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| foto retirada da web. Li a versão PDF. |
"Este livro apresenta uma nova maneira de colocar e resolver uma das questões mais polêmicas da teoria literária, a questão dos gêneros. Fundada nas doutrinas metafísicas hindus, sua abordagem permite solucionar de maneira eficiente a maior parte das contradições que ressurgem periodicamente no debate desse problema." (Sinopse)
Muito útil e interessante.
Recomendo.
Abs!
***
Resumo objetivo
Tese central
O texto defende que os gêneros literários existem objetivamente e não são apenas convenções históricas ou classificações arbitrárias.
Para o autor, eles são “esquemas de possibilidades” da organização dos textos, isto é, estruturas fundamentais que orientam e limitam a criação literária.
Problema discutido
Dúvida principal
A questão é saber se os gêneros literários:
são realidades universais e necessárias, ou
são apenas rótulos mentais e convencionais criados depois das obras.
Posição criticada
O autor rejeita a ideia de que os gêneros não existam só porque muitas obras misturam formas ou escapam às classificações tradicionais.
Para ele, a mistura de gêneros não elimina os gêneros, apenas torna sua identificação mais difícil.
Fundamento filosófico
Base ontológica
O autor afirma que os gêneros derivam de leis ontológicas, não de preferências culturais passageiras.
A linguagem e a literatura, como manifestações humanas, obedecem às condições fundamentais da existência: tempo, espaço e número.
Consequência
Como toda expressão humana precisa assumir forma, e toda forma se organiza segundo essas condições, os gêneros literários surgem como modos necessários de estruturação da escrita.
Como os gêneros existem
Natureza dos gêneros
Os gêneros não existem como objetos concretos.
Também não são apenas abstrações inventadas depois.
Eles existem como possibilidades estruturais anteriores às obras, do mesmo modo que certas leis orientam o raciocínio ou a ação.
Função
Eles:
delimitam caminhos possíveis de composição;
impõem consequências internas à obra;
permitem julgar a coerência de um texto conforme sua própria forma.
Distinção básica: verso e prosa
Critério
A distinção entre verso e prosa é, para o autor, quantitativa:
verso = forma descontínua, ritmada, seccionada;
prosa = forma contínua, fluida.
Observação
Essa distinção é mais fundamental do que as interpretações puramente semânticas.
Portanto, verso e prosa são tratados como categorias gerais, capazes de abarcar todos os outros gêneros.
Divisão principal dos gêneros
1. Gêneros narrativos
Correspondem à dimensão do tempo.
São definidos pelo predomínio da sucessão temporal.
Espécies principais
Narrativa fática: relata fatos como acontecimentos irreversíveis.
Exemplos: testemunho, crônica, memórias, história.
Narrativa simbólica: apresenta acontecimentos como símbolos reatualizáveis.
Exemplos: drama, tragédia, comédia, mito, lenda, romance, conto, novela.
2. Gêneros expositivos
Correspondem à dimensão do espaço.
São definidos pela organização simultânea e lógica dos elementos.
Espécies principais
Didática / enciclopédica: tende à abrangência e inclusão.
Tratado: organiza sistematicamente um todo.
Ensaio: trata de uma parte ou aspecto.
Tese: insere uma parte num sistema já existente.
3. Gênero lírico
A lírica ocupa uma posição singular:
ela expressa mais diretamente o número, entendido como ordem, relação, articulação.
Por isso, aparece como forma mais pura da dimensão que articula tempo e espaço.
Ideias finais do texto
Mistura não destrói os gêneros
Mesmo quando uma obra combina formas diversas, os gêneros continuam atuando como princípios estruturais.
Diagnóstico cultural
A dificuldade moderna de reconhecer os gêneros não prova que eles desapareceram.
Para o autor, isso revela antes uma incapacidade contemporânea de perceber estruturas arquetípicas por trás da confusão empírica.
Síntese final
Os gêneros literários são apresentados como formas universais da expressão humana, fundadas nas condições ontológicas de tempo, espaço e número.
Eles não dependem de modas históricas.
As obras individuais podem misturá-los, deformá-los ou ocultá-los, mas não eliminá-los.
