4 de agosto de 2026

[Aula] 022 - Preparação para a vida intelectual pública (2009)

 



Curso Online de Filosofia — Aula 22

Olavo de Carvalho — 5 de setembro de 2009

O texto-fonte identifica-se como uma transcrição provisória, destinada originalmente aos alunos do curso e não revista pelo autor. O resumo abaixo reproduz a sequência argumentativa e as posições apresentadas na aula, sem acrescentar informações externas.

1. Preparação para a vida intelectual pública

Formação antes da exposição pública

Olavo inicia a aula examinando o ambiente histórico-cultural brasileiro e mundial no qual os alunos exercerão futuramente sua atividade pública como estudiosos. Ele estima que essa atuação só deveria começar depois de aproximadamente cinco ou seis anos de formação, pois não haveria como acelerar a constituição de uma verdadeira capacidade intelectual.

Abstinência temporária dos debates públicos

Os alunos são aconselhados a evitar, por enquanto, debates na Internet, comentários em sites jornalísticos e outras formas de exposição pública. Sem uma obra intelectual realizada ou em desenvolvimento, suas intervenções seriam apenas opiniões indiferenciadas, semelhantes às de inúmeras outras pessoas.

Necessidade de uma nova camada intelectual

A prioridade seria formar uma intelectualidade séria, qualificada e independente, capaz de substituir os indivíduos que, segundo o professor, teriam destruído a vida cultural superior do Brasil. A autoridade de uma opinião deveria proceder da obra, dos estudos e da competência efetivamente demonstrada.

Mapeamento do terreno histórico

A descrição do cenário contemporâneo não pretende intimidar os alunos, mas permitir que cada um prepare uma estratégia e uma tática de atuação intelectual. Antes de participar da vida pública, seria necessário compreender as forças políticas, econômicas, científicas e culturais que delimitam esse campo.

2. A elite internacional e o projeto de governo mundial

Origem histórica do poder financeiro

Segundo a exposição, o mundo contemporâneo seria marcado pela existência de uma elite internacional rica e poderosa, cujos integrantes coordenariam suas atividades em torno de projetos de governo mundial. A cooperação entre bancos de diferentes países não seria nova: desde os séculos XII ou XIII, banqueiros teriam formado associações para endividar governos e exercer pressão sobre eles.

A novidade da escala mundial

O elemento novo não seria a existência de uma elite bancária, mas a extensão global de seu poder. A partir da segunda metade do século XIX, essa elite teria incorporado intelectuais, cientistas e escritores aos seus círculos de discussão, produzindo planos progressivamente mais claros e abrangentes.

Movimentos políticos como forças parciais

Olavo sustenta que os grandes movimentos políticos do século XX não expressariam isoladamente todo o projeto dessa elite. Cada movimento representaria apenas uma parte do processo, sendo mobilizado em combinação ou conflito com outros para produzir resultados mais amplos.

Complexidade, e não segredo absoluto

A aula rejeita a imagem simplificada de uma “mão oculta” que controlaria perfeitamente todos os acontecimentos. Os projetos seriam públicos e documentados, mas permaneceriam pouco compreendidos devido à sua complexidade, à extensão histórica e ao elevado nível das discussões envolvidas.

Limitação do cidadão comum

O eleitor comum não possuiria os instrumentos intelectuais necessários para avaliar esses processos, assim como uma congregação religiosa comum não estaria preparada para discutir adequadamente física quântica. Por isso, o tema exigiria uma intelectualidade capaz de observá-lo de fora, sem participação direta no projeto e sem reduzi-lo a uma denúncia militante.

3. Bibliografia interna e bibliografia militante

Intelectuais vinculados ao processo

Grande parte da literatura sobre a chamada Nova Ordem Mundial teria sido produzida por intelectuais que conheciam e apoiavam seus objetivos. São mencionados Carroll Quigley, H. G. Wells e Aldous Huxley.

Denúncias produzidas por correntes parciais

Outra parte da bibliografia seria composta por autores e movimentos que denunciam o processo a partir de posições militantes anteriores, como o marxismo, o comunismo, o nacionalismo ou outras correntes políticas.

Revolta como função interna

Alguns dos movimentos que combatem determinadas manifestações do globalismo fariam parte, segundo a aula, do próprio processo global. A revolta de uma facção contra outra não significaria necessariamente oposição ao conjunto, pois poderia desempenhar uma função dentro dele.

4. José Bové, Monsanto e os diferentes níveis de interpretação

O acontecimento na escala local

Como exemplo, é recordada a atuação do militante ecologista francês José Bové, que destruiu uma plantação de sementes transgênicas pertencente à Monsanto. Na perspectiva jornalística imediata, o episódio aparece como uma luta entre um militante socialista e uma grande multinacional capitalista.

O acontecimento na escala global

Olavo afirma que a Monsanto participaria de um projeto de controle mundial da alimentação articulado com organismos da ONU. Nessa perspectiva mais ampla, o controle centralizado da produção alimentar seria mais próximo de uma concepção socialista do que a própria militância de José Bové.

Limitação do horizonte do militante

Bové perceberia apenas dois elementos: sua ideologia ecologista e a questão dos transgênicos, interpretados como ameaça ecológica, biológica e natural. Ele não enxergaria a relação entre a empresa e projetos internacionais mais abrangentes.

Escala micro e escala superior

A mídia apresentaria os acontecimentos na escala micro, atribuindo-lhes um sentido que pode ser absorvido ou contradito por significados observáveis numa escala maior. A compreensão histórica exigiria acompanhar simultaneamente os vários níveis de significação.

Narrativa da luta de classes

O jornalismo brasileiro interpretaria o episódio segundo a narrativa da luta de classes: pequenos agricultores e militantes contra o grande capital. Esse enredo não seria necessariamente falso em sua escala, mas seria insuficiente para explicar o processo integral.

Busca de uma perspectiva civilizacional

A prioridade proposta aos alunos é compreender os acontecimentos segundo uma perspectiva mais abrangente, orientada por valores civilizacionais permanentes. Isso não exige postular uma unidade absoluta de toda a história humana, mas alcançar a maior amplitude de visão possível.

5. Globalização como integração planejada

Limites do julgamento socialista

O movimento globalista não poderia ser adequadamente julgado por meio do socialismo porque, na interpretação apresentada, o próprio socialismo seria uma de suas partes ou funções. Uma corrente interna não teria amplitude suficiente para avaliar o processo completo.

Toynbee e Quigley como referências necessárias

Para compreender a autointerpretação histórica do globalismo, seria necessário estudar Arnold Toynbee e Carroll Quigley. O estudante deveria, no mínimo, enxergar aquilo que os formuladores e historiadores ligados ao processo enxergam.

Contato crescente entre culturas

Recorrendo a Ellsworth Huntington e ao livro As Fontes da CivilizaçãoMainsprings of Civilization —, a aula menciona como constante histórica o contato crescente entre culturas, impulsionado pelo aumento populacional e pela expansão das sociedades.

Absorção e integração

A aproximação entre culturas tenderia a produzir a absorção das menores pelas maiores. Esse processo de integração existiria espontaneamente na história.

Da integração espontânea à globalização planejada

Quando indivíduos poderosos tomam consciência dessa integração, procuram transformá-la em um processo voluntário, deliberado e planejado. A globalização é definida, na aula, como a tentativa de dirigir conscientemente um movimento de integração que já acontecia materialmente.

