24 de junho de 2026

[Rsm] Fariseu hipócrita (2006)

 

The Pharisee and the Publican (De Farizeeër en de tollenaar), 1661, Barent Fabritius


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Resumo estruturado — “Fariseu hipócrita”, de Olavo de Carvalho

1. Sentido pejorativo da palavra “raça”

A palavra “raça” usada contra grupo não racial

O autor afirma que o uso pejorativo da palavra “raça” para designar um grupo que não é racial não seria, segundo ele, um insulto racista. Para Olavo, esse uso funcionaria no sentido contrário: depreciaria justamente os elos raciais, pois reduziria uma afinidade política, espiritual ou cultural a um simples parentesco biológico.

Diferença entre vínculo racial e vínculo cultural

Segundo o texto, chamar um grupo político ou cultural de “raça” teria intenção sarcástica porque rebaixa esse grupo ao nível de uma ligação meramente biológica, comparada pelo autor a um grupo de galinhas ou macacos. A força do insulto estaria em tratar uma comunidade de ideias como se fosse apenas um agrupamento natural ou animal.

A tese central do argumento

Olavo sustenta que a expressão só seria pejorativa porque não parte de uma mentalidade racista. Para ele, se o falante fosse racista, consideraria a identidade racial como um elo superior, e não inferior, às afinidades políticas, culturais ou espirituais. Por isso, na lógica do autor, o insulto perderia sua função se fosse realmente racista.

2. Acusação contra os críticos de Jorge Bornhausen

Interpretação atribuída aos detratores

O autor afirma já ter explicado essa questão anteriormente e diz que os críticos do sr. Jorge Bornhausen insistiram em atribuir ao senador uma intenção racista, que Olavo considera incompatível com o sentido das palavras usadas por ele.

Inversão da acusação de racismo

Olavo acusa os detratores de Bornhausen de cometerem eles próprios racismo, pois, segundo ele, explicariam a fala do senador por sua origem racial e geográfica. O autor afirma que isso fomentaria preconceito contra imigrantes germânicos e contra um Estado da federação, em referência a Santa Catarina.

Referência à “receita de Lênin”

O texto recorre à fórmula atribuída a Lênin: “xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”. Olavo usa essa frase para afirmar que os críticos de Bornhausen estariam acusando o senador daquilo que, na visão do autor, eles mesmos praticariam.

3. Defesa de processo judicial contra os acusadores

Bornhausen deveria processar os críticos

Olavo afirma que, se o senador Jorge Bornhausen não processar seus detratores, estaria se rebaixando à condição de cúmplice passivo dos próprios difamadores. O autor entende que a acusação contra Bornhausen seria grave o suficiente para justificar ação judicial.

Crítica à punição seletiva

O texto também critica a possibilidade de se punir apenas o primeiro acusador e deixar impunes os demais. Olavo afirma que haveria uma multidão de cúmplices, especialmente porque muitos teriam escrito em parceria, após deliberações coletivas, e não sob efeito de emoção momentânea.

4. Ataque específico a Dalmo Dallari

Dallari como alvo principal

O autor passa então a tratar especificamente do sr. Dalmo Dallari, identificado como jurista. Olavo cita um texto publicado no Jornal do Brasil, no dia 9, em que Dallari teria afirmado que Bornhausen agiu “ao estilo dos nazistas” ao se referir aos petistas como “raça”.

Contestação da comparação com os nazistas

Olavo chama essa afirmação de mentira. Segundo ele, os nazistas não atacavam os judeus por serem uma raça, mas por não pertencerem à raça deles. O autor insiste que nenhum racista depreciaria a identidade racial como tal, pois isso, em sua lógica, faria com que deixasse de ser racista.

Argumento sobre o sentido do racismo

A ideia central desse trecho é que, para Olavo, o racismo exalta a identidade racial, enquanto o uso pejorativo de “raça” contra um grupo político a rebaixa. Portanto, ele considera contraditório chamar essa fala de racista.

5. Referência religiosa e acusação de hipocrisia

Crítica ao catolicismo público de Dallari

Olavo critica Dalmo Dallari por, segundo ele, ter feito carreira exibindo catolicismo. O autor o associa a Dom Paulo Evaristo Arns, usando linguagem depreciativa para caracterizar essa ligação intelectual e religiosa.

Comparação com expressão bíblica

O texto afirma que Dallari teria chamado de nazista um tipo de expressão semelhante à usada por Jesus, quando qualificou discípulos relapsos como “raça de víboras”. A intenção do autor é mostrar que a expressão “raça”, nesse uso, não teria sentido racial, mas moral ou espiritual.

Uso do termo “fariseu”

A palavra “fariseu” aparece como acusação de hipocrisia moral e religiosa. Olavo usa o termo para retratar Dallari como alguém que, segundo ele, ostentaria religiosidade enquanto faria acusações injustas.

