A Perversão do Tempo Histórico
Das Origens do Messianismo Revolucionário à Tirania Globalista Contemporânea
1. Introdução e Comentários sobre Corrupção e Diplomacia
Boa noite, amigos. Estamos aqui começando novamente um talk show. Eu só queria pedir um favor aos remetentes: quando me enviarem e-mails, não enviem mensagens compridas, porque se torna impossível lê-las no ar.
Esta semana me enviaram uma série de coisas muitíssimo interessantes. A mais impressionante delas é o caso do espião italiano Marco Bernardini, que trabalhava em um esquema de espionagem a serviço da Telecom Itália. Ele foi preso e fez um acordo com a polícia, revelando informações sobre um esquema de corrupção que incluía uma verba de 2 milhões de dólares utilizada no Brasil.
A Telecom Itália disputava a Brasil Telecom com o grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Começo a entender por que Daniel Dantas foi tão demonizado: quem também participava da disputa era o filho do presidente Lula, o Lulinha. Para retirar o banqueiro do caminho, fizeram de tudo. Entre os envolvidos estava o então chefe da Abin, Mauro Marcelo. O caso é escabroso, mas provavelmente não acontecerá absolutamente nada.
Outra informação interessante é uma entrevista publicada na revista Veja com Roberto Abdenur, que havia sido embaixador nos Estados Unidos. Ele deixou o cargo acusando o governo de promover uma uniformização ideológica dos diplomatas, algo que não teria acontecido nem mesmo durante a ditadura.
Naquela época, o governo determinava os rumos da política externa, mas não obrigava os diplomatas a assumir pessoalmente determinado alinhamento ideológico. Agora, segundo a crítica apresentada, os diplomatas brasileiros seriam promovidos de acordo com sua afinidade político-ideológica, e não por competência. O Brasil inteiro estaria se transformando na “escolinha do MST”.
2. Teoria do Conhecimento e Recomendações Bibliográficas
O professor João Paulo de Freitas, que lecionará Teoria do Conhecimento em Curitiba, pediu indicações de obras.
Para o autor da exposição, o melhor livro de teoria do conhecimento já escrito é A Dialética do Conhecimento, cujo título original é L’intellection: De la dialectique de la connaissance à l’affirmation de Dieu, de André Marc.
André Marc é apresentado como o maior dos pensadores neoescolásticos do século XX, embora tenha sido eclipsado por figuras consideradas menores, como Jacques Maritain.
A obra de André Marc, publicada em dois volumes, compara os princípios da teoria do conhecimento escolástica de São Tomás de Aquino com abordagens modernas e científicas.
Outro livro considerado indispensável é o clássico Insight, de Bernard Lonergan, que estuda o processo pelo qual o sujeito chega a compreender intelectualmente alguma coisa.
Obras recomendadas:
- A Dialética do Conhecimento, de André Marc.
- Insight, de Bernard Lonergan.
Com esses dois livros, o estudante teria material suficiente para refletir durante muito tempo.
3. Disputas Históricas: Igreja e Maçonaria
Felipe Cola enviou uma carta discutindo a disputa entre a Igreja Católica e a Maçonaria.
A oposição entre Cristianismo e Maçonaria é apresentada como uma das principais linhas de continuidade histórica dos últimos dois séculos.
4. Os Arquivos da Ditadura e a União Norte-Americana
Em relação à notícia de que documentos da ditadura estariam desaparecendo dos arquivos do SNI — Serviço Nacional de Informações, questiona-se a quem interessaria esse desaparecimento.
Todos os crimes reais ou imaginários atribuídos à ditadura já teriam sido amplamente divulgados e transformados em instrumento político e financeiro. O interesse no desaparecimento dos documentos seria, portanto, da própria esquerda, porque sua participação nos acontecimentos jamais teria sido plenamente revelada.
Os militares defenderiam a abertura dos arquivos de ambos os lados. Como essa abertura não seria conveniente para determinados grupos, a documentação desapareceria.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, estaria avançando um processo de integração com o México e o Canadá. Discutia-se uma moeda única chamada Amero, que seria uma etapa em direção a uma futura moeda mundial.
O economista e prêmio Nobel Robert Mundell é mencionado como alguém que teria reconhecido que o objetivo do CFR — Council on Foreign Relations seria a constituição de uma economia global acompanhada de uma moeda global.
Esse processo não passaria pela discussão pública. As decisões seriam tomadas por comissões técnicas e, posteriormente, implantadas de maneira repentina como leis vigentes.
5. Tirania Legislativa e Destruição da Percepção
O processo legislativo contemporâneo é descrito como um dos mais tirânicos da história.
Ideias como a legalização da eutanásia, do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo apareceriam inicialmente na mídia. Pouco depois, a oposição a essas medidas passaria a ser tratada como uma forma de conduta criminosa.
A ONU já exerceria pressão sobre países como Portugal e Nicarágua. Nesse contexto, a oposição ao aborto passaria a ser apresentada como um “crime contra os direitos humanos”.
