10 de janeiro de 2026

[Curso] Studiositas (2023)

 





Intro

Formação permanente para alunos. Studiositas é latim para “estudiosidade”: a virtude de aplicar-se aos estudos.


Estudo profundo.

Sinopse




1 - Entrando em uma nova fase! - Nesta primeira formação permanente com nossos alunos, Padre Paulo Ricardo conta a história de nosso apostolado aqui, na internet, e explica o que é esta “nova fase” em que estamos entrando — fase que este programa exclusivo como que “inaugura”.

Resumo estruturado

1. Ideia central

  • O texto apresenta a nova fase do site padrepauloricardo.org como um projeto de formação permanente, semanal e exclusiva, voltado a aprofundar a vida espiritual e intelectual dos alunos.

2. Família espiritual

2.1. Sentido de “família”

  • A comunidade do site é chamada de família espiritual porque sua unidade não se baseia em laços biológicos, mas em vínculo espiritual, confiança, respeito e obediência.

2.2. Ambiente reservado

  • A área exclusiva do site existe para permitir um contato mais pessoal e protegido, evitando dispersões, polêmicas e distorções comuns na internet.

3. História do apostolado

3.1. Início do site

  • O site surgiu em 2006, inicialmente como um blog para disponibilizar áudios de aulas a seminaristas e interessados.

3.2. Crescimento

  • O apostolado cresceu com a popularização da internet rápida e com a divulgação dos ensinamentos de Bento XVI, cuja obra foi apresentada ao público brasileiro também por meio do site.

3.3. Profissionalização

  • Em 2010, o projeto foi profissionalizado com uma área de assinaturas, para sustentar e ampliar o apostolado gratuito com apoio de colaboradores leigos.

4. O que distingue o apostolado

4.1. Foco na verdade, não em opiniões pessoais

  • A proposta principal não é difundir opiniões pessoais, mas transmitir o ensinamento sólido da Igreja, do Magistério e dos santos.

4.2. Autoridade baseada na verdade

  • A autoridade do apostolado se apoia em ajudar as pessoas a enxergarem a verdade, e não em criar dependência pessoal da figura do padre.

4.3. Função pedagógica

  • O papel do padre é o de apontar para a verdade de Cristo, servindo como instrumento, e não como centro da mensagem.

5. Sentido da nova fase do site

5.1. Da condução ao amadurecimento

  • Na fase anterior, o apostolado ajudava os alunos a verem a verdade por meio de meditações guiadas.

5.2. Objetivo atual

  • A nova fase quer que os alunos aprendam a meditar, investigar e enxergar a verdade por si mesmos, alcançando maturidade espiritual e intelectual.

5.3. “Desmame” formativo

  • O processo é comparado a um desmame: o aluno não deve depender para sempre da condução externa, mas aprender a caminhar com autonomia.

6. Formação espiritual e intelectual

6.1. Base espiritual

  • O texto reforça a importância de:

    • estado de graça;

    • oração;

    • confissão;

    • Eucaristia;

    • Santo Terço;

    • consagração a Nossa Senhora.

6.2. Meditação

  • A meditação é apresentada como caminho para enxergar a verdade com profundidade, superando uma fé superficial ou apenas sentimental.

6.3. Estudo

  • O estudo é defendido como parte essencial da vida cristã e também como meio de combater o erro, a mentira e a superficialidade cultural.

7. Fé e razão

7.1. Complementaridade

  • O texto afirma que não há contradição entre fé e razão, pois ambas procedem de Deus e conduzem à verdade.

7.2. Necessidade de discernimento

  • O aluno deve aprender a avaliar argumentos, perceber incoerências e reconhecer a realidade, sem depender apenas da autoridade alheia.

8. Studiositas versus curiositas

8.1. Curiositas

  • A curiosidade dispersa é apresentada como um vício que leva à distração, superficialidade e manipulação, especialmente na internet.

8.2. Studiositas

  • A studiositas é proposta como atitude correta: estudo aplicado, disciplinado e orientado para a contemplação da verdade.

9. Educação verdadeira

9.1. Não à doutrinação

  • O texto critica processos de doutrinação que ensinam apenas a repetir opiniões e punem quem pensa diferente.

9.2. Formação gradual

  • A proposta dos encontros semanais é um processo lento, pedagógico e adaptado às dificuldades dos alunos, visando ensinar a pensar e a ver a realidade.

9.3. Abertura à correção

  • O verdadeiro educador deve estar disposto a corrigir-se quando erra, porque o compromisso central é com a verdade.

