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31 maio, 2020

Relatório Maio (2020)

foto pessoal



1 - Introdução



Maio foi um mês: 


 ...agitado com uma pandemia mundial mostrando  a cara do Brasil:

Desconfio da pomba No meio de urubus Desconfio de quem fala Em nome de Jesus À direita um abismo À esquerda um vulcão O beco é sem saída Estou na contramão Lá está o demo camuflado Onde certo é o errado Mãos ao alto! Sorria! Você está sendo assassinado Desconfio que o rei É filho da máfia Desconfio que o herói É da mesma falácia Desconfio que os humanos É que são os animais Medo do velho, da criança Das novelas, dos jornais Lá está o demo camuflado Onde certo é o errado Mãos ao alto! Sorria! Você está sendo assassinado Eu sou Ubaldo, Ubaldo, o paranoico Apesar do ar heroico que procuro demonstrar (Rita Lee)

2 - Categorias 


A - Carreira 


  •  não tive cabeça para isso e ando me questionando se vale a pena continuar "investindo" na carreira jurídica, pois talvez demore décadas para que eu possa advogar.


B - Corpo 

  


Treino

  • barra + paralelas + agachamento + swing com ketltebell  (inspirado no Tiozinho) + flexões . Abaixo os totais do mês:
  • B: 335
  • P: 335
  • A: 630
  • K: 570
  • F: 590

minha planilha de controle durante o exercício

  • ergométrica: 5h25'
  • Video game + cardio na ergométrica - meu joelho esquerdo deu pau, mas melhorou depois que passei a tomar UCII



Dieta


  • aumentando o controle da dieta de cutting (postagem atualizada) e tentando comer menos

  • sem trabalho presencial e com shoppings, restaurantes fechados ficou mais fácil cuidar da dieta


Dentista 

  • terminei o tratamento. Agora é só manutenção preventiva.

Saúde


  • Exames e consultas suspensas
  • Limpeza Intestinal: Tomei remédio para eliminar eventuais parasitas do intestino (a ideia é tomar um vez por ano)



Ambiente

  • mantendo a casa limpa


C - Finanças 





Imóvel


  • a saga do inventário continua...mais lento com a pandemia. Só Deus sabe quando termina.






  • voltando a gastar com moderação.  A pandemia tem gerado economia.



  • Visão Geral: Carteira ainda sem previsão de recuperação da queda em razão da pandemia e sem vendas de RV
  • Imposto de renda: quase terminado.
  • sem aporte com dinheiro novo  -  não aportar também é aportar. No aguardo do pico da pandemia no Brasil para comprar.  
  • dividendos: reinvestidos 100%
  • comprei
falei que não ia comprar, mas tava muito barato.
Tomara que não quebre com a crise




  • Aumentando.


Doação




  • continuo com o MSF


    D - Hobbies 






    Assistindo

    1. Star Trek  - A nova geração - muito bom e em andamento
    2. Westworld s3 - muito bom
    3. Eli (Netflix) - bom
    4. A babá (netflix) - bom
    5. Noite de Lobos (2018) - bom
    6. O apóstolo(2018) - muito bom
    7. Verõnica (2017) - fraco
    8. 1922 (2017) - muito bom e inquietante
    9. A sala (2019) - bom
    10. Campo do Medo (2019) - bom
    11. Voz na pedra (2017) - fraco


    Lendo 



    1. Army @Love (2007): mediano 
    2. Bite Club (2004): mediano  



      Ouvindo 







        

      Jogando




      • Resogun (PS3) - recomendo a todos
      • Valkirie Profile (PS1)
      • Spartan Total warrior (Game Cube) - incrível a biblioteca do game cube, que não conhecia. O bom é que está tudo acessível por emulador:






        Passeios

        • Nenhum e por enquanto impossível




        E - Mente  





        Li

        Minha Atividade:
        •  um livro sobre o Scrum  (haverá posts no futuro) e
        •  relendo 4 horas para o corpo (haverá posts no futuro)
        • Simulacron 3 - Daniel F. Galouye







        Lendo


        • o melhor do teatro grego - suspenso desde que parei de trabalhar (lia no trem a caminho da repartição) - estou enrolando para voltar
          
        F - Organização 






        +


        •  aquisição: faixa TRX genérica para exercícios




        •     Aquisição:



        Cozinha  

        • Estoque: aumentei o estoque de grãos (to guardando até fora da cozinha alguns quilos extras de alimentos. Não vai estragar porque a validade é longa e se nada de ruim acontecer é só comer) e ando mantendo o estoque normal na capacidade máxima para evitar corridas ao supermercado no caso de eventual lockdown, que parece que não ocorrerá no RJ. Aqui no meu bairro, parece que não se dá a mínima para o vírus.
        • Projeto Hambúrguer artesanal: Adquiri uns acessórios para facilitar fazer hambúrguer caseiro. No próximo mês compro uma chapa especial.


