejável prevaleça sobre as circunstâncias em uma medida suficiente para dar forma à vida.
2. Unidade da Vida e Reabsorção da Circunstância
O sonho de juventude precisa ser transformado em um projeto operacional, para que não se dissolva na multiplicidade das situações vividas. Esse projeto funciona como o fator unificante da vida consciente, restaurando a unidade interior diante dos elementos dispersantes da realidade.
A aula menciona Viktor Frankl como exemplo de alguém que integrou circunstâncias extremamente hostis à própria vocação. Mesmo uma situação de sofrimento pode ser reabsorvida e transformada em matéria de sentido, desde que o indivíduo não perca sua direção interior.
O conceito de reabsorção da circunstância, associado a Ortega y Gasset, é apresentado como parte essencial do destino humano. O indivíduo não existe isolado: ele é composto por seu eu e por suas circunstâncias, incluindo a hereditariedade, o ambiente, a cultura e as pressões históricas que recaem sobre ele.
A referência a Szondi reforça a ideia de que os antepassados e suas tendências podem pesar sobre o destino pessoal. A tarefa do indivíduo é manejar esses materiais herdados e externos, integrando-os ao projeto de vida que deseja realizar.
3. Filosofia como Prática Pessoal
A filosofia não é apresentada como uma disciplina acadêmica meramente burocrática, mas como uma prática pessoal de apropriação de si mesmo e fortalecimento da consciência. A transmissão de conhecimentos teóricos é apenas uma parte do trabalho filosófico, não o seu centro vivo.
O conhecimento fundamental envolvido nesse processo é de natureza estritamente pessoal. O indivíduo é a única testemunha direta de seus sonhos, intenções, percepções e experiências interiores. Portanto, aprender filosofia exige aprender também a prestar testemunho fiel da própria realidade vivida.
O professor distingue o conhecimento individual do mero subjetivismo. O testemunho solitário não é inimigo da objetividade; ao contrário, é a base de todo conhecimento objetivo, pois toda ciência e toda história dependem, em algum ponto, de alguém que viu, registrou e testemunhou algo com fidelidade.
4. Linguagem, Memória e Testemunho Fidedigno
Para tornar-se uma testemunha fidedigna de si mesmo, o aluno precisa evitar o uso de frases feitas, clichês e fórmulas coletivas que deformam a experiência real. A linguagem pronta pode parecer confortável, mas frequentemente substitui a percepção direta por uma versão socialmente domesticada da realidade.
A aula recorda que, segundo Aristóteles, o pensamento não opera diretamente sobre os dados sensoriais, mas sobre imagens estabilizadas na memória. Primeiro vem a percepção; depois, a retenção; em seguida, a formação da imagem; por fim, a extração de um conceito verbal.
Quando a linguagem pessoal é pobre, o indivíduo acaba recordando não aquilo que viu, mas aquilo que a cultura permite que ele diga ter visto. Essa é uma pequena catástrofe epistemológica, mas com roupa socialmente aceitável. Por isso, a formação filosófica exige a purificação da linguagem e a reconquista da própria voz.
5. Literatura e Formação do Imaginário
A literatura de ficção é apresentada como instrumento essencial para a formação do imaginário. Obras de autores como Flaubert e Dostoievski oferecem uma galeria de experiências humanas transfiguradas em símbolos, ajudando o indivíduo a reconhecer e expressar sua própria realidade.
A alta literatura amplia a capacidade de percepção moral e psicológica. Ela permite que o estudante identifique nuances, conflitos, contradições, autoenganos e dramas interiores que a cultura de massa costuma reduzir a caricaturas. E se há algo que a humanidade produz com entusiasmo industrial, são caricaturas de si mesma.
A aula também critica a pobreza da literatura brasileira contemporânea, considerada incapaz de representar a complexidade dos personagens e situações reais do presente. Por isso, o estudante de filosofia é incentivado a buscar, sobretudo na literatura estrangeira, materiais mais ricos para a formação do imaginário.
6. Metodologia de Estudo e Formação Mental
Para aprender filosofia, segundo a aula, é necessária a presença de um filósofo vivo ou um talento excepcional para o estudo solitário, como nos casos de Mário Ferreira dos Santos ou Leibniz. Os livros são indispensáveis, mas funcionam como complemento de uma formação mais ampla.
O estudo da Lógica não deve vir no início da formação, pois ela pode simplificar a realidade antes que o aluno tenha acumulado experiência suficiente. Antes da lógica formal, é necessário formar o imaginário, a memória, a linguagem e a capacidade de observação.
A aula recomenda também o estudo da Gramática Latina, especialmente pelo método de Napoleão Mendes de Almeida, como ferramenta de ordenação sintática e mental. A busca da verdade começa com a sinceridade, com o ajuste da própria voz e com a eliminação das camadas de autoengano.
7. Vocação, Realidade e Sinceridade
A vocação é diferenciada da simples busca por dinheiro, prazer ou reconhecimento social. Ela é uma equação entre o desejo interior e a realidade imposta ao indivíduo. Assumir a vocação exige aceitar o real, inclusive seus obstáculos, como matéria de formação ética e espiritual.
Dessa forma, a aula propõe que o aluno aprenda a viver filosoficamente antes de pretender apenas falar sobre filosofia. O exercício do necrológio, a linguagem sincera, a formação literária e a apropriação da consciência são apresentados como meios concretos para ordenar a vida segundo a verdade.
Síntese Final
```A segunda aula do Curso Online de Filosofia apresenta a filosofia como uma disciplina de formação interior. O exercício do necrológio ajuda o aluno a enxergar a própria vida como unidade, descobrir seu fator unificante e orientar suas ações segundo a vocação. A linguagem sincera, a alta literatura, a memória bem formada e o testemunho fidedigno da experiência são condições essenciais para que o estudante se aproprie da própria consciência e avance na busca da verdade.
```Referências Citadas
Autores e personalidades: Olavo de Carvalho, Stéphane Mallarmé, Alfred de Vigny, Viktor Frankl, Ortega y Gasset, Leopold Szondi, Goethe, Eric Voegelin, Otto Maria Carpeaux, Schelling, Santo Tomás de Aquino, Santo Alberto Magno, Sócrates, Platão, Aristóteles, Gustave Flaubert, Fiódor Dostoiévski, Miguel de Cervantes, Leo Strauss, Padre Stanislavs Ladusans, Mário Ferreira dos Santos, Napoleão Mendes de Almeida, Machado de Assis, Lima Barreto, José Lins do Rego, Frei Betto, Luiz Inácio Lula da Silva, Barack Obama, Padre Luigi Giussani, Louis Lavelle, Marcel Proust, Stendhal, Balzac, Cesare Cantú, Will Durant, Jan Huizinga, Hippolyte Taine, Georges Bernanos, Robert Musil, Hermann Broch, Jakob Wasserman, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Julián Marías, Susanne Langer e Edmund Husserl.
Livros e obras: Madame Bovary, Crime e Castigo, Numa e a Ninfa, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dr. Fausto, A Montanha Mágica, O Outono da Idade Média, As Origens da França Contemporânea, Diário de um Pároco de Aldeia, Mênon, Gramática Latina, História Universal, História da Civilização, A Rebelião das Massas e What Is Liberal Education?.
Conceitos-chave: necrológio, fator unificante, reabsorção da circunstância, testemunho solitário, testemunho fidedigno, frases feitas, estereótipos, imagem estabilizada, experiência genuína, personalidade, ser, lógica, retórica, gramática e trivium.



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