Introdução
"O traçado da Ilíada é complicado, sendo mais dificilmente apreendida a ideia fundamental, que empresta unidade ao poema. Tendo tomado como tema um episódio secundário, secundaríssimo, que dura apenas alguns dias numa campanha de dez anos, como seja a rixa entre os dois chefes Aquivos, por causa de uma escrava, conseguiu Homero, de fato, apresentar-nos em painéis gigantescos toda a Guerra de Troia, cujos acontecimentos nos são rememorados com habilidade nos primeiros cantos, ficando-nos, no fim da leitura do poema, que termina com a morte e os funerais de Heitor"
Outra dificuldade da leitura é minha falta de conhecimento profundo da mitologia grega, a qual a Ilíada faz muitíssimas referências. Essa camada do texto permanece um tanto quanto inacessível para mim.
"É necessário, com ânimo firme, levar para o túmulo os que tombaram, chorando-os apenas o espaço de um dia. "
Conclusão
De toda sorte, se eu pudesse resumir, diria que é uma poema que narra uma batalha épica entre duas potência gregas da antiguidade. Uma guerra que começou por causa de um adultério (ou pela vontade dos deuses) e ceifou a vida dos maiores heróis dessa época ao longo de uma década.
"O traçado da Odisseia é de mais fácil apreensão, e, digamos, artisticamente de melhor planejamento, pela disposição concêntrica, em que o próprio herói do poema relata suas aventuras durante os dez anos de peregrinação, no empenho de retornar para a pátria, depois de conquistada, saqueada e destruída Troia, "e de terem sido massacrados ou vendidos como escravos seus moradores.
- Dânaos: em Homero, temos vários nomes para designar os gregos genericamente: dânaos, aqueus (ou aquivos ou acaios), argivos e helenos
Resumo objetivo da Ilíada
1. Contexto geral
1.1 Situação da guerra
A narrativa acompanha apenas alguns dias do nono ano da Guerra de Troia.
O conflito começou porque Páris levou Helena, esposa de Menelau, o que levou os gregos a organizarem uma grande expedição contra Troia.
1.2 Tema central
O foco principal do poema não é toda a guerra, mas a ira de Aquiles e as consequências dessa ira para gregos e troianos.
2. Início do conflito central
2.1 A ruptura entre Aquiles e Agamêmnone
Agamêmnone ofende Crises, sacerdote de Apolo, e uma peste atinge o exército grego.
Para acabar com a peste, Criseida é devolvida, mas Agamêmnone toma Briseida, escrava de Aquiles.
Sentindo-se desonrado, Aquiles abandona o combate.
Tétis, mãe de Aquiles, pede a Zeus que favoreça os troianos para mostrar a falta que o herói faz aos gregos.
3. Avanço da guerra sem Aquiles
3.1 Oscilação entre gregos e troianos
Sem Aquiles, a guerra continua com várias batalhas, duelos e intervenções divinas.
Páris enfrenta Menelau, mas é salvo por Afrodite.
O juramento entre gregos e troianos é quebrado, e a guerra recomeça.
Diomedes se destaca em combate, chegando a ferir até divindades.
Heitor aparece como o principal defensor de Troia.
3.2 Heitor como herói troiano
Heitor repreende Páris por sua irresponsabilidade.
Em seu encontro com Andrômaca, fica claro que ele luta por honra, dever e defesa da cidade, mesmo sabendo que Troia pode cair.
4. Crise dos gregos
4.1 Derrotas e desespero
Zeus favorece os troianos, que empurram os gregos até os navios.
Os chefes gregos tentam convencer Aquiles a voltar, oferecendo presentes e reparação.
Aquiles recusa, mantendo sua ira acima do interesse coletivo. Coisa bem humana: perder a guerra, mas preservar o orgulho.
5. A virada com Pátroclo
5.1 Entrada de Pátroclo na guerra
Como os gregos estão perto da derrota, Pátroclo pede a armadura de Aquiles para lutar no lugar dele.
Aquiles permite, mas manda que ele apenas afaste os troianos dos navios e não avance além disso.
5.2 Morte de Pátroclo
Pátroclo obtém grande sucesso e faz os troianos recuarem.
No entanto, ultrapassa o limite imposto por Aquiles.
Apolo o enfraquece, e Heitor o mata.
Antes de morrer, Pátroclo anuncia que Heitor também morrerá pelas mãos de Aquiles.
6. Retorno de Aquiles
6.1 Luto e reconciliação
Aquiles entra em desespero com a morte de Pátroclo.
Tétis pede a Hefesto novas armas para o filho.
Aquiles se reconcilia com Agamêmnone, recebe de volta Briseida e os presentes, e decide voltar à batalha.
6.2 Nova motivação
A ira de Aquiles deixa de ser dirigida apenas contra Agamêmnone e passa a se concentrar em vingar Pátroclo.
7. Fúria de Aquiles
7.1 Devastação no campo de batalha
De volta ao combate, Aquiles massacra os troianos.
Os deuses voltam a intervir diretamente.
Até a natureza entra em conflito com ele, como na luta contra o rio Xanto.
7.2 Morte de Heitor
Heitor permanece fora das muralhas de Troia e enfrenta Aquiles.
Após persegui-lo ao redor da cidade, Aquiles o mata.
Em seguida, ultraja seu corpo, arrastando-o junto aos navios gregos.
8. Desfecho
8.1 Jogos fúnebres e persistência da dor
Aquiles realiza os jogos fúnebres em honra de Pátroclo.
Mesmo após a vingança, sua dor não desaparece.
8.2 Resgate do corpo de Heitor
Os deuses condenam o ultraje ao cadáver de Heitor.
Príamo vai até a tenda de Aquiles para pedir o corpo do filho.
Comovido, Aquiles aceita o resgate e devolve o cadáver.
O poema termina com os funerais de Heitor, não com a queda de Troia. Esse detalhe costuma escapar porque a humanidade adora confundir fama com leitura.
Ideias principais da obra
1. Ira e honra
A ira de Aquiles move os acontecimentos centrais do poema.
2. Guerra e sofrimento
A guerra aparece como fonte de morte, destruição e dor para todos os lados.
3. Heroísmo e destino
Os heróis lutam por glória, mas todos estão submetidos ao destino.
4. Humanização dos inimigos
Embora haja confronto entre gregos e troianos, o poema mostra grandeza e sofrimento em ambos os lados, sobretudo em Heitor, Andrômaca, Príamo e Aquiles.


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