“A Oréstia é simultaneamente tragédia familiar, política e religiosa: na família de Agamêmnon e Clitemnestra, a lei bárbara da vingança a leva ao assassínio e à loucura; mas no julgamento de Orestes pelo Aerópago, o tribunal do Estado, vencem os novos deuses da cidade sobre as divindades noturnas. As ‘fúrias’ se transformam em ‘eumênides’ e esse eufemismo religioso é a sanção religiosa do novo direito. A Oréstia é a maior tragédia política de todos os tempos. Mas não é só isso”. (Otto Maria Carpeaux)
"Neste segundo volume da série, é apresentada a edição conjunta das três peças que formam a trilogia "Oréstia", do filósofo Ésquilo. As notas e a introdução do tradutor fornecem argumentos e antecedentes de cada peça, dando ao leitor o embasamento necessário para leitura do volume.
- "Agamêmnon" baseia-se na volta vitoriosa do herói à Argos, após ter vencido a guerra de Tróia e vingado a honra de seu irmão Menelau, marido de Helena, que havia fugido com Páris. A esposa de Agamênon, Climnestra, por sua vez, também o trai, e arquiteta o assassinato do marido com o amante.
- Em "Coéforas", Orestes e Electra, filhos de Agamêmnon, vingam sua morte, matando a mãe e seu amante. A ira de Climnestra é materilizada nas Fúrias, vistas somente por Orestes, são as responsáveis por sua loucura em "Eumênides".
- Ainda na última peça, Orestes é julgado pelo seu crime pela Deusa Atenas que proclama que o tribunal - o primeiro a julgar um crime de homicídio - fica instituído para sempre." (sinopse)
Clássico essencial
peças curtas e fáceis de ler. Essa edição tem várias notas do tradutor, o que facilita muito na hora de ler termos obscuros.
As primeira duas peças são bem interessantes e a última é um pouco sem graça, ainda que de grande importância simbólica para a Ciência do Direito.
Leitura absolutamente necessária.
abs!
1. Contexto Geral da Obra
Autor: Ésquilo, considerado um dos principais dramaturgos da tragédia grega.
Obra: Eumênides, terceira peça da trilogia Oréstia.
Tema central da trilogia:
O destino da família de Agamêmnon.
O conflito entre vingança e justiça.
Importância:
Representa a transição da justiça baseada na vingança para a justiça institucionalizada.
2. Ideias Fundamentais de Ésquilo
O destino humano é conduzido por forças divinas.
A hereditariedade influencia o destino, especialmente por meio de maldições familiares.
Os deuses punem a hybris (orgulho excessivo).
O foco não está no indivíduo, mas no destino coletivo.
3. Origem do Conflito (Maldição dos Átridas)
A maldição tem início com Pélops, após um ato de traição seguido de assassinato.
A partir disso, surgem conflitos sucessivos na família:
Disputa entre Atreu e Tiestes.
Sequência de crimes marcados por vingança e traição.
Esse ciclo culmina em:
O sacrifício de Ifigênia por Agamêmnon.
O assassinato de Agamêmnon por Clitemnestra.
O matricídio cometido por Orestes para vingar o pai.
4. Situação Inicial de “Eumênides”
Orestes passa a ser perseguido pelas Fúrias (Eríneas), divindades que punem crimes de sangue dentro da família.
Ele busca refúgio no templo de Apolo.
Apolo o protege e o orienta a ir até Atenas para ser julgado.
5. Conflito Central
Fúrias:
Defendem a justiça tradicional baseada na vingança.
Consideram o matricídio um crime imperdoável.
Apolo:
Defende Orestes, afirmando que ele agiu sob ordem divina.
Conflito:
Oposição entre a justiça antiga (vingança) e a nova (julgamento racional).
6. Intervenção de Atena
Atena decide criar um tribunal (Areópago) para julgar o caso.
Introduz um novo modelo de justiça:
Baseado em julgamento coletivo.
Sustentado por critérios racionais.
7. Significado da Transformação
As Fúrias são transformadas em Eumênides (“benevolentes”).
Essa mudança representa:
A incorporação da vingança ao sistema legal.
A legitimação religiosa da justiça estatal.
Como resultado:
A vingança é substituída por um sistema jurídico organizado.
8. Temas Principais
Justiça versus vingança.
Destino versus livre-arbítrio.
Ordem divina versus ordem humana.
Evolução social: da barbárie à civilização.
9. Conclusão
A obra simboliza a fundação de uma justiça racional e coletiva.
Representa a passagem de um sistema baseado na vingança para outro fundamentado em leis e tribunais.
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| acervo pessoal |
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