Assim, a literatura é vista como manifestação de estruturas permanentes que organizam as possibilidades da criação.
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Anexo - Obras indicadas :
- René Wellek e Austin Warren, Theory of Literature, 3rd. ed. New York, Harcourt, Brace & World, 1956, pp. 226-227.
- Mário Ferreira dos Santos, A Sabe-doria dos Princípios, São Paulo, Matese, 1968
- Carlos Bousoño (Teoria de la Expresiõn Poética, 4a ed., Madrid, Gredos, 1966, pp. 31-32)
- Antônio José Saraiva, “Os Lusíadas e o ideal da epopéia”, em Para a História da Cultura em Portugal. 5a ed. Lisboa, Bertrand, Vol.I, pp. 81 ss
- “Introdução ao conceito de ciências tradicionais”, em Astrologia e Religião, São Paulo, Nova Stella, 1987, Cap. IV
- René Guénon, Les Principes du Calcul Infinitésimal, Paris, Gallimard, 1946, Cap. 1
- René Guénon, Symboles de la Science Sacrée, Paris, Gallimard, 1962, Chap. VIII-XIII
- René Guénon, Le Règne de la Quantité et les Signes des Temps, Paris, Gallimard, 1945, chap. XXX
- Mário Ferreira dos Santos, A Sabedoria da Unidade, São Paulo, Matese, 1968
- Titus Burckhardt, An Introduction to Sufi Doctrines, trad. inglesa, Wellingborough, Thorsons, 1976, Chap. VII
- Frithjof Schuon, Forme et Substance dans les Réligions, Paris, Dervy-Livres, 1975, pp. 53-86.
- Titus Burckhardt, Clef Spirituelle de l’Astrologie Mussulmane, Milano, Arché, 1978
- Wassily Kandinsky, Point-Ligne-Plan. Contribution à l’Analyse des Élements Picturaux, Paris Denoel, 1970
- Jamil Sáfady, A Língua Árabe, São Paulo, Sáfady, 1950, p. 120. v
- Louis Gardet, “Concepções muçulmanas sobre o tempo e a história”, em Paul Ricoeur et al., As Culturas e o Tempo, trad. brasileira, Petrópolis, Vozes, pp. 229-262,
- Guida Nedda Barata Parreira Horta, Os Gregos e seu Idioma, Rio, di Giorgio, 1983, Vol. I, pp. 152-153.
- Eudoro de Souza, Horizonte e Complementaridade, São Paulo, Duas Cidades, 1978
- Ananda K. Coomaraswamy, Les Temps et l’Eternité, trad. francesa, Paris, Dervy-Livres, 1976
- René Guénon, La Grande Triade, Paris, Gallimard, 1957, chap. XXII.
- Mircea Eliade, Le Mythe de l’Eternel Retour. Archétypes et Répetition, Paris, Gallimard, 1969, Chaps. I e II.
- Henry Corbin, En Islam Iranien. Aspects Spirituels et Philosophiques, Paris, Gallimard, 1971, t.I, pp. 167-185.

Nunca ouvi falar desse livro.
ResponderExcluirO instituto de artes liberais deve ter falecido por inanição. Todos os recursos foram para os marxistas.
Abraços
é provável
Excluiresse texto foi republicado
abs!
https://www.amazon.com.br/Dial%C3%A9tica-Simb%C3%B3lica-Estudos-Reunidos/dp/8567394791/ref=sr_1_1?crid=2UPW0EHIES1I6&dib=eyJ2IjoiMSJ9.mEOMj8i8i8s1Ubnk8ORttK13PEE--TSs0U9ThQxRvys-csWLbNdoHsxg7VBgt9FhKn5sPyAMaDuQ23ucvEYMT0LGFSLhhU_qmkh6tZ-UD-pGH_WgiKzxcoM_JSuZPNAf7rY2b4O7PuJIKwoJFIXjSg.cuEvNJpV0-4jHm2786LbCo-_MaLVy2vHN64IH3VNCT4&dib_tag=se&keywords=dial%C3%A9tica+simb%C3%B3lica&qid=1761250388&sprefix=dialetica+s%2Caps%2C247&sr=8-1