Controle do processo histórico

As correntes globalistas compartilhariam uma visão do futuro baseada no crescimento do controle humano sobre a natureza. A partir disso, passariam a acreditar que o próprio desenvolvimento histórico pode ser previsto, dirigido e controlado.

6. A ambiguidade do liberalismo

Liberalismo brasileiro e classic liberalism

A aula distingue o sentido brasileiro de liberalismo, associado à livre empresa, do uso norte-americano da palavra liberal, geralmente relacionado à esquerda moderada. Nos Estados Unidos, a posição econômica liberal clássica seria designada como classic liberalism.

Livre mercado e rejeição da economia planejada

Os liberais clássicos defendem a liberdade econômica e se opõem aos controles estatais nacionais. Nesse aspecto, rejeitam diretamente a economia planejada.

Enfraquecimento das soberanias nacionais

Ao combater tarifas protecionistas, regulamentações nacionais e barreiras econômicas, porém, os liberais poderiam enfraquecer os Estados nacionais e favorecer involuntariamente a transferência de poder para instituições internacionais.

Pequenos Leviatãs e um grande Leviatã

Olavo compara esse processo à luta contra vários “Leviatãs pequenos”, que acaba permitindo a formação de um Leviatã internacional maior. O liberalismo enfraqueceria controles nacionais sem perceber o crescimento paralelo de mecanismos globais.

Abertura dos mercados e regulação internacional

A abertura dos mercados seria acompanhada pelo aumento das normas internacionais, dos órgãos encarregados de aplicá-las e dos instrumentos de fiscalização. Assim, a liberalização econômica e a centralização jurídico-política poderiam desenvolver-se simultaneamente.

Insuficiência da explicação econômica

A teoria econômica, isoladamente, não explicaria o crescimento de instituições internacionais de controle. Seria necessário incorporar fatores jurídicos, políticos e geopolíticos.

7. Marxismo, Fundação Ford e política brasileira

Interpretação marxista da globalização

O marxismo tenderia a definir a globalização como expansão capitalista contrária aos movimentos populares e aos direitos humanos. Para Olavo, esse enfoque também seria parcial, pois os próprios movimentos marxistas seriam financiados ou utilizados por setores da elite internacional.

Frances Stonor Saunders

A aula menciona o livro de Frances Stonor Saunders, Quem Pagou a Conta? A CIA na Guerra Fria da Cultura. A obra é citada em conexão com operações culturais da CIA durante a Guerra Fria.

Fundação Ford, Fernando Henrique Cardoso e CEBRAP

Em 1969, a Fundação Ford teria financiado Fernando Henrique Cardoso e outros professores afastados da USP para a criação do CEBRAP — Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.

Interpretação de Sebastião Nery

O jornalista Sebastião Nery teria apresentado o financiamento como demonstração de submissão de Fernando Henrique ao imperialismo norte-americano. Olavo considera essa interpretação equivocada por identificar automaticamente uma instituição americana com o anticomunismo ou o capitalismo conservador.

Financiamento de pautas de esquerda

Segundo a aula, a Fundação Ford financiava pesquisas e movimentos ligados a pautas de esquerda, entre elas feminismo, aborto, reivindicações homossexuais e cotas raciais. Dessa forma, aceitar seus recursos não representaria uma ruptura de Fernando Henrique com a esquerda.

Socialismo fabiano

Fernando Henrique é apresentado como participante duradouro do socialismo fabiano, caracterizado como uma forma não violenta, mas ainda revolucionária, de transformação socialista.

PT e PSDB

A disputa brasileira entre PT e PSDB seria, nessa interpretação, um conflito interno entre facções pertencentes ao mesmo processo mais amplo. Por permanecer dentro dessa escala partidária, o debate brasileiro não alcançaria o nível global da questão.

8. O globalismo como problema de poder

Insuficiência da motivação econômica

Olavo rejeita a tese de que o objetivo central dos globalistas seria simplesmente acumular mais dinheiro. Quem controla o fluxo e o valor do dinheiro não teria a mesma relação com a riqueza de uma pessoa assalariada.

Idealismo dos dirigentes

Os líderes globalistas poderiam ser pessoalmente idealistas, altruístas e devotados às suas concepções. O problema fundamental não estaria necessariamente na ganância individual, mas no poder.

Definição de poder

Poder é definido como a capacidade de fazer outra pessoa agir conforme a vontade de quem comanda. Trata-se de uma vontade que se sobrepõe a outra vontade.

Diferença de poder entre os seres humanos

A espécie humana apresentaria diferenças de poder muito superiores às encontradas entre animais. Um cacique ou pajé, por exemplo, poderia possuir poder de vida e morte sobre membros da tribo, enquanto essa diferença extrema não apareceria da mesma maneira num bando de leões.

Poder como realidade quantitativa

O poder seria necessariamente quantitativo: uma pessoa possui mais poder quando consegue determinar mais ações de mais indivíduos e exercer uma influência mais profunda sobre eles.

Crescimento histórico da diferença de poder

A diferença entre governantes e governados teria crescido em intensidade e extensão. Hitler, Mao Tsé-tung e Stálin são mencionados como governantes capazes de determinar a morte de milhões por decisões administrativas.

Bertrand de Jouvenel

O crescimento histórico do poder é associado ao livro de Bertrand de Jouvenel, Du pouvoir ou Do poder: história natural do seu crescimento, recomendado como leitura futura obrigatória.

9. Poder limitado e crescimento do poder central nos Estados Unidos

Fundação federativa

Os Estados Unidos teriam sido concebidos segundo o princípio do poder limitado. Os Estados federados criariam o governo federal e lhe concederiam apenas competências expressamente determinadas.

Inversão durante a Guerra Civil

Em menos de um século, essa relação teria sido invertida. Durante a Guerra Civil Americana, o poder federal cresceu intensamente.

Lincoln e Jefferson Davis

Abraham Lincoln é apresentado como governante que instituiu censura e prisões sem processo. Jefferson Davis, presidente da Confederação, teria permanecido preso sem acusação formal, apesar de solicitar um julgamento.

Movimentos limitadores que aumentam o poder

O exemplo ilustraria a tese de que iniciativas destinadas a limitar o governo podem, em longo prazo, contribuir para aumentar sua autoridade.

10. Poder e horizonte de consciência temporal

Assimetria de conhecimento do futuro

À desigualdade de poder corresponderia uma desigualdade no horizonte de consciência temporal. Quem governa ou planeja consegue antecipar acontecimentos em escala social, enquanto a população pode desconhecer completamente aquilo que está sendo preparado para ela.

Definição do horizonte temporal

O horizonte de consciência temporal é a capacidade de prever a longo prazo e organizar ações presentes de acordo com objetivos futuros.

Marxismo e Estado futuro

O marxismo representaria uma ampliação extrema desse horizonte, pois propõe um Estado futuro inevitável, baseado na propriedade pública dos meios de produção e na chamada abolição do Estado.

Abolição como estatização integral

A expressão “abolição do Estado” não significaria a ausência de autoridade. Significaria que tudo se tornaria estatal, de modo que o Estado deixaria de ser uma instituição diferenciada diante da família, da Igreja, das empresas e das tradições.

Desaparecimento dos poderes intermediários

Na sociedade ainda existiriam poderes intermediários, mas eles estariam recuando. A meta marxista seria a absorção desses poderes por uma estrutura estatal integral.

11. Ciência moderna e controle da ação humana

Promessa de domínio da natureza

Desde Galileu e Newton, a ciência moderna teria como uma de suas promessas fundamentais o controle do ambiente físico.

