Resumo Integral — Curso Online de Filosofia: Exercícios e Indicações Práticas
Versão HTML didática, estruturada por capítulos, subtópicos e referências.
Introdução
Natureza e finalidade do volume
O livro é apresentado pelos compiladores como um trabalho pessoal, não como um conjunto oficial de instruções do Curso Online de Filosofia. Mário Chainho e Juliana Camargo Rodrigues afirmam ter reunido e organizado indicações dadas por Olavo de Carvalho nas aulas, assumindo a responsabilidade pela classificação, estruturação, títulos e eventuais lacunas ou repetições.
O pressuposto central é que os obstáculos mais importantes da vida intelectual não são exclusivamente intelectuais, mas também morais e psicológicos. Por isso, não basta ensinar técnicas filosóficas: é necessário trabalhar a sinceridade, a integração da consciência, a capacidade expressiva, a percepção da própria situação existencial e a inserção responsável na sociedade.
Material de segunda ordem e contextualização
O volume declara-se um “material de segunda ordem”: não pretende substituir as aulas, mas ajudar quem já as conhece a revisitá-las e articulá-las. A parte decisiva da aprendizagem não pode ser transmitida integralmente por explicações: é necessário experimentar, repetir e desenvolver uma técnica própria de estudo.
Os quatro blocos preliminares
Compreender a situação real à luz de um ideal.
Desenvolvido pela literatura e pelas artes.
Compreender e dominar os meios de expressão.
Documentação bibliográfica e técnicas próximas da investigação histórica.
Esses quatro blocos funcionam como preparação para um quinto: a técnica filosófica propriamente dita.
Como praticar os exercícios
As orientações não devem ser transformadas numa rotina excessivamente rígida. Algumas práticas podem começar paralelamente — Necrológio, Gramática Latina, Cultura Literária e Leitura Lenta — e devem ser revisitadas inúmeras vezes ao longo da vida.
1. Discurso Interior e Discurso Exterior
1.1 Método da Confissão
Confissão como fundamento da filosofia
O Método da Confissão ocupa posição central na formação. Filosofar exige narrar a própria situação real perante um observador omnisciente, submetendo experiências, atos, intenções e conhecimentos a um critério de sinceridade radical.
Sinceridade e testemunho individual
A pessoa deve conseguir ser uma testemunha fidedigna de si mesma. Só o indivíduo pode testemunhar integralmente seus sonhos, intenções, planos e experiências interiores. Isso não elimina a objetividade: o testemunho individual é indispensável também na ciência e sobretudo na História.
Tribunal imaginário e falsificação interior
Um obstáculo recorrente é o tribunal imaginário interior, no qual a pessoa alterna discursos de acusação e defesa diante de uma plateia imaginária. O exercício pede que se descreva a situação concreta sem transformar os outros em personagens de um julgamento pessoal.
Observador omnisciente e abertura ao infinito
O observador omnisciente funciona como referência para uma realidade maior do que o conteúdo momentâneo da consciência. A busca de uma autoimagem definitiva é rejeitada: enquanto a pessoa está viva, sua biografia permanece aberta.
1.2 Rastrear a História das Próprias Ideias
O exercício consiste em reconstruir a história das ideias, opiniões, imagens e crenças presentes na própria mente: de onde vieram, quando foram absorvidas, por quais livros, pessoas, ambientes, meios de comunicação ou experiências.
Antes de julgar uma influência, é preciso reconhecê-la. A pessoa pode descobrir que aquilo que considera uma convicção pessoal é apenas uma impressão recebida do meio.
1.3 Encontrar a Própria Voz
A própria voz não é simplesmente originalidade estilística. Ela surge quando a expressão verbal, fonética e estilística corresponde à situação efetivamente vivida.
Entre as práticas aparecem ler em voz alta, recitar, memorizar poemas, cantar, prestar atenção à pronúncia e desenvolver o ouvido para a língua. Também se recomenda aprender a dizer “não sei” sem constrangimento.
1.4 Voto de Pobreza em Matéria de Opinião
O Voto de Pobreza em Matéria de Opinião consiste em conter o impulso de opinar sobre tudo e habituar-se a distinguir aquilo que se sabe daquilo que apenas parece plausível.
