1. Título provável da aula
A Farsa Política, a Crise da Autoridade e a Estrutura do Discurso
2. Transcrição organizada
Introdução e Estado de Saúde
Boa noite, meus amigos. Estou aqui novamente com o True Outspeak, desta vez com a voz um pouco alterada porque eu peguei uma gripe do cão, graças a esse clima muito estranho aqui. Aqui na Virgínia faz verão e inverno ao mesmo tempo. E como a gente viaja muito, às vezes pega um clima de verão e de inverno no mesmo dia. Hoje por aqui está um calor, mas se você viaja 30 milhas, você pega neve. E não é brasileiro que aguente isso. Então, praticamente levantei da cama para fazer esse programa. Se eu disser alguma besteira, é porque eu ainda estou delirando com febre, vocês não liguem, não.
A Identidade entre Lula e Chávez segundo Wallerstein
Mas esta semana, a primeira coisa que me chamou atenção aqui são duas notícias simultâneas. Uma entrevista que saiu na Folha com Immanuel Wallerstein, onde ele diz que, afinal de contas, o Lula e o Chávez não são muito diferentes. Eles estão perfeitamente unidos, estão solidários um com o outro e, vamos dizer, estão agindo em comum acordo em tudo.
Então não se iludam com as diferenças aparentes, diz ele. O detalhe interessante é que esse Wallerstein é um dos, junto com István Mészáros e com Antonio Negri, os três maiores teóricos do movimento comunista internacional. É o equivalente do que seria nos anos 50 o Roger Garaudy. E a Folha, ao dar os créditos dele, diz apenas "sociólogo norte-americano, pesquisador sênior da Universidade de Yale e autor do livro O Declínio do Poder Americano". Quer dizer, não informa ao leitor que se trata de um teórico comunista. Quando vai entrevistar um homem da direita, vem sempre o carimbo ideológico. Mas aqui é preciso dar uma ideia de neutralidade para explorar a credulidade do leitor.
O Declínio da Influência Americana e o "Capitalismo de Coleira"
A entrevista do Wallerstein é significativa porque ele diz outra coisa muito interessante: a ascensão da esquerda na América Latina reflete um decréscimo real da influência americana sobre esta parte do mundo. Isto é uma grande verdade. O declínio começou de dentro, com a política de Jimmy Carter, que sempre favoreceu o pessoal da esquerda; depois Bill Clinton fez a mesma coisa, e os governos republicanos nesse ínterim não fizeram nada ou mantiveram a mesma orientação, como fez George W. Bush.
Ao mesmo tempo em que Wallerstein diz que Lula e Chávez são a mesma pessoa, vem a notícia de que, no Fórum Econômico Mundial, o senhor Jacob Frenkel, vice-presidente do AIG (American International Group), homenageou o Lula porque ele teria se "convertido" ao capitalismo. O Lula é uma figura miraculosa: é estritamente comunista e estritamente capitalista ao mesmo tempo. O leitor brasileiro parece não juntar as coisas. Existe um interesse de grupos econômicos na integração latino-americana, mesmo que por via comunista. Para eles, pouco importa, desde que o país continue pagando suas dívidas. O comunismo, por ser fracasso e dependência, gera ainda mais dívida, o que os mantém na coleira. O que esses grupos não querem é um próspero país capitalista que não precise deles.
O Avanço das FARC no Brasil
Outra notícia interessante é que as FARC conservam em seu poder 100 prisioneiros sequestrados para fins de extorsão. Nenhuma cadeia na América Latina, nem em Cuba, tem 100 prisioneiros políticos ao mesmo tempo. E o nosso governo continua em boas relações com as FARC, nada fazendo contra sua atuação no Brasil, que está cada vez mais ousada.
Recebi um e-mail de Jorge Figueiredo relatando que, no Rio de Janeiro, as FARC deixaram de ser atacadistas para serem distribuidoras por delivery. Elas estão entregando diretamente ao consumidor e acabando com os traficantes comuns para garantir o monopólio do narcotráfico. Todo o simulacro de combate às drogas deste governo é apenas para eliminar a concorrência das FARC. Para entender a política, você não pode olhar somente o lado econômico. Achar que o Lula passou para o capitalismo porque cumpre metas do Banco Mundial é uma estupidez. O que importa é a política de segurança, que está desmantelando o Estado e criando um exército revolucionário composto por FARC, PCC, Comando Vermelho e MST. O pessoal do Foro de São Paulo confia no Lula porque lê as atas e tem contato direto; já os banqueiros confiam porque olham apenas as estatísticas financeiras.
