10 janeiro, 2026

[Curso] Studiositas (2023)

 




Intro

Formação permanente para alunos. Studiositas é latim para “estudiosidade”: a virtude de aplicar-se aos estudos.


Estudo profundo.

Sinopse



1 - Entrando em uma nova fase! - Nesta primeira formação permanente com nossos alunos, Padre Paulo Ricardo conta a história de nosso apostolado aqui, na internet, e explica o que é esta “nova fase” em que estamos entrando — fase que este programa exclusivo como que “inaugura”.




2 - Venha para o mundo real! Nesta segunda formação permanente, Padre Paulo Ricardo responde a quem assistiu às aulas do curso “Escravidão Digital” e nos enviou suas dúvidas e perguntas.



3 - Verdade, virtudes e universidade - “Um homem de mentiras não pode conhecer a verdade”. Quem se põe a caminho da verdade, deve ter um mínimo de virtude e disposição para mudar, e até desmontar a vida inteira se for preciso, a fim de se conformar à realidade das coisas.



4 - Verdade, virtudes e universidade - “Um homem de mentiras não pode conhecer a verdade”. Quem se põe a caminho da verdade, deve ter um mínimo de virtude e disposição para mudar, e até desmontar a vida inteira se for preciso, a fim de se conformar à realidade das coisas.



5 - Ignorância Criminosa - Numa Alemanha que há muito tinha abandonado a verdade, eclodiu uma das maiores barbáries do século XX: o nazismo. Mas onde estavam os alemães de bem? Por que eles ficaram num silêncio criminoso? E nós hoje, teríamos virtude suficiente para enfrentar as verdades incômodas que se apresentam a nós?


6 - Malícia Revolucionária - A malícia consiste em desejar um bem inferior no lugar de um bem superior. É uma tentativa deliberada de inverter a hierarquia dos bens, como fez Satanás e como faz o homem moderno.



7 - Ateísmo de Conveniência - As bases do ateísmo foram lançadas por filósofos como Karl Marx, Ludwig Feuerbach, Friedrich Nietzsche e Jean-Paul Sartre, segundo os quais o “deus” do homem seria... ele mesmo. Mas até que ponto esse tipo de filosofia é factível?




8 - Razão Subjetiva - Desde que Kant decretou a impossibilidade de conhecer o ser das coisas, os filósofos modernos se distanciaram da razão objetiva e se aproximaram cada vez mais de uma razão subjetiva, compreendida como mero instrumento para alcançar seus interesses.




9 - Razão Objetiva - Filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles deixaram claro que existe uma razão objetiva na realidade, à qual precisamos nos adequar. Pensadores modernos, porém, empenham-se constantemente em destruir ou  depreciar essa visão de mundo.




10 - Espírito de Negação - Nos últimos tempos, especialmente depois da Escola de Frankfurt, a ordem tem sido “pôr tudo abaixo”, bem ao estilo do demônio Mefistófeles (do “Fausto” de Goethe), numa frase que Marx adorava citar: “Eu sou o espírito que sempre nega!... Tudo que existe merece ser destruído”.




11 - A Estrutura da Realidade - Sem cair nos extremos do racionalismo ou do niilismo, precisamos reconhecer que existe, sim, uma “Razão absoluta”, manifestada na própria estrutura da realidade, cuja existência não se deve ao acaso, mas ao próprio Criador, que, de forma livre e sábia, ordenou todas as coisas.






12 - Trapaça Cartesiana - A filosofia moderna, que tanto se vangloria de ter empreendido o suposto “triunfo da razão”, começou a dar seus primeiros passos com uma grande trapaça, que permanece até hoje no meio de nós.




13 - Feitiçaria Racionalista - Diversos estudos demonstram que a narrativa do surgimento da ciência moderna constitui um grande “mito racionalista”, pelo qual se tentou esconder as superstições dos “cientistas” da época. O que está por trás dessa narrativa? E o que isso tem a ver com a nossa situação atual?