O conceito de status quaestionis começa a aparecer aqui: antes de defender uma posição, é necessário conhecer a história da discussão, seus argumentos, fontes e dificuldades.
2. Posicionamento Existencial e Moral
2.1 Exercício do Necrológio
O exercício consiste em escrever, em terceira pessoa, um necrológio de si mesmo, como se a vida estivesse concluída. O texto deve indicar quem a pessoa quer ter sido, e não apenas aquilo que pretende possuir.
O necrológio oferece um eixo de orientação, mas não deve tornar-se programa rígido. Circunstâncias imprevistas exigirão revisão.
2.2 Exercício do Testemunho
Derivado de Louis Lavelle, consiste em recordar momentos extraordinários em que a vida pareceu adquirir uma unidade e um sentido especialmente claros. Esses momentos devem ser trazidos novamente à vida cotidiana como referências de orientação.
2.3 Exercício das 12 Camadas da Personalidade
A Teoria das 12 Camadas da Personalidade é apresentada como instrumento descritivo. Cada camada corresponde a um objetivo dominante, e a passagem de uma para outra ocorre quando o problema central anterior é integrado numa estrutura mais abrangente.
Corpo e auto-satisfação.
Instintos, gostos e preferências.
Regras, símbolos e linguagem social.
História emocional; felicidade/infelicidade.
Vitória/derrota; autoconfiança.
Eficiência prática e domínio técnico.
Direitos, deveres e lealdades.
Maturidade e julgamento da própria vida.
Personalidade intelectual e problemas universais.
O exercício pergunta: “O que estou buscando aqui?” e “Onde me dói?”. O objetivo dominante e a principal fonte de sofrimento psicológico servem como indicadores.
2.4 Vocação e leitura de A Vida Intelectual
A vocação é entendida como eixo estruturador. O tamanho do QI não é decisivo; o fator central é a vontade de conhecer a verdade, sobretudo a verdade sobre si mesmo.
A estudiosidade é contraposta à “concupiscência do olhar”: querer conhecer tudo para possuir intelectualmente o universo.
2.5 Exercício da Aceitação Total da Realidade
O exercício consiste em procurar aceitar integralmente a realidade, sem exigir que os fatos se ajustem aos desejos pessoais. A prática ajuda a perceber com maior precisão a parcela efetiva de liberdade e responsabilidade existente em cada situação.
2.6 Superação
O texto reúne exemplos de pessoas que conservaram liberdade interior em condições de opressão, como Soljenítsin, Alexander Zinoviev, Winston Churchill, Vladimir Bukovski e Miyamoto Musashi.
A ideia geral é tornar-se psicológica e espiritualmente mais forte do que a situação, sem depender excessivamente de aprovação, proteção ou assistência externa.
2.7 Moral e Religião
A moral não deve ser reduzida à aplicação mecânica de regras universais. Entre regra e caso concreto existe a mediação da imaginação moral. Literatura, biografia, santos, heróis e situações concretas ampliam o repertório necessário para julgar.
A decência, fidelidade, lealdade, sinceridade, gratidão e exame de consciência são temas recorrentes. A fé é apresentada principalmente como confiança e fidelidade.
2.8 Consciência de Imortalidade
O exercício busca perceber uma identidade mais profunda e contínua que não se reduz aos estados mentais, papéis sociais, pensamentos ou imagens corporais. O “eu” substancial é comparado a uma melodia: cada nota isolada passa, mas a unidade permanece.
O texto distingue modalidades do “eu”: substancial, real, verdadeiro, profundo, ontológico, executivo, histórico e social. A consciência da morte desloca o centro das preocupações para aquilo que permanece relevante diante da eternidade.
3. Linguagem
3.1 Gramática Latina
A Gramática Latina, de Napoleão Mendes de Almeida, é recomendada não apenas para aprender latim, mas principalmente para compreender melhor o português. O latim torna explícita a função das palavras por meio de terminações.
O livro distingue gramática como construção material da frase, lógica como estrutura ideal dos conceitos e retórica como adaptação psicológica da expressão à situação de comunicação.
