O Filho de Deus fez-se homem
1. Pergunta central da aula
Por que o Verbo se fez carne?
A aula busca responder a essa pergunta.
O Catecismo apresenta quatro razões para a Encarnação de Cristo:
Salvar-nos, reconciliando-nos com Deus.
Revelar-nos o amor de Deus.
Ser nosso modelo de santidade.
Tornar-nos participantes da natureza divina.
2. A Encarnação e a graça de Deus
Quando Deus se encarnou, derramou sobre todos os homens a graça de Deus.
Essa graça é sempre:
Sanante
Cura os pecados.
Elevante
Eleva cada homem acima de sua própria natureza.
3. A salvação como cura e elevação
A salvação não consiste apenas em livrar o homem do pecado.
Ela é muito mais do que isso:
Não coloca o homem simplesmente de volta ao estado de Adão antes do pecado.
Coloca o homem numa condição superior.
Livra-o da mácula do pecado.
Permite que ele entre na presença de Deus.
Essa entrada plena na presença de Deus não ocorre nesta vida terrena.
Ela se realiza no céu.
No céu, todos serão imaculados.
4. O “já e ainda não” da salvação
O homem já foi salvo por Deus.
Porém, sua salvação ainda não está consumada de modo definitivo.
Nesta vida, vive-se no estado do “já e ainda não”:
O homem já recebeu a salvação.
Mas sua alma ainda não está fora de perigo.
O destino de cada alma será selado somente ao deixar esta vida terrena.
Esse destino depende das escolhas feitas em vida.
Segundo o Cânon 14 do Concílio de Trento:
Se alguém disser que o homem é absolvido dos pecados e justificado pelo fato mesmo de se crer com certeza absolvido e justificado, ou que ninguém é realmente justificado, senão quem crê que está justificado, e que por esta fé sozinha se opera a absolvição e a justificação: seja anátema.
5. O Verbo se fez carne para livrar o homem do pecado
O Verbo fez-se carne para:
Livrar o homem do pecado.
Elevá-lo à presença de Deus.
Só poderá entrar no céu aquele que estiver:
Limpo.
Totalmente livre das manchas dos pecados.
6. Jesus, Filho de Deus por natureza
Jesus é Filho de Deus por natureza.
Ele quer que todos os homens também sejam filhos de Deus.
Por isso:
Fez-se homem.
Assumiu a natureza humana.
Tornou os homens filhos de Deus por graça.
Ao rebaixar-se à condição de criatura, Ele eleva todos os homens a Deus.
A lógica divina, aparentemente absurda aos olhos humanos, é esta:
Deus desce até o homem.
Para elevar o homem até Deus.
7. A participação na natureza divina
O homem foi criado para participar da natureza divina.
Essa participação se daria pela graça.
7.1. O pecado de Adão e Eva
Adão e Eva quiseram ser deuses sem Deus.
Por isso, o pecado original atinge o homem de forma profunda.
Ele está arraigado na própria natureza humana.
7.2. A restauração em Cristo
Ao assumir a natureza humana, Jesus tornou possível que o homem cumprisse o projeto inicial de Deus:
Participar da natureza divina.
Com Deus.
Por meio da graça.
7.3. A frase de Santo Atanásio
Santo Atanásio resume essa realidade ao dizer:
“O Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus”.
O homem será Deus:
Não por mérito próprio.
Não por sua própria força.
Mas por pura graça divina.
Graça concedida pela Encarnação de Jesus.
8. A Encarnação como revelação do amor de Deus
O Verbo se fez carne também para que o homem pudesse conhecer o amor de Deus.
Esse amor já era pressentido nas narrativas do Antigo Testamento.
Porém, não podia ser compreendido em sua plenitude sem a Encarnação.
8.1. O “mistério escondido”
São Paulo chama essa realidade de “o mistério escondido” ao longo dos séculos.
Trata-se da revelação plena do amor de Deus em Cristo.
8.2. O caráter salvífico do amor de Deus
A revelação do amor de Deus tem caráter salvífico.
Isso acontece porque:
Quando o homem conhece o amor de Deus, é atraído para Ele.
Ao perceber-se amado por Deus, o homem passa a poder amá-lo de volta.
8.3. São Bernardo de Claraval
São Bernardo de Claraval ensina que:
Todo ser humano tem o dever de amar a Deus.
O cristão tem essa missão facilitada.
Ao contemplar o amor de Deus manifestado na cruz, o homem percebe que é amado por Ele.
O conhecimento do amor de Deus torna possível corresponder a esse amor.
9. O amor como morte vivificante
O amor é uma espécie de morte vivificante.
Ou seja:
Ao morrer para si mesmo, o homem encontra a vida.
Ao esquecer-se de si, passa a doar-se ao outro.
9.1. O mistério pascal no dia a dia
Contemplar o mistério pascal e aplicá-lo à vida cotidiana é uma experiência de santificação.
A vida humana se torna mais realizada quando:
O homem se esquece de si mesmo.
Passa a doar-se ao outro.
Vive o amor como entrega.
10. O paradoxo cristão da salvação
Deus ensina que quem se perder será salvo.
Esse é o paradoxo cristão, porque:
A perda de si conduz à salvação.
A morte conduz à vida.
A entrega conduz à realização.
10.1. A sarça ardente
Esse mistério é comparado à sarça ardente:
Uma chama que arde.
Mas não se consome.
10.2. O mistério pascal
Tudo se resume no mistério pascal:
Morte.
Ressurreição.
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