14 - Em busca da “sabedoria perdida” - Para não dar razão aos filósofos antigos e à tradição cristã, os pseudocientistas modernos mergulharam num campo irracionalista, marcado por convicções sem fundamento na realidade e desprovidas de coerência filosófica.






15 - O Embuste da Ciência Moderna - Em nome da razão, os primeiros cientistas assumiram a incumbência de sepultar a Metafísica; porém, às escondidas, abraçaram visões de mundo nada racionais para tentar dar sentido ao que a ciência não conseguia explicar.






16 - O Mito da Certeza Científica - Apesar dos constantes questionamentos que a ciência faz sobre si mesma, o mito da “certeza científica” ainda é bem presente no imaginário popular e, justamente por isso, é um instrumento bastante eficiente para manipular e subjugar.






17 - Voltaire: o “publicitário” de Newton - Com a obra “Elementos da filosofia de Newton”, Voltaire não só fez com que o físico inglês ficasse conhecido em toda a Europa, mas também possibilitou que uma suposta cosmovisão newtoniana influenciasse os rumos do mundo ocidental.






18 - Duas guerras: várias tragédias - Com a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e a Guerra Civil Inglesa (1642-1651), iniciou-se uma cadeia de grandes tragédias, cujos frutos podres estão entre nós até hoje…




19 - Thomas Hobbes e o Estado Absolutista - A partir de uma visão distorcida do ser humano, Thomas Hobbes  lançou as bases teóricas do Estado Absolutista, cujos tentáculos se estendem até hoje, por meio de tiranos que, de seus tronos “supremos”, acham que podem determinar o certo e o errado, o justo e o justo, como se não houvesse uma lei natural.





20 - A visão de homem de Hobbes - A visão de ser humano em Thomas Hobbes é muito mais grave que um simples retrato animalesco. Para ele, não existe um “fim último” ou um “sumo bem”, de modo que a felicidade humana é tão somente “o progresso contínuo do desejo” movendo-se “de um objeto para o outro”.





21 - O Caminho Filosófico do Totalitarismo Atual - Desde o século XIV, a humanidade foi aderindo a certas visões de mundo que, uma após outra, serviram como verdadeiros degraus rumo a um porão escuro e fétido, no qual podemos “livremente” ser “protagonistas” de um teatro de marionetes.






22 - A Ordem Totalitária e a Ordem Natural - A superação do caos normalmente é utilizada como pretexto para instituir uma ordem totalitária, pressuposto indispensável para toda ditadura. A verdadeira ordem, porém, origina-se não da vontade de um soberano, mas do próprio ser das coisas.





23 - Guilherme de Ockham e o Nominalismo - No início do século XIV, Guilherme de Ockham, um frade franciscano aparentemente piedoso e bem-intencionado, lançou a semente dos grandes males da atualidade com uma doutrina que chamamos de Nominalismo.





24 - O uso do imaginário no ato da inteligência - Neste episódio, Padre Paulo procura mostrar, a partir de uma experiência prática, como podemos chegar a uma adequada compreensão das palavras por meio da meditação e do enriquecimento do imaginário.





25 - O Descartes gnóstico - Além das trapaças linguísticas e mentais, também é possível constatar nos escritos de Descartes uma forte inspiração gnóstica. Isso mais uma vez evidencia que a marca do pensamento cartesiano não é o rigor racional, mas, sim, a desonestidade intelectual.





26 - O Método da Confissão - A marca da filosofia moderna não é a dúvida metódica, mas a tentativa constante de elaborar sistemas de pensamento desvinculados da moralidade. Como podemos sair dessa situação? Como desenvolver um pensamento coerente sobre o mundo e sobre nós mesmos?




27 - Crítica tomista ao “Penso, logo existo” - A crítica dos filósofos tomistas ao “Cogito, ergo sum” demonstra que René Descartes implodiu o fundamento de todos os axiomas filosóficos: o princípio da não contradição.




28 - Baruch Spinoza: o “tataravô” do ateísmo - Inspirado em Descartes e partindo de um conceito errôneo de “substância”, Baruch Spinoza lançou as bases do que seria uma espécie de panteísmo filosófico e, consequentemente, acabou preparando terreno para o ateísmo do século XIX.





