13 de julho de 2026

[Aula] 197 - A ordem mundial em vias de se constituir (2026)

 




Abaixo está a transcrição organizada da aula ministrada por Ernesto Araújo, conforme solicitado.


1. Título provável da aula

Logopolítica e a Nova Ordem Mundial: O Globalismo como Comunismo do Século XXI e o Desafio da Verdade


2. Transcrição organizada

Introdução e a Herança de Olavo de Carvalho

O encontro marca os 11 anos de reuniões de alunos do professor Olavo de Carvalho na Europa, baseando-se no princípio tomista de Idem Velle e Idem Nolle (querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas) para cultivar a amizade e a vida intelectual. Ernesto Araújo destaca que o professor Olavo permitiu uma convergência fundamental entre a vida profissional, intelectual, artística e espiritual, rompendo a separação que a modernidade impõe entre esses domínios. Segundo ele, Olavo não entregou "caixinhas de ideias", mas abriu um campo de pensamento onde o ser humano pode atuar na busca incessante pela verdade.

A Filosofia da Alma e a Busca pela Verdade

A modernidade acostumou o ser humano a não pensar ou a pensar de forma previamente estruturada, fragmentando o indivíduo e a humanidade. Para entender a geopolítica, é necessário retornar a Aristóteles, especificamente ao livro VI da Ética a Nicômaco. Aristóteles fala de cinco propriedades ou funções da alma (em grego, hexis).

O conceito fundamental é o verbo grego aleteuein, que pode ser traduzido como "verdadeirizar" ou a forma como a alma busca a verdade. No pensamento grego, a verdade não é um objeto externo, mas uma atividade interna da alma. As cinco propriedades são:

  1. Techne (Técnica): A habilidade de fazer e falar.
  2. Phronesis (Prudência/Conhecimento Prático): A "sacação dos lances" no mundo concreto.
  3. Episteme (Conhecimento Científico): A ciência elaborada.
  4. Nus (Iluminação/Intelecto): A capacidade de ser iluminado e a visão para as coisas espirituais.
  5. Sophia (Sabedoria): A faculdade superior.

São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, eleva esse conceito ao falar da Sabedoria de Deus (Sophia tou Theou), que supera a sabedoria dos homens. A modernidade e o globalismo operam "cortando as raízes no céu" (conceito de Rémi Brague em As Âncoras no Céu), isolando a técnica e a ciência das faculdades suprarracionais (Nus e Sophia), tornando-as instrumentos de manipulação e poder.

Definição e Pilares do Globalismo

A logopolítica (política do Logos) precede a geopolítica, pois o pensamento reestrutura o poder. O globalismo é definido aqui como o comunismo do século XXI. Diferente de uma ideologia estática, o marxismo é um método e um projeto de poder que se metamorfoseia.

O sistema globalista atual é descrito como uma heterarquia — um sistema com vários centros, como um polvo de muitos tentáculos e sem uma única cabeça visível. Araújo identifica três pilares principais do globalismo contemporâneo:

  1. O Bloco Totalitário: Centrado na China (protagonista) e na Rússia neossovietica (coadjuvante), incluindo o Irã.
  2. O Eixo Davos/Great Reset: Representa o multilateralismo, as organizações internacionais e o projeto ocidental de controle global.
  3. O Crime Organizado Transnacional: Máfias e cartéis que atuam em simbiose com os projetos totalitários, especialmente na América Latina.

O Islã é visto como uma força fragmentada: uma vertente pró-ocidental (Arábia Saudita) e uma vertente hegemônica ligada ao Irã, que está atualmente na defensiva. A imigração em massa para a Europa é interpretada não como um projeto islâmico original, mas como algo programado pela vertente de Davos.

A Reação Antiglobalista e o Cenário Internacional

O processo de consolidação desse globalismo ocorreu por volta do ano 2000, quando o marxismo decidiu "tomar a globalização por dentro". A reação começou com movimentos espontâneos, tendo o Brasil um papel pioneiro (jornadas de 2013 e o impeachment de 2015), seguido pelo Brexit e pela eleição de Donald Trump em 2016.

A pandemia foi uma contraofensiva globalista, servindo como um exercício de domínio epistemológico para mudar a forma como as pessoas interpretam a realidade. Outros eventos, como a invasão da Ucrânia e o ataque do Hamas a Israel, são vistos como tentativas de desgastar as forças remanescentes do antigo mundo e expandir o poder do eixo China-Rússia-Irã.

No contexto atual (Trump 2), observa-se um ataque direto aos pilares globalistas:

  • Desmonte do multilateralismo controlado (OMS, OMC, Acordo de Paris).
  • Combate ao crime organizado na América Latina (exemplos de Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador).
  • Isolamento tecnológico e econômico da China.

A Corrida Tecnológica e a "República Tecnológica"

Um ponto central da nova ordem é a Inteligência Artificial (IA). Araújo cita a obra de Alex Karp (CEO da Palantir) sobre a necessidade de um novo complexo industrial-militar-tecnológico para que a IA não fique sob governança multilateral influenciada pela China. Ele critica a postura do Papa Francisco (mencionado como "Leão XIV" em um lapso corrigido), que defende uma governança global da IA, o que, na visão de Araújo, favoreceria o campo globalista.