Controle físico mediante controle humano

Como toda intervenção sobre a natureza depende da ação humana, o controle do ambiente físico exigiria também o controle da conduta das pessoas. Por isso, o projeto científico de domínio da natureza conteria implicitamente um projeto de direção das ações humanas.

Parentesco entre ciência e marxismo

A utopia científica e a utopia socialista compartilhariam o objetivo de planejar o futuro e controlar as condições da vida. Elas poderiam colaborar ou entrar em conflito, mas teriam uma estrutura comum.

Fusão nas décadas de 1920 e 1930

Essa união teria alcançado uma formulação mais explícita no ambiente anglo-saxônico das décadas de 1920 e 1930, especialmente entre cientistas marxistas como John Burdon Haldane e John Desmond Bernal.

“A ciência é comunismo”

Bernal é citado afirmando que a prática científica oferece o protótipo de toda ação humana e que, em seu esforço coletivo, “a ciência é comunismo”.

C. H. Waddington

C. H. Waddington é citado como defensor da atitude científica como único meio adequado para estabelecer uma vida humana harmoniosa, racional e coerente.

Ciência como árbitro cultural

Ao longo do século XX, teria prevalecido a concepção de que a ciência deve arbitrar as grandes questões públicas. Tradições, religiões, valores estéticos e preferências pessoais poderiam existir, mas deveriam ceder quando entrassem em conflito com afirmações consideradas científicas.

12. Especialização científica e autoridade incomunicável

Ciência como autoridade universal

A ciência pretende orientar valores, finalidades da vida e decisões públicas, apresentando-se como a forma superior de racionalidade.

Conhecimento intraduzível

Ao mesmo tempo, as ciências especializadas afirmam que seus conceitos fundamentais não podem ser traduzidos para a linguagem comum e só podem ser expressos matematicamente ou em vocabulários técnicos.

Contradição da autoridade científica

Se o conhecimento científico é incomunicável, sua autoridade sobre as questões gerais não pode ser discutida racionalmente pelo cidadão comum. A sociedade passaria a receber sentenças de especialistas sem condições de examinar seus fundamentos.

Divulgação científica

A contradição seria acentuada porque autores como Richard Dawkins, Stephen G. Gould e Stephen Hawking escrevem livros que procuram traduzir para a linguagem cultural geral os conceitos declarados intraduzíveis.

Simbiose entre ciência e poder financeiro

A elite financeira buscaria uma associação com a classe científica, que fornece instrumentos técnicos de controle e uma autoridade inacessível ao debate comum. Em contrapartida, a ciência depende de recursos governamentais, fundações e financiadores privados.

Fusão de três poderes

A aula reúne três componentes: poder financeiro, autoridade científica e movimentos ideológicos revolucionários. Sua combinação produziria ambições de planejamento não apenas da sociedade, mas do futuro da própria humanidade.

13. O ponto ômega e o domínio do cosmos

John D. Barrell e Frank Tipler

Dois autores apresentados como discípulos de Bernal, John D. Barrell e Frank Tipler, são citados em conexão com a ideia de um ponto ômega. Nesse estágio, a vida teria conquistado controle sobre a matéria, as forças naturais e todos os universos logicamente possíveis.

Teilhard de Chardin

O ponto ômega é relacionado à concepção de Teilhard de Chardin, apresentada como uma quarta corrente, ligada ao modernismo católico.

Colonização e reorganização das estrelas

Bernal é citado afirmando que a humanidade colonizaria o universo sideral e reorganizaria as estrelas para transformá-las em mecanismos eficientes de produção de energia.

Segunda lei da termodinâmica

Esses projetos procurariam enfrentar a segunda lei da termodinâmica e a entropia, prolongando artificialmente a duração do universo.

Freeman Dyson

Freeman Dyson é citado propondo, de forma interrogativa, a possibilidade de converter matéria em radiação, alterar o fluxo cósmico de energia e modificar a topologia do espaço-tempo para impedir o colapso universal.

Buracos negros

Barrell e Tipler são novamente citados sugerindo que uma inteligência atuante em escala cósmica poderia impedir a explosão de buracos negros.

Paul Davis

Paul Davis é citado sobre a possibilidade de a vida inteligente moldar o desenvolvimento físico do universo, manipular as dimensões do espaço e produzir universos artificiais.

Mary Midgley e o abandono do corpo

Mary Midgley observa que esse projeto exigiria transferir a consciência humana dos corpos orgânicos para máquinas e, depois, para formas mais sutis de matéria, como luz ou poeira estelar.

Computadores sencientes

O desenvolvimento futuro da vida poderia abandonar carne e sangue e incorporar-se a nuvens interestelares ou a computadores sencientes. Fred Hoyle é mencionado como alguém que teria aceitado uma teoria semelhante.

14. Transumanismo e imortalidade fabricada

Supra-humanidade

A transformação da consciência em máquinas ou matéria interestelar é associada aos conceitos de supra-humanidade e transumanidade.

Relação entre cientistas e financiadores

Cientistas e filósofos forneceriam as ideias que orientam os planos dos banqueiros e dirigentes. Os financiadores, por sua vez, sustentariam universidades, institutos de pesquisa e organismos internacionais.

George Soros como pretendente a filósofo

George Soros é mencionado como banqueiro que pretende possuir uma filosofia própria, embora a maior parte dos financiadores dependa intelectualmente dos cientistas e pensadores que remunera.

Materialismo que pretende transcender a matéria

Olavo identifica uma contradição em pensadores materialistas que desejam ultrapassar o corpo e tornar-se inteligências cósmicas. O projeto seria uma tentativa de realizar promessas espirituais por meios materiais e tecnológicos.

Georges Gurdjieff

É recordada uma frase atribuída a Georges Gurdjieff, segundo a qual o indivíduo não possuiria naturalmente uma alma, mas poderia adquiri-la mediante pagamento. A ideia é comparada à promessa de espiritualização por meio da ciência e do dinheiro.

Imortalidade artificial

A imortalidade fabricada exigiria abandonar o corpo e transferir a inteligência para máquinas ou matéria cósmica. Segundo a aula, pesquisas bilionárias seriam inspiradas por essa concepção.

15. Ficção científica e projeto efetivo de futuro

Ficção como metáfora do presente

Mary Midgley distingue os cientistas futuristas dos autores de ficção científica. O escritor de ficção projeta no futuro uma metáfora dos conflitos presentes, sem necessariamente prever literalmente o que acontecerá.

Huxley, Orwell e Wells

A sociedade totalmente controlada descrita por Aldous Huxley, assim como 1984 e A Máquina do Tempo, são apresentadas como imagens que tornam visíveis tendências existentes no presente.

Ciência futurista como profecia literal

Os cientistas mencionados, ao contrário, acreditariam estar descrevendo um futuro real, mesmo que extremamente distante. Esse futuro orientaria suas ações e seus programas atuais.

Ausência de responsabilidade

Planos destinados a realizar-se em centenas ou bilhões de anos ultrapassam a vida de seus formuladores. Os planejadores não estarão presentes para verificar os resultados nem poderão ser responsabilizados por eles.

Controle que se converte em descontrole

O ápice do projeto de controle seria, paradoxalmente, o descontrole, porque seus autores lançam processos cujas consequências futuras não podem acompanhar.

Quem é “o homem”?

A expressão segundo a qual “o homem dominará a natureza” encobriria a diferença entre governantes e governados. Alguns especialistas escolheriam o futuro, enquanto os demais sofreriam seus resultados.

