A Tática do Caminho do Meio e a Consolidação do Extremo Centro Global
Aula 195 — Curso de Logopolítica
Esta transcrição segue a estrutura de uma aula organizada, preservando o conteúdo integral da fala do professor, com a devida sinalização de tópicos, termos-chave e referências citadas.
1. Título provável da aula
2. Transcrição organizada
Introdução e Contexto do Curso
Alô a todos. A aula 195 está no ar no nosso curso de logopolítica. Sejam muito bem-vindos. Estamos na terceira aula da quinta temporada, chegando perto da aula 200. Nossa construção é uma jornada onde seguimos pistas que nos levam a outras, sem uma preocupação estritamente sistemática de cobrir terrenos específicos, mas focando naquilo que nos interessa em cada momento.
O Positivismo e a Religião da Humanidade
Neste espírito, vamos nos desviar um pouco do plano original, que era continuar a análise da ideia da religião da humanidade dentro do positivismo. Esse tema informa a teologia — ou melhor, uma sociologia superficial — expressa na encíclica Magnífica Humanitas, atribuída ao Papa Leão X, posteriormente referido como Leão XIV no contexto do positivismo brasileiro.
O termo sociologia, embora não inventado por Auguste Comte, foi por ele divulgado para descrever seu sistema que coloca a sociedade e a humanidade como um novo deus.
O Vazamento do G7: Lula e o “Caminho do Meio”
Um detalhe recente chamou a atenção: uma fala vazada do presidente Lula durante a reunião de líderes do G7 em Evian, na França.
Em conversa com Kristalina Georgieva, do FMI, e o chanceler alemão Olaf Scholz, referido como Metz, capturada por microfones, Lula afirmou que:
“O mundo não é de esquerda” e ele próprio “nunca foi esquerdista”.
Lula defendeu que o mundo pertence ao caminho do meio.
Análise de Precisão Factual: Esquerda versus Direita no Poder
O argumento de Lula de que os democratas, identificados com a esquerda, ficaram menos tempo no poder que os republicanos, identificados com a direita, nos Estados Unidos, não se sustenta factualmente, especialmente no período posterior à queda do Muro de Berlim.
- Estados Unidos: de 1989 até o presente, os democratas ocuparam a presidência por 20 anos, contra 16 anos dos republicanos, contabilizando os mandatos de Bill Clinton, George Bush pai e filho, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden. ```
- França: no mesmo período, somando os governos de François Mitterrand, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron, considerado aqui como de esquerda, a esquerda prevalece com cerca de 22 anos contra 17 anos da direita.
- Brasil: neste século, o Partido dos Trabalhadores — PT ocupou o poder durante a maior parte do tempo, exceto pelos períodos dos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. ```
A Estratégia da Desideologização e o “Extremo Centro”
A fala de Lula não é por acaso. Ela representa uma tentativa de se encaixar em um ambiente no qual o poder mundial está mudando.
A tática não é a contraposição explícita ou o choque contra a direita, como ocorre no fenômeno Trump, mas o desgaste através do engano. Lula busca definir o terreno como sendo o “centro”, utilizando uma linguagem semelhante à dos europeus que defendem o multilateralismo e a ordem liberal internacional para “cozinhar” ou neutralizar o impulso transformador da direita.
Desde o fim da Guerra Fria, utiliza-se o discurso do fim das ideologias. Trata-se de uma afirmação capciosa: ao dizer que as ideologias acabaram, tenta-se inviabilizar qualquer ideário conservador ou de direita, enquanto o ideário de esquerda, instalado na academia, na mídia e nas universidades desde os anos 1960, continua operando de forma invisível.
A esquerda, quando assume o poder, desideologiza o discurso, tratando sua agenda como “normalidade” e rotulando qualquer oposição como “extremismo”.
- No Brasil, isso se manifesta na aliança entre a esquerda e o Centrão.
- No plano internacional, manifesta-se no multilateralismo.
O Aparelhamento do “Campo de Jogo”
A esquerda aprendeu, com Antonio Gramsci, a controlar o terreno da disputa e o discurso.
Ela não é apenas um time em campo; ela se transformou no próprio campo, na bola e no juiz.
Ela define as regras e impede a direita de jogar, alegando que esta é “extremista”.
O empresariado muitas vezes adere a esse sistema porque não deseja o liberalismo real ou uma economia livre, mas sim monopólios associados a amizades políticas e bancos acoplados ao Estado.
No Brasil, o agronegócio acaba acoplado a um ator totalitário estrangeiro, a China, fugindo da livre concorrência.
A China e a Nova Governança Global
A China, uma superpotência marxista, busca criar uma governança global como máscara para sua própria hegemonia.
Foi publicado recentemente um informe do Conselho de Estado da China intitulado:
O documento utiliza uma linguagem palatável a diplomatas ocidentais e até ao Papa, falando em “futuro brilhante” e “mãos dadas”, mas ocultando o projeto de controle estatal e o marxismo subjacente.
A China, assim como Lula, apresenta-se estrategicamente como o centro.