10. Conclusão

  • O texto conclui com um convite para que os alunos façam parte dessa formação, deixando para trás a curiosidade dispersa e assumindo um caminho de conversão, estudo, meditação e busca da verdade em Cristo.




2 - Venha para o mundo real! Nesta segunda formação permanente, Padre Paulo Ricardo responde a quem assistiu às aulas do curso “Escravidão Digital” e nos enviou suas dúvidas e perguntas.

Resumo estruturado

1. Objetivo do encontro

1.1. Formação permanente

  • O programa Studiositas é apresentado como uma formação semanal e exclusiva para alunos, voltada ao crescimento na verdade, santidade, amor e liberdade interior.

1.2. Tema central

  • O encontro gira em torno de dúvidas relacionadas ao curso Escravidão Digital, especialmente sobre prazer, disciplina, tecnologia, verdade e combate aos vícios digitais.

2. Prazer, rotina e vida espiritual

2.1. Prazer não é mau em si

  • Sentir alívio e esperar os pequenos prazeres do descanso é algo natural; o problema surge quando o prazer ocupa o centro da vida.

2.2. Sentido correto dos prazeres

  • Os prazeres lícitos devem ser vistos como meios de recompor forças para amar e servir a Deus, e não como finalidade última da existência.

2.3. Caminho prático

  • Para viver o cotidiano segundo a vontade de Deus, é necessário:

    • permanecer em estado de graça;

    • criar um hábito de oração;

    • cultivar a memória de Deus ao longo do dia.

3. Escassez, abundância e realismo cristão

3.1. Criação e queda

  • Embora o ser humano tenha sido criado para a abundância, a condição atual é marcada pelo pecado original e pela perda dos dons preternaturais.

3.2. Mundo real

  • O cristão precisa evitar abstrações e olhar a realidade como ela é: hoje o homem vive numa condição concreta de limitação, sofrimento e desordem, mesmo em meio à abundância material.

3.3. Problema contemporâneo

  • A humanidade alcançou abundância material, mas não está sabendo lidar com ela, o que favorece excessos e descontrole.

4. Jovens, celular e influência social

4.1. Dificuldade com adolescentes

  • O combate ao vício digital entre jovens é difícil porque eles são fortemente influenciados pelo grupo social e pela necessidade de aceitação.

4.2. Caminho mais eficaz

  • A mudança costuma acontecer mais no trato pessoal, quando o jovem é ajudado a perceber concretamente os efeitos do vício sobre sua energia, atenção, tristeza e capacidade de presença.

4.3. Papel da tecnologia

  • A tecnologia criou um ambiente artificial que muitas vezes passa a ser confundido com o mundo real, dominando a percepção humana.

5. Metaverso, verdade e vida espiritual

5.1. Risco da fuga da realidade

  • O metaverso e realidades virtuais são apresentados como formas de escapar da verdade, oferecendo mundos fictícios mais confortáveis que a realidade.

5.2. Fragilidade humana

  • O ser humano tende a superestimar sua própria visão do mundo, mas na verdade conhece pouco e é vulnerável ao erro.

5.3. Deus como fundamento

  • Somente Deus conhece plenamente a realidade; por isso, a segurança do homem está em confiar em Deus, e não em mundos artificiais ou no cientificismo.

5.4. Conhecer a verdade

  • A verdade liberta, mas também dói; por isso, é preciso coragem espiritual para aceitá-la e abandonar ilusões.

6. Método de estudo e formação

6.1. Não “maratonar” conteúdos

  • O objetivo não é consumir cursos rapidamente, mas ouvir, repetir, pausar e meditar, até que a verdade seja realmente compreendida.

6.2. Finalidade do Studiositas

  • Os encontros semanais existem para ajudar os alunos a descerem da ilusão de autossuficiência e aprenderem a buscar a verdade com humildade e profundidade.

7. Combate prático ao vício digital

7.1. Necessidade de reeducação

  • Para vencer vícios digitais, não basta boa intenção; é necessária uma reeducação concreta da vida.

7.2. Corte radical inicial

  • O texto recomenda, para casos de dependência clara, um corte o mais radical possível, ao menos por um período inicial, com medidas práticas como:

    • desinstalar aplicativos;

    • trocar senhas;

    • limitar o próprio acesso ao celular.

7.3. Processo gradual

  • As primeiras semanas tendem a ser difíceis, mas depois o cérebro começa a recuperar os prazeres simples e a estabilidade.

7.4. Vigilância contínua

  • Mesmo após melhora, permanece a necessidade de vigilância, porque o cérebro modificado pelo vício pode recair com facilidade.

7.5. Apoio espiritual

  • A oração e os sacramentos são importantes nesse processo, mas devem estar unidos a decisões práticas e perseverança.