Natureza pouco controlada, pessoas muito controladas

A capacidade de prever tornados ou impedir epidemias permaneceria limitada. Em contraste, o controle de alguns seres humanos sobre outros seria muito mais eficiente. Para cada pequena ampliação do domínio da natureza, haveria um crescimento muito maior do domínio social.

16. Controle de curto prazo e efeitos imprevisíveis

George Soros, Petrobras e pré-sal

Como exemplo de interferência de curto prazo, são mencionados investimentos de George Soros na Petrobras, o anúncio da descoberta do pré-sal e declarações de Barack Obama sobre apoio à exploração petrolífera brasileira.

Propaganda e valorização financeira

A aula apresenta esses episódios como demonstração da capacidade de influenciar mercados, transformar expectativas e obter lucro mediante anúncios e propaganda.

Gripe suína e mecanismos de controle

A gripe suína é citada como exemplo de uma ameaça sanitária utilizada para justificar novos instrumentos de fiscalização, invasão de residências e detenção em nome da saúde pública.

Interferência sem controle total

Olavo rejeita novamente a tese de que exista um poder secreto perfeitamente controlador. A elite possuiria capacidade de interferir, provocar acontecimentos e dirigir processos limitados, mas não de controlar integralmente o futuro.

Sovietólogos e queda da União Soviética

Em 1985, a Universidade de Indiana teria consultado trinta e cinco especialistas sobre o futuro soviético. Eles teriam concluído que a União Soviética não apresentava sinais de enfraquecimento; seis anos depois, o regime caiu.

Paul Kennedy

O livro de Paul Kennedy, Ascensão e Queda das Grandes Potências, é citado como outro exemplo de previsão equivocada sobre o crescimento soviético e o declínio econômico norte-americano.

Interferência caótica

O projeto de controle produziria uma interferência profunda, mas seus efeitos seriam frequentemente mais caóticos do que ordenadores.

17. Independência intelectual e coragem moral

Estrutura universitária

O aparato universitário internacional, a distribuição de verbas e a concessão de prestígio científico e literário estariam inseridos no sistema descrito.

Impossibilidade de usar o sistema

O aluno não deveria tentar conquistar um lugar no esquema nem utilizá-lo para objetivos próprios. A alternativa seria construir uma vida intelectual independente.

Meios próprios

Essa independência exigiria criar meios próprios de subsistência, divulgação, estudo e comunicação.

Homens de ferro

A vida intelectual séria exigiria pessoas com força de caráter, coragem moral e até coragem física. Qualquer medo ou fascínio diante do poder do establishment conduziria à submissão intelectual.

Ordem objetiva contra pseudo-ordens

A resistência às imagens de controle apresentadas pela cultura contemporânea dependeria da confiança numa ordem objetiva, anterior e independente do ser humano.

Ordem com elementos de caos

A ordem universal incluiria elementos de desordem e caos. Ela não dependeria do conhecimento humano para continuar existindo.

Fidelidade sem conhecimento total

O indivíduo deveria permanecer fiel à ordem do real mesmo sem compreendê-la completamente. A própria capacidade humana de conhecer alguns de seus aspectos faria parte dessa ordem.

18. Presença do ser e limites do conhecimento total

Experiência da presença do ser

A experiência da presença do ser mostraria que a realidade objetiva existe independentemente da mente e que o pensamento humano depende dela.

Privação sensorial

Os experimentos de privação sensorial são apresentados como demonstração de que a mente não organiza autonomamente o mundo. Quando privada de estímulos objetivos, ela tende a desintegrar-se.

Platão e Aristóteles

Segundo a aula, Platão e Aristóteles já ensinavam que existe uma ordem do ser que o ser humano pode receber, perceber e à qual pode conformar-se.

Descrição completa do universo

A proposta de Stephen Hawking de alcançar uma descrição completa do universo é criticada. Uma descrição total exigiria que nada mais acontecesse e que nenhuma pergunta nova pudesse surgir.

Conhecimento, descrição e controle totais

A ideologia científica seria baseada em três pretensões: descrição total, conhecimento total e controle total. Essas pretensões são classificadas como irrealizáveis, embora capazes de fascinar ou aterrorizar.

Parcialidade das revelações

A ordem cósmica revelaria apenas aspectos adequados às necessidades e circunstâncias humanas. O conhecimento total não seria compatível com a estrutura temporal da existência humana.

Confiança, paciência e modéstia

A relação adequada com a ordem universal deveria ser marcada por confiança, paciência e modéstia, em oposição à avidez por explicações absolutas.

19. Livros formativos e livros informativos

Mary Midgley

O livro Science and Salvation, de Mary Midgley, é elogiado como uma obra valiosa sobre a ideologia científica e suas pretensões de salvação.

Prioridade da formação

Apesar disso, os alunos são aconselhados a priorizar livros que formem os critérios fundamentais do pensamento, em vez de acumular obras meramente informativas sobre problemas contemporâneos.

Joseph Maréchal e os clássicos

As obras de Joseph Maréchal e os clássicos da filosofia são indicados como exemplos de leituras formativas.

Independência do establishment

A informação sobre o cenário global tem como objetivo preparar uma atitude de independência de espírito diante da sociedade, das instituições e da cultura contemporânea.

Dependência da ordem objetiva

A independência em relação às estruturas sociais só seria possível mediante uma dependência consciente da ordem objetiva da realidade.

Sócrates, Platão e Lao Tsé

A presença do ser percebida atualmente não seria substancialmente diferente daquela contemplada por Sócrates, Platão ou Lao Tsé.

20. O conceito de matéria como metáfora

Ausência de definição satisfatória

Olavo afirma que a ciência não possui uma definição coerente de matéria. A ideia de que matéria é aquilo que ocupa lugar no espaço entraria em conflito com descrições de partículas que não ocupam posições determinadas.

Origem simbólica do termo

A palavra é relacionada a mater, mãe; matrix, útero; e metro, medida. A matéria representaria aquilo que fornece quantidade, substrato ou medida para uma forma.

Pai, mãe e formação do organismo

A geração humana é usada como exemplo: o pai forneceria o princípio gerador, enquanto o sangue e o corpo maternos ofereceriam a matéria para a formação da criança.

René Guénon

Os capítulos iniciais de O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos, de René Guénon, são elogiados pela explicação da relação entre matéria, medida e quantidade.

Aristóteles

A exposição de Guénon é relacionada à doutrina aristotélica de forma e matéria, sem que ele tenha acrescentado algo essencial à formulação de Aristóteles.

Revolução Inglesa

A concepção de uma matéria capaz de autogeração teria adquirido força durante a Revolução Inglesa, para fornecer uma base científica ao espontaneísmo das massas revolucionárias.

Matéria como figura de linguagem

O conceito de matéria seria uma metáfora, não uma descrição literal transparente. Para saber a que realidade corresponde, seria necessária uma análise filosófica de suas diversas camadas de sentido.

Autocontradição materialista

Se todo conhecimento emerge da matéria, o próprio conhecimento da matéria também deveria ser material. Entretanto, o conteúdo conhecido não é material da mesma maneira que o objeto, produzindo uma dificuldade interna à tese.

21. Metáfora, analogia e conhecimento científico

A informação do ADN

A afirmação de que o ADN transmite informação é apresentada como metáfora. O ADN não fala nem comunica como uma pessoa, um livro ou uma estação de rádio; seu funcionamento é compreendido por analogia com a transmissão de informação.