        Mídias Sociais

        • Blogger:  mexi no HTML e acrescentei postagens relacionadas ao final dos posts. Parece que taxa de rejeição está caindo e o tempo por sessão aumentando.
        • Facebook: só basicamente para participar do grupo do Submundo HQ (grupo de quadrinhos). Acho que está na hora de inventar algo melhor. A interface extramente poluída e cansativa.
        • Amazon: podia ser menos restritiva, mas estamos entre os 500 melhores avaliadores
        • Flickr: já foi melhor, mas ainda é boa

        G - Social 





        Família(s)

        •  Uma parente da minha mulher morreu de Covid e a irmã dela + marido pegou + outro irmão + a mulher dele - parece que todo mundo se curou, mas ninguém fez check out para verificar se houve sequelas

        Colegas de Trabalho
          

        • tudo ok

          União Estável

          • tranquilidade: me adaptei a essa rotina de quarentena


          Vizinhos

          • tranquilidade
          • princípio de incêndio no condomínio: no apartamento debaixo do meu, alguém deixou uma mamadeira esquentando em panela e saiu de casa. Deu fumaça, minha mulher percebeu, chamou o bombeiro, chamei o síndico. O síndico chamou o pessoal que mora no apartamento da fumaça (eles foram para uma casa na rua de frente da minha) e eles voltaram a tempo de evitar o pior. Nisso chega os bombeiros (demoraram 30 minutos) e temos que explicar que já tudo certo. Depois de uma vistoria no local, eles metem o pé.


              H - Transcendência










              Religião 

              Curtindo sozinho em casa: só eu e Deus

               



              Caridade 



              Apenas o MSF.


              3 - Conclusão


              A vida é  curta. 

              Divirta-se.


              Grande abraço!



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              30 maio, 2020

              [Livro] A corrida secreta de Lance Armstrong (2012)/ Tyler Hamilton

              Photo by Mabel Amber from Pexels


               Nos Bastidores do Tour de France: Doping, Armações e Tudo o Que For Preciso Para Vencer


              “Os testes são fáceis de burlar”, disse ele. “Estamos muito à frente dos testes. Eles têm os médicos deles e nós temos os nossos, e os nossos são melhores. Mais bem pagos, com certeza. Além do mais, a UCI [União Ciclística Internacional, o órgão regulador do esporte] nunca iria querer pegar alguns caras. Por que fariam isso? Iria lhes custar muito dinheiro.”

              Durante minha carreira, jornalistas frequentemente usavam o termo “corrida armamentista” para descrever a relação entre os fiscais de doping e os atletas. Isso não estava totalmente certo, pois dava a entender que os fiscais tinham alguma chance de ganhar. Para nós, não era uma corrida. Estava mais para um grande jogo de esconde-esconde, disputado em uma floresta, com vários bons lugares para se esconder e muitas regras que favorecem aqueles que vão se esconder. Portanto, era assim que enganávamos os fiscais: Dica 1: use um relógio. Dica 2: tenha um celular à mão. Dica 3: conheça seu “período de irradiação”: por quanto tempo acusaria positivo após tomar a substância.

              Larguei pela rampa e cortei a primeira curva a toda velocidade, com Carmichael seguindo num carro da equipe. Continuei forçando, chegando ao limite e me mantendo nele. Consigo perceber que estou no limite quando posso sentir um pouco do gosto de sangue na boca, e foi assim que permaneci, bem no limite.

