11 de julho de 2026

[Aula] 195 - Centralizando a cleptopia (2026)

 


A Tática do Caminho do Meio e a Consolidação do Extremo Centro Global

Aula 195 — Curso de Logopolítica

Esta transcrição segue a estrutura de uma aula organizada, preservando o conteúdo integral da fala do professor, com a devida sinalização de tópicos, termos-chave e referências citadas.

1. Título provável da aula

A Tática do Caminho do Meio e a Consolidação do Extremo Centro Global

2. Transcrição organizada

Introdução e Contexto do Curso

Alô a todos. A aula 195 está no ar no nosso curso de logopolítica. Sejam muito bem-vindos. Estamos na terceira aula da quinta temporada, chegando perto da aula 200. Nossa construção é uma jornada onde seguimos pistas que nos levam a outras, sem uma preocupação estritamente sistemática de cobrir terrenos específicos, mas focando naquilo que nos interessa em cada momento.

O Positivismo e a Religião da Humanidade

Neste espírito, vamos nos desviar um pouco do plano original, que era continuar a análise da ideia da religião da humanidade dentro do positivismo. Esse tema informa a teologia — ou melhor, uma sociologia superficial — expressa na encíclica Magnífica Humanitas, atribuída ao Papa Leão X, posteriormente referido como Leão XIV no contexto do positivismo brasileiro.

O termo sociologia, embora não inventado por Auguste Comte, foi por ele divulgado para descrever seu sistema que coloca a sociedade e a humanidade como um novo deus.

A questão fundamental permanece: quem é o homem? Somos o deus de nós mesmos ou dialogamos com uma realidade superior?

O Vazamento do G7: Lula e o “Caminho do Meio”

Um detalhe recente chamou a atenção: uma fala vazada do presidente Lula durante a reunião de líderes do G7 em Evian, na França.

Em conversa com Kristalina Georgieva, do FMI, e o chanceler alemão Olaf Scholz, referido como Metz, capturada por microfones, Lula afirmou que:

“O mundo não é de esquerda” e ele próprio “nunca foi esquerdista”.

Lula defendeu que o mundo pertence ao caminho do meio.

Análise de Precisão Factual: Esquerda versus Direita no Poder

O argumento de Lula de que os democratas, identificados com a esquerda, ficaram menos tempo no poder que os republicanos, identificados com a direita, nos Estados Unidos, não se sustenta factualmente, especialmente no período posterior à queda do Muro de Berlim.

  • Estados Unidos: de 1989 até o presente, os democratas ocuparam a presidência por 20 anos, contra 16 anos dos republicanos, contabilizando os mandatos de Bill Clinton, George Bush pai e filho, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden.
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  • França: no mesmo período, somando os governos de François Mitterrand, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron, considerado aqui como de esquerda, a esquerda prevalece com cerca de 22 anos contra 17 anos da direita.
  • Brasil: neste século, o Partido dos Trabalhadores — PT ocupou o poder durante a maior parte do tempo, exceto pelos períodos dos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
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A Estratégia da Desideologização e o “Extremo Centro”

A fala de Lula não é por acaso. Ela representa uma tentativa de se encaixar em um ambiente no qual o poder mundial está mudando.

A tática não é a contraposição explícita ou o choque contra a direita, como ocorre no fenômeno Trump, mas o desgaste através do engano. Lula busca definir o terreno como sendo o “centro”, utilizando uma linguagem semelhante à dos europeus que defendem o multilateralismo e a ordem liberal internacional para “cozinhar” ou neutralizar o impulso transformador da direita.

Ponto central: a estratégia consiste em ocupar o centro para conduzir o mundo em direção à esquerda.

Desde o fim da Guerra Fria, utiliza-se o discurso do fim das ideologias. Trata-se de uma afirmação capciosa: ao dizer que as ideologias acabaram, tenta-se inviabilizar qualquer ideário conservador ou de direita, enquanto o ideário de esquerda, instalado na academia, na mídia e nas universidades desde os anos 1960, continua operando de forma invisível.

A esquerda, quando assume o poder, desideologiza o discurso, tratando sua agenda como “normalidade” e rotulando qualquer oposição como “extremismo”.

  • No Brasil, isso se manifesta na aliança entre a esquerda e o Centrão.
  • No plano internacional, manifesta-se no multilateralismo.

O Aparelhamento do “Campo de Jogo”

A esquerda aprendeu, com Antonio Gramsci, a controlar o terreno da disputa e o discurso.

Ela não é apenas um time em campo; ela se transformou no próprio campo, na bola e no juiz.

Ela define as regras e impede a direita de jogar, alegando que esta é “extremista”.

O empresariado muitas vezes adere a esse sistema porque não deseja o liberalismo real ou uma economia livre, mas sim monopólios associados a amizades políticas e bancos acoplados ao Estado.

No Brasil, o agronegócio acaba acoplado a um ator totalitário estrangeiro, a China, fugindo da livre concorrência.

A China e a Nova Governança Global

A China, uma superpotência marxista, busca criar uma governança global como máscara para sua própria hegemonia.

Foi publicado recentemente um informe do Conselho de Estado da China intitulado:

“Uma governança global mais justa e equitativa: os princípios, propostas e ações da China”

O documento utiliza uma linguagem palatável a diplomatas ocidentais e até ao Papa, falando em “futuro brilhante” e “mãos dadas”, mas ocultando o projeto de controle estatal e o marxismo subjacente.