Impossibilidade de eliminar as figuras de linguagem

Mesmo ao tornar suas medidas mais precisas, a ciência continuaria empregando metáforas, analogias e conceitos figurativos.

Correspondência entre inteligência e realidade

O conhecimento seria possível porque existe uma correspondência entre a inteligência humana e a estrutura objetiva da realidade. A mente não impõe arbitrariamente ordem a um caos exterior.

Incompletude da ordem natural

A ordem cósmica não pode estar acabada porque novos acontecimentos continuam ocorrendo. A incompletude e a imperfeição fariam parte da própria ordem finita.

Perfeição e infinito

A perfeição absoluta pertenceria apenas a Deus ou ao infinito. O finito não poderia ser perfeito no mesmo sentido, pois aquilo que está inteiramente acabado já chegou ao seu término.

Definição de analogia

A analogia é definida como uma síntese de semelhanças e diferenças. Se a semelhança fosse total, não haveria analogia, mas identidade.

Inadequação adequada

A imperfeição do conhecimento humano corresponderia à própria estrutura não absoluta da realidade finita. Nesse sentido, a inadequação parcial de nossos conceitos seria uma forma de adequação.

Ciência, poesia e realidade

O uso de metáforas não invalida a ciência. O erro ocorre quando o cientista acredita que suas expressões são inteiramente literais e superiores às do poeta ou dramaturgo. Uma lei física não seria “mais real” do que um verso de Camões apenas por empregar medidas exatas.

22. O mito das “duas culturas”

C. P. Snow

A separação radical entre cultura científica e cultura artística é associada a C. P. Snow e à sua conferência sobre as “duas culturas”.

F. R. Leavis

É recomendado um livro de F. R. Leavis que critica a conferência de Snow.

Teoria dos Quatro Discursos

A Teoria dos Quatro Discursos mostraria que existe uma gradação entre linguagem poética, retórica, dialética e outras formas discursivas. Os conceitos podem ser distinguidos, mas o uso concreto da linguagem apresenta limites graduais e esfumados.

Ciências exatas

As ciências podem ser exatas em suas medições, mas não necessariamente em seus conceitos. A precisão matemática pode coexistir com noções vagas ou elásticas, como “matéria”.

Classe científica como novo clero

A modernidade científica procuraria transformar os cientistas num novo clero, autorizado a decidir o que as pessoas podem comer, fazer ou pensar com base num saber supostamente incomunicável.

23. Ordem do real e serenidade diante do universo

Ordem não plana

A ordem natural possui vários níveis. Um processo pode parecer regular numa determinada escala e irregular em outra.

Fidelidade à ordem

A vida intelectual deve ser conduzida pela fidelidade à ordem do real, mesmo quando essa ordem não é conhecida em todos os seus detalhes.

Desnecessidade de salvar o universo

A ignorância individual não impede o universo de funcionar. Portanto, não é necessário responder a todas as perguntas nem assumir a responsabilidade de conservar o cosmos.

Eternidade do ser

Mesmo que o universo espaço-temporal termine, a ordem do ser não termina. Absolutizar o universo físico produziria a impressão de que sua destruição representaria a extinção de toda realidade.

Tarkovsky, Solaris e O Sacrifício

Os filmes Solaris e O Sacrifício, de Tarkovsky, são comentados. O segundo é criticado pela imagem de um indivíduo cuja ação simbólica parece sustentar ou salvar a ordem cósmica.

Yin e Yang

É recordada a cena em que o personagem corre usando um roupão com o símbolo do Yin e Yang, representação considerada excessivamente explícita e pretensiosa.

Praia Vermelha

Como imagem da confiança na ordem, Olavo menciona um homem que permanecia tranquilo sobre ondas enormes na Praia Vermelha, em Ubatuba. Da mesma forma, o indivíduo deveria conservar-se sereno diante das instabilidades da existência.

Liquidação do universo

Mesmo que o universo seja “rasgado como uma folha de papel”, isso não modificaria a ordem eterna do ser.

24. Eternidade presente contra eternidade futura

John Burdon Haldane e o plano maior

Haldane é citado afirmando que o indivíduo deve conformar-se a um plano maior, seja ele um plano de Deus ou do homem, e que a mente humana deve conquistar a eternidade e a infinitude para evitar o desaparecimento de suas obras.

Eternidade projetada no futuro

Olavo critica a transferência da infinitude e da eternidade para um estágio futuro da evolução humana. Isso criaria uma espécie de eternidade temporal a ser conquistada pela espécie.

Sentido eterno da vida presente

A mensagem cristã, segundo a aula, seria que cada vida já possui sentido eterno no presente, mesmo que dure poucos minutos. Esse sentido não depende das realizações tecnológicas das gerações futuras.

Viktor Frankl

A busca de um plano maior é relacionada ao tema do sentido da vida, associado a Viktor Frankl. A diferença estaria entre conformar-se à eternidade e servir a um plano temporal elaborado por outro ser humano.

O que entrou no ser não volta ao nada

Aquilo que existiu uma vez não pode “desacontecer”. Mesmo um acontecimento mínimo permanece eternamente inscrito na ordem do ser.

Contradição da “eternidade futura”

A expressão “eternidade futura” seria contraditória, porque o futuro pertence ao tempo, enquanto a eternidade não está limitada por sucessão temporal.

Bernal, Trotsky e Marx

As utopias de Bernal são comparadas às promessas de Trotsky e Marx, segundo as quais o socialismo produziria indivíduos dotados das capacidades de Michelangelo, Einstein ou Napoleão Bonaparte.

Administração do cosmos e da humanidade

Para administrar totalmente o cosmos, seria necessário administrar todas as atividades humanas. O domínio universal de alguns implicaria a ausência completa de poder para os demais.

Perguntas dos alunos

25. Quem poderá prevalecer no cenário mundial?

Islã, elite globalista, máfia russa e generais chineses

Um aluno pergunta qual força prevaleceria entre a elite globalista, a máfia russa, os generais chineses e o movimento islâmico.

Possível vantagem do Islã

Olavo responde que apostaria no Islã, embora sem afirmar certeza. O projeto islâmico seria amplamente conhecido e compartilhado por milhões de pessoas, enquanto os projetos globalistas dependeriam de uma elite restrita e de colaboradores que compreendem apenas partes do processo.

Escatologia islâmica

A escatologia islâmica ofereceria aos fiéis um objetivo claramente formulado, possibilitando uma mobilização mais disseminada do que a estrutura hierárquica dos projetos globalistas.

26. O milagre e a ordem do ser

Milagre como revelação

O milagre mostraria que a ordem do ser não coincide com a ordem do universo físico. O universo seria apenas um aspecto da ordem eterna.

Leis naturais e generalizações

Olavo afirma não conhecer leis naturais eternas, mas apenas generalizações científicas parciais, sujeitas a correções.

Leis supra-universais

O milagre não seria uma violação arbitrária da natureza. Seria a manifestação de leis eternas e supra-universais que revelam uma ordem superior à regularidade física habitual.

O Crime da Madre Agnes

A necessidade de elementos de perturbação e caos na ordem universal teria sido discutida no livro O Crime da Madre Agnes.

Arthur Whitehead

Fabrício Soares envia um trecho atribuído a Arthur Whitehead sobre a fé na razão e a confiança de que a realidade forma uma harmonia mais profunda do que a arbitrariedade aparente.