3.2 Imitação dos Grandes Escritores de Língua Portuguesa
A imitação literária serve para ampliar os recursos expressivos até que surja uma voz própria. O estudante escolhe um autor, lê amplamente sua obra, imita seu estilo e depois passa a outro de estilo diferente.
O objetivo não é copiar trejeitos externos, mas assimilar a forma mentis: tentar perceber, sentir e ver como o autor.
3.3 Aperfeiçoamento dos Meios de Expressão
O aperfeiçoamento exige atenção contínua a pontuação, gramática, ritmo, vocabulário e precisão. Um exercício importante consiste em ir das coisas às palavras: observar o ambiente e procurar nomear precisamente cores, formas, objetos, estados e experiências.
3.4 Aprendizagem de Línguas Estrangeiras
Aprender outras línguas é considerado necessário para a alta cultura, porque cada idioma contém experiências e distinções que não têm equivalência perfeita em outro.
O objetivo prioritário é a leitura de grandes obras e textos formativos. São mencionados francês, inglês, espanhol, italiano, além de um mínimo de latim e grego.
4. Educação do Imaginário
4.1 Aquisição de Cultura Literária
A cultura literária é tratada como preliminar da filosofia. O processo cognitivo começa com sensação, memória e imaginação, e só depois chega aos conceitos.
Literatura e analogia
Uma literatura rica oferece uma galeria de personagens, situações, paixões e formas de expressão. Quase todo reconhecimento humano é descrito como analógico: o novo é compreendido por semelhanças e diferenças em relação a experiências já assimiladas.
Poesia e filosofia
A poesia é apresentada como a forma literária mais diretamente ligada à experiência. O poeta transforma impressões em formas verbais memoráveis; o filósofo procura a quididade, perguntando “quid?” — “o que é?”.
Filosofema
Os textos de um filósofo são testemunhos parciais de um filosofema, entendido como conjunto vivo de intuições e pensamentos que precisa ser reconstruído.
Os três pilares
Contato direto com as grandes obras.
Compreender a sequência e o contexto das obras.
Refletir sobre a experiência humana e a técnica literária.
Leitura e memorização de poesia
Recomenda-se memorizar e declamar poemas, formando uma musicalidade interior. A indicação inicial é o soneto de Camões “Transforma-se o amador na cousa amada”.
Leitura de ficção
O leitor deve identificar-se imaginativamente com personagens e situações, utilizando a suspensão da descrença para compreender experiências humanas sem julgá-las imediatamente.
Plano de leituras
A lista mínima é composta por Bíblia, Homero, mitologia grega e teatro grego. A lista ampliada baseia-se principalmente na História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux.
4.2 Convívio com as Mais Elevadas Realizações Artísticas
Música
A música é chamada de arte da continuidade. Recomenda-se ouvir repetidamente uma obra até que sua linha melódica, harmônica e rítmica possa ser reproduzida de memória.
Artes visuais
O desenho de observação funciona como treinamento da percepção: o mesmo objeto é observado sob diferentes perspectivas e inserido numa rede de relações.
Arquitetura
As catedrais góticas são tratadas como articulações de diversas artes e sistemas simbólicos. A arquitetura é apresentada como forma de organizar o espaço vivido e influir no imaginário.
Cinema e séries
O cinema amplia o repertório imaginativo. São citados Inspector Maigret, Sherlock Holmes e Aurora, de F. W. Murnau.
4.3 Leitura de Livros de História
O historiador trabalha com fragmentos e precisa criar uma imagem narrativa unitária. Por isso, o leitor também necessita de imaginação para reconstruir ações, motivos, circunstâncias e possibilidades.
Recomenda-se estudar períodos limitados, observar as fontes, a maneira como o historiador tratou ambiguidades e as hipóteses usadas para preencher lacunas.
4.4 Desenvolvimento do Imaginário
A imaginação possui um fluxo onírico espontâneo e uma possibilidade de interferência dirigida. O estudante deve observar como imaginação e percepção operam juntas.
O experimento associado a Edmund Husserl consiste em variar imaginariamente atributos de um ente até descobrir em que ponto ele deixa de ser reconhecido como aquilo que era, revelando uma lógica intrínseca e um círculo de latência.