A China, assim como Lula, apresenta-se estrategicamente como o centro.

A Referência de Gérard Slamar

O conceito de Extremo Centro foi lançado por Gérard Slamar em seu livro de 1980, Chasseurs d’absolu: Genèse de la gauche et de la droite.

O autor descreve uma corrente política que utiliza a metáfora do centro não como neutralidade, mas como um projeto de poder destinado a excluir adversários.

O centro ocupa o espaço e invalida os “temperamentos” humanos — tanto o de direita quanto o de esquerda original — em favor da pura manutenção do poder.

3. Principais tópicos abordados

  • A influência do positivismo e da sociologia de Auguste Comte na visão de humanidade.
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  • Análise crítica do vazamento de Lula no G7 e da tática do “caminho do meio”.
  • A alegada falsidade factual da alternância de poder entre esquerda e direita nos Estados Unidos e na Europa.
  • A esquerda como controladora do discurso e do “campo de jogo” político.
  • O tripé globalista: China, crime organizado e multilateralismo.
  • Análise do novo documento chinês sobre governança global.
  • O conceito de Extremo Centro de Gérard Slamar.
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4. Nomes, livros, artigos, autores e referências citadas

  • Auguste Comte: apresentado como pai do positivismo.
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  • Papa Leão XIII: referido no áudio como Leão X e Leão XIV; associado à encíclica Humanitas.
  • Lula: citado por sua declaração sobre o “caminho do meio” e por afirmar que nunca teria sido esquerdista.
  • Kristalina Georgieva: presidente do Fundo Monetário Internacional — FMI.
  • Olaf Scholz: chanceler da Alemanha, referido como “Metz”.
  • Bill Clinton, George Bush pai, George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden: presidentes dos Estados Unidos mencionados na análise da alternância de poder.
  • François Mitterrand, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron: líderes franceses mencionados.
  • Giorgia Meloni: primeira-ministra da Itália.
  • Sun Tzu: mencionado em referência à tática apresentada em A Arte da Guerra.
  • Antonio Gramsci: associado à estratégia de ocupação cultural e ao controle do discurso.
  • Xi Jinping: líder da China e representante de seu projeto marxista.
  • Celso Amorim: mencionado na crítica ao conceito de “Brasil normal”.
  • Jair Bolsonaro: mencionado em relação aos discursos na Organização das Nações Unidas — ONU — e à questão da cristofobia.
  • Gérard Slamar: autor de Chasseurs d’absolu: Genèse de la gauche et de la droite, publicado em 1980.
  • Keir Starmer: primeiro-ministro do Reino Unido.
  • Foro de São Paulo: mencionado no contexto de cooperação criminosa.
  • PROSUL: apresentado como uma tentativa de cooperação sul-americana.
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5. Trechos incertos ou inaudíveis

Nome do autor: grafado como Gérard Slamar conforme a fonética do áudio, embora possa referir-se a variações como “Sussmann” ou “Sousi” em registros externos. Foi mantida a forma “Slamar”, conforme a instrução de não acrescentar explicações externas.

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Nome do chanceler alemão: pronunciado como “Metz”, embora o cargo mencionado corresponda a Olaf Scholz.

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Perguntas dos Alunos

Pergunta

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Hoje se comprova que todo o governo, Legislativo e Judiciário foram totalmente comprados por narcotraficantes nacionais e internacionais. É difícil pensar numa saída apenas com eleições. Uma ação dos Estados Unidos seria bem-vinda?

Resposta

As eleições fazem parte de um campo de jogo dominado por um projeto de poder e não são neutras. Uma intervenção direta americana não ocorrerá, mas a ação dos Estados Unidos pode ser decisiva ao revelar as conexões criminosas do sistema.

No entanto, passar o país a limpo cabe sempre aos brasileiros. O papel externo é fundamental, mas lateral. A dificuldade é que até o “antibiótico” — a direita — está contaminado pelo sistema.

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Pergunta

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Estados Unidos e Irã sinalizam um possível pacto de trégua. Israel poderá ficar exposto ao terror?

Resposta

Israel sempre esteve exposto. Enquanto não houver uma mudança de regime no Irã, a ameaça do terrorismo, representada por grupos como Hezbollah e Hamas, permanece.

Acordos provisórios podem ser decepcionantes, e a cura definitiva passa pela queda do regime revolucionário dos aiatolás.

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Principais Ideias

  • O discurso do caminho do meio pode funcionar como estratégia de ocupação do espaço político central.
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  • A desideologização transforma determinadas agendas políticas em aparente normalidade, enquanto classifica a oposição como extremista.
  • O controle político não se limita aos governos, mas envolve o domínio das instituições, da linguagem, da cultura e das regras do debate.
  • O chamado Extremo Centro não representa neutralidade, mas um projeto de poder que busca excluir adversários políticos.
  • O multilateralismo é apresentado como uma das formas internacionais dessa estratégia de centralização.
  • A China utiliza a linguagem da governança global, da justiça e da cooperação para apresentar de maneira aceitável seu projeto de hegemonia.
  • Eleições realizadas dentro de um campo institucional previamente dominado não seriam, segundo a aula, inteiramente neutras.
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