Necessidade, arbitrariedade e caos

Olavo concorda parcialmente com o trecho, mas rejeita a ideia de que o universo físico seja regido por uma necessidade irredutível. Necessidade absoluta existiria somente na escala da eternidade e da possibilidade infinita.

Conhecimento em vez de arte e ciência

Também é rejeitada a separação essencial entre racionalidade lógica e harmonia estética. Em lugar de dois campos independentes — arte e ciência — existiriam diferentes formas de conhecimento.

27. Ciência medieval e ciência moderna

Méritos da ciência moderna

Questionado se o único mérito da ciência moderna seria produzir tecnologia, Olavo responde negativamente. Ela forneceu explicações importantes para numerosos processos naturais.

Falta de inteligibilidade filosófica

O problema seria a ausência do nível de inteligibilidade exigido pela filosofia. A escolástica medieval buscava compreender os conceitos utilizados, e não apenas empregar descrições úteis ou matematicamente eficazes.

Metáforas inconscientes

O cientista que usa uma metáfora sem saber que é metáfora trabalha às cegas. A metáfora é legítima, desde que seu coeficiente de imprecisão seja reconhecido.

Wolfgang Smith e The Quantum Enigma

O livro The Quantum Enigma, de Wolfgang Smith, é apresentado como exemplo de aplicação da filosofia escolástica à física quântica.

Filosofia como instrumento de inteligibilidade

A escolástica não precisaria ser confirmada pela física quântica. Ao contrário, ela forneceria instrumentos conceituais para tornar inteligíveis dados experimentais que, isoladamente, permanecem obscuros.

Princípio antrópico

O princípio antrópico é mencionado como teoria científica que pode possuir algum sentido sob determinadas interpretações, mas que, em sua forma predominante, é considerada absurda na aula.

28. Transumanismo como gnose

Libertação da matéria

Um aluno identifica como gnose a ideia de libertar-se da matéria e abandonar o corpo.

Revolta contra a condição corporal

Olavo concorda e define a revolta contra a existência corporal como um fundamento da gnose.

Conflito com o cristianismo

A desvalorização do corpo seria incompatível com a religião cristã. A transformação do homem em máquina ou poeira cósmica repetiria, em linguagem científica, uma antiga rejeição gnóstica da condição humana.

29. Por que o governo mundial seduz?

Desejo de segurança e proteção

O principal fator de atração seria o desejo de segurança e proteção. Quem perde a confiança numa ordem transcendente procura uma organização humana que assuma o controle da realidade.

Ordem do universo e ordem eterna

A ordem do universo é instável do ponto de vista do conhecimento científico, pois novas teorias podem substituir as anteriores. A ordem eterna, porém, seria metafisicamente necessária.

Tempo como aparência móvel

A experiência humana do tempo decorre de nossa estrutura física. Comparado com a eternidade, o tempo seria uma aparência, descrita em referência a Santo Agostinho como uma aparência móvel da eternidade.

Inteligência e fé

A existência da eternidade não é apresentada como matéria de fé, mas como algo acessível à inteligência. Matérias de fé seriam, por exemplo, o nascimento de Jesus Cristo da Virgem Maria, sua morte e sua ascensão.

Perda da eternidade e procura de tutores

Quando perde a percepção da ordem eterna, o indivíduo procura governos, cientistas ou planejadores que prometam protegê-lo do caos, da entropia e do fim do universo.

30. Vislumbres da ordem e esquecimento

Experiência relatada por um aluno

Um aluno relata ter acordado durante a madrugada com uma compreensão intensa, acompanhada de emoção e anotações, mas ter perdido parte da clareza depois de voltar a dormir.

Consciência temporal

Olavo explica que o ser humano não consegue manter permanentemente a consciência da ordem eterna porque possui uma existência temporal e alterna momentos de consciência e inconsciência.

Fragmentos, não totalidade

Os instantes de clareza são fragmentos ou vislumbres, não uma visão completa do real.

Confiança em Deus

Quando a compreensão desaparece, o indivíduo deve retornar à confiança: ele não sabe, mas Deus sabe; aquilo que for necessário poderá ser novamente oferecido.

Repouso na ordem eterna

A atitude correta é repousar na ordem eterna como uma criança no colo da mãe, sem necessidade de saber, lembrar ou controlar tudo.

31. O cálice vazado, a contemplação e a fé

A imagem do cálice

Um aluno compara a formação filosófica à construção de um cálice composto de abertura perceptiva, memória, imaginação, sinceridade e teste das ideias na realidade.

Verdade que vem e vai

Olavo responde que o cálice permanece necessariamente vazado: a verdade pode ser contemplada por algum tempo e depois desaparecer da consciência.

Contemplação e fé

Quando a verdade é vista, há contemplação ou intelecção. Quando não é vista, permanece a , entendida como confiança.

A bolha no mar

Outro aluno descreve a consciência como uma bolha de ar cercada pelo mar da realidade. Em determinado momento, a bolha se abre e é invadida pela presença total.

Limitação protetora

A consciência volta a fechar-se porque o ser humano precisa comer, dormir e realizar tarefas corporais. O esquecimento seria uma proteção adequada à condição animal e temporal.

Crede ut intelligas, intellige ut credas

É citado o lema escolástico “crê para compreender e compreende para crer”. A fé é apresentada como o repouso da inteligência quando a visão direta não está presente.

Amor e avidez de conhecimento

O amor ao conhecimento é distinguido da avidez de conhecimento. A avidez nasce da pretensão de que o indivíduo precisa saber tudo e salvar o universo.

Escuridão e misericórdia

A alternância entre luz e escuridão, dia e noite, simboliza a necessidade de repouso. A impossibilidade de viver em exaltação intelectual permanente seria uma forma de compaixão divina.

Nesciência

A ignorância natural é chamada de nesciência: não saber algo que possui uma resposta objetiva, como o número exato de fios de cabelo de uma pessoa. Ela é diferente de uma ignorância ativa ou cultivada.

32. Revoluções e ausência de um movimento antirrevolucionário

Richelieu e o Estado moderno

Um aluno pergunta sobre a participação de padres e bispos, especialmente Richelieu, na consolidação do Estado moderno e no enfraquecimento posterior da hegemonia católica.

Movimentos revolucionários concorrentes

Olavo responde que a história moderna é marcada pelo choque entre diferentes movimentos revolucionários. Existiriam valores, crenças e atitudes antirrevolucionárias, mas não um movimento antirrevolucionário permanente e organizado.

Aderir a uma revolução contra outra

Pessoas contrárias à mentalidade revolucionária frequentemente apoiariam uma corrente revolucionária para derrotar outra, acelerando involuntariamente o processo geral.

Pio XII e o clero alemão

Durante a Segunda Guerra Mundial, Pio XII teria procurado salvar judeus, enquanto setores do alto clero alemão cederam progressivamente ao nazismo sob o argumento de que ele combateria o comunismo.

Daniel Dalin

É recomendado o livro de Daniel Dalin, The Myth of Hitler’s Pope: Pope Pius XII and His Secret War Against Nazi Germany, apresentado como contestação à imagem de Pio XII como colaborador de Hitler.

Satanás e Belzebu

A tentativa de combater o comunismo por meio do nazismo é comparada a combater Satanás com a ajuda de Belzebu.

Estado moderno e Reforma Protestante

O fortalecimento das monarquias nacionais e a Reforma Protestante seriam movimentos revolucionários distintos. Apoiar um contra o outro significaria permanecer dentro da dinâmica revolucionária.

