Resumo objetivo — O Segundo Grau da Oração: A Meditação Teresiana
1. Contexto geral
1.1. Tema da aula
A aula trata do segundo grau da oração, chamado de meditação teresiana, dentro do estudo do Caminho de Perfeição, de Santa Teresa d’Ávila.
1.2. Contexto litúrgico
A exposição menciona a festa da Transverberação de Santa Teresa d’Ávila, celebrada no Carmelo em 26 de agosto.
Esse episódio teria ocorrido quando Santa Teresa ainda vivia no Carmelo da Encarnação, em Ávila, antes da fundação do Carmelo de São José.
2. Ideias principais
2.1. Santa Teresa e o Caminho de Perfeição
Santa Teresa escreveu o Caminho de Perfeição para monjas que já praticavam a vida de oração.
Ela não escreveu de modo sistemático, mas “ao correr da pena”, ou seja, de forma espontânea.
A obra pressupõe que as leitoras já conheciam:
oração vocal;
oração mental;
meditação;
vida espiritual básica.
2.2. Meditação e virtudes
Santa Teresa ensina que a meditação é um meio importante para adquirir virtudes.
As virtudes destacadas são:
humildade;
caridade fraterna;
desapego.
A meditação não é mero exercício intelectual. Ela deve conduzir à transformação da vida. Ou seja, não basta pensar bonito e continuar vivendo torto, essa velha especialidade humana.
2.3. Natureza da meditação
A meditação une:
Intelecto
O intelecto contempla uma verdade da fé e percebe sua beleza.
Vontade
A vontade é atraída por essa verdade e começa a amá-la.
Afeto
Da união entre verdade e amor nasce o afeto espiritual.
Resolução prática
O afeto deve gerar mudança concreta de vida.
Em resumo, meditar é “ruminar” uma verdade espiritual até que ela ilumine a inteligência, aqueça o coração e transforme a conduta.
3. Diferenças importantes
3.1. Oração vocal
É a oração feita com palavras, como fórmulas ou preces conhecidas.
Para Santa Teresa, a oração vocal deve ter atenção interior. Sem isso, vira apenas repetição mecânica, uma espécie de papagaio litúrgico.
3.2. Meditação
É oração mental discursiva.
Usa:
raciocínio;
memória;
imaginação;
reflexão;
afeto;
propósito de mudança.
3.3. Contemplação
É mais silenciosa, intuitiva e simples.
Na contemplação, a alma não discorre tanto. Ela olha, ama e repousa em Deus.
4. Objeto principal da meditação
4.1. A humanidade de Cristo
No pensamento teresiano, o centro da meditação é a humanidade de Jesus Cristo.
A meditação pode considerar:
Encarnação;
vida pública de Cristo;
pregação;
Paixão;
prisão de Jesus;
traição de Judas;
fuga dos apóstolos;
sofrimento redentor.
Santa Teresa rejeita a ideia de que, nos graus mais elevados da vida espiritual, seria necessário abandonar a humanidade de Cristo para buscar apenas uma espiritualidade “pura” ou abstrata.
Para ela, Cristo encarnado continua sendo o caminho.
5. Dificuldades na meditação
5.1. Nem todos conseguem meditar facilmente
A própria Santa Teresa teria passado 14 anos com dificuldade para meditar sem o auxílio de leitura.
5.2. Importância da leitura espiritual
A leitura ajuda a alma a se recolher.
Ela pode servir como preparação para a meditação, especialmente quando a pessoa tem dificuldade de concentrar-se.
Santa Teresa valorizava especialmente as palavras do Evangelho, que a recolhiam mais do que muitos livros espirituais.
6. Método carmelitano de meditação
6.1. Preparação
Colocar-se diante de Deus com humildade, adoração e desejo de sua presença.
6.2. Leitura
Ler um texto espiritual como alimento para a alma.
6.3. Meditação
Ruminar a verdade lida, deixando que ela ilumine a inteligência e mova a vontade.
6.4. Conclusão
Encerrar com:
ação de graças;
oferecimento;
súplica;
pedido de auxílio para cumprir as resoluções tomadas.
