10 de abril de 2025

COF Anotado #1


 


Obra 

Descrição 

Obs




Gramática Latina. 
Napoleão Mendes de Almeida

      00:10:40: "Essencial para o aprimoramento da linguagem. Não existe nenhum livro de ensino do português que se compara ao que o autor fez nesta obra para o latim."


na biblioteca




Plato. 
Paul Friedlander

      00:10:00: "Reporta as idéias à experiência; em qual circunstância, concreta e humana, certas questões ocorreram a Sócrates e Platão e como eles trabalharam para tirar daí os conceitos filosóficos que iriam discutir depois."


não traduzido para o BR



George Misch, 
História da Autobiografia na Antiguidade


 não traduzido para o BR




[filme] Tropa de Elite (2007)

 "No meio brasileiro essa situação é ainda mais agravada pelo fato de que existe uma espécie de ortodoxia política que domina as nossas universidades, e que é uma coisa a tal ponto rasteira, brega, e estúpida, que nem merece comentário. Ainda me recordo, quanto a isso, o próprio filme Tropa de Elite, onde uma opinião ligeiramente divergente, essa sim baseada na experiência, que é a do policial que está ali assistindo à aula, é rebatida não como em um debate normal, mas com uma gritaria, um protesto geral da classe."

visto 







artigo - "A consciência sem consciência", 

 a consciência é a única entidade da qual você não pode falar na ausência dela. 

lido


Aristóteles em Nova Perspectiva. Introdução à Teoria dos Quatro Discursos

"todo conhecimento humano começa primeiro como percepção, depois como memória e imaginação, e só depois ele se estabiliza em conceitos verbalizáveis sobre os quais você pode raciocinar."



 

Confissões Santo Agostinho


 


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  • https://www.rafaelalmeida.com/cof.html

Curso Online de Filosofia — Aula Inaugural

Resumo objetivo e estruturado das ideias principais expostas por Olavo de Carvalho


1. Normas Gerais e Instruções Práticas

1.1. Invocação e Propósito

A aula inicia-se com uma invocação à Virgem Maria e ao Padre Pio, estabelecendo o objetivo de expor as normas, o espírito do curso e instruções práticas para que as finalidades sejam atingidas.

1.2. Logística de Transmissão

Menciona-se a existência de grupos assistindo em conjunto, sugerindo a escolha de um “grupo-controle” para transmitir imagem ao professor. É necessária a formação de uma equipe de 10 a 15 voluntários para a transcrição integral das aulas.

1.3. Metodologia de Estudo

Os alunos devem receber cada aula três vezes: ao vivo, na gravação e na transcrição. É obrigatório o uso de um caderno específico, chamado “diário do curso”, para anotar o conteúdo, ideias próprias, dúvidas, indicações bibliográficas e o registro da experiência pessoal.

1.4. Compromisso e Contexto Brasileiro

O curso tem previsão de quatro a cinco anos. O professor congratula os alunos por estudarem sistematicamente por amor ao conhecimento, sem fins diplomáticos, em um cenário de miséria no ensino de filosofia no Brasil.

2. A Comunidade e a Formação da Personalidade

2.1. A Amizade Socrática

Baseando-se em São Tomás de Aquino, especialmente na expressão idem velle, idem nolle, define-se a amizade como querer e rejeitar as mesmas coisas. A união em torno de valores comuns fortalece o indivíduo contra o isolamento e contra grupos hostis.

2.2. Fundamento Político e Pessoal

Citando Aristóteles, o texto afirma que a amizade é a base da sociedade política e um pilar da personalidade. Sem amigos que partilhem dos mesmos valores, o indivíduo corre o risco de corromper-se para obter aceitação social.

3. O Exercício do Necrológio e o Plano de Vida

3.1. Descrição da Prática

O aluno deve escrever seu próprio necrológio, em 20 a 30 linhas, supondo que já morreu e que um amigo narra sua vida. Deve-se imaginar que o melhor de si e as aspirações humanas mais altas foram realizados.

3.2. Finalidade Pedagógica e Moral

O exercício visa criar um “eu ideal” que oriente a vida inteira. A falta de um plano de vida é apontada como causa da desorientação moral na sociedade brasileira. Esse ideal funciona como juiz das ações e como interlocutor qualificado perante Deus.

3.3. Objetividade e Sinceridade

Esse projeto de vida, embora sofra alterações, é apresentado como o único critério para a objetividade no julgamento de si mesmo. Deve ser feito com extrema seriedade, focando em quem o indivíduo se tornou, e não apenas em fama ou poder.

4. Filosofia: Teoria vs. Prática Institucional

4.1. Inspiração Socrática

O curso busca imitar a imagem essencial de Sócrates, definindo filosofia como “a busca da unidade do conhecimento na unidade da consciência”.

4.2. A Profissão Universitária

Há uma distinção entre a filosofia como disciplina ou forma de vida e a filosofia como fenômeno sociológico ou profissão. O crescimento das instituições gerou exigências burocráticas que muitas vezes entram em conflito com a busca da verdade.

4.3. Condicionamento Sociológico

Exemplifica-se com Hegel, cuja filosofia teria sido influenciada por sua posição como funcionário do Estado alemão. Critica-se o fato de filósofos modernos ignorarem as condições sociais que determinam seu próprio discurso.

