Esta resposta transcreve o conteúdo do áudio 006_2007-01-23_true-outspeak.mp3 de forma organizada, seguindo as diretrizes de uma aula estruturada, preservando a integridade das falas e destacando conceitos fundamentais.
1. Título provável da aula
Estratégia Revolucionária, a Crise da Igreja e a Miséria Intelectual Brasileira
2. Transcrição organizada
Introdução e o Processo de Guerra Revolucionária
Boa noite, amigos. Estamos aqui começando mais um True Outpeak e a ideia hoje é dar um pouco mais de atenção aos e-mails e deixar as notícias para o fim. Temos aqui um e-mail de um ouvinte que cita o livro de João Roberto Martins Filho, A educação dos golpistas, cultura militar, influência francesa e o golpe de 1964, que resume as etapas do processo revolucionário.
As etapas descritas pelo autor são:
- Preparação cautelosa do terreno: Agir sem declarar objetivos para conquistar a população.
- Rede de organizações subversivas: Criação de bases que subvertem a ação governamental com manifestações e sabotagens.
- Grupos armados: Fase do terrorismo como principal método para corroer os poderes constituídos.
- Estabelecimento de zonas liberadas: Áreas onde o exército regular não entra mais, visando a formação de um governo provisório e exército revolucionário.
- Conquista do poder: Ofensiva final.
É evidente que o Brasil está na quarta etapa, com o estabelecimento de zonas liberadas ocupadas pelo Comando Vermelho, PCC e, como mencionei em artigo, a ação do MST no Rio Grande do Sul. A situação atual é camuflada porque ocorre com o auxílio de um governo revolucionário democraticamente eleito. O objetivo não é derrubar o governo federal, mas derrubar a ordem constituída com a ajuda deste.
Comunismo, Economia e a Estratégia de Poder
Diferente do que muitos pensam, a estratégia comunista moderna, como a do PT, segue a receita de Lenin: não destruir a economia capitalista de imediato. A destruição da economia capitalista é um processo lento, feito via taxação (estrangulamento da burguesia) e inflação.
O que define o regime comunista não é a mudança econômica súbita, mas a centralização do poder por meios diretos ou indiretos e a instalação de uma ditadura, primeiro informal e depois formal. A economia capitalista funciona como a “gasolina” que move o motor da revolução; se ela é estrangulada precocemente, a revolução para. O investidor estrangeiro é tranquilizado com uma retórica de sensatez, técnica usada desde a NEP (Nova Política Econômica) de Lenin. O brasileiro, por ignorância, só acredita que há comunismo se houver estatização imediata, que na verdade é a última etapa.
Globalismo e a Ilusão da Abertura Chinesa
Pergunta do ouvinte: As grandes empresas ocidentais não se beneficiam do regime ditatorial chinês para usar mão de obra escrava?
Resposta: Sim, você tem razão. As empresas muitas vezes não têm visão estratégica e buscam o lucro imediato, ou estão ligadas a um esquema de globalismo político que visa um governo mundial. Durante o governo Clinton, espalhou-se a balela de que a liberalização econômica traria a liberalização política na China.
A realidade prova o contrário: o dinheiro fortalece o Partido Comunista e os generais. A riqueza não derruba governos, e a miséria favorece as ditaduras, pois um povo faminto não tem condições de se organizar. Revoluções geralmente ocorrem em países em crescimento econômico, como a França do século XVIII ou a Rússia pré-1917. Na China, os novos ricos são sócios do governo, não opositores.
A Crise na Igreja Católica e Jacques Maritain
Pergunta do ouvinte: Qual a sua opinião sobre o pensador cristão Jacques Maritain e sua influência no espírito moderno da Igreja?
Resposta: Recomendo a leitura de Gustavo Corção, O Século do Nada, que analisa a autodestruição da Igreja Católica por dentro. No Concílio Vaticano II, a igreja se rendeu ao humanismo revolucionário. Um exemplo sórdido foi o Pacto de Metz, onde a Igreja prometeu não criticar o comunismo para ter bispos ortodoxos (controlados pelos soviéticos) no concílio.
Jacques Maritain foi o guru desse processo, colaborando com comunistas desde 1936. Embora respeitado, Maritain era um filósofo medíocre se comparado a outros da neoescolástica como André Marc, Garrigou-Lagrange, Joseph Maréchal ou Antonin-Dalmace Sertillanges (autor de A Vida Intelectual). Maritain omitiu o comunismo em sua obra final, O Camponês da Garona, mesmo o regime tendo matado milhões. Gustavo Corção, embora educado em sua crítica, percebeu tarde demais que seu mestre era um “vendido”.
A Defesa de Mário Ferreira dos Santos e a Burrice Brasileira
Critica-se Mário Ferreira dos Santos dizendo que ele não era original. Isso é fruto de ignorância. Miguel Reale o conheceu em uma fase inicial. Mário escreveu a Enciclopédia das Ciências Filosóficas em 56 volumes, obra que quase ninguém no Brasil leu. Ele foi um dos maiores filósofos do século XX.
