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01 agosto, 2024

[Curso] História da Igreja Antiga (2014)

 



1 - Intro

Aprendi muita coisa importante.

Só fazendo cursos desse tipo pra me salvar do apagão intelectual brasileiro.


2 - Apresentação do curso


A Igreja Católica não é uma mera instituição humana, como uma agremiação formada por pessoas com um objetivo comum. Não. Ela é infinitamente mais do que isso. É tão grande a sua dimensão e abrangência, física e espiritual, que é possível designá-la como um mistério.


Mas como, então, poderia o homem comum conhecê-la? Como alcançar a sua grandeza? Este curso propõe que a História da Igreja seja aprendida tendo diante dos olhos um ingrediente fundamental: a fé. Diferentemente de outros objetos dessa disciplina, por ser a Igreja um mistério, estudá-la prescindindo de sua dimensão transcendente criaria apenas uma caricatura, um simulacro do que ela realmente é.


Ora, um método seguro para conhecê-la é encontrá-la na vida de pessoas que a amaram e buscaram tanto que se configuraram completamente à sua Cabeça, que é o próprio Cristo. A vida dos grandes santos que compõem a Igreja Triunfante, portanto, será o alicerce para o estudo da sua história, dividida em 15 aulas ao longo das quais Padre Paulo Ricardo explica o nascimento e os primeiros passos da Santa Igreja Católica.

3 - Resumo

Introdução

1 - Igreja: continuidade histórica da Encarnação de Cristo - A História da Igreja, diferentemente de outros objetos de estudo, requer para sua compreensão plena um esforço prévio. Isso ocorre devido à natureza complexa da Igreja. Ela não é meramente uma instituição humana, que pode ser entendida somente no âmbito humano. Não é uma agremiação, um grupo de pessoas unidas em sociedade com um fim específico. Não. A Igreja é um mistério e, se este for perdido de vista, a história que dele deriva será apenas uma caricatura.

O núcleo da história da Igreja está na vida dos santos, no fato de Cristo viver nesses homens, os quais são a continuação da Sua Encarnação. Porém, não se deve estudar sem fé, pois isso é perder de vista o objeto a ser estudado. É preciso ter fé na Igreja de Cristo, só assim é possível estudar essa história fascinante de Cristo Encarnado ao longo da história da Humanidade.


2 - O surgimento das ideologias anticristãs - A Revolução Francesa (1789) não foi um fenômeno espontâneo, pelo contrário, foi preparada tanto política quanto ideologicamente. Para compreendê-la é preciso estudar o que a antecedeu e os seus bastidores. Comprovadamente, existe uma vasta documentação dando conta que pseudointelectuais, falsos filósofos foram "comprados" por um grupo de banqueiros, a então chamada 'burguesia', para criar um movimento ideológico que tornasse possível a derrubada da monarquia, pois não havia outro modo de eles chegarem ao poder.

A carne, o mundo e o demônio são os três inimigos do homens e também da Igreja. Existe a força da concupiscência nos membros da Igreja, existe a mundanidade dentro da Igreja e também existe a ação demoníaca. Mas não só isso, existe a ação do Espírito Santo, a presença de Graça, a certeza de que Deus conduz a sua Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo previa isso na Última Ceia: "odiaram a mim, odiarão também a vós", (conf. Jo 15,18).


Do século I ao século III


3 - O Império Romano e a expansão do Cristianismo - O nascimento e a rápida expansão do Cristianismo só foi possível pela conjunção de alguns fatores. Dentre eles está a situação do Império Romano.


4 - A perseguição dos cristãos pelo Império Romano - O cristianismo começou a ser perseguido pelos judeus. A chamada excomunhão dos cristãos deu-se porque os cristãos foram considerados traidores do judaísmo. Todavia, a perseguição ganhou relevância história somente quando passou a ser feita pelos imperadores romanos. Ela se encerrou no ano de 313 d.C, quando Constantino tornou-se o primeiro imperador romano assinou o Édito de Milão.

A perserguição durou cerca de três séculos, porém, em diferentes intensidades. Num primeiro momento foi dirigida aos líderes dos cristãos, depois passou para os leigos e isso ocorreu após a ordem do imperador Septímio Severo, o qual decretou que todos os cristãos, cidadãos do império romano, deveriam render culto e oferecer sacrifícios ao novo ídolo, o imperador, o qual seria portador da centelha divina. Isso seria comprovado pela emissão de um libelo, espécie de atestado.

