22 outubro, 2023

[Curso] Os Quatro Temperamentos (2019)

 


Intro

"O objetivo deste curso é justamente preencher essa lacuna, deixada aberta por muitas abordagens modernas deste tema, explicando de modo claro, direto e bastante prático qual é o papel do temperamento na vida espiritual e o que cada um de nós — coléricos ou sanguíneos, melancólicos ou fleumáticos — pode fazer para vencer-se a si mesmo e pôr ao serviço de Deus as boas disposições do próprio temperamento."


Aprendi muita coisa sobre mim mesmo nesse curso, mas acho que vou refaze-lo algum dia no futuro, pois tem muitos detalhes e precisa de mais maturidade intelectual da minha parte.


Trechos

Introdução

por mais que cada indivíduo tenha seus traços temperamentais, que tendem a permanecer estáveis ao longo da vida, não existe uma pré-determinação biológica que impeça esta ou aquela pessoa de vencer os aspectos negativos do seu temperamento ou de adquirir, com esforço e constância, as boas qualidades que comumente caracterizam outros tipos temperamentais.

Antecedentes históricos

 A doutrina dos temperamentos é de origem antiga. Seu antecedente remoto é o médico grego Hipócrates, que no séc. IV a.C. formulou a teoria dos quatro humores ou fluidos corporais. Para Hipócrates, haveria no corpo humano, em proporções mais ou menos iguais, quatro tipos de líquidos: o sangue, a bílis negra (ou atrabílis), a bílis amarela e a fleuma, de sorte que as doenças físicas seriam consequência de um desequilíbrio entre eles. 

Definição

O temperamento, de acordo com o Pe. Antonio Royo Marín, pode ser caracterizado como “o conjunto de inclinações íntimas que brotam da constituição fisiológica de um homem”

Divisão

Colérico. É facilmente excitável, sua reação é intensa e exuberante e a impressão tende a durar muito tempo. Suas emoções são fortes e profundas, como um fogo que se acende rápido, se expande com violência e não se deixa apagar.

Sanguíneo. Como o colérico, é facilmente excitável, reage também com intensidade, mas tende à superficialidade, quer dizer, nele a impressão costuma durar pouco. A resposta é rápida, mas logo se esvai, como um fogo que se acende de imediato, impetuoso e ardente, mas que se apaga logo em seguida. É o típico “fogo de palha”.

Melancólico. É pouco excitável, sua reação é, por via de regra, pouco intensa, mas muito profunda e perdurável. Sua resposta é lenta, mas deixa na alma um sulco permanente. É como uma fogueira difícil de acender, mas que, quando acesa, dificilmente se apaga. Por isso, tende a não se esquecer, às vezes por anos a fio, de uma ofensa ou desentendimento ocorrido na infância ou na adolescência.

Fleumático. É pouco ou quase nada excitável, razão por que é de pouca intensidade a sua reação, quase sempre volátil e superficial. É como um fogo que custa acender e, mesmo depois de aceso, se apaga com a primeira lufada. 


Apetite sensitivo

Em geral, chamamos apetite à inclinação de algo a uma coisa que lhe é conveniente. O objeto, pois, de um apetite é o bem, dado que o bem, por definição, é o que convém ao apetite: “Appetitui conveniens”. Ora, o chamado apetite sensitivo nada mais é do que aquele tipo de apetite que se inclina a um bem apreendido pelos sentidos, o que supõe, obviamente, o conhecimento sensível deste bem e implica, ademais, a natureza orgânica de tal potência. 

O apetite sensitivo, por sua vez, divide-se em concupiscível e irascível, porque são dois os modos fundamentais de relacionar-se com um bem apreendido sensorialmente. Este bem, com efeito, pode ser apreendido como conveniente aos sentidos, ou seja, como deleitável, por estar presente ou ser de fácil aquisição. Neste primeiro caso, o que entra em movimento é o apetite concupiscível. Cabe também a possibilidade de que o bem seja apreendido, não como um prazer fácil e imediato, mas como algo que, apesar de valioso, é árduo, difícil de conseguir. Neste segundo caso, o que entra em movimento é o apetite irascível.