A Referência de Gérard Slamar
O conceito de Extremo Centro foi lançado por Gérard Slamar em seu livro de 1980, Chasseurs d’absolu: Genèse de la gauche et de la droite.
O autor descreve uma corrente política que utiliza a metáfora do centro não como neutralidade, mas como um projeto de poder destinado a excluir adversários.
O centro ocupa o espaço e invalida os “temperamentos” humanos — tanto o de direita quanto o de esquerda original — em favor da pura manutenção do poder.
3. Principais tópicos abordados
- A influência do positivismo e da sociologia de Auguste Comte na visão de humanidade. ```
- Análise crítica do vazamento de Lula no G7 e da tática do “caminho do meio”.
- A alegada falsidade factual da alternância de poder entre esquerda e direita nos Estados Unidos e na Europa.
- A esquerda como controladora do discurso e do “campo de jogo” político.
- O tripé globalista: China, crime organizado e multilateralismo.
- Análise do novo documento chinês sobre governança global.
- O conceito de Extremo Centro de Gérard Slamar. ```
4. Nomes, livros, artigos, autores e referências citadas
- Auguste Comte: apresentado como pai do positivismo. ```
- Papa Leão XIII: referido no áudio como Leão X e Leão XIV; associado à encíclica Humanitas.
- Lula: citado por sua declaração sobre o “caminho do meio” e por afirmar que nunca teria sido esquerdista.
- Kristalina Georgieva: presidente do Fundo Monetário Internacional — FMI.
- Olaf Scholz: chanceler da Alemanha, referido como “Metz”.
- Bill Clinton, George Bush pai, George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden: presidentes dos Estados Unidos mencionados na análise da alternância de poder.
- François Mitterrand, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron: líderes franceses mencionados.
- Giorgia Meloni: primeira-ministra da Itália.
- Sun Tzu: mencionado em referência à tática apresentada em A Arte da Guerra.
- Antonio Gramsci: associado à estratégia de ocupação cultural e ao controle do discurso.
- Xi Jinping: líder da China e representante de seu projeto marxista.
- Celso Amorim: mencionado na crítica ao conceito de “Brasil normal”.
- Jair Bolsonaro: mencionado em relação aos discursos na Organização das Nações Unidas — ONU — e à questão da cristofobia.
- Gérard Slamar: autor de Chasseurs d’absolu: Genèse de la gauche et de la droite, publicado em 1980.
- Keir Starmer: primeiro-ministro do Reino Unido.
- Foro de São Paulo: mencionado no contexto de cooperação criminosa.
- PROSUL: apresentado como uma tentativa de cooperação sul-americana. ```
5. Trechos incertos ou inaudíveis
Nome do autor: grafado como Gérard Slamar conforme a fonética do áudio, embora possa referir-se a variações como “Sussmann” ou “Sousi” em registros externos. Foi mantida a forma “Slamar”, conforme a instrução de não acrescentar explicações externas.
```Nome do chanceler alemão: pronunciado como “Metz”, embora o cargo mencionado corresponda a Olaf Scholz.
```Perguntas dos Alunos
Pergunta
```Hoje se comprova que todo o governo, Legislativo e Judiciário foram totalmente comprados por narcotraficantes nacionais e internacionais. É difícil pensar numa saída apenas com eleições. Uma ação dos Estados Unidos seria bem-vinda?
Resposta
As eleições fazem parte de um campo de jogo dominado por um projeto de poder e não são neutras. Uma intervenção direta americana não ocorrerá, mas a ação dos Estados Unidos pode ser decisiva ao revelar as conexões criminosas do sistema.
No entanto, passar o país a limpo cabe sempre aos brasileiros. O papel externo é fundamental, mas lateral. A dificuldade é que até o “antibiótico” — a direita — está contaminado pelo sistema.
```Pergunta
```Estados Unidos e Irã sinalizam um possível pacto de trégua. Israel poderá ficar exposto ao terror?
Resposta
Israel sempre esteve exposto. Enquanto não houver uma mudança de regime no Irã, a ameaça do terrorismo, representada por grupos como Hezbollah e Hamas, permanece.
Acordos provisórios podem ser decepcionantes, e a cura definitiva passa pela queda do regime revolucionário dos aiatolás.
```Principais Ideias
- O discurso do caminho do meio pode funcionar como estratégia de ocupação do espaço político central. ```
- A desideologização transforma determinadas agendas políticas em aparente normalidade, enquanto classifica a oposição como extremista.
- O controle político não se limita aos governos, mas envolve o domínio das instituições, da linguagem, da cultura e das regras do debate.
- O chamado Extremo Centro não representa neutralidade, mas um projeto de poder que busca excluir adversários políticos.
- O multilateralismo é apresentado como uma das formas internacionais dessa estratégia de centralização.
- A China utiliza a linguagem da governança global, da justiça e da cooperação para apresentar de maneira aceitável seu projeto de hegemonia.
- Eleições realizadas dentro de um campo institucional previamente dominado não seriam, segundo a aula, inteiramente neutras.
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