5 - A heresia gnóstica - Em sua obra “A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires”, Daniel-Rops descreveu o gnosticismo, também chamado de heresia do conhecimento, da seguinte forma:

“O gnosticismo apoiava-se em duas idéias: a da sublime elevação de Deus, idéia tomada dos judeus dos tempos mais próximos, para quem Javé se tornara infinitamente longínquo e misterioso - o Poder, o Grande Silêncio, o Abismo -, e a miséria infinita do homem e da sua abjeção. Mostrava-se obsessionado por dois problemas, exatamente os mesmos que hoje continuam a prender a atenção das inteligências: o da origem da matéria e da vida, obras tão visivelmente imperfeitas de um Deus que se diz perfeito, e o do mal no homem e no universo. [...] Deus, único e perfeito, está absolutamente separado dos seres de carne. Entre Ele e esses seres, há outros seres intermediários, os éones que emanam dEle por via da degradação; os primeiros assemelham-se a Deus por terem sido gerados por Ele, mas por sua vez geram outros menos puros, e assim sucessivamente. Cálculos esotéricos de números permitiam dizer quantas classes de éones havia, e o conjunto formava o mundo completo, os trezentos e sesseta e cinco graus, o pleroma.” (p.284; 285)

“No meio da série, um éon cometeu uma falta: tentou ultrapassar os limites ontológicos e igualar-se a Deus. Expulso do mundo espiritual, foi obrigado a viver a sua descendência no universo intermediário, e foi na sua revolta que ele criou o mundo material, obra má e marcada pelo pecado. A este éon prevaricador alguns gnósticos chamam Demiurgo, e outros o identificam com o Deus criador da Bíblia.” (p.285)

“Que acontece ao homem nestas perspectivas? Em si, ele não é integralmente mau, visto que, como suprema emanação do éon, contém uma centelha divina, um elemento espiritual cativo na matéria e que aspira a ser libertado. A falta é existir; o mal é a vida. Aqueles que se contentam com existir, os ‘hílicos’ ou ‘materiais’, estão rigorosamente perdidos; aqueles que empreendem pela gnose o caminho da salvação, os ‘psíquicos’, podem avançar rumo à paz divina; aqueles que renunciaram a toda a vida, os ‘espirituais’, iniciados superiores e almas muito elevadas, são os que se salvam.” (p.285)


Um outro fator explorado por Santo Irineu de Lyon no combate às heresias, especialmente ao gnosticismo, foi a chamada 

Deste modo, com os três pilares descritos: os bispos (sucessão apostólica), a regula fidei e a Sagrada Escritura, a Igreja foi respondendo aos poucos a grave dificuldade em que se constituiu a heresia gnóstica


Obs.: Regula Fidei, ou seja, a Regra de Fé, a reafirmação da fé primeira de que Deus é um só e é Ele o criador do céu e da terra. Não há outro Deus e se o mundo está mal, não é por causa da matéria - que é boa -, mas por causa do diabo, seus demônios e dos próprios homens. Para a Igreja Católica o pecado não tem origem na matéria.


6 - A heresia gnóstica nos dias atuais - No passado, o gnosticismo atribuía os problemas e a maldade do mundo ao Demiurgo. Atualmente, a culpa de tudo é do sistema. Um exemplo muito claro é o pensamento marxista, eminentemente gnóstico. As injustiças do mundo são explicadas por ele por meio da ideologia (um sistema de ideias confeccionado para alienar as pessoas, fazendo com que elas não enxerguem o mundo de verdade; fiquem aprisionadas no sistema de pensamento). A libertação se dá quando a pessoa conhece a teoria crítica do marxismo, nesse momento ela se livra das amarras do sistema. Típico esquema gnóstico.

Na filosofia, todo o pensamento hegeliano é gnóstico (tese - antítese, negativo-positivo). A gnose de Hegel entrou para influenciar o cristianismo, por meio de um psicólogo também gnóstico, chamado Carl Gustav Jung, o qual critica o cristianismo, pois ele teria abolido o negativo da divindade. Tanto para Jung quanto para Hegel, Deus tem que ter o negativo e o positivo, por isso Satanás faz parte da divindade, mais que isso, é o princípio mais dinâmico e ativo dela, muito mais que o Deus que os cristãos castraram tirando toda a sua potência.