8. Reorganização da vida social

8.1. Novo uso do celular

  • O celular não deve ser tratado como principal fonte de diversão nem de relacionamento social.

8.2. Prioridade ao real

  • É preciso reaprender a dar prioridade às pessoas que estão presentes concretamente, e não viver em função de mensagens e estímulos digitais.

8.3. Custo da mudança

  • Mudar esse comportamento pode gerar estranhamento social, mas isso faz parte do processo de reeducação.

9. Conclusão

  • O texto defende que a libertação dos vícios digitais exige:

    • vida espiritual séria;

    • contato com a realidade;

    • disciplina prática;

    • estudo e meditação;

    • busca da verdade com humildade.



3 - Verdade, virtudes e universidade - “Um homem de mentiras não pode conhecer a verdade”. Quem se põe a caminho da verdade, deve ter um mínimo de virtude e disposição para mudar, e até desmontar a vida inteira se for preciso, a fim de se conformar à realidade das coisas.

Resumo estruturado

1. Tema central

1.1. Finalidade da formação

  • O encontro propõe promover a studiositas — o estudo sério e ordenado — em oposição à curiosidade dispersa, para conduzir os alunos à liberdade interior pela verdade.

1.2. Princípio básico

  • A verdadeira liberdade não consiste em fazer o que se quer, mas em conformar-se à verdade. Quem segue a mentira se escraviza; quem se adequa à verdade se liberta.

2. Liberdade e cultura moderna

2.1. Falsa promessa de liberdade

  • O texto afirma que a cultura moderna frequentemente promete liberdade e felicidade, mas na prática conduz a novas formas de escravidão, repetindo a lógica de querer ser “como Deus”.

2.2. Homem no centro

  • A modernidade é apresentada como um movimento que desloca Deus do centro e coloca o ser humano como referência última, o que distorce a compreensão da realidade.

3. Deus, realidade e verdade

3.1. Deus como fundamento do real

  • Deus é apresentado como criador e fonte do ser, Aquele que conhece plenamente a estrutura da realidade e sabe o que é melhor para o homem.

3.2. O que a inteligência humana deve fazer

  • A inteligência humana deve investigar, conhecer e ajustar-se ao real, abandonando opiniões erradas quando encontra a verdade.

3.3. Verdade como adequação

  • A verdade é definida como a adequação entre a inteligência e a realidade; por isso, não é a realidade que deve mudar para se adaptar a nós, mas nós que devemos nos adequar a ela.

4. Pensar exige mudança

4.1. Estudar é deixar-se transformar

  • O texto insiste que estudar de verdade exige disposição para mudar de ideias e de vida. Sem isso, o estudo se torna inútil.

4.2. Apego às próprias ideias

  • Muitas pessoas permanecem presas às próprias opiniões por orgulho, teimosia ou interesse pessoal, em vez de se submeterem à verdade.

4.3. Pensamento verdadeiro

  • Pensar não é apenas ter um fluxo interno de ideias ou sentimentos, mas realizar um esforço real de confronto com a realidade e com a verdade.

5. Virtude e humildade

5.1. Condição para conhecer a verdade

  • Não se pode buscar seriamente a verdade sem virtude e humildade, porque a verdade frequentemente exige renúncia, correção e mudança dolorosa.

5.2. Humildade verdadeira

  • A humildade não é mera submissão pessoal a um mestre, mas a disposição de reconhecer o erro e se conformar à verdade quando ela se manifesta.

6. Obstáculos à verdade

6.1. Interesse pessoal

  • Um dos maiores obstáculos à verdade é o apego a vantagens pessoais, prestígio, posição social ou segurança material, que leva pessoas a manter conscientemente o erro.

6.2. Pressão social

  • Outro obstáculo é o desejo de permanecer aceito no grupo, evitando a dor de discordar da maioria ou de perder vínculos sociais.

7. Crítica ao sistema universitário

7.1. Mudança de finalidade

  • O texto afirma que a universidade deixou de ser, em grande parte, um ambiente de busca da verdade e passou a funcionar como um sistema voltado à produção de diplomas, papéis e validação mútua.

7.2. Ausência de formação moral

  • Diferentemente das antigas escolas ligadas à vida espiritual e moral, o sistema universitário moderno não se preocupa com a virtude do estudante, embora ela seja necessária para o verdadeiro conhecimento.

7.3. Crise de credibilidade

  • Por isso, o texto sustenta que a universidade vive uma crise de autoridade, pois muitas vezes recompensa conformismo institucional e não a descoberta da verdade.