Cultura e Intelectuais: Ariano Suassuna
Um ouvinte comentou sobre a TV Cultura comparar Chopin ao sambista Cartola. Para esse pessoal, passou 1 cm acima da cabeça deles, é tudo igual. Sobre Ariano Suassuna, li sua Iniciação Estética e achei um bom livro didático, sem grandes novidades. Gosto de suas peças, como o Auto da Compadecida, que é genial, mas entendo suas limitações intelectuais. Ele é um escritor regional e, quando opina sobre política cultural mundial, só fala besteira.
O Processo Intelectual e a Mudança de Opinião
Sobre a crise da Igreja, escrevi sobre isso há 30 anos na revista Planeta e nem lembro o que disse. No Brasil, as pessoas acham que opinião é um bloco fixo. O processo intelectual é uma longa assimilação de aspectos contraditórios da realidade. Às vezes é uma mudança, às vezes uma autocorreção ou integração de novos aspectos. Além disso, textos têm níveis diferentes de rigor: uma coisa é um livro como O Jardim das Aflições, outra é um artigo de jornal ou uma aula transcrita.
Teoria dos Quatro Discursos e Gnoseologia Aristotélica
Respondendo ao Fernando Ferreira: é lícito afirmar o paralelismo entre a Teoria dos Quatro Discursos e a gnoseologia aristotélica. Essa sucessão escalar (poético, retórico, dialético e lógico) é exigida pela própria teoria do conhecimento de Aristóteles. Primeiro há a absorção pelos sentidos, depois a síntese imaginativa, e sobre esta criam-se os conceitos e o discurso. O discurso poético é a expressão direta da síntese da imaginação sobre o material sensível. Sem ele, nenhum outro existe.
No entanto, essa correlação não explica a história do pensamento humano porque é uma estrutura permanente. É um dado estrutural da cultura. Você não pode ter retórica (discurso das escolhas) sem o poético (experiência direta) por baixo. A teoria dos quatro discursos serve como um suporte estrutural para a compreensão, ajudando a separar o que é constante do que é realmente histórico e mutável.
Crítica ao Direito Brasileiro: "Conceitos Indeterminados"
Os juristas brasileiros falam em "conceitos jurídicos indeterminados", como o "interesse público". Isso é uma vigarice. Um conceito, por definição, é uma determinação. Se é indeterminado, não é conceito, é apenas um termo de significação indeterminada. É como dizer "quantidade não quantitativa". Isso é analfabetismo proposital para que possam decidir conforme lhes dá na telha. O brasileiro tem um respeito excessivo por qualquer idiota togado. Precisamos destruir os medalhões (citando Machado de Assis), que têm apenas a pose, mas por dentro são um monte de esterco.
O Concílio Vaticano II e o Pacto de Metz
Sobre o Concílio Vaticano II, o Gustavo Corção tinha toda a razão: nada se salva. Segundo São Tomás de Aquino, um ato bom deve ser bom na intenção, nos meios, na execução e no resultado. O Concílio nasceu mal com o Pacto de Metz, uma trama secreta com o comunismo. Os meios foram intrigas e mentiras, e o resultado foi a perdição de milhões de almas que abandonaram a igreja. No tempo do Concílio, eu mesmo cheguei a falar bem dele em um programa de rádio, mas retiro tudo o que disse; eu era um idiota e não sabia o que estava acontecendo.
Difamação de Pio XII pela KGB
Ion Mihai Pacepa (ex-chefe da espionagem romena) revelou que, em 1960, Nikita Khrushchev aprovou um plano para destruir a autoridade moral do Vaticano, escolhendo o Papa Pio XII como alvo. A KGB queria apresentá-lo como antissemita e colaborador de Hitler, mas essa tese já foi desmoralizada. Ninguém fez mais para salvar judeus do que Pio XII. Exemplo disso foi o intelectual Otto Maria Carpeaux, que veio para o Brasil socorrido pelo Papa. O dever de proteger os judeus é uma determinação antiga da Igreja, vinda de bulas papais como a de Bonifácio VIII [inaudível - possivelmente outro nome de Papa, Olavo hesita na data].