Boicote às duas correntes

A ação política não deveria ser abandonada, mas deveria evitar favorecer uma revolução para combater outra. A orientação proposta é resistir ou boicotar ambas.

33. Churchill, Stálin, Hitler e os cálculos de longo prazo

Aliança com a União Soviética

Winston Churchill teria reconhecido que a União Soviética não conseguiria conservar indefinidamente os territórios ocupados. Sua expansão produziria uma futura “indigestão”.

Custo humano e duração

Embora o cálculo fosse parcialmente correto, a retirada soviética demorou quase meio século e produziu enorme destruição. Uma previsão geral não eliminava o problema do custo nem da duração do processo.

Rearmamento alemão

A aula afirma que a União Soviética contribuiu para o rearmamento alemão desde a década de 1920, antes do Pacto Ribbentrop–Molotov.

Cálculos de Stálin

Stálin teria permitido o crescimento do poder alemão esperando recolher os territórios que a Alemanha não conseguisse conservar.

Mussolini e a Checoslováquia

Quando Hitler invadiu a Checoslováquia, Benito Mussolini teria procurado mobilizar outros governantes, inclusive Franklin Roosevelt, para detê-lo. Diante da inação, passou para o lado do líder alemão.

Nacional-socialismo e fascismo

O nacional-socialismo e o fascismo são apresentados como desdobramentos internos do movimento socialista e da dialética revolucionária.

Timon de Atenas

A dinâmica revolucionária é comparada a uma frase de Timon de Atenas, de Shakespeare: o mundo se destrói, mas continua crescendo.

Movimento que se alimenta da destruição

A revolução se dividiria, combateria a si própria e, ao mesmo tempo, aumentaria sua força. Não haveria um lado plenamente correto entre suas facções.

34. Nazismo, comunismo e desigualdade de atenção

Mortes produzidas pelo comunismo

A aula afirma que o movimento comunista teria causado mais mortes do que as duas guerras mundiais somadas.

Daniel Pipes

Daniel Pipes é citado numa explicação sobre a maior atenção ocidental dada ao nazismo: as vítimas alemãs e judaicas estariam mais próximas cultural e familiarmente das sociedades ocidentais do que russos e chineses.

Preconceito na seleção das vítimas

A escolha do perigo considerado prioritário seria influenciada pela importância atribuída aos diferentes povos. Mortes de russos, chineses ou habitantes da Sibéria receberiam menor atenção.

Eric Voegelin

A atitude do clero alemão é relacionada ao livro Hitler e os Alemães, de Eric Voegelin.

Igreja como doutrina e administração

A Igreja pode ser considerada una no plano doutrinal, mas não atua como bloco monolítico no plano administrativo. Bispos e cardeais podem desobedecer ao papa.

Limites do poder papal

O poder prático do papa sobre clérigos distantes seria reduzido. A proteção oferecida aos judeus em Roma não impediria perseguições organizadas por autoridades locais em outras regiões.

Papa Gregório VIII

É atribuída ao Papa Gregório VIII uma declaração segundo a qual os católicos deveriam proteger os judeus e permitir que vivessem de acordo com a Lei de Moisés.

Inquisição

As ações da Inquisição, dos cardeais ou de clérigos particulares não deveriam ser automaticamente identificadas com ordens diretas do papa.

35. Protestantismo e educação brasileira

Diversidade das reformas protestantes

Um aluno pergunta como iniciar estudos sobre o protestantismo e sobre as teorias educacionais que moldaram a escola brasileira.

Transformações do protestantismo alemão

O protestantismo alemão teria começado como protesto contra a corrupção eclesiástica, transformado-se depois numa doutrina contrária ao catolicismo e, finalmente, num projeto de Estado nacional alemão.

Reforma Inglesa

A Reforma Inglesa é apresentada como um processo distinto, com características de revolução cultural e grande violência.

Michael Davies e A Ordem Divina de Kramer

Para iniciar o estudo da Reforma, Olavo recomenda os livros de Michael Davies, especialmente A Ordem Divina de Kramer, sobre um líder da Reforma Inglesa identificado na transcrição como “Kramer”.

Luiz Faria

Para estudar as teorias educacionais brasileiras, recomenda procurar os depoimentos de Luiz Faria.

Farol da Democracia

Esses depoimentos estariam disponíveis no site Farol da Democracia. Luiz Faria é apresentado como alguém que conhecia profundamente o assunto.

Encerramento

A aula termina com o adiamento das demais perguntas para a semana seguinte.

Principais ideias recorrentes da aula

  1. Formação intelectual antes da militância: a participação pública deve ser precedida por anos de estudo, construção de obra e desenvolvimento de autoridade intelectual.
  2. Necessidade de perspectiva integral: acontecimentos políticos possuem significados diferentes conforme a escala histórica, geográfica e civilizacional adotada.
  3. Globalização como integração consciente: processos espontâneos de aproximação entre culturas tornam-se projetos deliberados quando apropriados por elites capazes de planejá-los.
  4. Centralização crescente do poder: o desenvolvimento histórico amplia a diferença de poder entre governantes e governados, inclusive por meio de iniciativas originalmente destinadas a limitar o Estado.
  5. Insuficiência das ideologias parciais: liberalismo, marxismo, ecologismo e disputas partidárias observam apenas fragmentos do processo geral segundo suas próprias prioridades.
  6. Fusão entre poder financeiro, ciência e ideologia: recursos econômicos, autoridade científica e movimentos revolucionários colaboram na elaboração de projetos de administração social e global.
  7. Ciência como novo clero: a especialização científica produz conhecimentos declarados incomunicáveis, mas utilizados para legitimar decisões públicas que o cidadão comum não pode discutir.
  8. Utopia do controle total: descrição total, conhecimento total, domínio da natureza, administração da humanidade e controle do futuro formam uma mesma aspiração.
  9. Transumanismo como rejeição do corpo: a promessa de transferir a consciência para máquinas ou matéria cósmica é interpretada como renovação tecnológica da gnose.
  10. Controle da natureza e controle humano: os avanços sobre a natureza seriam pequenos quando comparados à ampliação do poder de alguns seres humanos sobre outros.
  11. Metáfora e analogia na ciência: conceitos científicos como matéria e informação dependem de figuras de linguagem e não devem ser confundidos com descrições literais absolutas.
  12. Incompletude do conhecimento: a realidade finita permanece aberta e não pode ser integralmente descrita ou controlada.
  13. Ordem do real: a ordem objetiva existe independentemente do conhecimento e da vontade humana, abrangendo elementos de regularidade, desordem e caos.
  14. Eternidade contra futurismo: o sentido eterno da existência está presente agora e não depende da realização futura de uma humanidade tecnologicamente transformada.
  15. Fé como repouso da inteligência: o ser humano alterna compreensão e esquecimento; quando a visão intelectual desaparece, permanece a confiança na ordem eterna.
  16. Amor ao conhecimento sem avidez: estudar não significa assumir a obrigação de saber tudo, controlar tudo ou salvar o universo.
  17. Independência intelectual: a fidelidade à realidade objetiva deve prevalecer sobre o prestígio universitário, científico, financeiro ou político.
  18. Dinâmica interna da revolução: movimentos revolucionários combatem-se, alimentam-se e crescem por meio de suas próprias divisões.
  19. Perigo de apoiar uma revolução contra outra: combater um movimento revolucionário mediante aliança com outro mantém o indivíduo dentro do mesmo processo.
  20. Consciência antirrevolucionária: a atuação política requer uma perspectiva suficientemente ampla para não ser absorvida pelas facções em conflito.