8. Exceções e limites da crítica

8.1. Nem tudo é negativo

  • A crítica não significa que tudo produzido pelas universidades seja mau, mas que o sistema em si não garante amor à verdade nem formação autêntica.

8.2. Bons pensadores apesar do sistema

  • Grandes intelectuais podem surgir no meio universitário, mas isso acontece apesar do sistema, não necessariamente por causa dele.

9. Consequências do estudo sério

9.1. Experiência de “vertigem”

  • Buscar a verdade leva a uma espécie de vertigem, porque o ser humano percebe ao mesmo tempo que pode conhecer algo verdadeiro e que a verdade é muito maior do que sua capacidade intelectual.

9.2. Mudanças na vida pessoal

  • Quem estuda seriamente pode acabar mudando gostos, valores e amizades, tornando-se diferente do ambiente em que vivia.

10. Conclusão

10.1. Proposta central

  • A proposta do encontro é ensinar os alunos a pensar, investigar e conformar-se à verdade, em vez de exigir adesão cega a ideias prontas.

10.2. Convite final

  • O texto conclui convidando os alunos a reouvir, refletir e examinar o conteúdo, para verificar se ele corresponde à estrutura do real.


4 - Verdade, virtudes e universidade - “Um homem de mentiras não pode conhecer a verdade”. Quem se põe a caminho da verdade, deve ter um mínimo de virtude e disposição para mudar, e até desmontar a vida inteira se for preciso, a fim de se conformar à realidade das coisas.



5 - Ignorância Criminosa - Numa Alemanha que há muito tinha abandonado a verdade, eclodiu uma das maiores barbáries do século XX: o nazismo. Mas onde estavam os alemães de bem? Por que eles ficaram num silêncio criminoso? E nós hoje, teríamos virtude suficiente para enfrentar as verdades incômodas que se apresentam a nós?


6 - Malícia Revolucionária - A malícia consiste em desejar um bem inferior no lugar de um bem superior. É uma tentativa deliberada de inverter a hierarquia dos bens, como fez Satanás e como faz o homem moderno.



7 - Ateísmo de Conveniência - As bases do ateísmo foram lançadas por filósofos como Karl Marx, Ludwig Feuerbach, Friedrich Nietzsche e Jean-Paul Sartre, segundo os quais o “deus” do homem seria... ele mesmo. Mas até que ponto esse tipo de filosofia é factível?




8 - Razão Subjetiva - Desde que Kant decretou a impossibilidade de conhecer o ser das coisas, os filósofos modernos se distanciaram da razão objetiva e se aproximaram cada vez mais de uma razão subjetiva, compreendida como mero instrumento para alcançar seus interesses.




9 - Razão Objetiva - Filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles deixaram claro que existe uma razão objetiva na realidade, à qual precisamos nos adequar. Pensadores modernos, porém, empenham-se constantemente em destruir ou  depreciar essa visão de mundo.




10 - Espírito de Negação - Nos últimos tempos, especialmente depois da Escola de Frankfurt, a ordem tem sido “pôr tudo abaixo”, bem ao estilo do demônio Mefistófeles (do “Fausto” de Goethe), numa frase que Marx adorava citar: “Eu sou o espírito que sempre nega!... Tudo que existe merece ser destruído”.




11 - A Estrutura da Realidade - Sem cair nos extremos do racionalismo ou do niilismo, precisamos reconhecer que existe, sim, uma “Razão absoluta”, manifestada na própria estrutura da realidade, cuja existência não se deve ao acaso, mas ao próprio Criador, que, de forma livre e sábia, ordenou todas as coisas.






12 - Trapaça Cartesiana - A filosofia moderna, que tanto se vangloria de ter empreendido o suposto “triunfo da razão”, começou a dar seus primeiros passos com uma grande trapaça, que permanece até hoje no meio de nós.




13 - Feitiçaria Racionalista - Diversos estudos demonstram que a narrativa do surgimento da ciência moderna constitui um grande “mito racionalista”, pelo qual se tentou esconder as superstições dos “cientistas” da época. O que está por trás dessa narrativa? E o que isso tem a ver com a nossa situação atual?




14 - Em busca da “sabedoria perdida” - Para não dar razão aos filósofos antigos e à tradição cristã, os pseudocientistas modernos mergulharam num campo irracionalista, marcado por convicções sem fundamento na realidade e desprovidas de coerência filosófica.






15 - O Embuste da Ciência Moderna - Em nome da razão, os primeiros cientistas assumiram a incumbência de sepultar a Metafísica; porém, às escondidas, abraçaram visões de mundo nada racionais para tentar dar sentido ao que a ciência não conseguia explicar.