5. Aproximação ao Conhecimento
5.1 Aulas — Sentido e Abordagem
As aulas devem ser inicialmente vividas, depois revistas em gravação e posteriormente consultadas em transcrição. Um caderno pode funcionar como espécie de autobiografia intelectual.
5.2 Exercício de Leitura Lenta
A Leitura Lenta pede que poucas linhas sejam transformadas novamente em experiência percebida. Uma frase pode exigir horas, dias ou meses. A análise crítica vem depois da impregnação inicial.
5.3 Exercício da Densidade do Real
O exercício busca recuperar a impressão da presença física maciça do universo. O ponto central é deixar a realidade anteceder o pensamento e perguntar primeiro “o que?”, antes do “por quê?”.
5.4 Repertório de Ignorância e Status Quaestionis
O conhecimento deve começar com um mapa da ignorância. O estudante distingue certeza evidente, alta probabilidade, verossimilhança e especulação possível.
O status quaestionis é a reconstrução histórica de uma questão: textos, autores, argumentos, posições e contradições que formaram o problema.
5.5 Exercício da Biblioteca Imaginária
A Biblioteca Imaginária é a lista dos livros que, idealmente, o aluno gostaria de ler durante toda a vida. Sua função é organizar o horizonte do conhecimento e mostrar onde determinadas informações podem ser encontradas.
5.6 Exercício Descritivo
O exercício diferencia conhecer uma coisa de simplesmente possuir um esquema verbal sobre ela. A descrição deve anteceder a teoria.
5.7 Rastrear a Origem dos Objetos de um Lugar
O estudante lista objetos de um ambiente e reconstrói a cadeia de ações humanas, matérias-primas, conhecimentos e instituições que tornou cada um possível. O objetivo é tornar os objetos historicamente vivos.
5.8 Leitura de Textos de Filosofia
A primeira leitura deve buscar a absorção do texto. São distinguidos três níveis: o drama ou conflito intelectual da obra; as referências históricas, culturais e doutrinais; e a recomposição da obra numa visão mais abrangente.
5.9 Aprendizagem com a Realidade e Lições de Aristóteles
O texto insiste que a percepção contém mais conhecimento do que aquilo que conseguimos formular conscientemente. São trabalhadas as categorias de Aristóteles, os predicáveis e as quatro causas.
5.10 Exercício de Classificação
O estudante escolhe objetos e procura classificá-los segundo diferentes critérios. O objetivo é perceber que cada critério revela relações diferentes e que classificações devem obedecer ao objeto e à finalidade da investigação.
5.11 Memória e Notas
A memória é constitutiva da personalidade. As anotações funcionam como memória de papel. Recomenda-se anotar nos próprios livros e manter registros de ideias sem transformar o estudo numa obsessão de registrar tudo.
6. Posicionamento Histórico e Filosófico
6.1 Enquadramento Histórico, Sociocultural e Psicológico
O capítulo reúne interpretações históricas, culturais e filosóficas apresentadas nas aulas e funciona como um roteiro de enquadramento.
Linguagem, alta cultura e meio brasileiro
As aulas são resumidas em torno da perda de alta cultura, empobrecimento da linguagem, domínio de estereótipos e necessidade de reconstruir um repertório literário capaz de restituir experiências pessoais e coletivas.
Mentalidade Revolucionária e Paralaxe Cognitiva
A Mentalidade Revolucionária torna-se eixo recorrente na interpretação de movimentos políticos, culturais e intelectuais. A Paralaxe Cognitiva designa a discrepância entre o conteúdo explícito de uma teoria e a posição real necessária para sustentá-la.
Cultura, hegemonia e poder intelectual
O material distingue poder político e poder cultural/intelectual, discutindo Escola de Frankfurt, Gramsci, Lukács, universidades, meios de comunicação e ação cultural de longo prazo.
6.2 Enquadramento Filosófico
Recuperar a atividade filosófica
A filosofia é distinguida de simples cultura filosófica, profissão acadêmica ou história das ideias. O modelo é a atividade da consciência individual que procura orientar-se na totalidade do conhecimento disponível.
Ciência moderna e recorte da realidade
A ciência moderna é descrita como operação que isola variáveis e cria recortes experimentais, úteis para tecnologia, mas não equivalentes ao conhecimento integral dos objetos.