               Você se força até o limite absoluto – quando seus músculos estão gritando, quando seu coração está prestes a explodir, quando dá para sentir o ácido lático transpirando pelo rosto e pelas mãos – e, então, você força a si mesmo um pouco além, depois mais um pouco, e, de repente, coisas começam a acontecer. Às vezes, explodimos; outras vezes, você alcança o limite e não consegue passar dele. Porém, algumas vezes, você o ultrapassa, e atinge um ponto em que a dor aumenta tanto que ela desaparece por completo. Sei que isso parece um pouco zen, mas é assim que eu sinto.
              A dor vem em diferentes sabores. Este era um novo sabor – mais áspero, ofuscante; se tivesse uma cor, seria um verde elétrico. Passar por cima de um pedregulho causava um rompante de agonia que corria das pontas dos meus dedos até o topo da minha cabeça; não conseguia decidir se vomitava ou gritava. Mas aí que está: se aguentar os primeiros dez minutos, então dá para aguentar mais. O tempo para de importar. De uma maneira estranha, o caos e a ansiedade da prova eram reconfortantes. Forçava ainda mais, usando a dor dos meus músculos para me distrair da dor em minha clavícula.
               Se me visse pela rua, nem chegaria perto de me destacar. Mas em situações onde as coisas são levadas aos limites mental e físico, eu tenho um dom. Consigo aguentar qualquer coisa. Quanto mais difíceis as coisas ficam, melhor eu as faço. Não sou nenhum masoquista, pois tenho um método. Eis o segredo: não se pode bloquear a dor. É preciso abraçá-la.

              Eis um número interessante: mil dias. É mais ou menos o número de dias entre o dia em que me tornei um profissional e o dia em que usei doping pela primeira vez. Conversar com outros ciclistas dessa era e ler suas histórias, parece ser um padrão: aqueles de nós que usaram doping, na maioria das vezes, começaram a partir do terceiro ano. Primeiro ano, recém-profissional, animado por estar lá, o calouro está cheio de esperança. Segundo ano, cai-se na real. Terceiro ano, clareza – a encruzilhada. Sim ou não. Dentro ou fora. Todo mundo tem seus mil dias; todo mundo tem sua escolha.

               “conservação de energia”, e esse era um ponto essencial para sermos bons ciclistas. As regras eram simples: ficar de pé o mínimo possível, dormir o máximo possível. George era o rei do “ficar de bobeira”. Dias inteiros se passavam e ele só ficava na vertical quando tinha de comer ou treinar.

              Eu tinha muito que aprender. Até então, treinava como a maioria dos ciclistas das antigas – ou seja, de acordo com minha intuição. Ah, eu fazia intervalos e contava as horas, mas não era muito científico a respeito. As provas disso podem ser vistas nos meus diários, nos quais a maioria dos dias era marcada por um único número: quantas horas eu havia treinado – quanto mais, melhor. Isso acabou no instante em que pisei em Nice. Lance e Ferrari me mostraram que havia mais variáveis do que eu imaginava, e que todas elas eram importantes: medida de força, cadência, intervalos, zonas, joules, ácido lático e, é claro, hematócrito.

               Cada corrida era um problema matemático: um conjunto de números precisamente mapeados que precisávamos atingir – o que parece fácil, mas, na verdade, eram incrivelmente difíceis de serem alcançados. Uma coisa é você sair para pedalar por seis horas; outra é pedalar por seis horas, seguindo um programa de potência, cadências – especialmente quando tais potências e cadências estão ajustadas para fazê-lo ultrapassar os mais absurdos limites de suas habilidades. Com o suporte de doses regulares de Edgar e de ovos vermelhos, treinávamos como nunca achei ser possível: retornos ao lar e quedas inconscientes na cama, exausto até o último fio de cabelo, dia após dia.

               Ferrari nos mostrou uma maneira de misturar Andriol em azeite de oliva; ele colocava em um vidro escuro, com um conta-gotas, para pequenos estímulos. Lembro-me de ter pegado um pouco do óleo de Lance durante uma corrida, uma vez: ele ergueu o conta-gotas e eu abri minha boca como se fosse um bebê-passarinho. A partir de uma sugestão de del Moral, experimentei um pouco de hormônio do crescimento em uma etapa do treinamento – meia dúzia de injeções, por vinte dias –, mas fez minhas pernas parecerem pesadas e inchadas, e me deixou um caco, por isso, parei.

               Na posição de ciclista, com o passar do tempo, você desenvolve a capacidade de manter uma fisionomia impassível. Não importa quão extrema seja a sensação que esteja sentindo – não importa o quão perto esteja de entrar em colapso – você faz de tudo para mascarar. Isso é importante numa corrida, quando esconder sua verdadeira situação de seu oponente é uma chave para o sucesso, já que isso desencoraja possíveis ataques. Está sentindo uma dor paralisante? Demonstre estar relaxado, até mesmo entediado. Não consegue respirar? Feche a boca. Prestes a morrer? Sorria.

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