16 - O Mito da Certeza Científica - Apesar dos constantes questionamentos que a ciência faz sobre si mesma, o mito da “certeza científica” ainda é bem presente no imaginário popular e, justamente por isso, é um instrumento bastante eficiente para manipular e subjugar.






17 - Voltaire: o “publicitário” de Newton - Com a obra “Elementos da filosofia de Newton”, Voltaire não só fez com que o físico inglês ficasse conhecido em toda a Europa, mas também possibilitou que uma suposta cosmovisão newtoniana influenciasse os rumos do mundo ocidental.






18 - Duas guerras: várias tragédias - Com a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e a Guerra Civil Inglesa (1642-1651), iniciou-se uma cadeia de grandes tragédias, cujos frutos podres estão entre nós até hoje…




19 - Thomas Hobbes e o Estado Absolutista - A partir de uma visão distorcida do ser humano, Thomas Hobbes  lançou as bases teóricas do Estado Absolutista, cujos tentáculos se estendem até hoje, por meio de tiranos que, de seus tronos “supremos”, acham que podem determinar o certo e o errado, o justo e o justo, como se não houvesse uma lei natural.





20 - A visão de homem de Hobbes - A visão de ser humano em Thomas Hobbes é muito mais grave que um simples retrato animalesco. Para ele, não existe um “fim último” ou um “sumo bem”, de modo que a felicidade humana é tão somente “o progresso contínuo do desejo” movendo-se “de um objeto para o outro”.





21 - O Caminho Filosófico do Totalitarismo Atual - Desde o século XIV, a humanidade foi aderindo a certas visões de mundo que, uma após outra, serviram como verdadeiros degraus rumo a um porão escuro e fétido, no qual podemos “livremente” ser “protagonistas” de um teatro de marionetes.






22 - A Ordem Totalitária e a Ordem Natural - A superação do caos normalmente é utilizada como pretexto para instituir uma ordem totalitária, pressuposto indispensável para toda ditadura. A verdadeira ordem, porém, origina-se não da vontade de um soberano, mas do próprio ser das coisas.





23 - Guilherme de Ockham e o Nominalismo - No início do século XIV, Guilherme de Ockham, um frade franciscano aparentemente piedoso e bem-intencionado, lançou a semente dos grandes males da atualidade com uma doutrina que chamamos de Nominalismo.





24 - O uso do imaginário no ato da inteligência - Neste episódio, Padre Paulo procura mostrar, a partir de uma experiência prática, como podemos chegar a uma adequada compreensão das palavras por meio da meditação e do enriquecimento do imaginário.





25 - O Descartes gnóstico - Além das trapaças linguísticas e mentais, também é possível constatar nos escritos de Descartes uma forte inspiração gnóstica. Isso mais uma vez evidencia que a marca do pensamento cartesiano não é o rigor racional, mas, sim, a desonestidade intelectual.





26 - O Método da Confissão - A marca da filosofia moderna não é a dúvida metódica, mas a tentativa constante de elaborar sistemas de pensamento desvinculados da moralidade. Como podemos sair dessa situação? Como desenvolver um pensamento coerente sobre o mundo e sobre nós mesmos?




27 - Crítica tomista ao “Penso, logo existo” - A crítica dos filósofos tomistas ao “Cogito, ergo sum” demonstra que René Descartes implodiu o fundamento de todos os axiomas filosóficos: o princípio da não contradição.




28 - Baruch Spinoza: o “tataravô” do ateísmo - Inspirado em Descartes e partindo de um conceito errôneo de “substância”, Baruch Spinoza lançou as bases do que seria uma espécie de panteísmo filosófico e, consequentemente, acabou preparando terreno para o ateísmo do século XIX.





29 - O erro filosófico do Panteísmo de Spinoza - Ao desenvolver seu pensamento, Spinoza cometeu graves erros filosóficos, confundindo os conceitos de ser em si e seres em geral, além de tentar aplicar à metafísica os métodos quantitativos da matemática.




30 - O Spinoza gnóstico-cabalístico - Embora tenha proposto uma explicação matemática da realidade, que nos leva a supor certo rigor racional, Spinoza baseou-se em escritos gnósticos da Cabala. É mais um caso de gnosticismo travestido de racionalismo.





31 - A influência de Epicuro sobre Spinoza - O que está por trás do pensamento de Spinoza que acabou atraindo tantos materialistas, ateus e relativistas religiosos? A resposta remonta ao século III a. C., na Grécia Antiga, e tem um nome bem definido: Epicuro de Samos.


Conclusão


Recomendo.

abs!