Giro linguístico e “jaula kantiana”
Wittgenstein, Heidegger, Derrida, Richard Rorty e Saussure aparecem no contexto do deslocamento do problema da realidade para o discurso e a linguagem. Ortega y Gasset fornece a imagem do kantismo como uma “jaula”.
Filosofema e estudo de um filósofo
Compreender um filósofo é remontar dos textos às experiências cognitivas fundamentais que geraram seu pensamento. Recomenda-se conhecer toda a obra, interlocutores, ambiente, tradição, disciplinas envolvidas e interpretações posteriores.
Descartes e a leitura das Meditações
Uma grande parte do capítulo examina René Descartes. As aulas 122–137 tratam as Meditações primeiro como narrativa autobiográfica e depois como argumentação.
Na Segunda Meditação, o cogito é relacionado à personagem Sósia, de O Anfitrião, de Plauto. Na Terceira Meditação, acompanha-se a passagem do objeto ao sujeito e a formulação moderna do problema do conhecimento.
Escola Analítica, positivismo e nominalismo
As aulas discutem Michael Dummett, lógica, Escola Analítica, positivismo, fenomenalismo e nominalismo. O testemunho volta a ser colocado na base do conhecimento humano.
Zetética
A palavra grega zétesis designa a tensão permanente entre conhecimento e ignorância. A filosofia não se fecha em doutrinas finais; suas conclusões funcionam como símbolos que orientam a investigação.
7. Educação Através do Corpo
7.1 Método de Relaxamento
O método procura atingir relaxamento profundo com consciência e atenção preservadas. O praticante imagina progressivamente as articulações do corpo se separando levemente, mantendo a atenção no corpo até atingir um devaneio lúcido.
Ideias surgidas nesse estado não devem ser forçadas. Sonhos também não devem ser reduzidos a uma interpretação única; devem permanecer como símbolos ou matrizes de intelecções.
7.2 Disciplina Corporal
A disciplina corporal não é uma série mecânica de exercícios. O corpo deve ser integrado a uma estrutura maior, de modo que sensações e tendências adquiram significado.
São mencionados higiene, vida ao ar livre, respiração, postura, exercícios, atividades manuais, leitura com participação corporal, Tai Chi, sono e visualização prévia de gestos.
7.3 Alimentação
A seção começa com Sertillanges: comida leve, simples e moderada. O texto também menciona, em seu próprio contexto, proteína, creatina, vitaminas, cereais, oleaginosas e determinados queijos, além de recomendar cautela com modas alimentares e programas rígidos.
8. Trabalho e Relações Pessoais
8.1 Trabalho
O trabalho é definido como dever de bondade: sustentar-se impede que outra pessoa precise assumir essa carga e constitui contribuição direta à sociedade.
Mesmo tarefas monótonas podem desenvolver paciência, caráter e disciplina. O estudante deve buscar formas de atuação que coincidam com sua expressão pessoal e não presumir que seu futuro lugar intelectual já exista.
A seção recomenda buscar independência financeira e evitar que preocupações práticas consumam toda a energia intelectual.
8.2 Amizade
A amizade deve fundar-se numa comunidade de valores e objetivos, não apenas em simpatia. São Tomás de Aquino é citado com a fórmula idem velle, idem nolle.
A convivência com pares intelectualmente orientados fortalece a personalidade. A amizade é apresentada como um dos pilares da construção pessoal e também da sociedade política.
8.3 Vida Amorosa e Familiar
Pais e família de origem
A família introduz a criança na linguagem, nas regras e na convivência. Em relação aos pais, o texto enfatiza uma dívida de gratidão e recomenda que a vocação não seja sacrificada à busca de aprovação familiar.
Conquista e amor
Para conquistar a simpatia de alguém, recomenda-se deslocar a atenção de si mesmo e demonstrar interesse genuíno pela outra pessoa.
Intimidade
A intimidade sexual é interpretada como encontro que envolve dimensões simbólicas, pessoais, históricas e potencialmente procriativas.
Casamento
O casamento é interpretado primordialmente em contexto sacramental e religioso. Fidelidade e perdão devem permanecer juntos.