Liberdade de Expressão e Cristianismo na Europa
Na Inglaterra, um militante cristão, Stephen Green, foi preso por distribuir folhetos com citações bíblicas contra o homossexualismo. Se a Bíblia pode circular, por que uma citação dela não pode? Isso é a instalação do direito do mais forte. Ao mesmo tempo, há uma pressão imensa pela legalização da eutanásia. Hoje as decisões não passam mais pelo parlamento, mas por comissões técnicas (como as da ONU) que legislam por cima da opinião pública. Isso acontece na educação, na saúde e até na criação da Comunidade Norte-Americana (dissolvendo fronteiras entre EUA, México e Canadá) em segredo. Democracias estão sendo sabotadas por esses acordos secretos.
Cuba e a Mídia Brasileira
O médico Aldo Consuegra Martínez foi surrado em Cuba por querer sair do país. Nenhum jornal brasileiro noticia o estado das prisões em Cuba ou na China. Perguntei uma vez ao Otávio Frias Filho por que o jornal dele era tão enviesado. Ele disse que, como os EUA são uma democracia, o erro deles choca mais. Isso é moral invertida: punir o homem honesto pelo erro pequeno e ignorar o bandido profissional. Isso leva 40% dos brasileiros a acharem que os EUA são o maior perigo nuclear do mundo, uma ideia idiota.
O Movimento Antitabagista
Faço parte do comitê de honra da organização Forces.org, que reúne documentação sobre a vigarice do movimento antitabagista mundial. Há falsificação de dados pela OMS e farmacêuticas. Querem proibir o fumo até em prédios privados e discriminar fumantes em cirurgias na rede pública britânica. Dizem que o fumo mata 400 mil por ano nos EUA, mas não dizem que esses fumantes morrem na mesma idade média (70 anos) que os não fumantes. Na Bélgica, a eutanásia legal já quer se estender a crianças e pacientes mentalmente incapacitados.
Pergunta de Aluno (Leandro de Porto Alegre)
Pergunta de Aluno (Álvaro do Canadá)
Pergunta de Aluno (Luís Afonso de Portugal)
3. Principais tópicos abordados
- A simbiose política e estratégica entre Lula e Hugo Chávez.
- A omissão da grande mídia (Folha de S. Paulo) sobre a identidade ideológica de intelectuais comunistas.
- O avanço logístico e monopolista das FARC no Brasil e sua relação com o governo.
- A formação de um exército revolucionário informal (FARC, PCC, CV, MST).
- Crítica à intelectualidade regionalista e à falta de discernimento cultural na mídia brasileira.
- Fundamentos da Teoria dos Quatro Discursos ligados à gnoseologia de Aristóteles.
- Crítica ao vocabulário jurídico brasileiro e ao fenômeno dos "medalhões".
- Análise crítica do Concílio Vaticano II e denúncia da difamação russa contra Pio XII.
- O papel das comissões técnicas internacionais (ONU) na erosão da soberania democrática.
- Vigarice nos dados das campanhas antitabagistas e avanço da cultura da morte (eutanásia).
4. Nomes, livros, artigos, colunas, autores e referências citadas
- Autores e Intelectuais: Immanuel Wallerstein, István Mészáros, Antonio Negri, Roger Garaudy, Ariano Suassuna, Gustavo Corção, São Tomás de Aquino, Benedetto Croce, Ion Mihai Pacepa, Otto Maria Carpeaux, Alceu Amoroso Lima, Álvaro Lins, Machado de Assis, Charlotte Thomson Iserbyt.
- Políticos e Figuras Públicas: Lula, Hugo Chávez, Jimmy Carter, Bill Clinton, George W. Bush, Jacob Frenkel, Otávio Frias Filho, Alexandra Pelosi, Nancy Pelosi, Nikita Khrushchev, Papa Pio XII.
- Livros e Obras: Declínio do Poder Americano (Wallerstein), Auto da Compadecida (Suassuna), Iniciação Estética (Suassuna), O Jardim das Aflições (Olavo de Carvalho), Aristóteles em Nova Perspectiva (citado como livro sobre Aristóteles), Teoria do Medalhão (Machado de Assis), The Deliberate Dumbing Down of America (Charlotte Thomson Iserbyt), Bíblia do Rei James.
- Organizações e Veículos: Folha de S. Paulo, Estadão, Fórum Econômico Mundial, AIG, FARC, PCC, Comando Vermelho, MST, Foro de São Paulo, ONU, OMS, Forces.org, National Review, Newsmax.com.
5. Trechos incertos ou inaudíveis
- Citação do Papa que emitiu a bula de proteção aos judeus: Olavo hesita entre Bonifácio VIII ou outro, e não recorda a data exata ("século X" ou outra).
- A conexão com o aluno Luís Afonso de Portugal cai, deixando o diálogo incompleto.
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