________________________________________________________________

Referências

  • Theodor Adorno e Max Horkheimer, Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Trad. de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

  •  Albrecht Classen (Editor). Magic and Magicians in the Middle Ages and the Early Modern Time: The Occult in Pre-Modern Sciences, Medicine, Literature, Religion, and Astrology. Berlim: De Gruyter, 2017.

  • John Chambers. The Metaphysical World of Isaac Newton: Alchemy, Prophecy, and the Search for Lost Knowledge. Destiny Books, 2018.
  • B. J. T. Dobbs. The Foundations of Newton's Alchemy. Cambridge: Cambridge University Press, 1983.
  • ______, The Janus Faces of Genius: The Role of Alchemy in Newton's Thought. Cambridge: Cambridge University Press 2002.

  • Olavo de Carvalho. Visões de Descartes: entre o Gênio Mau e o Espírito da Verdade. Campinas: Vide Editorial, 2013.

  • Philip Ashley Fanning, Isaac Newton and the Transmutation of Alchemy: An Alternative View of the Scientific Revolution. Berkeley: North Atlantic Books, 2009.

  • Jason A. Josephson-Storm. The Myth of Disenchantment: Magic, Modernity, and the Birth of the Human Sciences. Chicago: University of Chicago Press, 2017.

  • Maxime Leroy. Descartes le Philosophe au Masque. Paris: Rieder, 1929.

  • William Newman. Newton the Alchemist: Science, Enigma, and the Quest for Nature's Secret Fire. Princeton: Princeton University Press, 2018.

  • Alain Bauer. Isaac Newton's Freemasonry: The Alchemy of Science and Mysticism. Rochester: Inner Traditions International, 2007.

  • Betty Jo Teeter Dobbs. The Foundations of Newton's Alchemy. Cambridge: Cambridge University Press, 1983.

  • Betty Jo Teeter Dobbs. The Janus Faces of Genius: The Role of Alchemy in Newton's Thought. Cambridge: Cambridge University Press, 2022.

  • John Chambers. The Metaphysical World of Isaac Newton: Alchemy, Prophecy, and the Search for Lost Knowledge. Destiny Books, 2018.

  • Philip Ashley Fanning. Isaac Newton e a transmutação da Alquimia: uma visão alternativa da Revolução Científica. Editora Danúbio, 2017.

  • Stephen Gaukroger. Descartes: An Intellectual Biography. Oxford: Oxford University Press, 1995.

  • Maxime Leroy. Descartes le Philosophe au Masque. Paris: Rieder, 1929.

  • Glenn Alexander Magee, Hegel and the Hermetic Tradition. 2. ed. Nova York: Cornell University Press, 2008.

  • William Newman. Newton the Alchemist: Science, Enigma, and the Quest for Nature's Secret Fire. Princeton: Princeton University Press, 2019.

  • Edwin Arthur Burtt, The Metaphysical Foundations of Modern Physical Science. London: Kegang Paul, Trench, Trubner & Com. Ltda; New York: Harcourt, Brace & company, 1925.

  • ______, As bases metafísicas da ciência moderna. Trad. de José Viegas Filho e Orlando Araújo Henriques. Brasília: Editora UnB, 1983.

  • Charles M.Misner, Kip S. Thorne, John Archibald Wheeler, Gravitation. New Jersey: Princeton University Press, 2017.

  • Richard Panek, The trouble with gravity: solving the mystery beneath our feet. Boston: Mariner Books, 2019.

  •  Eric Schliesser, Newton’s Metaphysics. Oxford: Oxford University Press, 2021.

  • Wolfgang Smith. O enigma quântico: desvendando a chave oculta. Trad. Raphael de Paola. 3. ed. Campinas: Vide Editorial, 2019.

  • ______, Cosmos e transcendência: rompendo a barreira da crença cientificista. Trad. de Percival de Carvalho. Campinas: Vide editorial, 2019.

  • ______, Ciência e mito. Trad. de Pedro Cava. Campinas: Vide editorial, 2014.

  • ______, A sabedoria da antiga cosmologia. Trad. de Ariel Teixeira, Bruno Geraidine e Cristiano Gomes. Campinas: Vide editorial, 2017.

  • Reinhart Koselleck, Crítica e Crise. Trad. de Luciana Villas-Boas Castelo-Branco. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999.

  • Thomas Hobbes, Do cidadão. Trad. de Jair Lot Vieira. São Paulo: Edipro, 2016.

  • Isaac Newton, Principia, Livro I: Princípios Matemáticos de Filosofia Natural. São Paulo: Edusp, 2022.

  • ______, Principia, Livros II e III: Princípios Matemáticos de Filosofia Natural – O Sistema do Mundo. São Paulo: Edusp, 2008.