7 - A perseguição aos cristãos e o imperador Constantino - A perseguição mais sangrenta enfrentada pelo cristianismo foi a de Diocleciano. Ela deu início à era dos mártires e, por pouco, não extinguiu os cristãos. Mas Deus, em sua providência, utilizou-se de Constantino para pôr um fim à violência e fazer nascer um tempo de paz para a Igreja.



Do século IV ao século V


8 - O Edito de Milão e a Heresia Ariana - Daniel-Rops explica o pensamento ariano da seguinte forma:

Como todas as heresias, partia de uma idéia justa: a da grandeza sublime e inefável de Deus. Único, não gerado, Deus é "Aquele que é", como já dizia o Antigo Testamento, o Ser absoluto, o Poder e a Eternidade absolutos. Até aqui tudo estava certo. Mas Ário acrescentava: "Deus é incomunicável, porque se se pudesse comunicar, teríamos de considerá-lo um ser composto, suscetível de divisões e mudanças", dedução que só a imprecisão dos termos tornava aceitável. Ora, continuava Ário, se Ele fosse composto, mutável e divisível, seria mais ou menos corporal; mas isso não pode ser, donde se conclui que é sem dúvida incomunicável e que, fora dEle, tudo é criatura, incluído Cristo, o Verbo de Deus. Aqui está o ponto exato em que se situa o erro: Jesus, o Cristo, o Filho, não é Deus como Pai; não é seu igual nem é da mesma natureza que Ele. Entre Deus e Cristo abre-se um abismo, o abismo que separa o finito do infinito. (p. 448)

Constantino convocou o primeiro concílio ecumênico da história da Igreja: o Concílio de Nicéia.

A discussão mais importante do Concílio versou sobre a Redenção. O diácono Atanásio colocou a questão em discussão nos seguintes termos: "a Redenção não terá sentido se não for o próprio Deus quem se tenha feito homem, se Cristo não for ao mesmo tempo verdadeiro Deus e verdadeiro homem." E mais, "o Filho não é uma criatura; existiu sempre e sempre se conservou ao lado de seu Pai, unido a Ele, distinto mas inseparável; foi sempre infalível e perfeito." O Concílio exprimiu este fato dizendo que "o Filho é consubstancial ao Pai."


9 - O Patriarca Invisível e a defesa da ortodoxia da fé - A heresia ariana estendeu seus tentáculos até os pilares da fé católica. Pôs em xeque a própria natureza da Redenção ao questionar a divindade de Jesus. Seu veneno escorreu por todo o mundo cristão, mas, embora tenha chegado até os estertores, a Igreja não só sobreviveu como foi robustecida por essa grande luta. Saiu mais forte da batalha graças à coragem e destemor de grandes homens, dispostos a dar o sangue, se necessário fosse, para defender a ortodoxia da fé.

A luta maior de Atanásio foi, sem dúvida, contra o arianismo. 

Depois de muitas peripécias, no ano de 360 subiu ao trono o Imperador Juliano, o Apóstata. Ele quis reintroduzir o paganismo no Império Romano, de modo que levando o exílio de Atanásio, pois achou que os cristãos se matariam mutuamente. Contudo, o tiro saiu pela culatra pois Atanásio, com sua eloquência, estava convertendo para a Igreja os pagãos. Mandou-o para o penúltimo exílio. Atanásio morreu rodeado pelo seu clero em 373 e "era certamente o homem mais célebre, a autoridade mais notável de toda a Igreja." (466)


10 - Os Padres Capadócios -  A Igreja viveu tempos difíceis com a propagação do pensamento ariano. Embora tenha havido uma aparente vitória da fé trinitária com o Concílio de Niceia, a heresia permaneceu latente e tão logo a reunião se encerrou, as forças arianas voltaram a agir na surdina. Eusébio de Nicomédia, ariano convicto, conseguiu convencer o Imperador Constantino de que a decisão de Niceia não havia sido a melhor. Suscetível a opiniões como era, Constantino mudou de lado, e com ele o episcopado católico. Não sem razão foi nesse momento que São Jerônimo afirmou que o mundo dormiu católico e acordou ariano. O Império tornara-se ariano.