Filhos
Os filhos devem ser educados para procurar força, coragem e capacidade de agir, e não apenas segurança. A educação moral ocorre sobretudo pelo exemplo, pela sensibilidade moral e pela imaginação.
Recomenda-se falar muito com bebês, oferecer contato com Bíblia, clássicos, museus, concertos e bibliotecas e evitar transformar os filhos em projetos a serem moldados rigidamente.
Principais ideias recorrentes da obra
Filosofia como unidade do conhecimento na unidade da consciência.
Condição do conhecimento filosófico autêntico.
Confrontar afirmações com a experiência real.
Percepção e experiência precedem sistemas e argumentos.
Liga percepção, memória, linguagem, analogia e conceito.
Base da educação e do repertório de experiências humanas.
Principal via de reconhecimento do novo.
Adequar expressão e experiência.
Adquirir recursos e superar o mimetismo inconsciente.
Reconstruir a experiência antes de julgar o texto.
Saber também aquilo que não se sabe.
Reconstruir a história de um problema antes de opinar.
Eixo organizador de decisões e deveres.
Desenvolvimento progressivo da personalidade.
Continuidade do eu além de estados e papéis.
O pensamento vivo é mais amplo que os textos.
Fundamento da continuidade pessoal.
Educação corporal integrada à vida intelectual.
Princípio aplicado a trabalho, educação e caráter.
Prover o próprio sustento como dever moral.
Comunidade de objetivos superiores.
Os exercícios devem tornar-se modo de existência.
Referências citadas
Autores, filósofos, teólogos, pensadores, cientistas e figuras históricas
Olavo de Carvalho; Mário Chainho; Juliana Camargo Rodrigues; Sócrates; Platão; Aristóteles; Santo Agostinho; São Tomás de Aquino; A. D. Sertillanges; Louis Lavelle; Adolphe Tanquerey; Hugo de São Vítor; São Boaventura; São Paulo Apóstolo; Cristo/Jesus Cristo; Jean Guitton; Giambattista Vico; René Descartes; Immanuel Kant; Edmund Husserl; Baruch Spinoza; David Hume; Gottfried Wilhelm Leibniz; George Gurdjieff; Jacob Burckhardt; Karl Marx; Friedrich Hegel; Eric Voegelin; Eugen Rosenstock-Huessy; Xavier Zubiri; Wolfgang Stegmüller; Ludwig Wittgenstein; Martin Heidegger; Jacques Derrida; Richard Rorty; Ferdinand de Saussure; Karl Popper; José Ortega y Gasset; Alexander Zinoviev; Leo Strauss; Julián Marías; Félix Ravaisson; Epicuro; Demócrito; Jacques-Bénigne Bossuet; Friedrich Schelling; Auguste Comte; Leszek Kołakowski; Thomas Kuhn; Paul Feyerabend; Francis Bacon; Isaac Newton; Galileo Galilei; Max Planck; Albert Einstein; Stephen Hawking; René Guénon; Jean Borella; Benedetto Croce; Pierre Francastel; E. Michael Jones; Victor Zuckerkandl; Roman Ingarden; Susanne Langer; Maurice Pradines; Lipot Szondi; Gabriel Deshaies; Narciso Irala; Paul Diel; Viktor Frankl; Igor Caruso; Jean Piaget; Kurt Lewin; Mortimer J. Adler; Jacques Barzun; José Ferrater Mora; José Honório Rodrigues; Dardo Scavino; Gustavo Bueno; Bertrand Russell; Max Scheler; Josiah Royce; Ernesto Laclau; Chantal Mouffe; Etienne Couvert; Maxime Leroy; Sigmund Freud; Carl Gustav Jung; Alfred Adler; Michael Dummett; José Arthur Giannotti; Marilena Chauí; José Guilherme Merquior; Carroll Quigley; Arnold Toynbee; Mary Midgley; Lee Penn; Antonio Gramsci; Georg Lukács; Aleksandr Soljenítsin; Nicolae Steinhardt; Vladimir Bukovski; Winston Churchill; Miyamoto Musashi; Robert Stroud; Padre Pio; Irmão Lourenço; Nicholas Gruner; James Rutz; Seraphim Rose; Aldous Huxley; Robert Tocquet; Robert Kiyosaki; Alain; Napoleão Mendes de Almeida; Karl Bühler; Jules Payot; Ernout; Meillet; Silveira Bueno; Francisco Ferreira dos Santos Azevedo; Margarita Noyes; Leopold von Ranke; Glenn Hughes; Sylvain Gouguenheim; Augustin Cochin; Reinhart Koselleck; Hippolyte Taine; Émile Durkheim; Fernand Braudel; Nicolau de Cusa; Gustavo Corção; Otto Maria Carpeaux; Bruno Tolentino; Mário Ferreira dos Santos; Leonardo Coimbra; Maomé; João Calvino; Martinho Lutero; Thomas More; Giordano Bruno; Nicolau Maquiavel; Vladimir Lenin; Leon Trotsky; Mao Tsé-Tung; Aleksandr Dugin; Adolf Hitler; Salvador Allende; Ludwig von Mises.