6. Encerramento e promessa de continuação

Novas críticas anunciadas

No fim, Olavo afirma que a hipocrisia atribuída a Dallari não se limitaria ao episódio comentado. Ele promete tratar, em artigo futuro, de mais dois ou três feitos do jurista.

Comparação com “marquês de Sader”

O autor encerra com uma comparação depreciativa entre Dallari e o marquês de Sader, expressão usada ironicamente. A referência serve para intensificar a crítica e sugerir que os atos de Dallari, segundo Olavo, seriam tão graves ou piores que os do personagem mencionado.

Principais ideias recorrentes

Uso pejorativo de “raça” não seria racismo

A tese central do texto é que chamar um grupo político de “raça”, em tom pejorativo, não equivaleria a racismo, pois não exaltaria a raça, mas a reduziria a um vínculo biológico inferior aos vínculos políticos, espirituais ou culturais.

Acusadores de racismo seriam, segundo o autor, os verdadeiros racistas

Olavo sustenta que os críticos de Bornhausen teriam cometido racismo ao explicar sua fala pela origem germânica e catarinense do senador. A acusação é apresentada como inversão moral: aqueles que acusam estariam praticando aquilo que denunciam.

Crítica à manipulação retórica

O texto insiste na ideia de que os adversários políticos distorcem palavras para fabricar acusações. A fórmula atribuída a Lênin sintetiza essa ideia: acusar o outro daquilo que se faz.

Dalmo Dallari como exemplo de hipocrisia

O artigo concentra sua crítica mais dura em Dalmo Dallari, apresentado como jurista de discurso público moralista e religioso, mas acusado pelo autor de agir de modo hipócrita e difamatório.

Comparação entre linguagem política, religiosa e racial

Olavo aproxima o uso político da palavra “raça” de expressões religiosas como “raça de víboras”, atribuída a Jesus, para defender que a palavra pode ter sentido moral, espiritual ou pejorativo sem carregar necessariamente sentido racial.

Referências citadas

Pessoas

Olavo de Carvalho — Autor do artigo.

Jorge Bornhausen — Senador catarinense mencionado como alvo das acusações de racismo.

Dalmo Dallari — Jurista criticado diretamente no texto por comparar a fala de Bornhausen ao estilo dos nazistas.

Lênin — Citado por meio da fórmula: “xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”.

Jesus — Mencionado por ter usado a expressão “raça de víboras”.

Dom Paulo Evaristo Arns — Citado em associação crítica a Dalmo Dallari.

Marquês de Sader — Referência irônica usada no encerramento do texto.

Grupos e coletividades

Petistas — Grupo político referido como inimigo de Bornhausen no episódio comentado.

Nazistas — Mencionados na comparação feita por Dalmo Dallari e contestada por Olavo.

Judeus — Citados no contexto da perseguição nazista.

Imigrantes germânicos — Grupo citado como alvo de preconceito, segundo a acusação feita por Olavo aos críticos de Bornhausen.

Discípulos relapsos — Grupo mencionado na referência à expressão “raça de víboras”.

Lugares e instituições

Diário do Comércio — Veículo em que o editorial foi publicado.

Jornal do Brasil — Jornal onde, segundo o texto, Dalmo Dallari publicou a afirmação criticada.

Santa Catarina — Estado associado à origem geográfica de Jorge Bornhausen.

Estado da federação — Expressão usada para indicar que o preconceito atribuído aos críticos também atingiria uma unidade federativa.

Conceitos e ideias

Raça — Palavra central do artigo, discutida em seu uso pejorativo, político e não necessariamente racial.

Racismo — Conceito debatido no texto como exaltação da identidade racial e não como depreciação dela.

Insulto racista — Ideia contestada pelo autor no caso da fala de Bornhausen.

Afinidade política, espiritual ou cultural — Vínculos que, segundo Olavo, são rebaixados quando chamados de “raça”.

Parentesco biológico — Redução pejorativa atribuída ao uso sarcástico da palavra “raça”.

Preconceito racial e geográfico — Acusação feita por Olavo aos críticos de Bornhausen.

Difamação — Termo implícito e explícito na defesa de que Bornhausen processe seus acusadores.

Hipocrisia — Tema central do ataque a Dalmo Dallari.

Fariseu — Termo usado como imagem de hipocrisia moral e religiosa.

Raça de víboras — Expressão bíblica citada como exemplo de uso não racial da palavra “raça”.

Nazismo — Usado como comparação criticada pelo autor.

Deliberações coletivas — Expressão usada para sugerir que os críticos teriam agido de modo planejado, não impulsivo.

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fonte: https://olavodecarvalho.org/fariseu-hipocrita/

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