7. Visão de Garrigou-Lagrange
O dominicano Frei Reginaldo Garrigou-Lagrange, em As Três Idades da Vida Interior, relaciona a oração mental às virtudes teologais.
7.1. Fé
Receber humildemente a verdade revelada por Deus.
7.2. Esperança
Desejar a beleza divina contemplada.
7.3. Caridade
Amar a Deus de modo afetivo e efetivo.
A caridade aparece em dois sentidos:
Caridade afetiva
O amor interior, o ardor espiritual.
Caridade efetiva
A mudança prática da vida, fazendo a vontade de Deus e abandonando o pecado.
8. Perguntas dos alunos
8.1. Renan Cunha
Pergunta sobre a diferença entre meditação e oração mental.
Resposta:
A oração mental é um termo mais amplo. A meditação é uma forma específica de oração mental, caracterizada pelo uso discursivo da inteligência.
8.2. Luzia Aparecida Caetano
Pergunta se o terço é uma forma de meditação.
Resposta:
Sim, em sentido amplo. O rosário medita os mistérios da redenção, embora também seja chamado de contemplação dos mistérios.
8.3. Regina Lara Rezende
Pergunta sobre quando buscar um diretor espiritual.
Resposta:
Um bom diretor espiritual é raro. Deve ser alguém confiável, com conhecimento espiritual e sem reduzir tudo a psicologismo. Caso não se encontre um bom diretor, recomenda-se recorrer a bons livros e à tradição espiritual.
8.4. Cláudio Júnior
Pergunta se é necessário ir à missa todos os dias, rezar o terço e o breviário para chegar à oração interior.
Resposta:
A comunhão diária é apresentada como grande auxílio espiritual. A união real com Cristo na Eucaristia é considerada um meio poderoso para crescer na vida interior.
8.5. Carlos e Isaac
Perguntam sobre tomar São José como mestre de oração.
Resposta:
Significa confiar na assistência divina e dos santos quando não há direção humana adequada. Também se recomenda pedir ajuda ao Anjo da Guarda e aos santos.
9. Nomes citados
9.1. Santos, autores e figuras religiosas
Santa Teresa d’Ávila
Santa Teresinha do Menino Jesus
São José
São Bernardo
Santo Inácio de Loyola
São Francisco de Sales
São Pedro de Alcântara
Santo Afonso de Ligório
Cassiano
Hugo de São Vítor
Frei Luís de Granada
Frei Jerônimo Gracián
Frei Reginaldo Garrigou-Lagrange
Frei Pedro Paulo de Bernardino
Antonio Royo Marín
Padre Guirlanda
9.2. Filósofos citados
Sócrates
Platão
Aristóteles
10. Livros e obras citadas
10.1. Obras de Santa Teresa d’Ávila
Caminho de Perfeição
Livro da Vida
Castelo Interior
Moradas
10.2. Obras de outros autores
As Três Idades da Vida Interior — Frei Reginaldo Garrigou-Lagrange
Itinerário Espiritual de Santa Teresa d’Ávila — Frei Pedro Paulo de Bernardino
Teologia da Perfeição Cristã — Antonio Royo Marín
11. Conceitos e referências citadas
11.1. Conceitos espirituais
Meditação teresiana
Oração vocal
Oração mental
Oração afetiva
Contemplação
Oração de quietude
Recolhimento ativo
Recolhimento passivo
Lectio Divina
Humanidade de Cristo
Transverberação
Direção espiritual
Comunhão diária
Reforma de vida
11.2. Virtudes citadas
Fé
Esperança
Caridade
Humildade
Contrição
Adoração
Desapego
Caridade fraterna
12. Síntese final
A meditação teresiana é uma forma de oração mental que usa o intelecto e a vontade para contemplar uma verdade da fé, especialmente os mistérios da humanidade de Cristo. Ela não deve ficar apenas no pensamento, mas produzir afeto espiritual, resoluções concretas e reforma de vida.
Para Santa Teresa d’Ávila, a meditação prepara a alma para formas mais profundas de oração, como o recolhimento, a quietude e a contemplação. O ponto central permanece sempre o mesmo: amar mais a Deus e mudar de vida.
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