Escritores, poetas, dramaturgos e críticos literários
Língua portuguesa: Luís de Camões; Bocage; Antero de Quental; Fernando Pessoa; Mário de Sá-Carneiro; Eça de Queirós; Camilo Castelo Branco; Ferreira de Castro; Aquilino Ribeiro; Vergílio Ferreira; Gonçalves Dias; Cruz e Sousa; Manuel Bandeira; Carlos Drummond de Andrade; Jorge de Lima; Murilo Mendes; Bruno Tolentino; Machado de Assis; Raul Pompéia; José Lins do Rego; Graciliano Ramos; Marques Rebelo; José Geraldo Vieira; Herberto Sales; Lima Barreto; João Guimarães Rosa; Nelson Rodrigues; Gil Vicente; Sá de Miranda; Fernão Mendes Pinto; João de Barros; Diogo do Couto; Damião de Góis; Diogo Bernardes; Francisco Rodrigues Lobo; Samuel Usque; Padre António Vieira; Mariana Alcoforado; Bernardim Ribeiro; Cristóvão Falcão; Fernão Lopes; Gerardo Mello Mourão; Orígenes Lessa; Euclides da Cunha.
Crítica e ensaio: Sainte-Beuve; Matthew Arnold; Adolfo Casais Monteiro; Fidelino de Figueiredo; Álvaro Lins; Augusto Meyer; F. R. Leavis; Kenneth Burke; Northrop Frye; Lionel Trilling; Wilson Martins; Otto Maria Carpeaux; Léon Bloy; William Hazlitt; Henri Massis; Charles Maurras; Mona Charen.
Literatura antiga e medieval: Homero; Hesíodo; Álcman; Íbico; Semónides; Baquílides; Píndaro; Calino; Tirteu; Mimnermo; Sólon; Teógnis; Alceu; Safo; Anacreonte; Arquíloco; Calímaco; Teócrito; Ésquilo; Sófocles; Eurípides; Aristófanes; Menandro; Heródoto; Tucídides; Políbio; Plutarco; Plauto; Terêncio; Cícero; Lucrécio; Catulo; Propércio; Tíbulo; Ovídio; Horácio; Virgílio; Tito Lívio; Tácito; Lucano; Sêneca; Quintiliano; Petrônio; Pérsio; Juvenal; Marcial; Estácio; Plínio, o Velho; Plínio, o Novo; Apuleio; Luciano; Marco Aurélio; Ausônio; Claudiano; Boécio; Tertuliano; Santo Ambrósio; São Jerônimo; Beda Venerabilis; Alcuíno; Paulo Diácono; Hroswitha von Gandersheim; São Bernardo de Claraval; Adam de Saint-Victor; Hildeberto de Lavardin; Pedro Abelardo; Raimundus Lullus; Bernard de Ventadour; Arnaut Daniel; Giraut de Borneil; Bertran de Born; Peire Vidal; Peire d’Auvergne; D. Dinis; Alonso de Baena; Walther von der Vogelweide; Neidhart von Reuental; Ulrich von Liechtenstein; Chrétien de Troyes; Thomas de Inglaterra; Gottfried von Strassburg; Wolfram von Eschenbach; Benoît de Sainte-Maure; Don Juan Manuel; São Francisco de Assis; Thomas de Celano; Jacopone da Todi; Gonzalo de Berceo; Afonso X; Juan Ruiz; Guido Guinizelli; Guido Cavalcanti; Cecco Angiolieri; Catarina de Siena; Dino Compagni; Dante Alighieri; Francesco Petrarca; Giovanni Boccaccio; Geoffrey Chaucer; Jan van Ruusbroec; Ramón Muntaner; Marco Polo; Jean Froissart; Pero López de Ayala; Philippe de Commynes; Thomas Malory; Enea Silvio Piccolomini; Juan de Mena; Ausiàs March.