6. Cristianismo, Comunismo e a Estrutura do Tempo
Ao responder a Kelmer Cazzote sobre a afirmação de que o comunismo seria o ponto máximo do cristianismo, explica-se que essa ideia teria se originado em movimentos heréticos dos séculos XII e XIII.
Esses movimentos são denominados movimentos revolucionários messiânicos.
A expressão “Nova Ordem Mundial”, relacionada à fórmula latina Novus Ordo Seclorum, é atribuída a João Amos Comênios, apresentado como um teórico que pretendia implantar o reino de Cristo na Terra por meio da força.
O Juízo Final e a eternidade
A alteração fundamental realizada por esses movimentos consistiria em transformar o Juízo Final bíblico — entendido como o fim dos tempos históricos e a absorção do tempo na eternidade — em um acontecimento futuro situado dentro da própria história.
Na Bíblia, a eternidade é descrita, segundo a definição de Boécio, como a “posse plena e simultânea de todos os seus momentos”.
O sentido da história somente apareceria quando ela terminasse e adquirisse uma forma total na eternidade.
A substituição da eternidade pelo futuro perfeito
Os revolucionários teriam substituído a eternidade por um tempo futuro perfeito, que deveria ser alcançado por meio da ação humana.
Essa substituição é apresentada como um erro lógico: nenhum momento futuro pode ser eterno. Ao conferir a um momento histórico o prestígio próprio da eternidade, o pensamento revolucionário inverteria radicalmente o sentido da doutrina cristã.
Essa concepção seria, portanto, uma doutrina anticristã, capaz de destruir a inteligência humana ao afastar o indivíduo da realidade.
A intelectualidade ativista raciocinaria dentro dessa estrutura falsa, produzindo uma inversão da percepção na qual o bem e o mal trocam de lugar.
7. Sociopatia Intelectual e Guerra Cultural
Como exemplo dessa inversão, é mencionado o professor da Unicamp João Carlos Quartim de Moraes, fundador de um núcleo de estudos marxistas.
Segundo a exposição, Quartim de Moraes teria integrado o comitê que condenou à morte o capitão norte-americano Charles Chandler, assassinado diante de sua família.
Ele é caracterizado como um assassino político e um sociopata. Em sua visão, a condição humana dependeria da posição política ocupada: os “nossos mortos”, identificados com os militantes revolucionários, seriam lamentados, enquanto os “mortos deles” seriam considerados irrelevantes.
Essa perda da noção de realidade também se manifestaria em leis consideradas aberrantes, como a tentativa de classificar a obesidade infantil como uma forma de abuso, a chamada “fat police”, e a proibição de anúncios de ketchup na Inglaterra, ao mesmo tempo em que se buscaria liberar a maconha.
No projeto globalista, as leis apresentariam um aspecto descrito como psicótico e grotesco.
8. Os Quatro Discursos e a Técnica Jurídica
Sobre a analogia entre os Quatro Discursos — Poético, Retórico, Dialético e Lógico — e os Quatro Elementos, afirma-se que essa relação realmente existe.
O tema seria detalhado em uma futura edição do livro do autor sobre Aristóteles.
Conceitos jurídicos indeterminados
O juiz Márcio Humberto Bragalha comentou sobre os chamados conceitos jurídicos indeterminados.
A exposição sustenta que não existem propriamente conceitos indeterminados, pois conceituar significa determinar. O que existe são termos com significação indeterminada.
Essa indeterminação seria utilizada propositalmente para permitir decisões arbitrárias e subjetivas, servindo como instrumento de guerra cultural inspirado em Antônio Gramsci.
O conteúdo da lei seria esvaziado para que grupos de poder pudessem interpretá-la e aplicá-la conforme seus próprios interesses.
9. Católicos Tradicionalistas e Autoridade Moral
Em relação aos movimentos tradicionalistas ou católicos pré-conciliares, afirma-se que muitos deles adotaram uma postura reativa em razão do escândalo provocado pelo Concílio Vaticano II.
Figuras como o Monsenhor Marcel Lefebvre e o Bispo Dom Antônio de Castro Mayer teriam sido excomungadas por pessoas que já estariam “autoexcomungadas” em razão do Pacto de Metz.
No Rio de Janeiro, o grupo de Gustavo Corção, posteriormente continuado pelo Dr. Júlio Fleichman, teria sofrido intensa perseguição.
Júlio Fleichman, judeu convertido ao catolicismo, escreveu o livro A crise é de fé e é grave, publicado pela Editora Permanência.
Embora o expositor não discuta detalhadamente as questões doutrinárias defendidas por esse grupo, declara possuir profundo respeito por sua autoridade moral, pois seus integrantes sofreram e pagaram pessoalmente por sua fé.
10. Os Três Projetos de Dominação Mundial
Pergunta de aluno:
Olavo, qual é o grande perigo atual? O radicalismo islâmico ou a Rússia e a China?
