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22 outubro, 2025

[Lvr] Os Gêneros Literários: Seus Fundamentos Metafísicos (1993)


foto retirada da web.
Li a versão PDF.


 "Este livro apresenta uma nova maneira de colocar e resolver uma das questões mais polêmicas da teoria literária, a questão dos gêneros. Fundada nas doutrinas metafísicas hindus, sua abordagem permite solucionar de maneira eficiente a maior parte das contradições que ressurgem periodicamente no debate desse problema." (Sinopse)


Indicação do Olavo.


Muito útil e interessante.


Recomendo.


Abs!

***

Resumo objetivo

Tese central

  • O texto defende que os gêneros literários existem objetivamente e não são apenas convenções históricas ou classificações arbitrárias.

  • Para o autor, eles são “esquemas de possibilidades” da organização dos textos, isto é, estruturas fundamentais que orientam e limitam a criação literária.

Problema discutido

Dúvida principal

  • A questão é saber se os gêneros literários:

    • são realidades universais e necessárias, ou

    • são apenas rótulos mentais e convencionais criados depois das obras.

Posição criticada

  • O autor rejeita a ideia de que os gêneros não existam só porque muitas obras misturam formas ou escapam às classificações tradicionais.

  • Para ele, a mistura de gêneros não elimina os gêneros, apenas torna sua identificação mais difícil.


Fundamento filosófico

Base ontológica

  • O autor afirma que os gêneros derivam de leis ontológicas, não de preferências culturais passageiras.

  • A linguagem e a literatura, como manifestações humanas, obedecem às condições fundamentais da existência: tempo, espaço e número.

Consequência

  • Como toda expressão humana precisa assumir forma, e toda forma se organiza segundo essas condições, os gêneros literários surgem como modos necessários de estruturação da escrita.


Como os gêneros existem

Natureza dos gêneros

  • Os gêneros não existem como objetos concretos.

  • Também não são apenas abstrações inventadas depois.

  • Eles existem como possibilidades estruturais anteriores às obras, do mesmo modo que certas leis orientam o raciocínio ou a ação.

Função

  • Eles:

    • delimitam caminhos possíveis de composição;

    • impõem consequências internas à obra;

    • permitem julgar a coerência de um texto conforme sua própria forma.


Distinção básica: verso e prosa

Critério

  • A distinção entre verso e prosa é, para o autor, quantitativa:

    • verso = forma descontínua, ritmada, seccionada;

    • prosa = forma contínua, fluida.

Observação

  • Essa distinção é mais fundamental do que as interpretações puramente semânticas.

  • Portanto, verso e prosa são tratados como categorias gerais, capazes de abarcar todos os outros gêneros.


Divisão principal dos gêneros

1. Gêneros narrativos

  • Correspondem à dimensão do tempo.

  • São definidos pelo predomínio da sucessão temporal.

Espécies principais

  • Narrativa fática: relata fatos como acontecimentos irreversíveis.

    • Exemplos: testemunho, crônica, memórias, história.

  • Narrativa simbólica: apresenta acontecimentos como símbolos reatualizáveis.

    • Exemplos: drama, tragédia, comédia, mito, lenda, romance, conto, novela.

2. Gêneros expositivos

  • Correspondem à dimensão do espaço.

  • São definidos pela organização simultânea e lógica dos elementos.

Espécies principais

  • Didática / enciclopédica: tende à abrangência e inclusão.

  • Tratado: organiza sistematicamente um todo.

  • Ensaio: trata de uma parte ou aspecto.

  • Tese: insere uma parte num sistema já existente.

3. Gênero lírico

  • A lírica ocupa uma posição singular:

    • ela expressa mais diretamente o número, entendido como ordem, relação, articulação.

  • Por isso, aparece como forma mais pura da dimensão que articula tempo e espaço.


Ideias finais do texto

Mistura não destrói os gêneros

  • Mesmo quando uma obra combina formas diversas, os gêneros continuam atuando como princípios estruturais.

Diagnóstico cultural

  • A dificuldade moderna de reconhecer os gêneros não prova que eles desapareceram.

  • Para o autor, isso revela antes uma incapacidade contemporânea de perceber estruturas arquetípicas por trás da confusão empírica.


Síntese final

  • Os gêneros literários são apresentados como formas universais da expressão humana, fundadas nas condições ontológicas de tempo, espaço e número.

  • Eles não dependem de modas históricas.