  • Voltaire. Elementos da filosofia de Newton. Trad. de Maria das Graças de Souza. Campinas: Unicamp, 2015.

  • Thomas Hobbes, Do cidadão. Trad. de Jair Lot Vieira. São Paulo: Edipro, 2016.

  • ______, Leviatã. Trad. de Gabriel Lima Marques e Renan Marques Birro. São Paulo: Vozes, 2020.

  • ______, Questões sobre liberdade, necessidade e o acaso. Trad. de Celi Hirata. São Paulo: Unesp, 2022.

  • Eric Voegelin, História das Ideias Políticas: A Nova Ordem e a Última Orientação. Vol. VII. Trad. de Elpídio Mário Dantas Fonseca.

  • Peter H. Wilson, The Thirty Years War: Europe’s Tragedy. Belknap Press: Cambridge, 2011.

  • Eric Voegelin, Idade Média tardia: história das ideias políticas; volume III. São Paulo: É Realizações, 2013, p. 123-150.

  • Alfredo Gatto, “William of Ockham and the odium Dei”. Mediaevalia, Porto, v. 30, p. 127-138, 2011.

  • Joaquim Nabuco, Minha formação. Campinas: Edições Livre, 2019. Coleção Clássicos da Literatura Portuguesa.

  • Karl Buhler, Teoria da Linguagem. Trad. Pablo Pinheiro da Costa. Campinas: Kírion, 2020.

  • Etienne  Couvert, De la Gnose a L’œcuménisme: les sources de la crise religieuse. Chiré en Montreuil: Éditions de Chiré, 1983.

  • Stephen Gaukroger, Descartes: an intellectual biography. Oxford: Oxford University Press, 1995.

  • Jason A. Josephson-Storm. The Myth of Disenchantment: Magic, Modernity, and the Birth of the Human Sciences. Chicago: University of Chicago Press, 2017.

  • Olavo de Carvalho, Visões de Descartes: entre o Gênio Mau e o Espírito da Verdade. Campinas: Vide Editorial, 2013.

  • Etienne  Couvert, De la Gnose a L’œcuménisme: les sources de la crise religieuse. Chiré en Montreuil: Éditions de Chiré, 1983.

  • René Descartes, Discurso do método & ensaios. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

  • Réginald Garrigou-Lagrange, O.P., Philosophizing in Faith: Essays on the Being and End of Wisdom. Providence: Cluny Media, 2019.

  • Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q. 94, a. 2.

  • Baruch Spinoza, Ética. Edição bilíngue. Trad. de Diogo Pires Aurélio. São Paulo: Editora 34, 2024.
  • ______, Obra completa II: correspondência completa e vida. Trad. de Newton Cunha J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2014.

  • ______, Obra completa III: Tratado Teológico-Político. Trad. de Newton Cunha J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2014.

  • Dimitris Vardoulakis, Spinoza, the Epicurean: Authority and Utility in Materialism. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2020.

  • Miquel Beltran, The Influence of Abraham Cohen de Herrera's Kabbalah on Spinoza's Metaphysics. Leiden; Boston: Brill, 2016.

  • Glenn Alexander Magee, Hegel and the Hermetic Tradition. Ithaca: Cornell University Press, 2008.

  • Réginald Marie Garrigou-Lagrange, Deus, sua Existência e sua Natureza — Solução das antinomias agnósticas. Trad. de Roberto Leal. São Paulo: Molokai, 2020.

***


4 comentários:

  1. Cara, baita curso, creio.
    "Mas onde estavam os alemães de bem?"
    Lutando contra os Aliados do Mal que só trouxeram desgraça para o planeta, em especial Inglaterra e França.
    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "além dos nazistas, havia um outro grupo enfermo na sociedade alemã: eram as pessoas que não tinham virtude para enfrentar a verdade. É esse o nosso foco nesta aula do Studiositas. No entanto, não pense que estamos falando apenas do contexto alemão, pois isso se aplica a todos nós.

      Temos a tendência de querer descarregar as nossas culpas em uma coletividade. Entretanto, embora façamos parte de um “nós”, quando morrermos, seremos julgados individualmente. Não podemos democratizar a culpa, ela pertence a cada indivíduo! Isso é um dos problemas do mundo moderno: queremos sempre simplificar as análises. Destacamos um trecho da história, fazemos um estudo e simplificamos as coisas num conceito abstrato, amarrando todos no mesmo “julgamento”.

      As pessoas, porém, são livres, não existe determinismo; e, na sua liberdade, podem ser influenciadas por movimentos culturais. É exatamente por isso que estamos aqui: para influenciar os alunos do site num movimento cultural que ajude as pessoas a crescerem na virtude, aprendendo a buscar a verdade, a amá-la e a servi-la. Nosso objetivo é levá-lo a uma mudança de vida, que só acontecerá se você estiver buscando a verdade.