Referências citadas

Pessoas, autores, cientistas e pensadores

Olavo de Carvalho; Carroll Quigley; Herbert George Wells — H. G. Wells; Aldous Huxley; José Bové; Arnold Toynbee; Ellsworth Huntington; Samuel Huntington; Frances Stonor Saunders; Fernando Henrique Cardoso; Sebastião Nery; Adolf Hitler; Mao Tsé-tung; Stálin; Bertrand de Jouvenel; Abraham Lincoln; Jefferson Davis; Galileu; Isaac Newton; John Burdon Haldane; John Desmond Bernal; C. H. Waddington; Richard Dawkins; Stephen G. Gould; Stephen Hawking; John D. Barrell, conforme grafado na transcrição; Frank Tipler; Teilhard de Chardin; Freeman Dyson; Paul Davis, conforme grafado na transcrição; Mary Midgley; Fred Hoyle; George Soros; Georges Gurdjieff; Barack Obama; Arlindo Abreu; Paul Kennedy; Sócrates; Platão; Aristóteles; São Tomás de Aquino; Joseph Maréchal; Lao Tsé; René Guénon; Luís de Camões; C. P. Snow; F. R. Leavis; Tarkovsky; John Lee Bernhold, conforme grafado na transcrição; Viktor Frankl; Leon Trotsky; Karl Marx; Michelangelo; Albert Einstein; Napoleão Bonaparte; Fabrício Soares; Arthur Whitehead, conforme grafado na transcrição; Wolfgang Smith; Santo Agostinho; Jesus Cristo; Virgem Maria; Cardeal Richelieu; Papa Pio XII; Daniel Dalin, conforme grafado na transcrição; Winston Churchill; Franklin Roosevelt; Benito Mussolini; William Shakespeare; Daniel Pipes; Eric Voegelin; Papa Gregório VIII, conforme registrado na transcrição; Moisés; Michael Davies; Kramer, líder da Reforma Inglesa conforme grafado na transcrição; Luiz Faria.

Livros e obras escritas

  • As Fontes da Civilização — Mainsprings of Civilization
  • Quem Pagou a Conta? A CIA na Guerra Fria da Cultura
  • Du pouvoir
  • Do poder: história natural do seu crescimento
  • Science and Salvation
  • 1984
  • A Máquina do Tempo
  • Ascensão e Queda das Grandes Potências
  • Suma Teológica
  • O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos
  • Teoria dos Quatro Discursos
  • O Crime da Madre Agnes
  • The Quantum Enigma
  • A Mentalidade Revolucionária
  • The Myth of Hitler’s Pope: Pope Pius XII and His Secret War Against Nazi Germany
  • Timon de Atenas
  • Hitler e os Alemães
  • A Ordem Divina de Kramer
  • Bíblia
  • Artigo de Olavo de Carvalho sobre o livro de Frances Stonor Saunders
  • Artigo de Sebastião Nery sobre Fernando Henrique Cardoso e a Fundação Ford

Filmes e símbolos culturais

  • Solaris
  • O Sacrifício
  • Yin e Yang

Instituições, empresas, organizações e partidos

Curso Online de Filosofia; Seminário de Filosofia; Organização das Nações Unidas — ONU; Monsanto; CIA; Fundação Ford; Universidade de São Paulo — USP; Centro Brasileiro de Análise e Planejamento — CEBRAP; Editora Record; Partido dos Trabalhadores — PT; Partido da Social Democracia Brasileira — PSDB; Petrobras; Universidade de Indiana; Igreja Católica; Inquisição; alto clero alemão; Partido Nazista; Farol da Democracia; universidades; institutos de pesquisa; organismos internacionais; bancos internacionais; fundações privadas; Estados federados norte-americanos; governo federal dos Estados Unidos; máfia russa; generais chineses; movimento islâmico.

Lugares e regiões

Brasil; Estados Unidos; Europa; Inglaterra; França; Alemanha; Rússia; China; União Soviética; Checoslováquia; Sibéria; Roma; Ubatuba; Praia Vermelha; cosmos; universo sideral; Gulag.

Eventos e processos históricos

  • Associações bancárias internacionais dos séculos XII e XIII
  • Globalização iniciada conscientemente a partir do século XIX
  • Guerra Fria cultural
  • Criação do CEBRAP em 1969
  • Guerra Civil Americana
  • Fundação dos Estados Unidos
  • Revolução Inglesa
  • Reforma Protestante
  • Reforma Inglesa
  • Formação dos Estados nacionais
  • Ascensão do Estado moderno
  • Segunda Guerra Mundial
  • Rearmamento alemão
  • Pacto Ribbentrop–Molotov
  • Invasão da Checoslováquia
  • Queda da União Soviética
  • Ocupação soviética da Europa Oriental
  • Perseguições aos judeus
  • Descoberta e exploração do pré-sal
  • Gripe suína
  • Experimentos de privação sensorial
  • Desenvolvimento da física quântica
  • Década marxistizante inglesa dos anos 1930

Conceitos filosóficos, científicos e políticos

Nova Ordem Mundial; governo mundial; elite internacional; elite globalista; elite financeira; elite científica; globalização; integração cultural; centralização do poder; controle global; escala histórica; perspectiva historiográfica; escala de prioridades; meta-história; valores civilizacionais; luta de classes; socialismo; comunismo; marxismo; socialismo fabiano; liberalismo; classic liberalism; livre empresa; livre mercado; economia planejada; protecionismo; soberania nacional; regulação internacional; Leviatã; imperialismo; poder; diferença de poder; poder de vida e morte; horizonte de consciência temporal; planejamento do futuro; abolição do Estado; estatização integral; poderes intermediários; ideologia científica; utopia científica; utopia socialista; mentalidade científica; ciência como comunismo; ciência como árbitro público; especialização científica; conhecimento incomunicável; ponto ômega; segunda lei da termodinâmica; entropia; buracos negros; topologia do espaço-tempo; computador senciente; poeira estelar inteligente; supra-humanidade; transumanidade; transumanismo; imortalidade fabricada; materialismo; matéria; forma e matéria; quantidade; medida; metáfora; figura de linguagem; analogia; semelhança e diferença; ADN e informação; ordem objetiva; ordem natural; ordem cósmica; ordem do real; ordem do ser; ordem eterna; presença do ser; incompletude; imperfeição; infinito; finito; descrição total; conhecimento total; controle total; duas culturas; ciências exatas; novo clero científico; princípio antrópico; gnose; revolta contra a condição corporal; eternidade; eternidade temporal; tempo; fé; contemplação; intelecção; confiança em Deus; crede ut intelligas, intellige ut credas; amor ao conhecimento; avidez de conhecimento; nesciência; milagre; leis naturais; leis supra-universais; necessidade; arbitrariedade; caos; possibilidade infinita; harmonia lógica; harmonia estética; filosofia escolástica; física quântica; escatologia islâmica; mentalidade revolucionária; movimento revolucionário; consciência antirrevolucionária; valores antirrevolucionários; dialética revolucionária; nacional-socialismo; fascismo; absolutismo; Estado moderno; monarquia nacional; Lei de Moisés.

Créditos de transcrição e revisão mencionados

Flávio Montenegro; Luiz Felipe Adurens Cordeiro; Ronald Pinheiro; Mauro Ventura; Eduardo Queiroz; Leonardo da Costa Ribeiro Torres; Maurício Brum Doval.

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