A resposta apresenta três grandes planos de dominação mundial, que poderiam concorrer entre si ou colaborar temporariamente:
- O plano comunista, representado principalmente por Rússia e China.
- O esquema globalista, associado a grandes famílias de milionários, como Rockefellers e Morgan, além de instituições como ONU e UNESCO.
- O projeto islâmico.
O perigo principal estaria na concorrência e nas possíveis alianças entre esses três projetos.
Historicamente, a Igreja Católica jamais teria pretendido criar um sistema político mundial no qual ocupasse o topo. A Igreja distinguia a autoridade espiritual do poder temporal.
Na atualidade, porém, os planos de dominação mundial teriam se transformado em uma banalidade.
Vladimir Putin, Rússia e KGB
Em relação a Vladimir Putin e à Rússia, manifesta-se a opinião de que um país dificilmente conseguiria se recuperar plenamente do comunismo.
A Rússia contemporânea é descrita como uma extensão da máfia, na qual o governo russo e a máfia russa seriam essencialmente a mesma estrutura.
Recomenda-se o livro Thieves’ World, de Claire Sterling, que mostraria como diferentes organizações mafiosas mundiais teriam sido unificadas, durante a década de 1990, sob o comando da máfia russa e, consequentemente, da KGB.
A KGB é apresentada como uma das maiores organizações da história humana, responsável por controlar todos os aspectos da vida russa, inclusive o próprio banditismo.
A conclusão é que não haveria futuro para a Rússia fora desse ciclo permanente de poder, corrupção e roubo.
Principais Ideias
- A corrupção corporativa e política aparece associada às disputas pelo controle das telecomunicações brasileiras.
- O aparelhamento ideológico das instituições substituiria a competência técnica pela fidelidade política.
- André Marc e Bernard Lonergan são apresentados como referências fundamentais para o estudo da Teoria do Conhecimento.
- O messianismo revolucionário teria origem em movimentos heréticos medievais.
- A concepção revolucionária substituiria a eternidade por um futuro histórico perfeito, realizável pela ação humana.
- Essa alteração produziria uma inversão moral e perceptiva, na qual o bem e o mal seriam reinterpretados conforme os interesses políticos.
- A legislação de significação indeterminada seria empregada como instrumento de decisões arbitrárias e guerra cultural.
- Os católicos tradicionalistas seriam respeitados por sua autoridade moral e pelo sofrimento suportado em defesa de sua fé.
- O cenário internacional seria disputado por três projetos de poder: comunismo, globalismo e islamismo.
Referências
Pessoas
- Marco Bernardini
- Daniel Dantas
- Lulinha
- Mauro Marcelo
- Roberto Abdenur
- Celso Amorim
- João Paulo de Freitas
- André Marc
- Jacques Maritain
- Bernard Lonergan
- São Tomás de Aquino
- Felipe Cola
- Yuri Vieira
- Robert Mundell
- João Amos Comênios
- Boécio
- Karl Marx
- João Carlos Quartim de Moraes
- Charles Chandler
- Fidel Castro
- Jean-Marie Le Pen
- Antônio Gramsci
- John Cornwell
- Monsenhor Marcel Lefebvre
- Bispo Dom Antônio de Castro Mayer
- Leonardo Boff
- Galileu Galilei
- Gustavo Corção
- Dr. Júlio Fleichman
- Vladimir Putin
- Claire Sterling
Livros
- Jardim das Aflições, de Olavo de Carvalho.
- A Dialética do Conhecimento — L’intellection, de André Marc.
- Insight, de Bernard Lonergan.
- A crise é de fé e é grave, de Júlio Fleichman.
- O Papa de Hitler, de John Cornwell, citado como exemplo de obra de manipulação.
- Thieves’ World, de Claire Sterling.
Organizações e Instituições
- Telecom Itália
- Brasil Telecom
- Grupo Opportunity
- Abin
- MST
- Igreja Católica
- Maçonaria
- SNI
- CFR
- ONU
- UNESCO
- KGB
- Unicamp
- Editora Permanência
Conceitos, Eventos e Expressões
- Teoria do Conhecimento
- Neoescolástica
- Messianismo revolucionário
- Juízo Final
- Tempo histórico
- Eternidade
- Nova Ordem Mundial
- Novus Ordo Seclorum
- Amero
- Guerra cultural
- Conceitos jurídicos indeterminados
- Quatro Discursos
- Quatro Elementos
- Concílio Vaticano II
- Pacto de Metz
- Comunismo
- Globalismo
- Projeto islâmico
Trechos Incertos ou Inaudíveis
- Foi mencionada a impossibilidade de ler e-mails muito longos durante a transmissão.
- Há incerteza sobre um termo empregado na explicação do Juízo Final: “rebatidos” no plano da eternidade.
- Há incerteza sobre o endereço eletrônico da Editora Permanência, especificamente se terminava em “.com.br” ou apenas “.com”.
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