      Nesta obra Hitler e os alemães, Eric Voegelin falou do conceito de “estupidez criminosa” (kriminelle dummheit). Não se trata de uma ofensa, mas de uma descrição técnica. Isso que Voegelin viu, os escolásticos já viram antes. Santo Tomás de Aquino também descreveu esse fenômeno. Inclusive, esse foi o tema da minha dissertação de mestrado em Direito Canônico: a culpabilidade e a imputabilidade da ignorância, a partir de uma regulæ iuris (“regra de lei”) que foi incorporada no corpus do Direito Canônico, num livro extra de Gregório IX, de 1234.

      Essa referida regulae iuris foi retirada de um trecho de uma carta de São Gregório Magno ao Patriarca João IV, de Constantinopla (também conhecido como João, O Jejuador). A situação foi a seguinte: alguns padres latinos estavam em Constantinopla e tiveram um desentendimento com o ajudante de ordens do Patriarca, que mandou prender e chicotear esses padres. De volta a Roma, os presbíteros foram reclamar ao Papa Gregório sobre o incidente. O Pontífice então escreveu para João IV, acusando-o de ignorar os erros que estavam ocorrendo em sua própria casa. Quando o Patriarca respondeu dizendo que não tinha conhecimento daquela prisão, Gregório Magno disse: “Non est pastoris excusatio si lupus oves comedit et pastor nescit”, “não há desculpa para o pastor, se o lobo come as ovelhas e o pastor não sabe”. Ou seja, se você é pastor para proteger as ovelhas, ignorar que elas estão sofrendo um dano, é algo criminoso." (aula 5 - Ignorância Criminosa)

      Excluir
    2. Texto interessante, mas que não explica o óbvio: a necessidade de uma reação alemã. Durante a República de Weimar, a Alemanha — em especial Berlim — tornou-se o playground da elite internacional (narigudos ou não). Uma nação em frangalhos após a derrota na Primeira Guerra Mundial, em que crianças e mulheres eram vendidas para práticas bestiais a turistas endinheirados oriundos da antiga Tríplice Entente.

      Tudo estava degenerando no Ocidente: arte, música, cinema, políticas gays e feministas etc. O que herdamos hoje foi a vitória dos Aliados. Curiosamente, o Eixo reunia raças diversas (arianos, latinos — Mussolini — e amarelos — Hirohito), sob ideias de nacionalismo, cada um no seu quadrado. Aliás, também havia eslavos envolvidos, ao menos antes da ruptura do pacto Molotov–Ribbentrop.

      O globalismo já avançava naquele contexto, arruinando elementos do nacionalismo desde os resultados da Primeira Guerra. Após a tentativa de recomposição do Reich perdido, com a anexação da Áustria — vale lembrar que a maioria dos austríacos era favorável a isso —, o último ponto seria a divisão da Polônia (uma “terra de ninguém”) entre Alemanha e Rússia.

      Quem declarou guerra foram os “Aliados”, colonialistas que massacraram continentes inteiros e que apenas aguardavam uma desculpa para impedir o retorno de ideais antiglobalistas. Não sei como se engole tamanha hipocrisia. Tudo foi um teatro de mentiras e, depois, de hipocrisia. E os vencedores narraram a história como bem entenderam.

      Antes da chamada “solução final”, por exemplo, o Reich ofereceu aos judeus a possibilidade de emigração, mas ingleses e franceses não os queriam nem mesmo em suas colônias. O filme A Conferência toca nesta tema, aliás. E, ao final da guerra, muitos oficiais e cientistas ligados ao partido nazista foram tratados a pão de ló pelos vencedores, apesar do teatro dos julgamentos de oficiais burocráticos e das caçadas promovidas pelo Mossad.

      Mas, mas, mas... Enfim. A quem importa tudo isso hoje?

      Abraços

      Excluir
    3. na aula do Pe. Paulo , a ideia é que a sociedade alema se degenerou por causa do silencio (omissao) dos bons.

      ele cita a igreja católica alema e a igreja protestante alema, como exemplos - teve padre católico que reclamou do nazismo, mas isso foi exceção até mesmo na igreja.

      Isso lembra o bostil de hoje. o que torna o assunto ainda mais importante.

      por exemplo: anos antes de Hitler chegar ao poder, ele já falava em matar os judeus, mesmo assim a sociedade alema ficou "pasma" quando descobriu que ele realmente cumpriu o que prometeu.

      abs!

      Excluir