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Livros, textos e obras citados
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Método da Confissão; observador omnisciente; testemunho individual; sinceridade; autoconsciência; exame de consciência; discurso interior; discurso exterior; tribunal imaginário; autoimagem; eu histórico; eu substancial; eu ontológico; eu executivo; eu social; eu profundo; rastreamento da história das próprias ideias; própria voz; imitação consciente; mimetismo neurótico; voto de pobreza em matéria de opinião; graus de certeza; mapa da ignorância; repertório de ignorância; status quaestionis; Exercício do Necrológio; Exercício do Testemunho; 12 Camadas da Personalidade; vocação; estudiosidade; concupiscência do olhar; Aceitação Total da Realidade; Superação; Consciência de Imortalidade; contemplação amorosa; conhecimento por presença; eternidade; termo próprio; educação do imaginário; leitura de poesia; leitura de ficção; suspensão da descrença; analogia; cultura literária; três pilares da cultura literária; filosofema; quid/quididade; hermenêutica; matriz de intelecções; consciência dispersa; fluxo onírico; pequenas percepções; círculo de latência; desimaginação; leitura histórica; leitura lenta; densidade do real; biblioteca imaginária; exercício descritivo; rastreamento da origem dos objetos; razão espontânea; razão refletida; categorias de Aristóteles; predicáveis; quatro causas; quatro discursos; exercício de classificação; memória; palácio da memória; Paralaxe Cognitiva; Mentalidade Revolucionária; zetética; imersão; extrusão; filosofia administrada; positivismo; neopositivismo; fenomenalismo; nominalismo; empirismo; racionalismo; giro linguístico; jogos de linguagem; filosofia analítica; alta cultura; disciplina corporal; devaneio lúcido; força versus segurança; trabalho como dever de bondade; independência financeira; amizade como comunidade de valores; idem velle, idem nolle; amor ao próximo; intimidade; fidelidade; perdão; formação moral pelo exemplo.
Lugares, instituições, períodos e correntes
Brasil; Portugal; São Paulo; Grécia; Roma; Itália; França; Espanha; Inglaterra; Alemanha; Áustria; Holanda; Bélgica; Polônia; Hungria; Rússia; União Soviética; China; Estados Unidos; América Latina; África; Oriente; Península Ibérica; Europa; Ocidente; Igreja Católica; Universidade de São Paulo — USP; Curso Online de Filosofia — COF; Seminário de Filosofia; escolas catedrais; universidades medievais; Escola de Frankfurt; Escola Analítica; Círculo de Viena; Bauhaus; ONU; Codex Alimentarius; Renascença; Reforma; Contra-Reforma; Patrística; Idade Média; Iluminismo; Revolução Francesa; Revolução Russa; Revolução Cultural chinesa; Guerra Civil Americana; Guerra Civil Espanhola; guerras napoleônicas; Primeira Guerra Mundial; Segunda Guerra Mundial; Guerra Fria; Modernidade; Pós-Modernidade; Escolástica; Humanismo; Barroco; Classicismo; Romantismo; marxismo; positivismo; neopositivismo; empirismo; racionalismo; cartesianismo; kantismo; fenomenologia; filosofia analítica; desconstrucionismo; nominalismo; tomismo; platonismo; aristotelismo; estoicismo; epicurismo; gnosticismo; cristianismo; islamismo; maçonaria; mentalidade revolucionária; alta cultura; cultura de massas.
Observação: as referências foram consolidadas para evitar repetições excessivas e manter a consulta didática.
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