Após a derrota do Imperador Valente na batalha de Adriópolis, sobe ao trono Teodósio, católico que promulgou o Edito de Tessalônica, implantando novamente a fé católica no Império Romano. Ao chegar em Constantinopla notou que uma reviravolta havia ocorrido e aqueles que eram arianos tinham voltado a ser católicos, o que denota a fragilidade da doutrina ariana. Teodósio convoca o Concílio de Constantinopla, inicialmente do "Oriente", mas que depois foi reconhecido como ecumênico. Na mesma época foi realizado um concílio equivalente no Ocidente, na cidade de Aquiléia, na região norte da Itália, quase na fronteira com a antiga Iuguslávia. Os dois concílios atestam a fé católica claramente dizendo que não somente o filho é consubstancial ao pai, portanto Deus, mas que o Espírito Santo também é Deus. O Concílio corroborou a argumentação dos Padres Capadócios.



11 - Santo Antão e São Bento, os gigantes da vida monástica - O tema da aula de hoje será o surgimento da vida monástica em meados do século III no Oriente e VI no Ocidente. Ela foi propagandeada, por assim dizer, no Ocidente através de Santo Atanásio em um de seus exílios, quando foi para Trier, na Alemanha e depois para Roma. Nessas ocasiões, ele noticiou a existência de vários homens santos, que viviam no deserto do Egito e que dedicavam a vida a Deus. Mais tarde, ele escreveu a vida do mais famosos desses homens, Santo Antão e, por meio dessa biografia, escrita originalmente em grego, mas depois traduzida para o latim, é que a vida monástica se difundiu no Ocidente.

Finalmente, no século VI surge a grande figura de São Bento de Núrsia, o qual codificou no Ocidente a regra que se tornou a regra monástica por excelência. Assim, enquanto no Ocidente, as experiência dos Padres do Deserto foram codificadas ainda no século IV, com São Basílio Magno, no Ocidente, embora várias tentativas tenham sido empreendidas nesse sentido, aquela que conseguiu mostrar equilíbrio e colocar sua marca no Ocidente foi a beneditina.


12 - São João Crisóstomo e o Império Bizantino - O espírito bizantino caracteriza-se por uma mistura de três ingredientes: 1. a mentalidade romana que influenciou e entrou no Império Bizantino; 2. o helenismo, que se compõe da chamada cultura helênica (originária da Grécia, com sua filosofia; com a meditação acerca das verdades, toda a cultura platônica, neoplatônica, aristotélica, etc.) e da realidade oriental. Lembrando que a fusão entre ambas foi obra do Imperador Alexandre Magno, conforme já visto em aulas passadas; 3. a cultura oriental, que em si era bastante passional e propensa a uma divinização do imperador.

Todas as vezes que uma igreja local se afasta do Papa, pretendendo uma “independência" do poder papal, do imperialismo romano, acaba sucumbindo debaixo a bota do poder político. Na história da Igreja recente isso se mostrou bastante atual. Basta observar a Igreja Ortodoxa que, separada de Roma, não teve o menor escrúpulo em se unir a KGB. Na América Latina não foi diferente. E com isso, renasce o cesaropapismo, ou seja, de uma corte corrupta que quer conduzir a Igreja como um joguete para seus caprichos, estratégias, no seu caminho de corrupção e poder.

13 - As grandes controvérsias cristológicas do século V 

A heresia nestoriana e a heresia monofisita - Um bispo, Patriarca de Constantinopla, chamado Nestório, passou a ensinar que chamar Maria de “mãe de Deus" (Theotókos, em grego; Deípara, em latim) era inadequado pois, Ela seria mãe tão somente da parte humana de Cristo, não da divina. O que Nestório fez, na verdade, foi promover uma inaceitável separação entre a natureza humana e divina de Jesus Cristo.

A Igreja ensina que Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade, assumiu a natureza humana, encarnando-se no seio da Virgem Maria. Isso significa que, em Jesus Cristo acontece a salvação, pois na chamada união hipostática (união perfeita entre as duas naturezas de Jesus Cristo: divina; humana) ocorre o “casamento” entre Deus e a humanidade. A união perfeita entre a natureza humana e a divina é Jesus Cristo.