O brasileiro médio é dinheirista e estuda apenas pelo diploma. Há um horror ao conhecimento e uma tendência a dar palpites baseados em frases soltas, sem buscar a unidade do pensamento do autor. Na década de 40 e 50, imigrantes ajudaram a civilizar o país, mas hoje a situação é de deserto intelectual.
Reflexões Tomistas e Correções Históricas
Pergunta do ouvinte: O que significa o trecho de Santo Tomás de Aquino sobre as potências sensíveis não retornarem sobre si mesmas?
Resposta: Significa que os sentidos (como o olho) não percebem o seu próprio ato de perceber. Já a inteligência é reflexiva: ela capta o seu próprio ato; não existe inteligência inconsciente.
Esclarecimento: Sobre o filme A Religiosa, cometi um erro em artigo anterior. O filme não é de Godard, mas de Jacques Rivette (1966), baseado na obra de Diderot, que foi uma fraude histórica contra a Igreja.
CFR e o Projeto Globalista
O CFR (Council on Foreign Relations) é o criador de projetos globalistas como a Comunidade Norte-Americana, que visa dissolver fronteiras para criar um governo mundial. Eles financiam intelectuais, mas muitos, como Kenneth Maxwell, chegam ao absurdo de dizer que o Foro de São Paulo não existe.
Ciência e o Erro de Galileu
Pergunta do ouvinte: No livro O Jardim das Aflições, o senhor cita a astronomia como ciência contemplativa. Isso é correto mesmo antes de Galileu?
Resposta: Sim. A astronomia (cálculo) precede a astrologia (simbolismo). As descrições antigas eram tão perfeitas que o sistema ptolemaico ainda é usado para navegação. Galileu errou ao dizer que o Sol era o centro do universo. São Roberto Belarmino estava certo cientificamente ao ser cauteloso, pois o geocentrismo é existencialmente adequado para quem observa da Terra.
Diálogos Finais: Educação e Segurança
Pergunta do ouvinte: Como lidar com alunos de teologia que não interpretam o que o autor diz, mas o que eles “acham” que ele diz? Resposta: Isso é um vício nacional. Recomendo as obras de Giovanni Reale e Dario Antiseri sobre história da filosofia, que são excelentes. Mas o problema da burrice é quase insolúvel.
Pergunta do ouvinte: Por que a Força Nacional não atua nas favelas e fica apenas nas fronteiras? Resposta: Porque nas favelas é perigoso e eles evitariam pisar no pé das FARC, que fornecem armas e drogas e têm influência sobre o governo atual. Sobre a segurança, o cidadão deve se defender, como a “vovó p********” do Rio de Janeiro; esperar pela polícia é ser liquidado.
3. Principais tópicos abordados
- As cinco etapas da Guerra Revolucionária e a posição do Brasil.
- A estratégia de manutenção da economia capitalista como motor da revolução comunista.
- Crítica ao Globalismo e à influência do CFR.
- A decadência da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II e o Pacto de Metz.
- A mediocridade intelectual de Jacques Maritain frente à neoescolástica.
- A defesa da obra monumental de Mário Ferreira dos Santos.
- A natureza reflexiva da inteligência em Santo Tomás de Aquino.
- A superioridade existencial e matemática do geocentrismo descritivo.
- A falência da segurança pública brasileira e o direito à autodefesa.
4. Nomes, livros, artigos, colunas, autores e referências citadas
- Autores: João Roberto Martins Filho, Karl Marx, Lenin, Hugo Chávez, Mao Tsé-Tung, Gustavo Corção, Jacques Maritain, Papa Paulo VI, Papa João XXIII, Papa Pio XII, Santo Tomás de Aquino, André Marc, Garrigou-Lagrange, Joseph Maréchal, Antonin-Dalmace Sertillanges, Mário Ferreira dos Santos, Miguel Reale, Jacob Bazarian, Galileu Galilei, Johannes Kepler, Isaac Newton, São Roberto Belarmino, Kenneth Maxwell, Giovanni Reale, Dario Antiseri, Diderot, Jacques Rivette.
- Livros: A educação dos golpistas (João Roberto Martins Filho), O Século do Nada (Gustavo Corção), Le Paysan de la Garonne (Jacques Maritain), La Vie Intellectuelle (Sertillanges), O Homem que Nasceu Póstumo (Mário Ferreira dos Santos), Enciclopédia das Ciências Filosóficas (Mário Ferreira dos Santos), Verdade e Conhecimento / De Veritate (Santo Tomás de Aquino), O Jardim das Aflições (Olavo de Carvalho), Brasil, País do Futuro (Stefan Zweig).
- Outras Referências: Jornal do Brasil (artigo de Olavo), Revista Foreign Relations (CFR), Pacto de Metz, Concílio Vaticano II, Foro de São Paulo, FARC, MST, PCC, Comando Vermelho.
5. Trechos incertos ou inaudíveis
- Trecho onde se menciona o nome de um filósofo armênio-brasileiro (identificado no texto como Jacob Bazarian com base no contexto, mas a pronúncia pode variar).
- Citação de uma expressão pejorativa para estudiosos: “c* de ferro”.
- Referência a um diretor da Globo cujo nome Olavo opta por não dizer.
- Menção ao e-mail “Sigma Léelo”.
- Interjeições e risos durante a conversa com os ouvintes Alfredo e Celina.
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