29 - O erro filosófico do Panteísmo de Spinoza - Ao desenvolver seu pensamento, Spinoza cometeu graves erros filosóficos, confundindo os conceitos de ser em si e seres em geral, além de tentar aplicar à metafísica os métodos quantitativos da matemática.




30 - O Spinoza gnóstico-cabalístico - Embora tenha proposto uma explicação matemática da realidade, que nos leva a supor certo rigor racional, Spinoza baseou-se em escritos gnósticos da Cabala. É mais um caso de gnosticismo travestido de racionalismo.





31 - A influência de Epicuro sobre Spinoza - O que está por trás do pensamento de Spinoza que acabou atraindo tantos materialistas, ateus e relativistas religiosos? A resposta remonta ao século III a. C., na Grécia Antiga, e tem um nome bem definido: Epicuro de Samos.


Conclusão


Recomendo.

abs!

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Referências

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2 comentários:

  1. Cara, baita curso, creio.
    "Mas onde estavam os alemães de bem?"
    Lutando contra os Aliados do Mal que só trouxeram desgraça para o planeta, em especial Inglaterra e França.
    Abraços!

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    Respostas
    1. "além dos nazistas, havia um outro grupo enfermo na sociedade alemã: eram as pessoas que não tinham virtude para enfrentar a verdade. É esse o nosso foco nesta aula do Studiositas. No entanto, não pense que estamos falando apenas do contexto alemão, pois isso se aplica a todos nós.

      Temos a tendência de querer descarregar as nossas culpas em uma coletividade. Entretanto, embora façamos parte de um “nós”, quando morrermos, seremos julgados individualmente. Não podemos democratizar a culpa, ela pertence a cada indivíduo! Isso é um dos problemas do mundo moderno: queremos sempre simplificar as análises. Destacamos um trecho da história, fazemos um estudo e simplificamos as coisas num conceito abstrato, amarrando todos no mesmo “julgamento”.

      As pessoas, porém, são livres, não existe determinismo; e, na sua liberdade, podem ser influenciadas por movimentos culturais. É exatamente por isso que estamos aqui: para influenciar os alunos do site num movimento cultural que ajude as pessoas a crescerem na virtude, aprendendo a buscar a verdade, a amá-la e a servi-la. Nosso objetivo é levá-lo a uma mudança de vida, que só acontecerá se você estiver buscando a verdade.

      Nesta obra Hitler e os alemães, Eric Voegelin falou do conceito de “estupidez criminosa” (kriminelle dummheit). Não se trata de uma ofensa, mas de uma descrição técnica. Isso que Voegelin viu, os escolásticos já viram antes. Santo Tomás de Aquino também descreveu esse fenômeno. Inclusive, esse foi o tema da minha dissertação de mestrado em Direito Canônico: a culpabilidade e a imputabilidade da ignorância, a partir de uma regulæ iuris (“regra de lei”) que foi incorporada no corpus do Direito Canônico, num livro extra de Gregório IX, de 1234.

      Essa referida regulae iuris foi retirada de um trecho de uma carta de São Gregório Magno ao Patriarca João IV, de Constantinopla (também conhecido como João, O Jejuador). A situação foi a seguinte: alguns padres latinos estavam em Constantinopla e tiveram um desentendimento com o ajudante de ordens do Patriarca, que mandou prender e chicotear esses padres. De volta a Roma, os presbíteros foram reclamar ao Papa Gregório sobre o incidente. O Pontífice então escreveu para João IV, acusando-o de ignorar os erros que estavam ocorrendo em sua própria casa. Quando o Patriarca respondeu dizendo que não tinha conhecimento daquela prisão, Gregório Magno disse: “Non est pastoris excusatio si lupus oves comedit et pastor nescit”, “não há desculpa para o pastor, se o lobo come as ovelhas e o pastor não sabe”. Ou seja, se você é pastor para proteger as ovelhas, ignorar que elas estão sofrendo um dano, é algo criminoso." (aula 5 - Ignorância Criminosa)

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