4.4. O “Teatro” Acadêmico

O filósofo universitário muitas vezes aceita delimitações burocráticas e desempenha papéis, como um ator, sem analisar criticamente seu quadro de trabalho. Menciona-se a cena de Tropa de Elite, em que alunos analisam a favela via Foucault sem consciência de sua posição real como consumidores de drogas.

5. Técnica Filosófica e Experiência Real

5.1. Conversão de Conceitos

A técnica filosófica consiste em converter conceitos gerais em experiência existencial e vice-versa. Nietzsche é criticado por não dominar essa técnica, e Foucault pelo descompasso entre sua obra, centrada na crítica à opressão, e sua vida pessoal, marcada pelo sadomasoquismo.

5.2. Autoconhecimento e Confissão

Citando as Confissões de Santo Agostinho, o texto destaca que o conhecimento filosófico nasce do autoconhecimento. A narrativa perante um “observador onisciente”, Deus, permite que o indivíduo descubra verdades sobre si mesmo que estavam apenas na realidade, mas ainda não na consciência.

5.3. Crítica ao Meio Acadêmico Brasileiro

Aponta-se uma “ortodoxia política” rasteira nas universidades brasileiras, que substitui a busca do conhecimento pelo entusiasmo militante. Menciona-se a destruição da cultura superior no país desde os anos 50.

6. Autoridade e Confiabilidade

6.1. Ceticismo Científico

A ciência moderna é descrita como um “jogo de cartas marcadas” que isola fenômenos e não investiga a realidade concreta em sua totalidade. A autoridade científica atual muitas vezes não exige crença pessoal do profissional.

6.2. Confiabilidade Socrática

Busca-se aquilo que se pode provar e, simultaneamente, aquilo em que o indivíduo concreto pode sinceramente acreditar para basear sua vida.

6.3. Ponto Arquimédico

Refere-se ao conceito de Mário Ferreira dos Santos de buscar a credibilidade máxima ou a certeza absoluta, especialmente onde a verdade é autoevidente.

6.4. Tradição e Juiz Interior

A filosofia é vista como uma coleção de notas de rodapé a Sócrates, Platão e Aristóteles, que delimitaram o campo. O “juiz interior” qualificado para discernir a verdade deve ser a parte mais alta da alma, capaz de integrar os diversos aspectos da personalidade.

7. Linguagem, Consciência e Realidade

7.1. Papel da Literatura

O conhecimento começa na percepção e na memória antes de estabilizar-se em conceitos. A literatura é essencial para expressar a experiência real. Critica-se a decadência da linguagem pública no Brasil, reduzida à função “apelativa”, isto é, voltada a influenciar o outro.

7.2. Estudo do Latim

Recomenda-se a Gramática Latina, de Napoleão Mendes de Almeida, para desenvolver o senso da estrutura das frases e sua transposição para a estrutura lógica e para a estrutura da realidade.

7.3. Natureza da Consciência

A consciência é definida como a única entidade da qual não se pode falar sem exercê-la. Critica-se a redução da consciência a processos cerebrais ou softwares, defendendo que ela é sempre consciente de si mesma.

8. Conclusão da Aula

8.1. Vaidade e Verdade

A busca filosófica é incompatível com a vaidade intelectual. O objetivo não é a ostentação de inteligência, mas a orientação pessoal e o conhecimento de quem se é.

8.2. O Sábio e a Sensação de Realidade

O filósofo busca transformar-se em sábio, visando uma “sensação de realidade”: estar acordado e presente na própria vida, mesmo que não consiga explicar isso plenamente a terceiros.


Referências Citadas

Autores, Filósofos e Escritores

Aristóteles; Arthur Lovejoy; Bruno Tolentino; Dante; Eric Voegelin; Eugen Rosenstock-Huessy; Friedrich Nietzsche; George Misch; Georg Wilhelm Friedrich Hegel; Herberto Sales; Hugo Von Hofmannsthal; Immanuel Kant; Jacques Barzun; José Mário Pereira; José Osvaldo de Meira Penna; Karl Bühler; Karl Popper; Luís Fernando Veríssimo; Marilena Chauí; Mário Ferreira dos Santos; Michel Foucault; Miguel Reale; Napoleão Mendes de Almeida; Olavo de Carvalho; Ortega y Gasset; Otto Maria Carpeaux; Paul Friedländer; Paulo Coelho; Paulo Ghiraldelli; Pitágoras; Platão; René Descartes; Santo Agostinho; São Paulo Apóstolo; São Tomás de Aquino; Sócrates; Stanislavs Ladusans; Vicente Ferreira da Silva.

Livros e Obras

A Sociedade Aberta e seus Inimigos; Aristóteles em Nova Perspectiva; Crítica da Razão Pura; Confissões; Gramática Latina; História da Autobiografia na Antiguidade; O Banquete; Plato: an Introduction; Tópicos; Vigiar e Punir.

Conceitos e Expressões

Idem velle, idem nolle; necrológio; eu ideal; paralaxe cognitiva; ponto arquimédico; observador onisciente; substância experiencial; técnica filosófica.

Personagens, Lugares e Instituições

Alcibíades; Barack Obama; Brasil; Estados Unidos; Faculdade da Cidade; Lula; Matias, de Tropa de Elite; Padre Pio de Pietrelcina; Santíssima Virgem Maria; Universidade de Brasília; USP.

Eventos e Outros

Filme Tropa de Elite; programa True Outspeak.

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