  • As obras individuais podem misturá-los, deformá-los ou ocultá-los, mas não eliminá-los.

  • Assim, a literatura é vista como manifestação de estruturas permanentes que organizam as possibilidades da criação.


__________________________________________

Anexo - Obras indicadas :

  • René Wellek e Austin Warren, Theory of Literature, 3rd. ed. New York, Harcourt, Brace & World, 1956, pp. 226-227.

  • Mário Ferreira dos Santos, A Sabe-doria dos Princípios, São Paulo, Matese, 1968
  • Carlos Bousoño (Teoria de la Expresiõn Poética, 4a  ed., Madrid, Gredos, 1966, pp. 31-32)

  • Antônio José Saraiva, “Os Lusíadas e o ideal da epopéia”, em Para a História da Cultura em Portugal. 5a  ed. Lisboa, Bertrand, Vol.I, pp. 81 ss

  •  “Introdução ao conceito de ciências tradicionais”, em Astrologia e Religião, São Paulo, Nova Stella, 1987, Cap. IV

  • René Guénon, Les Principes du Calcul Infinitésimal, Paris, Gallimard, 1946, Cap. 1

  • René Guénon, Symboles de la Science Sacrée, Paris, Gallimard, 1962, Chap. VIII-XIII

  • René Guénon, Le Règne de la Quantité et les Signes des Temps, Paris, Gallimard, 1945, chap. XXX

  • Mário Ferreira dos Santos, A Sabedoria da Unidade, São Paulo, Matese, 1968

  • Titus Burckhardt, An Introduction to Sufi Doctrines, trad. inglesa, Wellingborough, Thorsons, 1976, Chap. VII

  • Frithjof Schuon, Forme et Substance dans les Réligions, Paris, Dervy-Livres, 1975, pp. 53-86.

  • Titus Burckhardt, Clef Spirituelle de l’Astrologie Mussulmane, Milano, Arché, 1978

  • Wassily Kandinsky, Point-Ligne-Plan. Contribution à l’Analyse des Élements Picturaux, Paris Denoel, 1970

  •  Jamil Sáfady, A Língua Árabe, São Paulo, Sáfady, 1950, p. 120. v

  • Louis Gardet, “Concepções muçulmanas sobre o tempo e a história”, em Paul Ricoeur et al., As Culturas e o Tempo, trad. brasileira, Petrópolis, Vozes, pp. 229-262,

  • Guida Nedda Barata Parreira Horta, Os Gregos e seu Idioma, Rio, di Giorgio, 1983, Vol. I, pp. 152-153.

  •  Eudoro de Souza, Horizonte e Complementaridade, São Paulo, Duas Cidades, 1978

  • Ananda K. Coomaraswamy, Les Temps et l’Eternité, trad. francesa, Paris, Dervy-Livres, 1976

  • René Guénon, La Grande Triade, Paris, Gallimard, 1957, chap. XXII.

  •  Mircea Eliade, Le Mythe de l’Eternel Retour. Archétypes et Répetition, Paris, Gallimard, 1969, Chaps. I e II.

  • Henry Corbin, En Islam Iranien. Aspects Spirituels et Philosophiques, Paris, Gallimard, 1971, t.I, pp. 167-185.



2 comentários:

  1. Nunca ouvi falar desse livro.
    O instituto de artes liberais deve ter falecido por inanição. Todos os recursos foram para os marxistas.
    Abraços

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    Respostas
    1. é provável
      esse texto foi republicado
      abs!
      https://www.amazon.com.br/Dial%C3%A9tica-Simb%C3%B3lica-Estudos-Reunidos/dp/8567394791/ref=sr_1_1?crid=2UPW0EHIES1I6&dib=eyJ2IjoiMSJ9.mEOMj8i8i8s1Ubnk8ORttK13PEE--TSs0U9ThQxRvys-csWLbNdoHsxg7VBgt9FhKn5sPyAMaDuQ23ucvEYMT0LGFSLhhU_qmkh6tZ-UD-pGH_WgiKzxcoM_JSuZPNAf7rY2b4O7PuJIKwoJFIXjSg.cuEvNJpV0-4jHm2786LbCo-_MaLVy2vHN64IH3VNCT4&dib_tag=se&keywords=dial%C3%A9tica+simb%C3%B3lica&qid=1761250388&sprefix=dialetica+s%2Caps%2C247&sr=8-1

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