No sentido contrário, surgiu uma outra heresia: a monofisita, ou seja, aquela que diz que Jesus só possuía uma natureza - a divina - ignorando, portanto, a Sua natureza humana. Para os monofisistas, as duas naturezas de Jesus se fundiram, ou seja, que a natureza humana de Jesus foi, de certo modo, fagocitada pela divina. Isso implica em diminuir ou mesmo negar a redenção, pois, para ela ter ocorrido foi preciso que a natureza humana se unisse à natureza divina de Jesus, permanecendo humana. É por isso que se diz de Jesus “verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus".
 
Esta grave heresia foi dirimida vinte anos após seu surgimento pelo IV Concílio Ecumênico de Calcedônia, nos seguintes termos:

Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, “semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado", gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para a nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade.Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida por sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa em uma só hipóstase. (DS 301-302)

 

14 - Concílio de Calcedônia O que ditou o rumo das discussões teológicas no século V foi a Cristologia. Após as indagações envolvendo a Trindade, no século IV, resolvidas pelos Concílios de Niceia e Constantinopla, os cristãos se depararam com outra questão: como as naturezas divina e humana se relacionavam em Cristo. Dois extremos foram escolhidos pelos hereges: ou se separavam totalmente as duas naturezas, a ponto de elas ficarem justapostas; ou se juntavam demais, de modo a uma absorver a outra.

A heresia nestoriana, que adotou a primeira postura, foi condenada pelo Concílio de Éfeso, no ano de 431. Neste Concílio, sobressaiu-se a figura de São Cirilo de Alexandria, que teve alguns de seus escritos definidos como dogmáticos. Infelizmente, no fervor de defender a fé contra os nestorianos, Cirilo “carregou nas tintas” e, em uma expressão infeliz, escreveu que em Jesus havia “μία φύσις – uma natureza”. Esse deslize de Cirilo deu origem à heresia monofisita. Para explicar que “em Jesus havia uma natureza”, uns diziam que a divindade tomara posse da humanidade, “como uma gota de mel diluída no oceano”; outros, que a divindade se esvaziara na humanidade; outros advogavam uma espécie de mistura das naturezas; e outros, ainda, ressuscitaram a heresia do apolinarismo, que dizia que a “alma” de Jesus era, na verdade, a Sua divindade.


15 - São Leão Magno e a teologia do poder pontifício - Em suma, o Papa é infalível quando fala ex cathedra. Quando não fala ex cathedra, ele deve ser obedecido. E cabe-nos obedecê-lo não por causa de um carisma que lhe é próprio, mas pela função que exerce a frente da Igreja. Além disso, quando um Papa erra, a praxe na Igreja é que apenas outro Papa o deve julgar, como São Bonifácio I julgou Zósimo, condenando o pelagianismo. É a sucessão apostólica – a instituição do pontificado – o que garante a fé da Igreja, não uma pessoa determinada. 



4 - Conclusão


Excelente curso.

Recomendo.

abs!




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Referências
  • Cf. Carta “Δια τας αιφνιδιους", aos Coríntios, ca. 96: DS 102

  • Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Romanos, 1

  • Carta “Quanta fraternitati" ao bispo Anastásio de Tessália, ano 446: DS 282

  • Concílio Vaticano I, 4ª sessão, 18 jul. 1870: primeira Constituição Dogmática “Pastor aeternus" sobre a Igreja de Cristo: DS 3074

  • Henri Daniel-Rops. A Igreja dos tempos bárbaros. Quadrante: São Paulo, 1991. p. 110

  • Carta “Lectis dilectionis tuae", ao bispo Flaviano de Constantinopla (“Tomus Leonis"), 13 jun. 449: DS 290-295

  • “A Igreja dos Santos e dos Mártires”, Daniel-Rops, Editora Quadrante. 
    Para maiores detalhes a respeito da carta de São Cirilo de Alexandria a Nestório ver a obra "O Deus da Salvação", do historiador Pe. Bernard Sesboue, Ed. Loyola, Tomo I, pg. 317 e seguintes.

  • Carta Lectis dilectionis tuae, ao bispo Flaviano de Constantinopla (“Tomus [I] Leonis”), 13 jun. 449: DS 290-295 5ª sessão, 22 out. 451: Símbolo de fé de Calcedônia: DS 300-303
  • TRESE, Leo J.; A Fé Explicada; Ed. Quadrante; 5a. edição; 1990; pág. 81

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