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Que ninguém pense, repitamos uma e outra vez, estar condenado a não ser santo por ter um temperamento determinado, mas tampouco tenhamos a ingenuidade de pensar que um dia poderá alcançar a santidade quem não tiver um conhecimento mínimo e realista do próprio temperamento, respeitando-lhe a dinâmica específica e corrigindo as qualidades negativas. Não somos iguais, e é por isso que temos de conhecer o que temos de peculiar, seja para usá-lo proveitosamente, seja para corrigi-lo sabiamente.

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Vejamos, pois, a título de conclusão, quais são as características principais de cada um dos temperamentos, segundo o grau de excitabilidade e a durabilidade das impressões.

Colérico. É facilmente excitável, sua reação é intensa e exuberante e a impressão tende a durar muito tempo. Suas emoções são fortes e profundas, como um fogo que se acende rápido, se expande com violência e não se deixa apagar.

Sanguíneo. Como o colérico, é facilmente excitável, reage também com intensidade, mas tende à superficialidade, quer dizer, nele a impressão costuma durar pouco. A resposta é rápida, mas logo se esvai, como um fogo que se acende de imediato, impetuoso e ardente, mas que se apaga logo em seguida. É o típico “fogo de palha”.

Melancólico. É pouco excitável, sua reação é, por via de regra, pouco intensa, mas muito profunda e perdurável. Sua resposta é lenta, mas deixa na alma um sulco permanente. É como uma fogueira difícil de acender, mas que, quando acesa, dificilmente se apaga. Por isso, tende a não se esquecer, às vezes por anos a fio, de uma ofensa ou desentendimento ocorrido na infância ou na adolescência.

Fleumático. É pouco ou quase nada excitável, razão por que é de pouca intensidade a sua reação, quase sempre volátil e superficial. É como um fogo que custa acender e, mesmo depois de aceso, se apaga com a primeira lufada. 

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Como se vê, conhecer o próprio temperamento é um meio para reconhecermos o nosso defeito e qualidade dominantes. Sem isso, ser-nos-á extremamente difícil, senão impossível, progredir na vida espiritual. Não tenhamos a ingenuidade de pensar que somos reféns e vítimas do nosso temperamento: este não é mais que um indício das tendências que temos e, por isso mesmo, uma via aberta à possibilidade de mudarmos para melhor o que somos. Não é uma desculpa para justificarmos nossos defeitos, mas um convite a conservarmos o que temos de bom e corrigirmos o que temos de mau.


Conclusão


Muito bom.

Recomendo.

abs!


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Referências bibliográficas

  • Pe. John Brucciani, Os Quatro Temperamentos. Trad. port. de Leticia Ferreira da Costa. Permanência, n. 270, Tempo de Pentecostes, 2013, pp. 40-101.
  • Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, Las tres edades de la vida interior. Trad. esp. de Leandro de Sesma. 3.ª ed., Buenos Aires: Desclée du Brouwer, 1950.
  • Conrado Hock, Los cuatro temperamentos. México: Apóstoles de la Palabra, 2010.
  • Fr. Christian Kappes. The Choleric Temperament and the Catholic Soul. The Latin Mass Magazine, Advent/Christmas 2005, pp. 16-19.
  • ______. The Melancholic Temperament and the Catholic Soul. The Latin Mass Magazine, Fall 2005, pp. 18-22.
  • Fr. Christian Kappes. The Phlegmatic Temperament and the Catholic Soul. The Latin Mass Magazine, Winter 2007, pp. 12-14.
  • Fr. Christian Kappes. The Sanguine Temperament and the Catholic Soul. The Latin Mass Magazine, Summer 2006, pp. 20-22.
  • Pe. Antonio Royo Marín, Teología de la perfección cristiana. 4.ª ed., Madrid: BAC, 1962.
  • Adolphe Tanquerey, Compêndio de teologia ascética e mística. Trad. port. de João F. Fonte. 4.ª ed., Porto: Apostolado da Imprensa, 1948.

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