O Perigo das "Direitas" Equivocadas e o Papel do Brasil

Araújo alerta para o risco do eurasianismo e do dugnismo (Aleksandr Dugin), que seduzem conservadores com críticas ao liberalismo, mas funcionam como uma "Teologia da Libertação" da direita para levar as pessoas ao campo sino-soviético. Ele defende que a intelectualidade conservadora ainda é "rala" e precisa criar sua própria "biblioteca".

O Brasil é incentivado a ser uma "Atenas Olavista", um polo líder de pensamento e poder em um mundo novo, aproveitando o legado intelectual de Olavo de Carvalho. Politicamente, a ponte para essa transformação no Brasil é identificada na candidatura de Flávio Bolsonaro, focada na aliança com os EUA contra o crime e a influência chinesa.


Perguntas e Respostas

Pergunta sobre o desprezo do conservadorismo francês pelo conservadorismo atlântico (americano):
Araújo atribui isso à vaidade intelectual francesa, que prefere ser protagonista em um mundo marxista a ser coadjuvante em um polo americano. Além disso, aponta a infiltração russa na direita europeia para plantar o antiamericanismo. A solução passaria por uma "invasão viking olavista" de ideias e pelo reconhecimento de que os problemas comuns (como a imigração) exigem a aliança com o "trampismo". Ele ressalta que falta cristianismo nos movimentos conservadores europeus, o que gera uma "autossabotagem" ao recusar a aliança americana.

Pergunta sobre os interesses nacionais dos EUA vs. projetos ideológicos na América Latina:
Araújo afirma que há uma convergência inédita: para a segurança dos EUA, é vital ter governos decentes na América Latina que não estejam ligados ao crime ou à China. Ele defende uma relação transacional, mas estratégica, como a criação de uma área de livre comércio das Américas e parcerias em tecnologia militar e IA, citando o exemplo de Javier Milei na Argentina.

Pergunta sobre o reflexo do conflito EUA-Irã nas eleições norte-americanas:
Ele acredita que o impacto é grande, especialmente no preço da gasolina, mas que Trump parece disposto a pagar o preço político para promover uma mudança de regime em Teerã, rompendo com o ciclo de chantagem do regime iraniano sobre o mercado de energia.


3. Principais tópicos abordados

  • A importância da amizade intelectual e o legado de Olavo de Carvalho.
  • As propriedades da alma em Aristóteles (Techne, Episteme, Phronesis, Nus, Sophia).
  • A crítica à modernidade como fragmentadora e "desenraizadora" do céu.
  • O Globalismo definido como comunismo e sua estrutura heterárquica.
  • O "Trio Totalitário": China, Rússia e Irã.
  • O papel do Crime Organizado como pilar político na América Latina.
  • Marxismo como método de poder e não apenas ideologia econômica.
  • A reação de Donald Trump e a nova corrida tecnológica (IA).
  • Crítica ao eurasianismo e à influência russa na direita (Dugin).
  • O potencial do Brasil como polo intelectual e político (Atenas Olavista).

4. Nomes, livros, artigos, colunas, autores e referências citadas

  • Autores/Personalidades: Olavo de Carvalho, Aristóteles, São Paulo (Apóstolo), Rémi Brague, Karl Marx, Engels, Xi Jinping, Donald Trump, Jair Bolsonaro, Javier Milei, Flávio Bolsonaro, Aleksandr Dugin, Curtis Yarvin, Nick Land, Jean-François Revel, Mao Tsé-Tung, Richard Nixon, Henry Kissinger, Alan Badiou, Alex Karp, Peter Thiel, Roger Scruton, Edmund Burke, Nietzsche, Papa Francisco.
  • Livros/Obras: Ética a Nicômaco (Aristóteles), Primeira Carta aos Coríntios (Bíblia), As Âncoras no Céu (Rémi Brague), Ni Marx ni Jésus (Jean-François Revel), República Tecnológica (Alex Karp), O Jardim das Aflições (Olavo de Carvalho), Zarathustra (Nietzsche - referência ao super-homem).
  • Conceitos/Termos-Chave: Idem Velle e Idem Nolle, Hexis, Aleteuein (Verdadeirizar), Nus, Sophia, Logopolítica, Globalismo, Great Reset, Heterarquia, Foro de São Paulo, Woke, Destino Comum da Humanidade.

5. Trechos incertos ou inaudíveis

  • **** Referência a um ex-aluno do Olavo venezuelano: Araújo menciona o nome "Vladimir", hesita com o sobrenome "Padrino" (que identifica como sendo do regime), e não recorda o sobrenome correto do aluno no momento.
  • **** Menção à empresa Palantir e seu livro: Araújo cita o título como "República Tecnológica", mas demonstra leve incerteza sobre o título exato em inglês.
  • **** Lapso de nome: Araújo chama o atual Papa de "Leão XIV", corrigindo-se logo em seguida para referir-se ao Papa atual e sua encíclica sobre IA.
  • **** "nada é ox G": Possível termo truncado ou expressão coloquial não identificada com clareza.
  • **** "Academia Meteoro": Nome do projeto/site de cursos de Ernesto Araújo..





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